Notícias Boletim de Conjuntura Agropecuária
Pressão dos custos reduz e produtores de leite terminam ano em melhores condições no Paraná
Apesar da redução de 4% nos preços recebidos pelos produtores de leite no Paraná entre outubro e novembro, o ano de 2022 está encerrando com melhores condições em comparação ao início do ano. Abacaxi e mel são outros destaques do boletim.

Apesar da redução de 4% nos preços recebidos pelos produtores de leite no Paraná entre outubro e novembro, o ano de 2022 está encerrando com melhores condições em comparação ao início do ano. A análise está no Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 02 a 08 de dezembro. O documento é elaborado pelos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
No mês de novembro, o produtor paranaense recebeu R$ 2,71 por litro de leite entregue aos laticínios, 4% a menos em comparação com o mês anterior. Segundo o Deral, essa correção vem desde o inverno, quando o produto atingiu R$ 3,35 e as indústrias se viram obrigadas a recorrer a maiores volumes de derivados importados, devido à dificuldade na captação de leite cru no campo.
Com a cotação do milho a R$ 75,90 em média no Paraná, o produtor precisou vender 28 litros de leite para comprar uma saca do cereal, proporção semelhante à média do ano de 2020. Na comparação com novembro de 2021, os laticínios pagaram 25% a mais pelo leite entregue, enquanto o preço da saca de milho apresentou pequena variação para baixo.
Ainda que o milho não seja o único insumo importante nessa cadeia, a nutrição do rebanho representa a maior parte dos custos de produção. Assim, mesmo com os preços em queda, o produtor está mais confortável que nos primeiros meses de 2022.
Grãos
Resta apenas 1% da área de trigo a ser colhida no Paraná, que deve resultar em uma safra de 3,47 milhões de toneladas. Ainda que tenha sido afetado negativamente pela seca e pelas geadas, o volume é considerado bom. O plantio da primeira safra de milho 2022/23 foi encerrado nesta semana e as condições de lavoura são favoráveis, tendo 82% em condição boa, 16% em condição mediana e apenas 2% em condição ruim. Já o plantio da safra de soja atingiu 99% da área total estimada de 5,7 milhões de hectares.
Fruticultura
Outro assunto analisado pelos técnicos do Deral é a fruticultura. Além do contexto mundial e nacional da produção de abacaxi, os números mostram que o Paraná responde somente por 0,7% da produção brasileira. No entanto, a atividade tem fundamental importância nos municípios onde se cultiva a fruta, pois gera emprego e renda, utilizando mão de obra intensiva nas diversas fases do cultivo. A área colhida no Paraná foi de 499 hectares em 2021, para uma produção de 9,6 mil toneladas.
O Brasil, com 2,7 milhões de toneladas, foi o quarto produtor mundial em 2020 e responde por 8,8% do total. Filipinas liderou com 9,7%, e China (2º), Costa Rica (3º) e Tailândia (5º) responderam por 9,5%, 9,4% e 8,8% respectivamente. No País, Pará (20,7%), Paraíba (15,1%), Minas Gerais (13,1%) e Rio de Janeiro (9,7%) participam com 58,6% das colheitas nacionais.
Avicultura e ovos
Segundo a Embrapa Suínos e Aves (CNPSA), o custo de produção do frango, no Paraná, em outubro de 2022, manteve-se estável em relação ao mês de anterior, estacionado no valor médio de R$ 5,49/kg. Os dados sobre produção de ovos mostram recordes no volume em 2021 no Brasil, a partir da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apicultura
O Paraná ocupa a terceira posição no ranking da exportação de mel in natura, atrás do Piauí e de Minas Gerais, considerando a exportação total dos dez meses de 2022. O Estado teve receita cambial de US$ 16,69 milhões e volume de 4.438 toneladas no período.
O principal destino para o mel brasileiro nos dez meses de 2022 (75,5% de todo volume exportado: 32.346 toneladas) continuou sendo os Estados Unidos: volume de 24.421 toneladas, com receita cambial de US$ 91,062 milhões e preço médio de US$ 3.728,85 por tonelada. Austrália, Países Baixos, Dinamarca, Áustria e França também são destinos recorrentes do produto.

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Mato Grosso atinge 50,89 milhões de toneladas e reforça protagonismo mundial na soja
Se fosse um país, estado ficaria atrás apenas de Brasil e Estados Unidos no ranking global de produção.

Os números de Mato Grosso ganham ainda mais relevância quando analisados ao longo das últimas safras e comparados ao cenário internacional. Após colher 38,70 milhões de toneladas na safra 2023/24, o estado alcança um volume estimado de 50,89 milhões de toneladas na safra 2024/25, com projeção de 47,17 milhões de toneladas para a safra 2025/26. Esse patamar coloca Mato Grosso em nível de produção semelhante ao de países inteiros, como a Argentina, que produz em torno de 50 milhões de toneladas de soja.

Foto: Gilson Abreu
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), esse resultado é reflexo direto de anos de investimento em tecnologia, manejo eficiente e compromisso com a produção sustentável. O desempenho alcançado pelo estado não apenas reforça sua liderança no agronegócio, como também destaca o papel de Mato Grosso na segurança alimentar mundial, demonstrando que é possível produzir em larga escala com responsabilidade, inovação e foco no futuro.
Para vice-presidente oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo, o volume na produção alcançada por Mato Grosso evidencia a importância estratégica do agronegócio estadual para o Brasil, tanto no abastecimento quanto no fortalecimento do balanço comercial.
“Além da soja, a produção de milho ganha cada vez mais relevância, impulsionada pelas indústrias de etanol. Esse movimento fortalece a industrialização do estado, gera mais arrecadação, viabiliza investimentos em infraestrutura e cria uma cadeia positiva em que produtor, indústria e sociedade avançam juntos. Esse cenário deve se consolidar ainda mais nos próximos anos, ampliando a competitividade e o rendimento do produtor rural”, destaca o vice-presidente.
Com um dos maiores territórios do país, Mato Grosso apresenta uma ocupação do solo marcada pelo equilíbrio entre produção e preservação. A atividade agropecuária se desenvolve de forma concentrada em áreas já consolidadas, enquanto uma parcela significativa do estado permanece preservada, abrigando importantes biomas e áreas de vegetação nativa. Esse cenário reforça que o avanço da produção ocorre de forma planejada, com respeito ao uso racional do território, à legislação ambiental e à conservação dos recursos naturais, pilares que sustentam a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio mato-grossense.
O vice-presidente leste da Aprosoja MT, Lauri Pedro Jantsch, explica que o investimento em tecnologia, manejo e sustentabilidade contribuíram para que Mato Grosso atingisse esse nível de produção, elucidando esse protagonismo do produtor mato-grossense na produção de soja mundial.
“Mato Grosso é um estado repleto de oportunidades no agronegócio. O produtor mato-grossense tem uma grande capacidade de adaptação diante dos desafios que surgem ao longo do caminho. Com investimentos em tecnologia, manejo adequado e correção de solos, é possível transformar áreas degradadas em áreas altamente produtivas. Essa capacidade de evolução e resiliência faz com que o produtor de Mato Grosso consiga converter dificuldades em resultados, promovendo produtividade e sustentabilidade no campo”, ressalta Lauri.

Foto: Jaelson Lucas
Mesmo diante de números expressivos, os produtores do estado ainda enfrentam diversos desafios que, na prática, limitam o avanço da produção e a competitividade do setor. Entre os principais entraves, o vice-presidente da região Leste destaca a logística e a armazenagem de grãos, que, quando comparadas às de outros países, ainda apresentam defasagens significativas.
“Aqui em Mato Grosso, ainda temos diversas dificuldades que atrapalham o produtor, e uma delas é a logística. No Brasil, há um déficit muito grande: temos um dos custos mais altos do mundo para transportar os grãos até os portos. Essa capacidade logística ainda é limitada e traz grandes custos para o produtor. Há também a questão da armazenagem, já que nossa capacidade de estocagem ainda é pequena, ao contrário do que ocorre com o produtor americano, por exemplo”, finaliza ele.
Diante desse cenário, Mato Grosso segue como referência mundial na produção de grãos, unindo escala, eficiência e responsabilidade ambiental. Ao mesmo tempo em que celebra resultados expressivos, o estado reforça a necessidade de avanços em infraestrutura, logística e armazenagem para sustentar o crescimento e ampliar a competitividade do setor. Com produtores cada vez mais atualizados e comprometidos, o agronegócio mato-grossense se consolida como peça-chave para o desenvolvimento econômico do Brasil e para o abastecimento alimentar global.
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Safra americana 2026/27 redesenha cenário para exportações brasileiras de grãos
Com milho mais ajustado e soja em recuperação nos EUA, Brasil pode encontrar oportunidades no cereal e maior pressão competitiva na oleaginosa.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, durante o Outlook Forum realizado na última semana, as primeiras projeções para a safra 2026/27. Os números indicam redução na produção de milho e avanço da soja no sistema produtivo americano.
A área total plantada com milho, soja, trigo e algodão foi estimada em 94,5 milhões de hectares, levemente abaixo da safra anterior. O principal ajuste ocorre no milho, que deve perder espaço para a soja.
A área de milho está projetada em 38 milhões de hectares, com recuo em relação a 2025. Já a soja deve ocupar 34,4 milhões de hectares, com expansão sustentada por melhor rentabilidade relativa e pela dinâmica de rotação de culturas, especialmente no Meio-Oeste dos EUA. O trigo tem área estimada em 18,2 milhões de hectares, com leve queda, enquanto o algodão deve alcançar 3,8 milhões de hectares, embora a área colhida deva ficar em 3,16 milhões de hectares, devido a uma taxa de abandono próxima de 20%.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a atual relação de preços entre soja e milho na CBOT está mais favorável para a soja do que no mesmo período do ano passado, embora, considerando os contratos futuros de novembro de 2026 para soja e dezembro de 2026 para milho, a relação esteja próxima da média histórica.
Em relação à produção, o USDA projeta a colheita de milho em aproximadamente 400 milhões de toneladas em 2026/27, volume cerca de 30 milhões de toneladas inferior ao ciclo anterior. A redução é atribuída principalmente à menor área plantada, já que a produtividade estimada permanece elevada, próxima de 11,5 toneladas por hectare.
Para a soja, a produção está estimada em 121 milhões de toneladas, resultado da combinação entre maior área e produtividade projetada em torno de 3,6 toneladas por hectare. O aumento deve sustentar a expansão do esmagamento doméstico e recompor parcialmente a oferta exportável.
No trigo, a produção deve alcançar 50,6 milhões de toneladas, queda próxima de 6% em relação à safra anterior, reflexo de menor área colhida e produtividade inferior ao recorde do ciclo passado. No algodão, a produção é estimada em 3 milhões de toneladas, recuo de 2%.

Foto: Jaelson Lucas
No segmento de derivados, a produção de farelo de soja está projetada em 56,9 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 18,9 milhões de toneladas. Já o óleo de soja deve atingir 14,2 milhões de toneladas, com destaque para o uso em biodiesel, estimado em 7,8 milhões de toneladas — aumento de 17% sobre 2025/26, impulsionado por metas relacionadas ao Renewable Fuel Standard (RFS) e por políticas estaduais de baixo carbono.
O USDA avalia que a oferta americana de milho tende a ficar mais ajustada em 2026/27, enquanto a soja apresenta cenário de recuperação produtiva. Trigo e algodão têm produção menor, mas ainda contam com estoques considerados confortáveis.
Entre os fatores que devem influenciar o mercado ao longo da safra estão o comportamento das compras chinesas de soja, a definição das metas de biocombustíveis nos Estados Unidos, as condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras e a consolidação da safra sul-americana.
Um novo relatório com estimativas atualizadas de área plantada, o Prospective Plantings, será divulgado no dia 31 de março, com dados baseados em entrevistas com produtores americanos.
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Mercado do trigo reage a cenário externo e oferta limitada no Rio Grande do Sul
Enquanto o grão registra valorização, farelo acumula desvalorização e farinhas mantêm estabilidade diante de demanda moderada.

As cotações internacionais do trigo vêm registrando fortes altas, impulsionadas pela seca em áreas de cultivo de inverno nos Estados Unidos.
De acordo com o Cepea, esse movimento externo foi repassado ao mercado do Rio Grande do Sul. No estado, a alta internacional se somou à oferta mais restrita, sobretudo de trigo de melhor qualidade, elevando as cotações.
No mercado de farelo de trigo, dados do Cepea mostram que tanto o produto ensacado quanto o a granel seguem em desvalorização, devido à maior competitividade de outros ingredientes utilizados na ração animal, como o farelo de soja – também em retração –, e ao avanço da colheita do milho de verão.
Para as farinhas, os preços apresentaram estabilidade relativa no mesmo período. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado não encontra sustentação consistente, diante de uma demanda em recuperação gradual.



