Avicultura Para 2019
Presidente de uma das maiores agroindústrias avícolas do Brasil mantém confiança com cautela
Presidente de uma das maiores cooperativas do Brasil na produção de frango, Alfredo Lang acredita em 2019 mais promissor, mas ainda mantém cautela

Ter um bom pensamento e esperar o melhor para 2019 na avicultura brasileira é o que muitos têm nesses primeiros dias do ano. Quando o setor representa muito dentro de uma empresa, trabalhar para que ele dê certo é o que mais é feito. Na cooperativa C. Vale, de Palotina, PR, por exemplo, a avicultura é a segunda maior fonte de receita, atrás somente da soja. Sem contar que o setor é responsável por empregar mais de cinco mil pessoas e gerar milhões em impostos. Para se ter uma ideia, atualmente a cooperativa abate 530 mil frangos/dia.
Estes números mostram o quanto a avicultura representa para a cooperativa, uma das maiores do Estado e do Brasil. Porém, foi necessário enfrentar as intempéries que aconteceram em 2018 para continuar lucrando com o setor. Segundo o presidente da C. Vale, Alfredo Lang, ano passado foi bastante difícil e de resultados bem abaixo do que o setor obteve em 2017. “As limitações impostas pela Europa e pela China às exportações brasileiras dificultaram bastante os negócios. Isso levou ao aumento da oferta de carne de frango no mercado interno, que já estava consumindo pouco devido à crise econômica. A greve dos caminhoneiros complicou ainda mais a situação. Para quem opera grandes volumes diários, o impacto é proporcional. Deixou-se de abater e vender, e isso prejudicou produtores e empresas”, avalia.
Quanto à greve dos caminhoneiros, a liderança cooperativista diz que o principal prejuízo foi em relação à imagem do setor e do Brasil como um todo. “Quando você perde a confiança dos seus clientes, tem que fazer um esforço enorme e demorado para recuperá-la. Os seus concorrentes tratam de se aproveitar disso para ganhar espaço. Não podemos repetir” afirma. Para Lang, a greve dos caminhoneiros começou por motivo justo, o alto preço do diesel, mas tomou rumos que a prolongaram e trouxe prejuízos ao setor produtivo.
Segundo ele, é difícil encontrar soluções para uma greve de caminhoneiros em um país que prioriza o transporte rodoviário. “Esperamos que o novo governo saiba lidar melhor com os preços dos combustíveis”, diz.
Esperança se estende ao mercado internacional
As expectativas de um bom ano também estão depositadas na melhora das relações do Brasil com seus mercados externos. A recuperação do mercado europeu, por exemplo, merece atenção, segundo Lang. “É um trabalho que exige tempo e muita negociação. Só que o que deixamos de vender, isso não tem mais volta”, lamenta. O presidente diz que o embargo ocorreu logo após a Operação Carne Fraca, e que uma ação pode ser considerada sequela da outra. “Houve uma divulgação equivocada, superdimensionada. O Brasil deu um tiro no próprio pé, colocou empregos e produtores em risco”, afirma.
Já quando o assunto é o mercado chinês, quanto as tratativas do fim do antidumping ao frango brasileiro, o presidente comenta que todas as informações solicitadas já foram fornecidas sobre a formação dos custos do setor. “Mostramos que não há subsídios, que a competitividade da carne brasileira está ligada a grande quantidade de matéria-prima, soja e milho, e à eficiência do setor. Confiamos que eles retomem os volumes de compra anteriores, mas isso é um processo que exige paciência”, menciona.
2019 para confiar
Para a avicultura deste ano, Lang acredita que o setor deve voltar a investir. “Mas isso vai depender muito das condições das linhas de crédito. Além disso, o setor vai retomar investimentos se houver perspectiva de um aumento de consumo a curto prazo”, avalia.
O ânimo vem ainda das expectativas quanto ao que o novo governo fará. “Esperamos medidas que facilitem os investimentos: crédito com custos que viabilizem os investimentos, agilidade nas questões ambientais, articulação da nossa diplomacia para negociar acordos com novos mercados e melhorias da estrutura para o escoamento da produção”, menciona.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2019 ou online.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




