Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Presidente da Asbia faz panorama das biotecnologias reprodutivas no Brasil

Liderança é um dos entusiastas do setor para melhorar a qualidade da carne e leite produzidos no Brasil, assim como ampliar os índices reprodutivos nas fazendas

Publicado em

em

Sérgio de Brito Pietro Saud, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), é um dos entusiastas do setor para melhorar a qualidade da carne e leite produzidos no Brasil, assim como ampliar os índices reprodutivos nas fazendas. Ele está confiante com o aumento no número de produtores que passam a usar a inseminação artificial em substituição à monta. Mas há muito espaço para crescer. De acordo com Saud, só 15% das fêmeas são prenhes por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Atualmente, 68 milhões de fêmeas ainda são acasaladas com touro a pasto. O presidente da Asbia, de Uberaba, MG, faz um panorama sobre a atualidade e as tendências em biotecnologias reprodutivas no país. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – No Brasil, o quanto se aplica de inseminação artificial, IATF e monta na pecuária?

Sérgio de Brito Pietro Saud (SS) – O uso da IATF no Brasil cresce ano a ano, na casa de dois dígitos. No ano 2017, registramos a cifra de 12 milhões de protocolos de IATF comercializados, isso equivale a aproximadamente 15% das fêmeas em idade reprodutiva. Segundo cálculos da Asbia e Cepea, o total de fêmeas em idade reprodutiva é de 80 milhões de cabeças. Ou seja, cerca de 68 milhões de fêmeas em idade reprodutiva ainda são acasaladas com touros a pasto, a maioria deles sem valor genético, o que reduz em muito a produtividade e a qualidade da carne e leite produzidos no Brasil.

OP Rural – Quais são os índices reprodutivos médios em cada uma das situações?

SS – No caso da IATF, já é comum nos depararmos com índices superiores a 60% de prenhez, no primeiro serviço. Muitas fazendas que utilizam a ressincronizacão, ou seja, que repetem a IATF naquelas fêmeas que não emprenharam no primeiro serviço, apresentam índices superiores a 85% de prenhez. Já no caso da monta natural com o uso de touros, o resultado é muito variável. A grande maioria das fazendas utiliza touros com baixíssimo valor genético e muitas vezes em quantidade inferior ao necessário para acasalar todas as vacas. Isso sem contar as inúmeras fazendas que têm em seus rebanhos touros subférteis ou inférteis, o que leva a um baixo índice de fertilidade na fazenda, resultando em muitas vacas vazias. O final dessa estória é prejuízo para o criador. Por isso, a IA é uma excelente ferramenta para melhorar a lucratividade do negócio. Com mais vacas prenhas, teremos mais bezerros e, assim, melhora a produtividade da fazenda.

OP Rural – Quem usa mais. O pecuarista de corte ou o de leite? Por que?

SS – A técnica de IATF foi rapidamente adotada pelo pecuarista de corte. O principal motivo é que o uso desta tecnologia contribui sensivelmente para a melhoria do manejo do rebanho e da fazenda, e de forma rápida, aumenta a quantidade e melhora a qualidade dos bezerros e bezerras nascidos, resultando no aumento da produtividade e lucratividade. Muitos produtores de leite, que já utilizavam a IA, com observação de cio, estão migrando para a técnica de IATF.

OP Rural – Quais as diferenças nos procedimentos da IA e da IATF?

SS – Na técnica de IA tradicional, o momento da inseminação é definido com base na observação de cio. Isto é feito por uma pessoa que tem que observar o comportamento das vacas e identificar os sinais de cio. Quando bem feito, tem bons resultados. A questão é que tudo o que depende de pessoas é passível de erros. Já na IATF, inseminação artificial em tempo fixo, como o nome sugere, a inseminação é realizada em um determinado momento. E, este momento é estabelecido através do uso de medicamentos que simulam os hormônios reprodutivos naturais da fêmea. Ao uso destes medicamentos damos o nome de protocolo de sincronização de cio. O importante é que os protocolos devem ser administrados com a orientação do médico veterinário.

OP Rural – E nos resultados, quais as diferenças?

SS – As diferenças são inúmeras. Maior controle sobre o melhor momento para inseminar, facilidade de manejo, aumento significativo dos índices de prenhez, melhor controle sanitário do rebanho, entre outros. Tudo isso por um custo muito baixo.

OP Rural – Como medimos os índices reprodutivos na fazenda de corte?

SS – Primeiramente, quando se fala de um bom manejo reprodutivo na fazenda, o acompanhamento de um médico veterinário é fundamental para identificar os animais com problemas de fertilidade e definir o melhor programa reprodutivo para cada criador. De forma geral, os índices mais utilizados são: taxa de prenhez, taxa de concepção, intervalo entre partos, idade ao primeiro serviço e idade ao primeiro parto.

OP Rural – Como medimos os índices reprodutivos na fazenda leiteira?

SS – A reprodução é a atividade mais importante numa fazenda leiteira. Sem uma reprodução eficiente, a vaca não emprenha, se não emprenha, não pari, se não pari, não produz leite, se não há produção de leite, a fazenda vai para o buraco. Para obter bons índices reprodutivos, o produtor de leite precisa, antes de tudo, contar com o suporte de um técnico capacitado e manter um bom sistema de controle de todas as ocorrências no rebanho. Assim é possível identificar e corrigir eventuais problemas com a maior rapidez possível. Os índices reprodutivos mais utilizados na produção leiteira são: taxa de detecção de cio, número de dias para o primeiro serviço, taxa de concepção, taxa de prenhez, dias em aberto, dias secos e número de vacas descartadas por falhas reprodutivas.

OP Rural – Como a IA e IATF melhora os índices reprodutivos?

SS – As biotecnologias reprodutivas são as técnicas mais baratas, seguras, simples, eficientes e baratas de promover a melhoria da produtividade e lucratividade da fazenda.

OP Rural – Quais são os índices mais observados pelo melhoramento genético?

SS – Vai depender muito do perfil do rebanho e das intenções do criador, assim como do sistema de produção utilizado e da finalidade do rebanho. Por exemplo, através do melhoramento genético, pode-se aumentar a produção de leite, os índices de sólidos (proteína e gordura) na composição do leite, diminuir a ocorrência de doenças, como infecções de casco, metrites e mastites, aumentar ou diminuir a estatura do rebanho, melhorar a qualidade da carcaça e maciez da carne, com aumento do marmoreio. Ou seja, a tecnologia de melhoramento genético em bovinos está tão avançada que se pode fazer indicações de uso de determinados touros, de forma semelhante a indicação de uso de um medicamento. Basta dizer o que precisa ser melhorado, que há uma solução para isso.

OP Rural – A IA e a IATF são indicadas para qualquer fazenda, grande ou pequena?

SS – Sim. Qualquer fazenda pode e deve utilizar as biotecnologias reprodutivas, como a IA e a IATF.

OP Rural – Quanto a inseminação artificial e IATF representam no custo de produção?

SS – No caso da IA, com observação de cio, o custo se baseia apenas na aquisição da dose de sêmen. No caso da IATF, temos que considerar, além da dose de sêmen, o valor dos medicamentos e o serviço do técnico. De forma geral, o custo vai variar de 0,5% a 3% do custo de produção do bezerro ou bezerra. Ou seja, vale muito a pena inseminar.

OP Rural – Quanto elas podem oferecer a mais de retorno econômico?

SS – Em fazendas leiteiras, há o retorno imediato, com mais vacas prenhas, mais bezerros nascidos e maior produção de leite, e outro a longo prazo, que é a melhoria das fêmeas nascidas com a IA. Estas fêmeas serão vacas mais produtivas, mais longevas e que vão gerar bezerras mais saudáveis e mais produtivas, levando a fazenda a um círculo virtuoso de produtividade.

Nas fazendas de corte, a melhoria da qualidade dos bezerros nascidos e dos índices reprodutivos também é percebida rapidamente. Uma das grandes vantagens das técnicas de IA é a possibilidade de utilizar sêmen de touros importados e de raças que transmitem algumas características não encontradas nos touros locais. Um bom exemplo disso é o cruzamento do touro Angus com a vaca Nelore, gerando um produto com valor superior ao bezerro Nelore comum, filho de touro da fazenda. A diferença de preço obtida na venda do bezerro cruzado Angus x Nelore em relação ao bezerro Nelore comum paga todos os custos da técnica de IATF e ainda sobra um excelente lucro para o criador.

OP Rural – Quais os desafios para a inseminação artificial em bovinos no Brasil?

SS – Levar a informação sobre as vantagens das técnicas de IA e IATF para todos os criadores do país. Aquele criador que passa a conhecer e utilizar as biotecnologias reprodutivas dificilmente deixa de utilizá-las. As vantagens são muito grandes. Tem que conhecer e usar.

OP Rural – Quais as raças mais comercializadas e porquê?

SS – No leite, as principais raças são, por ordem, Holandês, Jersey, Girolando e Gir Leiteiro. No corte, o Angus e Nelore são as raças mais utilizadas, mas existem muitas outras, como Brangus, Senepol, Simental, Hereford, Braford, Caracu, Tabapuã e Charolês. A escolha da raça vai depender, na maioria das vezes, do sistema de produção da fazenda, das condições climáticas da região, da oferta de alimento e da finalidade do negócio.

OP Rural – O que se espera para o futuro da IA e IATF no Brasil?

SS – Sem dúvida, há muito espaço para crescimento do uso das técnicas de IA e IATF. Ainda, há muitas fazendas no Brasil criando gado como no século passado. Isso tem que mudar. A adoção das novas tecnologias é essencial para a sobrevivência dos produtores rurais, sejam eles agricultores ou criadores de gado. Se observarmos a (r)evolução tecnológica que a agricultura brasileira apresentou nos últimos anos, podemos entender a melhoria da produtividade, sem aumento significativo da área plantada. O mesmo vai ocorrer na pecuária de leite e de corte nos próximos anos.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

oito − dois =

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Bem-estar e aditivos à base de levedura: aliados na produção e qualidade do leite

Combinação de nutrição e saúde adequada do rúmen com fortalecimento do sistema imunológico proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato, P&D da ICC Brazil

Nas últimas décadas a pecuária leiteira tem passado por grandes transformações que do campo à industrialização, que envolvem melhorias na nutrição, saúde e bem-estar animal, qualidade e agregação de valor ao produto final. De acordo com a FAO, a produção global de leite em 2019 atingiu 852 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2018, resultado principal de produções da Índia, Paquistão, Brasil, União Europeia, Federação Russa e EUA.

Estas transformações são decorrentes do aumento da demanda pelos consumidores que têm o leite e seus derivados como produtos essenciais de consumo e estão sempre em busca por alimentos de qualidade e mais atentos aos processos utilizados na produção animal.

O bem estar do rebanho leiteiro e desempenho estão conectados, pois sabe-se que vacas em boas condições de bem estar produzem mais, apresentam menores problemas de saúde e melhores índices reprodutivos. Desta forma, os produtores de leite modernos se esforçam para seguir as melhores práticas de gerenciamento que beneficiam a produtividade.

No entanto, no campo encontramos inúmeros desafios que levam os animais a terem picos de estresse que podem prejudicar a produção e qualidade do leite. Estes desafios podem variar entre bruscas alterações climáticas e deficiências em manejo, nutrição e condições sanitárias que levam os animais a terem picos de estresse e se tornarem mais suscetíveis às contaminações. Assim sendo, é de suma importância que vacas leiteiras estejam com seu sistema imune fortificado para que consigam responder com eficiência às intempéries impostos pela produção intensiva no dia a dia.

Neste contexto, além de pensarmos em melhorar a imunidade devemos pensar sobre a nutrição e a saúde do rúmen, considerando que o rúmen com uma flora bem nutrida e saudável proporciona maiores taxas de produtividade associadas à melhor saúde animal.

O uso de ingredientes funcionais que proporcionam melhoria da saúde do animal e ganhos no desempenho tendem a se tornar itens essenciais na dieta do gado leiteiro. As leveduras são amplamente utilizadas na nutrição de ruminantes demonstrando diversos benefícios já comprovados. A levedura Saccharomyces cerevisiae autolizada é composta por metabólitos solúveis, vitaminas, peptídeos de cadeia curta e aminoácidos livres. Contém ainda grande concentração de β-glucanas, MOS (mananoligossacarídeos) e carboidratos funcionais da parede celular.

O efeito dos metabólitos solúveis se dá diretamente no rúmen, onde é observado uma menor presença de lactato, menor queda do pH ruminal, maior presença de nitrogênio microbiano e maior digestibilidade de FDN. Já as β-glucanas além de terem um efeito imunomodulador sobre o sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam um aumento na produção e atividade das células fagocíticas; também são capazes de adsorver micotoxinas. As β-D-glucanas da parede das leveduras são capazes de se ligar às diversas micotoxinas, enquanto que as α-D-mananas inibem a atividade tóxica das micotoxinas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos.

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas (com fímbrias) pelo MOS, conferindo uma melhor integridade das vilosidades intestinais, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos demonstraram que a levedura autolizada pode aumentar a produção de leite em +2 kg/vaca/dia (estudos em laboratório e estudos em campo (Tabela 1), bem como a qualidade do leite (gordura e proteína), reduzir a CCS (Tabela 2) e a incidência de doenças, e também a contaminação por micotoxinas no leite.

 

Estudo

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo, campus Pirassununga, vacas leiteiras foram desafiadas com AFB1 com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes aditivos à base de levedura sobre a excreção de AFM1 no leite. A aflatoxina foi administrada oralmente através de 2 cápsulas contendo120 μg AFB1 cada, imediatamente após a ordenha da manhã e da tarde (totalizando 480 μg AFB1 por dia), durante 6 dias consecutivos (iniciando no dia 1 do experimento). Os aditivos foram administrados em 20 g/cabeça/dia, por 7 dias consecutivos, iniciando no dia 4 do experimento. O resultados mostraram que a levedura autolizada foi superior aos demais produtos ao reduzir os níveis de porcentagem de transferência de AFM1 para o leite (Figura 1).

Qualidade do produto

Para o atual cenário do mercado de laticínios, melhorar a quantidade da produção de leite deve estar associado à qualidade do produto e estes por sua vez estão relacionados com o bem-estar animal. A combinação de uma nutrição e saúde adequada do rúmen com o fortalecimento do sistema imunológico do animal proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar animal. O resultado é evidenciado pela maior produção e qualidade diária de leite, além de reduzir as preocupações com a presença de resíduos no leite, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

Publicado em

em

Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Nucleovet-SC PIG

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.