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Presidente do Sistema OCB prevê agronegócio brasileiro para próxima década com atuação cada vez mais cooperativista
O cooperativismo tem uma meta clara, desenhada por planejamentos estratégicos robustos e que guiam as cooperativas em cenários de meses, anos e décadas, para que, considerando todos os ramos do movimento, em 2027, se alcance R$ 1 trilhão em movimentação financeira e 30 milhões de cooperados nos quadros sociais das cooperativas por todo o Brasil, dos quais. Essas metas não demonstram apenas a continuidade da representatividade do movimento cooperativista, mas também os caminhos que o cooperativismo vai ter que enfrentar para alcançar estes patamares

Em um Brasil que se destaca como potência agroalimentar, as cooperativas agropecuárias assumem papel fundamental. Responsáveis por mais da metade da safra nacional de grãos e com faturamento superior a R$ 430 bilhões em 2022, o movimento cooperativista demonstra pujança e contribui de forma significativa para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas: “Com números expressivos, perspectivas promissoras e um sistema de apoio sólido, o futuro do cooperativismo é de crescimento, inovação e ainda mais sucesso” – Foto: Divulgação/Sistema OCB
Para tratar do panorama do cooperativismo agropecuário no país, desde seus números expressivos até os desafios e perspectivas para o futuro, o Jornal O Presente Rural entrevistou o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. “O cooperativismo agropecuário brasileiro é sinônimo de eficiência, entrega e resultado”, afirma Freitas, enfatizando: “São mais de um milhão de produtores rurais, reunidos em cerca de 1.185 cooperativas espalhadas por todo o país, que geram empregos, renda e prosperidade”.
No entanto, apesar do sucesso, o cooperativismo agropecuário brasileiro enfrenta desafios como a manutenção da atividade no campo e a adaptação às mudanças climáticas. A fim de mitigar os efeitos das mudanças climáticas, as cooperativas investem em pesquisa, desenvolvimento de novas tecnologias e adoção de práticas sustentáveis. “O futuro do cooperativismo agropecuário brasileiro é promissor. Com a crescente demanda por alimentos no mundo, a expectativa é de que o setor continue crescendo nas próximas décadas. Para acompanhar esse ritmo, as cooperativas precisarão se fortalecer ainda mais, investindo em tecnologia, inovação e profissionalização da gestão”, ressalta Freitas.
O Presente Rural – Quais são os dados do cooperativismo agropecuário brasileiro?
Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo agropecuário brasileiro é sinônimo de eficiência, entrega e resultado, características marcantes que se materializam nos números sociais e econômicos destes negócios coletivos espalhados por todo o território nacional. Principalmente no que diz respeito a um movimento que contempla mais de um milhão de produtores rurais, distribuídos em cerca de 1.185 cooperativas por todo o país, gerando empregos, renda e prosperidade.
Em relação aos aspectos sociais, o movimento vem se expandindo, em especial sob o prisma do foco principal das cooperativas, as pessoas. Para se ter uma ideia, entre 2019 e 2022, os fluxos de cooperados do ramo agropecuário apresentou crescimento de cerca de 19 mil novos agricultores. A evolução dos quadros sociais das cooperativas, que tem destaque nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mostram o potencial de expansão do movimento, assim como a utilização das cooperativas como um modelo de negócios que promove organização e inclusão dos agricultores nas cadeias produtivas.
Quanto os aspectos econômicos, as cooperativas agropecuárias também vão muito bem, totalizando mais de R$ 430 bilhões em ingressos em 2022, e um crescimento de 20% em relação à 2021.
Esse aumento de receitas foi alicerçado em trabalho duro e conjunto dos cooperados, cooperativas e seus colaboradores, de forma organizada e promovendo geração de novos empregos, que totalizaram cerca de 42,4 mil entre 2019 e 2022, número que representa 16,9% das cerca de 249.584 mil vagas ocupadas no movimento.
É imprescindível citar ainda que o cooperativismo agropecuário, representa mais de 50% da safra nacional de grãos, em especial na cafeicultura, fruticultura, fibras, hortaliças e bioenergia. Ele é, assim, parte vital da receita de sucesso do agronegócio, que, segundo dados do Cepea/Esalq-USP, cresceu cerca de R$ 1,6 trilhão na última década (2013-2023), assim como avançou em sua representatividade em relação ao PIB Nacional, que saiu de 18,69% em 2013 e chegou em 24,14% em 2023.
O Presente Rural – Como o senhor avalia o desempenho da produção agropecuária brasileira nos últimos anos e quais foram os principais fatores que
contribuíram para esse crescimento?
Márcio Lopes de Freitas – A cadeia agropecuária como um todo é um sucesso no Brasil, gera renda, emprego, desenvolvimento regional e prosperidade nacional, sendo um dos atributos de potência da economia brasileira. Dito isso, o crescimento da produção agropecuária brasileira foi exponencial, tanto em volume das produções, tais como as de grãos que passaram de 300 milhões de toneladas produzidas, quanto se avaliarmos o extraordinário crescimento econômico dentro da porteira na participação do PIB do agronegócio. Essa participação de 2,6 pontos percentuais em quase duas décadas representa cerca de R$ 677 bilhões de aumento no PIB do setor.
Boa parte dessa evolução e sucesso se deve aos incrementos de eficiência relacionados aos índices de Produtividade Total dos Fatores (PTF), pautados no aumento da produtividade da mão de obra, redução ou baixo crescimento da área plantada, devido aos ganhos de produtividade da terra; e aumento do uso de capital, tendência que deve se manter na próxima década.
Para finalizar essa questão, não podemos deixar de comentar que as cooperativas agropecuárias funcionam como ferramenta para potencializar os fatores apontados como determinantes para o crescimento da agropecuária nacional nos últimos anos, principalmente pela promoção da pesquisa, assistência técnica, produtos e serviços que geram aumento de eficiência no uso dos fatores de produção do segmento.
O Presente Rural – Na sua opinião, quais os maiores desafios enfrentados pelos produtores agropecuários atualmente?
Márcio Lopes de Freitas – Nos dias atuais, o principal desafio dos produtores rurais é a manutenção da atividade no campo e a organização da cadeia produtiva, principalmente quando falamos da necessidade de remunerar o capital imobilizado em terras para produção agrícola e pecuária, frente a competição com outras atividades econômicas. E também quando falamos na organização para que a inclusão produtiva do agricultor ocorra de forma adequada e sustentável para que sua atuação possa ser perene e ocorrer de forma harmônica com todos os elos do agronegócio nacional, dentre eles fornecedores, compradores e prestadores de serviços.

O Presente Rural – Como as mudanças climáticas têm impactado a produção agropecuária no Brasil e quais medidas têm sido adotadas para mitigar esses efeitos? Como a OCB tem agido para auxiliar as cooperativas?
Márcio Lopes de Freitas – O clima é a variável número um quando se trata de agricultura e pecuária tropical e temperada. E foi por meio das normas climáticas que a agricultura e pecuária nacional se zonearam ao longo do país, frente às necessidades e aptidões hídricas e físicas dos ambientes de produção. Dito isso, processos de curto, médio e longo prazo, principalmente os oriundos de ação humana e que provocam alterações do clima, impactam diretamente os riscos de produção e rentabilidade, principalmente por tornarem regiões atualmente adequadas à produção agropecuária, inadequadas.
É preciso parabenizar a pesquisa agropecuária nacional que, antevendo as consequências das mudanças climáticas, tem trabalhado para criar boas práticas de produção, sistemas produtivos e cultivares adequados para ambientes e climas adversos e extremos.
No Sistema OCB somos apoiadores de iniciativas como essas e promovemos capacitações para os departamentos técnicos das cooperativas agropecuárias de todo o país junto com as unidades da Embrapa. São mais de 500 técnicos que atuam na disseminação das melhores práticas e inovações geradas pela pesquisa agropecuária brasileira, inclusive para boas práticas ambientais e adaptação às mudanças climáticas globais. Não podemos deixar de citar, também, o programa ESGCoop, iniciativa do Sistema OCB para diagnosticar, monitorar e apoiar o cooperativismo no que diz respeito à adequação as diretrizes ESG.
O Presente Rural – Qual o papel da tecnologia e da inovação no aumento da produtividade agropecuária? Cite alguns exemplos de tecnologias que têm sido adotadas pelos produtores e como as cooperativas e a própria OCB têm apoiado a adoção de novas tecnologias entre os seus associados.
Márcio Lopes de Freitas – Tecnologia e inovação são pilares centrais para o aumento de produtividade da agropecuária nacional. É por meio das inovações e tecnologias bem aplicadas que se aumenta eficiência e se utiliza melhor os recursos disponíveis para produção, assim como se criam novos mercados e disrupções setoriais que promovem desenvolvimento econômico e prosperidade local e ampla.
Nesse sentido, destaco as iniciativas das cooperativas, que além de possuírem um modelo de negócios inovador e atual por natureza, promovem e estão buscando fortalecer a cultura
de inovação em seus quadros sociais. Cenário que se mostra presente nas feiras agropecuárias promovidas pelo cooperativismo agropecuário e que buscam trazer aos produtores rurais cooperados, as tecnologias e inovações mais recentes para serem utilizadas em seus negócios, promovendo resultados positivos no campo e na renda.
Dentre esses produtos e serviços apresentados e difundidos aos agricultores, que vão de drones até o ‘arroz e feijão’ da agricultura e pecuária, que é o bom uso do solo e das sementes, se destacam também as iniciativas de inovação e tecnologia que são geradas dentro das cooperativas e expostas para além delas, contribuindo desta forma para o segmento como um todo.
O Presente Rural – Quais iniciativas têm sido implementadas para garantir a sustentabilidade da produção agropecuária no Brasil?
Márcio Lopes de Freitas – Antes de tudo, é preciso ressaltar que é essência da agricultura e da pecuária brasileira é a boa utilização dos fatores de produção e dos recursos naturais disponíveis. Assim, o setor agropecuário brasileiro tem perseguido de maneira consistente a utilização de boas práticas agrícolas, o uso eficiente dos sistemas de produção e a sustentabilidade sob todos os prismas.
O que se tem visto são ações para sustentabilidade tanto no âmbito privado quanto no público. Em relação ao privado, a sustentabilidade tem sido sinônimo de rentabilidade, eficiência e renda no campo, aspectos que fizeram com que barreiras fossem rompidas para os produtores rurais, que buscam cada vez mais avançar em aspectos sustentáveis entendendo que essa mudança de processos e projetos internos gera no final das contas resultado.
Inseridas neste contexto estão as cooperativas, que não somente são referências no uso de certificações de sustentabilidade e comércio justo, mas também têm incentivado nos seus quadros sociais o avanço em práticas sustentáveis e uso eficiente dos recursos, por meio de uma rede técnica de mais de 9 mil profissionais que disseminam técnicas produtivas adequadas, sustentáveis e que promovem perenidade no campo.
O Presente Rural – Como as políticas públicas têm influenciado a produção agropecuária no Brasil? Há áreas em que o senhor acredita que o governo poderia atuar de forma mais efetiva?
Márcio Lopes de Freitas – As políticas públicas têm um papel fundamental para criação de um ambiente favorável para a agropecuária brasileira, pois é por meio delas que as condições tributárias, comerciais e produtivas entram em harmonia, permitindo que o setor privado possa ter segurança de seguir produzindo, investindo e gerando resultados para o Brasil. Nesse sentido, destaco a indispensável presença de uma política agrícola forte e atenta as demandas do setor, principalmente a partir de seus principais instrumentos, tais como o Plano Safra, Seguro Rural e a Política de Garantia de Preços Mínimos.
Acredito que todos esses instrumentos precisam ser reforçados, não somente por sua relevância para a garantia da atividade agropecuária para pequenos, médios e grandes produtores, mas também para balizar e mostrar a presença do estado ao lado do setor produtivo em momentos de adversidade. Um cenário assim dá segurança para que o cooperativismo e seus cooperados continuem sua atividade de produzirem alimentos.
Enquanto representantes do cooperativismo brasileiro, o foco mais recente de atuação do Sistema OCB é voltado para o Plano Safra 2024/25, em que solicitamos, com base no documento Propostas do Sistema Cooperativista ao Plano Safra 2024/25, cerca de R$ 558 bilhões em recursos, com taxas reduzidas, limites ampliados, além da manutenção da arquitetura do crédito rural e reforço aos mecanismos de gestão de riscos agropecuários, tais como Seguro Rural, Proagro, Pep e Pepro.
O Presente Rural – Qual é o papel das cooperativas na produção agropecuária brasileira e como elas contribuem para a competitividade do setor?
Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo e a agropecuária brasileira estão entrelaçados. E as cooperativas agropecuárias são vanguarda na organização e inclusão de pequenos, médios e grandes produtores na cadeia produtiva de alimentos, fibras, biocombustíveis e energia. Além disso, esses negócios coletivos originam mais de 50% da safra nacional de grãos e representam, em relação à produção brasileira, 75% do trigo, 55% do café, 53% do milho, 52% da soja, 50% dos suínos, 48% do algodão, 46% do leite e 43% do feijão, segundo dados do Censo Agropecuário realizado pelo IBGE. Também contribuem de maneira significativa nas safras da fruticultura, horticultura, proteínas animais, fibras e setor sucroenergético.
A atuação desta estrutura societária única, não se limita ao espaço delimitado dentro da porteira. As cooperativas também estão presentes na distribuição de insumos, na assistência técnica, na conservação e guarda de alimentos, na agregação de valor, por meio das agroindústrias e no poder de comercialização do mercado. E toda essa presença e representatividade se resume em competitividade para os cooperados e para o agronegócio como um todo.
O Presente Rural – Como o Sistema OCB tem trabalhado para fortalecer as cooperativas e apoiar os produtores rurais?
Márcio Lopes de Freitas – O Sistema OCB existe para o cooperativismo e atua para o movimento em suas três casas: OCB, Sescoop e CNCoop. Essa atuação é voltada para representação institucional e comunicação (OCB), monitoramento, diagnóstico, capacitação e apoio ao desenvolvimento do cooperativismo (Sescoop) e representação sindical (CNCoop).
Especificamente para o ramo agropecuário, além de temas transversais para o movimento como um todo, como a Reforma Tributária, por exemplo, são prioridade da representação institucional: crédito rural, defesa agropecuária, questões ambientais, inserção internacional, garantia de renda ao produtor, conectividade rural, fortalecimento da agricultura familiar e representação sindical. Destaco ainda as diversas ações de diagnóstico, monitoramento, capacitação e suporte aos negócios cooperativistas de todo o Brasil realizadas pelo Sescoop.
O Presente Rural – Quais são as expectativas do Sistema OCB para a produção agropecuária brasileira nos próximos anos visto que o clima tem impactado

cada vez mais o setor?
Márcio Lopes de Freitas – O exercício de antever cenários futuros é sempre um grande desafio, porém ação essencial para que os negócios das cooperativas e as estratégias estejam bem definidas nos horizontes de curto, médio e longo prazo. Desta forma, o que se tem de projeções oficiais do governo e de centro de pesquisas nacionais e internacionais é de um agronegócio brasileiro crescente para a próxima década, com tendência de aumento da demanda pelos produtos agropecuários globais, intensificação do uso dos fatores de produção, necessidade de investimentos e atuação cada vez mais cooperativista.
No que diz respeito especificamente as questões climáticas, elas continuarão sendo variável determinante para o setor, e nesse sentido o segmento converge para se adaptar e amenizar seus impactos para avançar em ambientes produtivos adversos, como era o Cerrado décadas atrás e que, com tecnologia, pesquisa e muito esforço, se tornou o celeiro de grãos do país.
O Presente Rural – Quais tendências o senhor acredita que irão moldar o futuro do cooperativismo agropecuário no Brasil?
Márcio Lopes de Freitas – O cooperativismo tem uma meta clara, desenhada por planejamentos estratégicos robustos e que guiam as cooperativas em cenários de meses, anos e décadas, para que, considerando todos os ramos do movimento, em 2027, se alcance R$ 1 trilhão em movimentação financeira e 30 milhões de cooperados nos quadros sociais das cooperativas por todo o Brasil, dos quais.
Essas metas não demonstram apenas a continuidade da representatividade do movimento cooperativista, mas também os caminhos que o cooperativismo vai ter que enfrentar para alcançar estes patamares, tais como o fortalecimento da intercooperação e das relações com o mercado, assim como avanços em aspectos de gestão e governança, para serem ainda mais profissionais e responsivas às necessidades globais. Também não podemos esquecer de citar da valorização das pessoas, que são o foco do movimento e a diferença para que as cooperativas reforcem seu papel de instrumento para tornar o mundo melhor e mais próspero.
O acesso é gratuito e a edição Especial de Cooperativismo pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

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Fim da escala 6×1 pode gerar impacto bilionário no agro
Ministério do Trabalho estima que setores como proteína suína e avícola podem ter aumento de custos de até R$ 9 bilhões para manter níveis de produção, enquanto deputados e entidades pedem debate técnico e detalhado.

A proposta para pôr fim à escala 6×1, com redução da jornada semanal de trabalho, deve gerar impactos distintos entre os setores da economia. No caso da agropecuária, os efeitos podem ser superiores à média nacional. De acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, setores como a agropecuária, a construção e o comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%.

Deputado federal Maurício Marcon: “Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”
Os dados foram apresentados na terça-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019, que trata do tema. A sessão contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que ressaltou que é preciso enfrentar o debate do impacto de custo, embora defenda que esses efeitos não sejam “proibitivos” para a implementação das mudanças.
De acordo com o chefe da pasta, esse estudo do Ministério ainda está sendo elaborado e os setores poderão participar desta mensuração dos impactos. “Nós estamos abertos para sentar com a bancada de empregadores de todos os setores da economia, inclusive, para aprofundar cada setor qual o tamanho do impacto que deve ter”, destacou.
O levantamento foi apresentado pela subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner. Segundo ela, o custo médio da redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. Porém, alguns setores terão impactos distintos:
- Setores de transporte aquaviário e da indústria de alimentos – cerca de 10,5%;
- Setores da agropecuária, da construção e do comércio – custo entre 7,8% e 8,6%;
- Setor de serviços – custo de 1,6%.

Deputada federal Julia Zanatta: O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”
Ela lembrou que esses dados não levam em conta os gastos com a contratação de novos empregados para manter o nível de produção das empresas. O entendimento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é de que o debate deve ocorrer com uma base técnica mais robusta. Um dos pontos que precisa de mais atenção são as diferentes realidades trabalhistas setoriais e regionais.
No setor de produção de etanol, por exemplo, uma redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas deve gerar um incremento de custo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido a necessidade de novas contratações para compensar a produtividade. Para o setor de proteína suína e avícola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões. Nas cooperativas agroindustriais, os gastos a mais com essas novas contratações devem ser de R$ 2,5 bilhões.
Bancada questiona ministro sobre pontos sem definição
A sessão com o ministro também serviu para que deputados da FPA apresentassem dúvidas sobre a forma como o governo pretende implementar a proposta, caso ela seja aprovada. O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) questionou, por exemplo, o risco de demissões.
“Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”, indagou o parlamentar ao indicar que jornada de trabalho diminuirá a produtividade das empresas e isso deve restringir a manutenção dos empregos.

Deputado federal Luiz Gastão: “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”
A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) classificou como “contrassenso” a posição do governo sobre o tema. Segundo ela, o governo tem elevado impostos para bancar o aumento dos gastos públicos, ao mesmo tempo em que defende a redução da jornada de trabalho. “O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”, afirmou.
Ainda sobre o aspecto tributário, o deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) destacou que os custos estimados pelos setores são superiores aos apresentados pelo governo e alertou para o risco maior sobre empresas de menor porte. “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”, disse.
Quem também cobrou uma resposta do governo foi a deputada federal Gisela Simona (União-MT). O questionamento foi sobre a intenção do Executivo de inserir as alterações sobre jornada e escala na Constituição Federal. “Eu gostaria de entender, de forma bem objetiva, a posição do governo com relação àquilo que efetivamente se quer colocar nesse texto constitucional”, perguntou.

Deputada federal Gisela Simona: “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”
Nas respostas, o ministro disse que há estudos que apresentam ganho de produtividade com menos horas de trabalho. “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”, ponderou.
Além disso, Marinho afirmou que a ideia do governo não é enviar um projeto de lei para tratar do tema, mas avançar com PEC ou com outros projetos de lei que também abordam o assunto. Ainda conforme o ministro, essa articulação está sendo feita junto ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
Novas discussões
A audiência de terça-feira foi a primeira de um ciclo de audiências aprovadas para serem realizadas na CCJC. O requerimento para as audiências foi feito pelo relator da matéria na comissão, deputado federal Paulo Azi (União – BA).
Ao todo serão quatro audiências públicas. As seguintes devem ser:
- com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad;
- com representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
- com representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Relembre
O tema da redução da jornada de trabalho e modificação da escala 6×1 tomou corpo neste ano. Em movimento liderado pela FPA junto com a Coalizão de Frente Produtivas, parlamentares têm pedido que a discussão ocorra sem precipitação e com a participação dos diferentes setores.
Na semana passada, mais de 100 entidades representativas da economia brasileira emitiram um manifesto no qual defendem o debate da modernização da jornada de trabalho, com diretrizes consideradas essenciais para a discussão.
Uma delas seria a preservação do emprego formal, além de uma atuação com políticas e estratégias para mitigar a informalidade. Outro aspecto trazido pelas entidades é a adoção de medidas para aumentar a produtividade. Além disso, o reconhecimento da heterogeneidade setorial e dos ajustes por meio de negociações coletivas também são apontados como pontos centrais para o debate.
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Regras para proteger consumidores do Mercosul são aprovadas no Senado
Novas normas devem tornar contratos internacionais mais previsíveis e ampliar participação do país nas cadeias de consumo.

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) aprovou por unanimidade, na terça-feira (10), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 170/2022), que moderniza e harmoniza o ambiente regulatório do Mercosul, com foco na circulação de bens, serviços e informações entre os países do bloco.
Segundo a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), a proposta estabelece normas comuns para contratos internacionais de consumo e deve tornar o mercado regional mais integrado, previsível e seguro.

Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS): “Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo” – Foto: Divulgação/FPA
A aprovação ocorre poucos dias depois do Senado Federal dar aval ao acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações. O acordo provisório prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia.
Tereza Cristina destacou que a iniciativa começou ainda em 2010, no contexto da construção de um marco ampliado de direitos para os cidadãos do Mercosul, que culminou no Estatuto da Cidadania do Mercosul, adotado em 2021.
A senadora explicou que, especificamente na proteção do consumidor, o projeto cria um Sistema de Defesa do Consumidor do Mercosul, com regras claras para o tratamento jurídico de contratos internacionais de consumo. “Foi nesse contexto que se chegou ao instrumento de proteção ao consumidor do Mercosul que discutimos e conseguimos aprovar. Trata-se de uma construção voltada a um mercado mais integrado, previsível e seguro, criando condições para o fortalecimento do comércio eletrônico, do turismo intrarregional e das novas modalidades de serviços digitais. Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo”, afirmou.
O projeto agora segue para análise do Plenário do Senado.
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Workshop de Bioinsumos reúne mercado e inteligência de dados em São Paulo
Pela primeira vez aberto ao público, evento será realizado nos dias 17 e 18 de março, com foco em análises estratégicas, dados inéditos e projeções sobre o mercado brasileiro e internacional.

A Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) está com as inscrições abertas para a 3ª edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, que será realizado nos dias 17 e 18 de março, em Campinas (SP).
Em um momento marcado pelos desdobramentos regulatórios da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070) e pela forte expansão do setor no país, o evento se propõe a ser um espaço estratégico de análise e interpretação desse novo ambiente de mercado, reunindo representantes da indústria, especialistas e profissionais do setor, além de demais agentes da cadeia de bioinsumos, para discutir tendências, desafios e oportunidades, com base em dados e projeções sobre o cenário brasileiro e internacional.
Consolidado como um espaço qualificado de acesso a dados exclusivos e discussões de alto nível, esta edição contará com um número maior e mais diversificado de apresentações, tendo como foco a inteligência de mercado.
A programação, que será combinada a momentos de debate e networking entre os participantes, trará análises sobre o panorama global dos bioinsumos, incluindo projeções e tendências para os próximos anos, o cenário das commodities agrícolas e seus impactos sobre o setor, os desafios de adoção das tecnologias biológicas no campo, além de um retrato atualizado do mercado brasileiro, com detalhamento de segmentos como inoculantes e biodefensivos.
A participação é aberta aos associados da ANPII Bio e, pela primeira vez, profissionais não associados também poderão participar, mediante inscrição prévia. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas por meio de formulário online.



