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Presidente da C. Vale avalia possibilidades e desafios para a produção e consumo de peixes no Brasil

Os 207 produtores integrados à cooperativa são responsáveis por produzir em torno de 115 mil tilápias abatidas por dia no frigorífico, com sede em Palotina (PR).

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Divulgação/C.Vale

Uma das potências da piscicultura no Brasil é a C. Vale. Os 207 produtores integrados são responsáveis por produzir em torno de 115 mil tilápias abatidas por dia no frigorífico, com sede em Palotina (PR). O presidente da cooperativa, Alfredo Lang, em entrevista exclusiva para o jornal O Presente Rural, destaca as possibilidades que o setor tem para os próximos anos. Confira.

O Presente Rural – Quando e porque a C.Vale decidiu entrar para o ramo da piscicultura?

Presidente da C. Vale, Alfredo Lang: “Agora no curto prazo o setor tem um problema conjuntural que é o alto custo da soja e do milho.” – Foto: Jonathan Campos/AEN

Alfredo Lang – Começamos em 2017, mas já vínhamos nos preparando para entrar nesse segmento fazia oito anos. Optamos por investir na piscicultura para aproveitar a vocação da região Oeste do Paraná, que é o principal polo de produção de peixes do Estado. A região já tinha muitos produtores, muitos tanques em produção, só que esses produtores atuavam no mercado livre em que os riscos e dificuldades são maiores.

O Presente Rural  – Qual a produção atual? Para onde é destinada essa produção?

Alfredo Lang – Nosso frigorífico está processando 115 mil tilápias por dia. Estamos vendendo a maior parte para o mercado interno. Exportamos carne e derivados para os Estados Unidos, Japão e outros países asiáticos. Entre os produtos estão filé, escamas e pele.

O Presente Rural – Como é o modelo de integração? Quais os deveres de produtores e da cooperativa?

Alfredo Lang – A C. Vale fornece os alevinos, ração, assistência técnica, faz a despesca, ou seja, a retirada dos peixes, a industrialização e a comercialização. O produtor entra com os tanques e o manejo. O compromisso é de parte a parte. O produtor fornece para a cooperativa e a cooperativa se compromete em adquirir a produção.

O Presente Rural – Como a cooperativa vem administrando os custos de produção que estão em alta?

Alfredo Lang – O custo do aumento da soja e do milho fica com a cooperativa. Evidentemente que não dá para absorver integralmente essa alta. Parte do aumento precisa ser repassado ao consumidor.

O Presente Rural – O consumo de peixe está aumentando, mas ainda é baixo no Brasil. Como a C. Vale analisa as possibilidades de mercado?

Alfredo Lang – Sim. O consumo é baixo por dois motivos. Boa parte da população não tem o hábito de comer muita carne de peixes, mas isso é uma cultura que está mudando na medida em que as pessoas procuram carnes mais saudáveis. Outro motivo é que a carne de peixe não é tão acessível quanto o frango, por exemplo. Um aumento mais significativo do consumo passa, necessariamente, pela recuperação econômica do país, mais emprego e mais renda.

O Presente Rural – Quais são as tendências de mercado em relação a consumo, exportação, produção, preços e custos?

Alfredo Lang – A demanda por carne de tilápia deve aumentar nesse final de ano porque no verão o consumidor dá preferência a alimentos mais leves e, principalmente, porque o varejo começa a fazer estoques para a quaresma. A exportação está aumentando, mesmo que lentamente e a produção também. Estamos abatendo 115 mil tilápias/dia. Os custos de produção vão depender, em grande parte, dos preços dos grãos. Eles acompanham a variação dos preços da soja e do milho que são usados para a fabricação de rações.

O Presente Rural – Quais são as tendências nos modelos de produção nas propriedades rurais?

Alfredo Lang – A integração entre produtor e indústrias é o caminho que o segmento está tomando para a produção em larga escala. É a fórmula que tem mostrado maior eficiência porque favorece a ambos. O produtor tem assegurado a ração, assistência, alevinos e a compra enquanto que a indústria tem garantia de fornecimento dos peixes. Na produção independente, o produtor tem que se virar com recursos próprios para comprar a ração, para conseguir assistência técnica e ainda não tem garantia de compra.

O Presente Rural – Que estratégias o Brasil precisa usar para ampliar a produção, consumo e exportação de peixes?

Alfredo Lang – O aumento da produção depende, em grande parte, da disponibilidade de recursos para os produtores investirem na construção de tanques (açudes) e equipamentos. No caso do consumo, precisamos de campanhas ao consumidor destacando os benefícios da carne de peixe à saúde. Para exportar, precisamos regulamentar as exportações para podermos entrar nos mercados do Reino Unido, União Europeia e Israel.

O Presente Rural – Quais os desafios e ações que precisam ser feitas para melhorar a competitividade?

Alfredo Lang – Quando você aumenta a produção, tem um ganho de escala e reduz seus custos fixos, o que melhora a competitividade. Para isso, agora no curto prazo o setor tem um problema conjuntural que é o alto custo da soja e do milho. É uma questão de oferta e demanda, e de cotação do dólar sobre as quais não se tem muito o que fazer no curto prazo.

O Presente Rural – A C. Vale pretende expandir sua produção?

Alfredo Lang – Estamos ampliando a produção gradualmente. A velocidade desse aumento vai depender do interesse do produtor em ampliar a atividade e também do consumidor. Acredito que é possível ampliar as vendas ao exterior. É um negócio recente que tem possibilidade de crescer à medida em que o consumidor perceber a qualidade da carne que está recebendo.

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Vendas de carne suína crescem em 94% das redes varejistas durante SNCS

Campanha nacional ampliou o volume comercializado em 88% das redes participantes, com expansão da proteína em novos mercados e aumento de até 25% no faturamento em algumas operações.

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A 14ª edição da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS) terminou com resultados positivos para a comercialização da proteína no varejo brasileiro. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a campanha registrou crescimento em volume de vendas ou faturamento em 94% das redes participantes, mesmo em um período marcado pela deflação dos alimentos e por um consumidor mais cauteloso nas compras.

Foto: Divulgação/ABCS

Segundo o balanço da entidade, 88% dos supermercados ampliaram o volume comercializado durante a campanha e, em 76% das redes, esse crescimento foi superior a 10%. Em alguns casos, o faturamento com a categoria aumentou até 25%.

Para a ABCS, os resultados indicam que a estratégia adotada vai além das ações promocionais. A entidade atribui o desempenho à combinação entre capacitação das equipes do varejo, comunicação nos pontos de venda e iniciativas voltadas à valorização da categoria junto ao consumidor. “O maior resultado não é o crescimento registrado pelas redes participantes, mas a formação de novos consumidores e o fortalecimento de um mercado que beneficia toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da ABCS, Marcelo Lopes.

Expansão para novas regiões

A edição de 2026 também marcou a ampliação da campanha para novos mercados. O Nordeste foi um dos destaques

Foto: Divulgação/ABCS

do projeto, impulsionado pela entrada do Grupo Mateus, maior rede varejista da região, que participou pela primeira vez da iniciativa.

De acordo com a ABCS, a rede registrou crescimento de 11% no volume de vendas de carne suína durante a campanha, resultado apontado pela entidade como um indicativo do potencial de expansão da categoria em regiões onde o consumo ainda tem espaço para crescer.

Entre os maiores desempenhos individuais, a rede Avenida alcançou aumento de 39,8% no volume comercializado. Já o Carrefour Brasil, participante da campanha pelo oitavo ano consecutivo, registrou crescimento de 29% nas vendas em volume. Segundo a ABCS, o avanço foi impulsionado principalmente pelos cortes resfriados, indicando maior presença dos produtos in natura nas compras dos consumidores.

Além do desempenho comercial, a entidade destaca que os relatos das redes participantes apontam ganhos que permaneceram após o encerramento da campanha. Entre eles estão a ampliação do mix de produtos, maior competitividade dos cortes suínos, evolução da comunicação nos pontos de venda, ações digitais e capacitação das equipes de loja.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Mesmo diante de um ambiente de deflação, conseguimos ampliar a presença da carne suína na jornada de compra, criar novas ocasiões de consumo e fortalecer uma estratégia baseada em educação, informação e construção de valor” – Foto: Divulgação/ABCS

Na avaliação de Marcelo Lopes, a campanha tem acompanhado as mudanças no comportamento do consumidor. “A inovação não está apenas em criar novas campanhas, mas em compreender como o consumidor evolui. Mesmo diante de um ambiente de deflação, conseguimos ampliar a presença da carne suína na jornada de compra, criar novas ocasiões de consumo e fortalecer uma estratégia baseada em educação, informação e construção de valor”, afirma.

De campanha promocional a estratégia de categoria

Ao completar 14 edições, a Semana Nacional da Carne Suína consolidou-se como uma ação permanente de desenvolvimento da categoria no varejo, segundo a ABCS. A entidade avalia que o trabalho contínuo de capacitação, produção de conteúdo e aproximação com consumidores tem contribuído para ampliar a presença da carne suína nas gôndolas e estimular sua incorporação ao consumo cotidiano.

Os resultados da edição de 2026 reforçam essa estratégia ao indicar que, além do aumento nas vendas durante o período da campanha, houve fortalecimento da categoria dentro das redes varejistas, com potencial para manter o crescimento da participação da carne suína após o encerramento das ações promocionais.

Fonte: O Presente Rural com ABCS
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Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões

Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

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Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.

Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock

A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.

Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.

Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello

produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho

Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.

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Foto: Shutterstock

Os preços do suíno vivo no mercado integrado estão superiores aos praticados no mercado independente em algumas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) neste mês de julho.

Segundo o Cepea, esse comportamento foge do padrão do setor, já que, normalmente, o mercado independente (spot) registra cotações mais elevadas devido aos maiores custos e riscos assumidos pelos produtores.

De acordo com os pesquisadores, essa inversão vem sendo observada ao longo de 2026 em algumas praças da Região Sul, com destaque para Braço do Norte (SC).

O Cepea atribui esse cenário às dificuldades enfrentadas pelo mercado independente, que segue pressionado pela elevada oferta de suínos e pela demanda enfraquecida. A combinação desses fatores tem mantido os preços em patamares baixos ao longo de todo o ano.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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