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Presidente do Nucleovet fala dos planos para os simpósios em 2024

Os Simpósios são reconhecidos por serem líderes na transferência de conhecimentos, no aprimoramento da classe, no desenvolvimento de novas tecnologias e na troca de experiências nas áreas de avicultura, suinocultura e bovinocultura de leite.

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Foto: Shutterstock

Responsável pela organização de três dos principais eventos técnicos do Brasil e da América Latina, o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) reuniu mais de quatro mil pessoas durante os Simpósios realizados em 2023, proporcionando mais de 60 palestras com profissionais de destaque. Os Simpósios são reconhecidos por serem líderes na transferência de conhecimentos, no aprimoramento da classe, no desenvolvimento de novas tecnologias e na troca de experiências nas áreas de avicultura, suinocultura e bovinocultura de leite.

A partir de 2024 a entidade passa a ser presidida pelo médico-veterinário Tiago José Mores. À medida que o novo ano se inicia, o presidente delineou planos para priorizar a consolidação dos eventos do Nucleovet. Com foco em aprimorar a qualidade técnica e aumentar a participação em diversos segmentos da indústria, incluindo veterinários, produtores e outros profissionais na avicultura, suinocultura e bovinocultura. “Vejo grande potencial em relação às jornadas ou encontros técnicos, bem como uma maior aproximação com universidades e instituições de pesquisa, de forma a disseminar os resultados para que a indústria possa aplicar isso no campo e trazer benefícios para toda a cadeia de produção”, afirma Mores.

Tiago destaca a gestão anterior, dirigida por Lucas Piroca, que foi responsável por um aumento considerável no quadro de associados e pela consolidação das atividades da entidade. De acordo com ele, a expectativa é continuar com um trabalho de qualidade e que agrade a maioria. “Por um lado é uma responsabilidade ouvir sempre o maior número de pessoas possível. Por outro lado isso é gratificante porque mostra que a entidade está no caminho certo, está congregando e associando um número maior de médicos veterinários e zootecnistas. Isso acaba trazendo maior riqueza e diversidade de pensamentos para as nossas discussões e, inclusive, para o desenvolvimento dos nossos Simpósios, que são os nossos principais condutores dentro do Nucleovet”, expõe.

Avaliar projetos em andamento também estão nos planos dele, bem como atender às expectativas dos produtores e técnicos, já que os eventos do Nucleovet servem como plataformas cruciais para que profissionais e produtores obtenham insights, implementem conhecimentos em suas operações e contribuam para discussões que moldam a indústria. “O foco permanece na incorporação de tópicos relevantes para a realidade brasileira, além de visualizar as expectativas dos associados, dos profissionais que nos acompanham e da própria sociedade chapecoense, pois creio ser essencial entender como a entidade pode contribuir para o desenvolvimento técnico da cadeia produtiva regional”, declara.

O presidente também reforçou que participar dos eventos técnicos possibilita que produtores e técnicos possam, a partir dos debates e palestras, implementar conhecimentos e ideias em suas propriedades. “Com isso em mente, sempre instigamos as comissões científicas dos eventos a trazer assuntos aplicáveis ao campo, a nossa realidade brasileira. Dessa forma, buscamos observar e incluir os debates em torno da saúde única, a abordagem que leva em consideração saúde animal, humana e ambiental. Essa é uma discussão extremamente atual no mundo todo e buscaremos trabalhá-la em nossos três Simpósios”, adianta.

Desafios da Indústria em 2024

Com relação aos desafios em 2024, o presidente destacou a necessidade de uma melhor comunicação tanto para o mercado quanto para os consumidores sobre a posição do Brasil como um dos principais exportadores e produtores de carne de frango, suína e bovina. Ele enfatizou a importância de traduzir pesquisas e tecnologias em aplicações práticas nas fazendas, abordando preocupações com sustentabilidade enquanto mantêm a viabilidade econômica. “De nada adianta termos disponíveis várias pesquisas científicas com novas alternativas, com novos aditivos, com novas tecnologias se eu não tenho profissionais capazes de implementar essas tecnologias no campo, diretamente lá na fazenda, no produtor rural. Então, acredito que esse é um desafio de cada vez mais trazer essas tecnologias, fazer com que essas tecnologias saiam dos centros de pesquisa e sejam disseminadas para o Brasil e para o mundo inteiro”, argumenta.

Outro apontamento feito por ele é com relação a preocupação com a sustentabilidade, enaltecendo o quanto a cadeia vem crescendo e se desenvolvendo neste aspecto. “É só vermos os dados de produtividade, principalmente de conversão, quando a gente fala no setor da avicultura e suinocultura, o quanto evoluímos nos últimos anos. E isso tem um impacto muito alto, extremamente positivo, do ponto de vista de sustentabilidade, porque nós estamos produzindo muito mais proteína de qualidade, com menos recursos, com menos energia”, enfatiza.

 Prévia do 24º Simpósio Brasil Sul de Avicultura

Embora o programa detalhado para o próximo simpósio ainda esteja em andamento, o presidente mencionou que a Comissão Científica está ativamente moldando a agenda do 24º SBSA. O foco é fornecer um programa diversificado e de alta qualidade com a contribuição de profissionais ativamente envolvidos no setor. “A Comissão Científica, formada por associados, é responsável por esse belo trabalho de escolha de temas e organização. Eles estão na prática, no campo, trabalhando em órgãos de defesa sanitária, em agroindústrias. Então, ninguém melhor do que esses profissionais para selecionarem quais são os desafios do setor, as necessidades de conhecimento e de discussão que precisamos trazer para um evento desse porte como o SBSA”, declara.

Parceria com o Presente Rural

O jornal O Presente Rural é parceiro há mais de 10 anos do Nucleovet e jornal oficial dos Simpósios e busca divulgar os assuntos de destaque e relevância que permeiam os encontros. Reconhecendo a duradoura parceria com o Presente Rural, o presidente elogiou a história, credibilidade e alcance nacional da publicação. “O Nucleovet entende como muito importante essa parceria. O Presente Rural é uma mídia que está consolidada há muito tempo e desempenha um papel primordial na divulgação do mercado de produção animal. Enquanto entidade realizadora de eventos, precisamos de parceiros que tenham uma grande história, um respaldo e confiabilidade na informação. E é isso que o Presente Rural representa. Por isso incentivamos essa parceria que perdura há mais de 10 anos e que pretendemos continuar por muito mais tempo. Precisamos que as nossas ações sejam divulgadas para o maior número de pessoas envolvidos na Medicina Veterinária e Zootécnica. Como estamos localizados em Chapecó, no interior catarinense, é muito importante ter um parceiro com essa grande relevância e distribuição nacional. Em nome da diretoria, agradeço ao jornal O Presente Rural e digo que é um prazer tê-los conosco, sempre fazendo um excelente trabalho não só na divulgação das ações do Nucleovet, mas para toda a comunidade da proteína animal”.

SBSBL

Com relação ao SBSBL realizado em 2023, o presidente disse que foi um evento que superou as expectativas, com um recorde de participação de mais de 1.000 inscrições. “Em 2023 implementamos com sucesso o Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto, um importante evento paralelo fruto de parceria com a Epagri que se estenderá em 2024. Obtivemos um feedback excelente dos participantes e isso se deve a excepcional Comissão Científica que traz as demandas do campo e atende as necessidades do setor técnico”, afirma.

Encontro pet

O ano de 2023 também foi marcado pelo início dos trabalhos do Nucleovet no setor pet. Foram realizados dois encontros com amplitude regional, um em cada semestre do ano. “Para 2024 também planejamos realizar dois encontros, pretendemos agregar mais associados para participar da elaboração da grade científica e definirmos os temas de maior relevância e atualidade da área pet. Esse é um desafio para 2024 de chamar os profissionais da região de Chapecó para que auxiliem o Nucleovet a disseminar conhecimento e se consolidar em mais uma área técnica”, projeta.

Datas de 2024

O Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) ocorrerá no período de 09 a 11 de abril, o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) entre os dias 13 e 15 de agosto e o Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) nos dias 05, 06 e 07 de novembro.

Fonte: O Presente Rural

Colunistas

Paridade de preços internacionais e preços ao produtor brasileiro

Nos últimos anos, os preços dos produtos agropecuários aumentaram devido a eventos inesperados nos mercados na década de 2020, atingindo um pico em 2022. Os preços em dólar desses produtos, como soja e café, são determinados pelo mercado internacional e influenciam os preços domésticos, ajustados pela taxa de câmbio.

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Foto: Marcos Vicentti

Nos últimos anos, os preços dos produtos agropecuários passaram por forte pressão de alta devido a vários eventos inesperados que impactaram os mercados na década de 2020. O ano de 2022 marcou um forte pico de alta nas séries desses preços, tanto em nível nacional quanto internacional.

No caso dos mercados das commodities agrícolas com forte presença no mercado mundial, ou de exportação, como soja, milho, café e açúcar, o preço em dólar é formado no mercado internacional, seguindo os fundamentos da oferta e demanda mundiais. De acordo com a Lei do Preço Único, a teoria econômica ensina que o preço de um produto homogêneo, como no caso de uma das commodities (mercadorias padronizadas), será o mesmo – após ajustes ligados aos custos logísticos –, quando cotados na mesma moeda, em diferentes regiões envolvidas no seu comércio.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná

Ou seja, aplica-se o conceito de Paridade de Preços Internacionais (PPI). Desse modo, no caso do Brasil, o preço externo, que é cotado em dólar norte-americano, internalizado por meio da sua multiplicação pela taxa de câmbio doméstica (em reais por dólar), tem papel determinante na formação do preço doméstico, que tem sua cotação em Real – moeda brasileira.

O coordenador científico do Cepea/Esalq-USP, Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, salienta que a PPI opera de forma que os preços domésticos oscilam ancorados nos seus correspondentes internacionais internalizados. Assim, no curto prazo, poderá haver divergência entre o preço doméstico e o internacional internalizado em razão, por exemplo, de rigidezes operacionais de mercado (como negócio sob contratos a termo), variações de oferta e demanda não antecipadas e que necessitam de um intervalo de tempo para serem assimiladas pelos agentes de mercado e de produção.

Outro aspecto relacionado à PPI é o de que uma quebra de oferta (safra) de um produto nacional levará a altas de preços doméstico na proporção em que essa quebra provoque escassez internacional, ou seja, leve a uma oferta global inferior à demanda, forçando a uma elevação de preços em dólares. Essa alta será, então, internalizada ao mercado doméstico em consonância com a taxa interna de câmbio.

Mas, e no caso de produtos como o arroz, o feijão e as frutas? Barros argumenta que a PPI influencia os preços domésticos mesmo nos casos em que o comércio com o exterior não seja expressivo.  É suficiente que o país seja aberto ao exterior, ou seja, que haja possibilidade de haver transações com outros países, via exportação e/ou importação desses bens.  Caso o preço doméstico esteja abaixo do PPI, há incentivo para o país exportar esse bem; caso esteja acima, haverá incentivo à importação. Assim, as variações dos preços dos produtos agropecuários no mercado doméstico são afetadas tanto pelas variações dos preços no mercado internacional, quanto pela variação da taxa de câmbio. Caso não esteja havendo efetivo comércio é porque o mercado interno encontra-se ajustado tendo em conta a possibilidade de importação ou exportação.

Uma medida dos preços desses produtos no Brasil é o Índice de Preço ao Produtor Agropecuário (IPPA), que é calculado pelo Cepea. Este Indicador se refere aos preços de Grupos de Produtos Agropecuários, considerando-se Grãos; Pecuária; Hortifrutícolas; Cana-de-Açúcar e Café, esses dois últimos juntos formando um único grupo. Assim, o IPPA-Cepea contempla, portanto, quatro grupos de produtos.

No caso do indicador dos preços internacionais, a avaliação do comportamento destes é feita através do indicador alimentos e bebidas do Fundo Monetário Internacional (Food&Bavarege, F&B – FMI), por considerar cesta semelhante de produtos[2].

A Figura 1 mostra a evolução dos dois indicadores mensais de preços em reais nominais, IPPA-Cepea e do F&B-FMI-R$ (este sendo o F&B internalizado, ou seja, convertido em reais pela taxa média de câmbio comercial para venda – Ipeadata) nos últimos 23 anos – de 2001 a 2024. Constata-se expressiva aderência entre as duas séries de dados, um indicativo forte da vigência da PPI entre os preços aos produtores agropecuários do Brasil e a média desses preços praticados no mercado internacional internalizados (expressos em moeda nacional). Desvios moderados entre essas séries ocorrem em subperíodos. Tais desvios se devem a rigidezes no processo de ajustes nos mercados, que tendem a operar sob contratos prevendo entrega futura com fixação antecipada de preços, que dificultam ajustes a mudanças não esperadas. Os mercados, ademais, operam também sob acordos regionais que podem interferir na formação de preços de curto (e médio) prazo.

Figura 1 – Evolução mensal dos índices de preços nominais de  produtos agropecuários no mercado brasileiro (IPPA- Cepea) e internacional internalizados (F&B/R$) – Janeiro/2001 a Fevereiro/2024. Fontes: Cepea/Esalq-USP, Ipeadata, FMI. Cálculos da autora.

É revelador observar a formação do F&B/R$, resultado da multiplicação dos índices F&B/US$ e do Câmbio doméstico (R$/US$). A evolução dessas séries é apresentada na Figura 2.  Observa-se, em primeiro lugar, que no subperíodo de 2001 a 2008 houve contínua elevação de F&B/US$, que mais do que duplicou de valor, processo que ficou conhecido como “boom das commodities”.

Esse nível substancialmente alto sustentou-se até meados de 2014. Entretanto, a internalização desse preço vincula-se em igual medida ao comportamento do

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

câmbio doméstico. Esta taxa, após expressiva alta (desvalorização) até início de 2003 (quando duplica seu valor nominal), passa a experimentar forte valorização nominal até meados de 2008, que chegou a 60% ante setembro de 2002 e 21% ante janeiro de 2001 (início da série). Como resultado, F&B/R$ duplica de 2001 a 2003, seguindo certo declínio e relativa estabilidade durante o “boom”.

A retomada de alta de F&B/R$ (e, logo, de IPPA) ocorre a contar de 2010 por força da substancial desvalorização nominal do câmbio doméstico, de mais de 140% entre 2010 e 2015. Pode-se dizer assim que, nesse período, F&B/US$ permaneceu em elevado patamar, mas relativamente estável, devendo-se a elevação em F&B/R$ e em IPPA à forte desvalorização da moeda brasileira. Desde 2015, F&B/US$ desce cerca de 20% e assim fica até meados de 2020. O câmbio no Brasil oscila, caindo 20% ao longo de 2016 e revertendo o processo até 2018 e aí se mantendo até 2020.

No início da pandemia, observa-se, primeiro, forte alta (desvalorização de 50%) da moeda brasileira em 2020. No mercado internacional, F&B/US$ sobe em 2021, com pico em 2022. Assim, na pandemia, ambos os componentes (primeiro o câmbio e depois F&B/US$) contribuem para as altas em F&B/R$ e em IPPA. Nota-se que IPPA apresenta um overshooting em relação a F&B/R$ de meados de 2020 a início de 2023, o que Barros (2023 e 2024) associa ao Auxílio Emergencial (extremante necessário), mas que evidentemente não era antecipado pelo mercado que, portanto, não dispunha de suprimento suficiente para atender à demanda que crescia subitamente.

Figura 2 – Indices F&B/US$ e Câmbio (R$/US$) – Janeiro/2001 a Fevereiro/2024. Fontes: FMI, Ipeadata. Cálculos da autora

Com o passar da pandemia, câmbio e F&B/US$ sofrem decréscimos (de cerca de 15%) e passam a oscilar em patamares mais baixos, de sorte que a PPI praticamente se restaura a contar de setembro de 2023, como se vê na Figura 1.

Em síntese, segundo a interpretação através da PPI, houve no corrente século a seguinte sequência: no período de 2004 a 2012, período conhecido como “boom das commodities”, os preços domésticos (IPPA-Cepea) registraram avanço inferior ao dos internacionais (medidos pelo F&B-R$) em razão do comportamento da taxa de câmbio que sofreu valorização nesse período, enquanto o indicador em dólar F&B-US$ subiu.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A partir de 2011 a taxa de câmbio no Brasil passa a se desvalorizar, elevando o preço internacional internalizado. Com isso, tanto os preços no Mercado brasileiro – IPPA- Cepea, quanto o internalizado F&B-R$ passam por variações maiores do que os preços em dólar – F&B-US$.

Entre 2020 e 2022, com a pandemia, F&B-US$ cresce (no pico, em 2022, chega 52% de alta) com os desarranjos das cadeias produtivas. Mas o câmbio no Brasil alcança aumento semelhante mais rapidamente (já em meados de 2020). Mais significativo é constatar que, de 2020 a 2023, IPPA vai além de F&B-R$, chegando a ficar 30% mais alto. Ou seja, o IPPA ultrapassa F&B/R$, em razão de um acréscimo não esperado na demanda interna, que pode ser associada aos programas oficiais no âmbito da pandemia. Nesse contexto, evidentemente, o conflito devido à invasão da Ucrânia pela Rússia impulsionou F&B/US$.

De 2020 a 2023, a alta foi mais forte no mercado brasileiro, como já explicado. No entanto, já no segundo semestre de 2022, despontam uma normalização da oferta mundial e o forte crescimento da safra no Brasil (no ciclo 2022/2023), com os preços domésticos tendendo a convergir para as condições do mercado internacional, sugerindo o restabelecimento do princípio de PPI.

Fonte: Por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.
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Notícias IPPA/Cepea

Em apenas três meses, preço ao produtor agropecuário cai 15,4%

Retração do IPPA/Cepea no início deste ano está atrelada às quedas observadas para IPPA-Grãos/Cepea, de significativos 25,4%, e para o IPPA-Pecuária/Cepea, de 11,7%.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Os preços pagos aos produtores agropecuários encerraram 2023 com expressiva queda de 16% e já iniciaram 2024 em forte ritmo de baixa. Segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) acumulou retração nominal de 15,4% de janeiro a março de 2024 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na mesma comparação, os preços internacionais dos alimentos (Índice da FAO) recuaram 4,5%; os industriais (IPA-OG-DI produtos industriais), 13,2%; e a taxa de câmbio (R$/US$), 3,3%.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a retração do IPPA/Cepea no início deste ano está atrelada às quedas observadas para IPPA-Grãos/Cepea, de significativos 25,4%, e para o IPPA-Pecuária/Cepea, de 11,7%. A baixa no IPPA/Cepea só não foi mais intensa porque o IPPA-Hortifrutícolas/Cepea apresentou expressiva elevação nominal no primeiro trimestre, de quase 45%. Já o IPPA-Cana-Café/Cepea se manteve estável nos primeiros meses de 2024.

No caso do IPPA-Grãos/Cepea, a retração se deve às fortes quedas observadas para praticamente todos os produtos considerados no Índice – a exceção foi o arroz. Para o algodão, a desvalorização no primeiro trimestre foi de 20,1%; para o milho, de 25,6%; para a soja, de quase 29%; e para o trigo, de 25%. Para o IPPA-Pecuária/Cepea, o cenário é o mesmo, com retrações registradas para quase todos os produtos que compõem o Índice: arroba bovina (-16%), suíno (-10,8%), leite (-19,1%) e ovos (-2,4%) – neste caso, a exceção foi o frango vivo.

Já quanto ao forte avanço do IPPA-Hortifrutícolas/Cepea, o resultado se deve às valorizações observadas para todos os produtos que são considerados no Índice: batata (+67,6%), tomate (+30,5%), banana (+35,0%), laranja (+61,3%) e uva (+44,7%).

Ressalta-se que a batata tem sido negociada a patamares elevados nesta safra das águas 2023/24 – em janeiro, a média de negociação foi a terceira maior de toda a série do Cepea, iniciada em 2001, em termos reais. O impulso aos preços do tubérculo veio sobretudo da menor oferta – as principais regiões produtoras enfrentaram adversidades climáticas em função especialmente da atuação do fenômeno El Niño.

Quanto à laranja, a fruta foi negociada a preços recordes reais ao longo de todo o primeiro trimestre de 2024 – neste caso, a série do Cepea inicia-se em 1994. De acordo com pesquisadores do Cepea, a forte valorização da fruta está atrelada sobretudo à escassez de oferta neste período de entressafra, enquanto outras variedades (tardias e precoces) também estão com volumes controlados. Além disso, a demanda da indústria de suco pela fruta está aquecida, tendo em vista que os estoques da commodity estão baixos.

Fonte: Assessoria Cepea
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Notícias Inovação

Versão eletrônica da certificação sanitária nacional de produtos de origem animal já conta com mais de mil requerimentos

Nova ferramenta foi implementada pelo Mapa, em abril, e traz mais agilidade no processo. Cerca de 500 pedidos já foram analisados.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) implementar assinatura eletrônica para a emissão de Certificados Sanitários Nacionais (CSN) para o trânsito no território nacional de produtos de origem animal, cerca de 100 pessoas jurídicas já realizaram o requerimento de mais de 1,2 mil certificações. Do total, quase 500 pedidos já foram analisados.

O objetivo da digitalização da ferramenta é dar mais eficiência no processo de certificação de produtos. A medida traz benefícios tanto para o serviço público quanto para as empresas que utilizam o serviço, além de melhor rastreabilidade e maior segurança. “Agora teremos mais agilidade no processo de certificação sanitária. Estamos implementando uma medida contemporânea, moderna, que beneficia a atuação do serviço público e facilita o comércio de produtos. O parecer do certificado irá chegar mais rápido e vai facilitar o transporte realizado pelas empresas”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Antes da digitalização da CSN, uma carga com produtos de origem animal só era liberada para trânsito no território nacional com a versão física do documento, que era entregue nos Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIPOAs). A burocracia demandava esforços do serviço público para entrega da liberação e trabalho da empresa para pegar o documento físico, podendo acontecer incidente, como o extravio. Ainda, antes do documento chegar, era necessário arcar com custos de estocagem da mercadoria.

Com a atualização, a pessoa jurídica acessa o parecer online, uma vez que terão acesso ao documento emitido de forma imediata e poderão realizar a sua impressão para apresentação aos órgãos de fiscalização do Brasil. Além da assinatura eletrônica, os certificados contam ainda com código de autenticidade e com QR Code, permitindo mais segurança na checagem da veracidade do documento. “Vamos diminuir o trabalho operacional do ministério e trazer mais segurança. Esta implementação impacta direto o custo Brasil, porque, para as empresas, existe uma economia de custo enorme e ganho de tempo. Cada dia de estoque na espera do documento é um gasto. É uma medida que segue na linha de modernizar o Ministério”, explicou o subsecretário de Tecnologia da Informação do Mapa, Camilo Mussi.

A nova ferramenta foi desenvolvida pela Subsecretaria de Tecnologia da Informação (STI) e pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), dentro do Sistema SIGSIF (Sistema de Informação Gerencial do Serviço de Inspeção Federal). A próxima etapa dessa modernização, já em desenvolvimento, será a implementação da extensão para a emissão de Certificados Sanitários Internacionais (CSI), de acordo com as tratativas e aceitação dos países importadores.

Certificados sanitários
Para que as exportações de produtos de origem animal ocorram é necessário que o Brasil emita o Certificado Sanitário, que é o documento oficial que atesta o cumprimento dos requisitos sanitários do Brasil e do país importador, englobando a rastreabilidade, a inocuidade e a segurança do produto.

Esse procedimento é executado por servidores do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa. O objetivo é assegurar o cumprimento e a manutenção dos requisitos de saúde animal e de saúde pública, visando evitar a disseminação, o surgimento e o ressurgimento de doenças animais, bem como garantir que o alimento de origem animal seja seguro para o consumo da população brasileira e mundial.

Fonte: Assessoria Mapa
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