Suínos
Presidente da Frimesa elenca principais obstáculos ao crescimento da suinocultura no Brasil
Enquanto Santa Catarina atinge 90% do mercado comprador de carne suína no mundo, o Paraná tem apenas 55% do market share.

Com um crescimento populacional crescente, mudanças nos padrões de consumo e instabilidade da economia brasileira, a suinocultura enfrenta uma série de complexidades que demandam resiliência, inovação e adaptação. Desde questões ambientais até preocupações com saúde animal e eficiência produtiva, a indústria suinícola se depara com constantes transformações.

Presidente da Frimesa Cooperativa Central, Elias Zydek: “Temos uma responsabilidade muito grande com o consumidor em garantir a qualidade e a segurança dos produtos”
Durante o Congresso de Suinocultores e Avicultores O Presente Rural, realizado nos dias 11 e 12 de junho em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, o presidente da Frimesa Cooperativa Central, Elias Zydek, abordou os desafios atuais enfrentados pelo setor, envolvendo produção, indústria e mercado da carne suína.
Zydek ressaltou que a suinocultura vive de desafios, mencionando eventos recentes que impactaram de forma significativa o mercado global. “O problema sanitário na China, por exemplo, que levou a uma demanda intensa por proteínas, especialmente carne suína, resultou em um boom na produção brasileira entre 2019 e 2020. No entanto, a recuperação mais rápida do que o esperado pela China, fez com que o país reduzisse suas importações, combinada com os efeitos da pandemia de Covid-19, criou um certo equilíbrio entre oferta e demanda global”, expôs.
Contudo, em 2022 e ao longo de 2023, o executivo menciona que o setor enfrentou desafios econômicos expressivos, com a China aumentando sua produção e o mercado mundial tentando se ajustar. “Os preços elevados dos insumos, principalmente da ração, afetaram a viabilidade econômica da atividade suinícola. Embora a queda nos preços dos grãos tenha trazido algum alívio, os preços de exportação diminuíram em torno de US$ 1 mil a tonelada, sendo a carne suína vendida no mercado interno cerca de 5% mais barato que 2022, e em 2023 chegou a ser vendida 2% mais barato que 2022, refletindo em uma cadeia produtiva pressionada por margens cada vez mais estreitas”, salientou.
Desafios que colocam cadeia em cheque
Na produção, Zydek enfatiza que a questão sanitária continua sendo um desafio persistente, especialmente nos anos de 2023 e 2024, quando se tornou ainda mais crítica. “A qualidade sanitária é medida pelo aumento significativo das condenações nos frigoríficos, que hoje afetam entre 3,5% e 5,5% dos animais, que são descartados ou destinados à graxaria, resultando em prejuízos tanto para a indústria quanto para os produtores. Este cenário destaca o impacto da saúde animal em toda a cadeia produtiva”, evidencia.
O executivo destaca que a proteção rigorosa das propriedades é fundamental para prevenir a entrada de agentes externos que possam comprometer a segurança das granjas. “Apesar da resistência, muitas vezes, dos produtores em adotarem medidas preventivas, a prevenção é de suma importância devido à presença invisível desses agentes patogênicos. Outro fator que se deve ter atenção é com a adequada gestão ambiental das instalações, vital para mitigar e prevenir a propagação de doenças”, enfatizou, acrescentando: “A granja deve ser monitorada com extrema cautela, porque uma vez que um animal deixa a granja com problemas de saúde, não há como corrigi-los no frigorífico devido às regulamentações de segurança alimentar. Temos uma responsabilidade muito grande com o consumidor em garantir a qualidade e a segurança dos produtos”.
Ação conjunta
De acordo com o presidente da Frimesa, as doenças mais prevalentes nos frigoríficos da região Oeste do Paraná incluem o Senecavírus, que ressurgiu com intensidade há três anos e persiste. Zydek ressalta que, por se tratar de um vírus, a solução não pode ser individual; é necessária uma ação coletiva. “Por se tratar de um vírus não adianta apenas uma integradora ou um produtor tratar o problema de forma isolada, é preciso uma ação conjunta de toda uma região para tratar e prevenir o Senecavírus”, salienta.

Fotos: Divulgação/Arquivo Frimesa
Ele revela que a Frimesa assinou um convênio com a Embrapa para diagnosticar as medidas necessárias que a região Oeste do Paraná deve tomar para reduzir a incidência da doença. “Esse trabalho deve ficar pronto até setembro. Através dos resultados alcançados pretendemos trabalhar de forma intensiva com as cooperativas associadas, produtores e demais integradoras para implementar ações sanitárias conjuntas em toda a região”, adianta.
Além do Senecavírus, Zydek menciona que a Salmonella ainda é uma preocupação, apesar da redução na incidência, e que bactérias, principalmente em maternidades e crechários, continuam a afetar as aves até a fase adulta e influenciam a qualidade dos produtos nos frigoríficos. Ele também cita que as doenças respiratórias, como a pneumonia, figuram entre os principais motivos de condenação nos frigoríficos. “O maior patrimônio de uma propriedade não são as infraestruturas robustas ou os investimentos em tecnologia, mas sim a sanidade, por isso é cada vez mais importante adotar medidas de biossegurança nas granjas”, enfatiza.
Desafios da Indústria
Entre os principais desafios enfrentados pela indústria, o presidente da Frimesa elencou condenações de carcaças, peso dos suínos abatidos, qualidade da carne, legislações e implementação de sistemas de autocontrole.
Ele destacou que a Frimesa, em conjunto com as demais cooperativas filiadas, construiu uma indústria frigorífica em Assis Chateaubriand (PR), com capacidade para abater até 15 mil suínos por dia. Atualmente, a unidade processa cinco mil suínos/mês e planeja aumentar para 7,5 mil/mês até o final de 2025, completando assim a primeira fase de suas operações. “A segunda fase é muito difícil de prever, vai depender muito da economia, da inflação, do poder aquisitivo, do mercado interno, da eleição do próximo presidente, entre outras variáveis. Enquanto isso vamos ficar em standby, pelo menos até final de 2026”, informou Zydek.
Obstáculos no mercado mundial
No que diz respeito aos desafios práticos enfrentados pelo setor suinícola, Zydek elenca cinco obstáculos. O primeiro está relacionado à habilitação das plantas frigoríficas para exportação. O executivo ressalta que enquanto Santa Catarina atinge 90% do mercado comprador de carne suína no mundo, o Paraná tem apenas 55% do market share. “Países como Coreia do Sul, Filipinas, Japão, México e Chile compram carne suína do Rio Grande do Sul há 12 anos, enquanto o Paraná ainda não pode exportar para esses destinos devido à burocracia e negociações internacionais não concluídas”, cita.
Mesmo após obter o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal há três anos, o Paraná viu poucas mudanças efetivas, com exceção da República Dominicana, que passou a comprar carne suína paranaense neste período. “Aos demais países compradores, o Paraná ainda não tem acesso”, lamentou Zydek.
O segundo desafio é a competição com outras carnes. Conforme o executivo, a carne bovina lidera a preferência do consumidor brasileiro, seguida pela carne de frango e, por último, a carne suína. Zydek destacou que, embora a carne suína seja a mais consumida no mundo, com cerca de 112 milhões de toneladas anuais, no Brasil, a carne de frango é predominante devido ao menor custo. “Se conseguíssemos aumentar em 1kg o consumo de carne suína por brasileiro ao ano, seriam 210 mil toneladas a mais consumidas internamente”, ressaltou, enfatizando a importância da eficiência na produção, sanidade e comercialização da carne suína.
O terceiro ponto é o consumo per capita, que sofre influência direta do quarto ponto, que é o poder aquisitivo do brasileiro. Zydek
observou que, desde o ano passado, a economia estagnada impactou o consumo de proteínas. “O consumidor não tem dinheiro suficiente para manter uma dieta proteica alta e começa a selecionar proteínas mais baratas ou vegetais”, explicou.
O quinto aspecto abordado foram as proteínas alternativas. Zydek acredita que esses produtos devem ser tratados como nichos de mercado. Ele mencionou que, após o lançamento pela Frimesa de um hambúrguer vegetal há seis anos, a produção foi descontinuada em 2023 devido ao baixo consumo. “Duvido que se consiga produzir carne suína em laboratório a R$ 10 o quilo”, disse, destacando os desafios de custo e a cultura alimentar dos brasileiros.
Presidente da Frimesa Cooperativa Central, Elias Zydek: “A granja deve ser monitorada com extrema cautela, porque uma vez que um animal deixa a granja com problemas de saúde, não há como corrigi-los no frigorífico”
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Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
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Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026
Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.
No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.
De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.
Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.
No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.
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Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro
Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.






