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Presidente da Asbia faz panorama das biotecnologias reprodutivas no Brasil

Liderança é um dos entusiastas do setor para melhorar a qualidade da carne e leite produzidos no Brasil, assim como ampliar os índices reprodutivos nas fazendas

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Sérgio de Brito Pietro Saud, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), é um dos entusiastas do setor para melhorar a qualidade da carne e leite produzidos no Brasil, assim como ampliar os índices reprodutivos nas fazendas. Ele está confiante com o aumento no número de produtores que passam a usar a inseminação artificial em substituição à monta. Mas há muito espaço para crescer. De acordo com Saud, só 15% das fêmeas são prenhes por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Atualmente, 68 milhões de fêmeas ainda são acasaladas com touro a pasto. O presidente da Asbia, de Uberaba, MG, faz um panorama sobre a atualidade e as tendências em biotecnologias reprodutivas no país. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – No Brasil, o quanto se aplica de inseminação artificial, IATF e monta na pecuária?

Sérgio de Brito Pietro Saud (SS) – O uso da IATF no Brasil cresce ano a ano, na casa de dois dígitos. No ano 2017, registramos a cifra de 12 milhões de protocolos de IATF comercializados, isso equivale a aproximadamente 15% das fêmeas em idade reprodutiva. Segundo cálculos da Asbia e Cepea, o total de fêmeas em idade reprodutiva é de 80 milhões de cabeças. Ou seja, cerca de 68 milhões de fêmeas em idade reprodutiva ainda são acasaladas com touros a pasto, a maioria deles sem valor genético, o que reduz em muito a produtividade e a qualidade da carne e leite produzidos no Brasil.

OP Rural – Quais são os índices reprodutivos médios em cada uma das situações?

SS – No caso da IATF, já é comum nos depararmos com índices superiores a 60% de prenhez, no primeiro serviço. Muitas fazendas que utilizam a ressincronizacão, ou seja, que repetem a IATF naquelas fêmeas que não emprenharam no primeiro serviço, apresentam índices superiores a 85% de prenhez. Já no caso da monta natural com o uso de touros, o resultado é muito variável. A grande maioria das fazendas utiliza touros com baixíssimo valor genético e muitas vezes em quantidade inferior ao necessário para acasalar todas as vacas. Isso sem contar as inúmeras fazendas que têm em seus rebanhos touros subférteis ou inférteis, o que leva a um baixo índice de fertilidade na fazenda, resultando em muitas vacas vazias. O final dessa estória é prejuízo para o criador. Por isso, a IA é uma excelente ferramenta para melhorar a lucratividade do negócio. Com mais vacas prenhas, teremos mais bezerros e, assim, melhora a produtividade da fazenda.

OP Rural – Quem usa mais. O pecuarista de corte ou o de leite? Por que?

SS – A técnica de IATF foi rapidamente adotada pelo pecuarista de corte. O principal motivo é que o uso desta tecnologia contribui sensivelmente para a melhoria do manejo do rebanho e da fazenda, e de forma rápida, aumenta a quantidade e melhora a qualidade dos bezerros e bezerras nascidos, resultando no aumento da produtividade e lucratividade. Muitos produtores de leite, que já utilizavam a IA, com observação de cio, estão migrando para a técnica de IATF.

OP Rural – Quais as diferenças nos procedimentos da IA e da IATF?

SS – Na técnica de IA tradicional, o momento da inseminação é definido com base na observação de cio. Isto é feito por uma pessoa que tem que observar o comportamento das vacas e identificar os sinais de cio. Quando bem feito, tem bons resultados. A questão é que tudo o que depende de pessoas é passível de erros. Já na IATF, inseminação artificial em tempo fixo, como o nome sugere, a inseminação é realizada em um determinado momento. E, este momento é estabelecido através do uso de medicamentos que simulam os hormônios reprodutivos naturais da fêmea. Ao uso destes medicamentos damos o nome de protocolo de sincronização de cio. O importante é que os protocolos devem ser administrados com a orientação do médico veterinário.

OP Rural – E nos resultados, quais as diferenças?

SS – As diferenças são inúmeras. Maior controle sobre o melhor momento para inseminar, facilidade de manejo, aumento significativo dos índices de prenhez, melhor controle sanitário do rebanho, entre outros. Tudo isso por um custo muito baixo.

OP Rural – Como medimos os índices reprodutivos na fazenda de corte?

SS – Primeiramente, quando se fala de um bom manejo reprodutivo na fazenda, o acompanhamento de um médico veterinário é fundamental para identificar os animais com problemas de fertilidade e definir o melhor programa reprodutivo para cada criador. De forma geral, os índices mais utilizados são: taxa de prenhez, taxa de concepção, intervalo entre partos, idade ao primeiro serviço e idade ao primeiro parto.

OP Rural – Como medimos os índices reprodutivos na fazenda leiteira?

SS – A reprodução é a atividade mais importante numa fazenda leiteira. Sem uma reprodução eficiente, a vaca não emprenha, se não emprenha, não pari, se não pari, não produz leite, se não há produção de leite, a fazenda vai para o buraco. Para obter bons índices reprodutivos, o produtor de leite precisa, antes de tudo, contar com o suporte de um técnico capacitado e manter um bom sistema de controle de todas as ocorrências no rebanho. Assim é possível identificar e corrigir eventuais problemas com a maior rapidez possível. Os índices reprodutivos mais utilizados na produção leiteira são: taxa de detecção de cio, número de dias para o primeiro serviço, taxa de concepção, taxa de prenhez, dias em aberto, dias secos e número de vacas descartadas por falhas reprodutivas.

OP Rural – Como a IA e IATF melhora os índices reprodutivos?

SS – As biotecnologias reprodutivas são as técnicas mais baratas, seguras, simples, eficientes e baratas de promover a melhoria da produtividade e lucratividade da fazenda.

OP Rural – Quais são os índices mais observados pelo melhoramento genético?

SS – Vai depender muito do perfil do rebanho e das intenções do criador, assim como do sistema de produção utilizado e da finalidade do rebanho. Por exemplo, através do melhoramento genético, pode-se aumentar a produção de leite, os índices de sólidos (proteína e gordura) na composição do leite, diminuir a ocorrência de doenças, como infecções de casco, metrites e mastites, aumentar ou diminuir a estatura do rebanho, melhorar a qualidade da carcaça e maciez da carne, com aumento do marmoreio. Ou seja, a tecnologia de melhoramento genético em bovinos está tão avançada que se pode fazer indicações de uso de determinados touros, de forma semelhante a indicação de uso de um medicamento. Basta dizer o que precisa ser melhorado, que há uma solução para isso.

OP Rural – A IA e a IATF são indicadas para qualquer fazenda, grande ou pequena?

SS – Sim. Qualquer fazenda pode e deve utilizar as biotecnologias reprodutivas, como a IA e a IATF.

OP Rural – Quanto a inseminação artificial e IATF representam no custo de produção?

SS – No caso da IA, com observação de cio, o custo se baseia apenas na aquisição da dose de sêmen. No caso da IATF, temos que considerar, além da dose de sêmen, o valor dos medicamentos e o serviço do técnico. De forma geral, o custo vai variar de 0,5% a 3% do custo de produção do bezerro ou bezerra. Ou seja, vale muito a pena inseminar.

OP Rural – Quanto elas podem oferecer a mais de retorno econômico?

SS – Em fazendas leiteiras, há o retorno imediato, com mais vacas prenhas, mais bezerros nascidos e maior produção de leite, e outro a longo prazo, que é a melhoria das fêmeas nascidas com a IA. Estas fêmeas serão vacas mais produtivas, mais longevas e que vão gerar bezerras mais saudáveis e mais produtivas, levando a fazenda a um círculo virtuoso de produtividade.

Nas fazendas de corte, a melhoria da qualidade dos bezerros nascidos e dos índices reprodutivos também é percebida rapidamente. Uma das grandes vantagens das técnicas de IA é a possibilidade de utilizar sêmen de touros importados e de raças que transmitem algumas características não encontradas nos touros locais. Um bom exemplo disso é o cruzamento do touro Angus com a vaca Nelore, gerando um produto com valor superior ao bezerro Nelore comum, filho de touro da fazenda. A diferença de preço obtida na venda do bezerro cruzado Angus x Nelore em relação ao bezerro Nelore comum paga todos os custos da técnica de IATF e ainda sobra um excelente lucro para o criador.

OP Rural – Quais os desafios para a inseminação artificial em bovinos no Brasil?

SS – Levar a informação sobre as vantagens das técnicas de IA e IATF para todos os criadores do país. Aquele criador que passa a conhecer e utilizar as biotecnologias reprodutivas dificilmente deixa de utilizá-las. As vantagens são muito grandes. Tem que conhecer e usar.

OP Rural – Quais as raças mais comercializadas e porquê?

SS – No leite, as principais raças são, por ordem, Holandês, Jersey, Girolando e Gir Leiteiro. No corte, o Angus e Nelore são as raças mais utilizadas, mas existem muitas outras, como Brangus, Senepol, Simental, Hereford, Braford, Caracu, Tabapuã e Charolês. A escolha da raça vai depender, na maioria das vezes, do sistema de produção da fazenda, das condições climáticas da região, da oferta de alimento e da finalidade do negócio.

OP Rural – O que se espera para o futuro da IA e IATF no Brasil?

SS – Sem dúvida, há muito espaço para crescimento do uso das técnicas de IA e IATF. Ainda, há muitas fazendas no Brasil criando gado como no século passado. Isso tem que mudar. A adoção das novas tecnologias é essencial para a sobrevivência dos produtores rurais, sejam eles agricultores ou criadores de gado. Se observarmos a (r)evolução tecnológica que a agricultura brasileira apresentou nos últimos anos, podemos entender a melhoria da produtividade, sem aumento significativo da área plantada. O mesmo vai ocorrer na pecuária de leite e de corte nos próximos anos.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Marechal Cândido Rondon

Palestra sobre avanços e atual cenário do mercado de lácteos encerra programação do Dia Leite

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR), o evento acontece na próxima quarta-feira (1º) no formato híbrido, com participação presencial e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Foto: Ari Dias/AEN

Reflexões sobre o mercado do leite encerra o ciclo de palestras da primeira edição do Dia do Leite, evento que será realizado na próxima quarta-feira (1º) pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR). Promovido no formato híbrido, haverá participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial do Leite, Vicente Nogueira Netto: “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor” – Foto: Berrante Comunicação

A palestra de encerramento inicia às 13h30 e será ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, que vai trazer informações relevantes sobre a cadeia leiteira para estimular a reflexão dos participantes com relação ao atual cenário do mercado de lácteos.

De acordo com Netto, todos os elos da cadeia produtiva acompanham diariamente diversas informações e indicadores para entender o comportamento do mercado de lácteos e assim identificar as melhores oportunidades do setor, tanto para as cooperativas como para seus cooperados. De encontro a isso, vai abordar em sua palestra como ocorreu a evolução nacional da cadeia leiteira, os desafios existentes no setor, os avanços da produção de leite na região Sul do país, especialmente no Paraná, que hoje é segundo maior produtor nacional, a importância socioeconômica da cadeia leiteira para o desenvolvimento da agropecuária, sua capacidade de gerar emprego e renda, além do atual cenário de preços e custos de produção.

“O momento atual certamente é muito desafiador para todas as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente para o mercado de leite que é ainda muito dependente do mercado interno. Assim, em um cenário macroeconômico de estagnação, o mercado de lácteos tende a sentir os efeitos da perda do poder de compra do consumidor. Além disso, há ainda o forte aumento do custo de produção ocorrido nos últimos dois anos e que tende a persistir até o final de 2022”, ressalta Netto.

No entanto, mesmo com todos os desafios, a cadeia produtiva de lácteos tem passado por grandes transformações, otimizando processos e buscando se consolidar no mercado com a adoção de tecnologias e melhor aproveitamento dos insumos e uso mais eficiente dos recursos de produção. “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor, por isso toda a atenção aos indicadores macroeconômicos é importante para identificar a retomada e, em sequência, a melhora no consumo por conta do fortalecimento do consumidor. Esse é um cenário que pode trazer muitas oportunidades para as cooperativas, na exploração de novas tendências de consumo, adoção de novas tecnologias para atendimento aos cooperados, na união para fortalecer e otimizar operações e no posicionamento de mercado”, analisa Netto.

De acordo com ele, ainda há incertezas quanto a retomada da economia, especialmente por se tratar de um ano de eleições. Mesmo assim a economia está começando a dar sinais de retomada, o que tende a ser a maior oportunidade para o setor. “Além disso, a valorização das commodities lácteas ao redor do mundo, devido ao aumento da demanda, abriu oportunidades para exportações, que também tende a ser uma oportunidade a ser explorada pelas cooperativas”, enfatizou.

Com uma vasta experiência no setor lácteo nacional, Netto foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale), e atualmente é sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões.

Ciclo de palestras

A programação engloba três palestras, que vão trazer um panorama geral do cenário atual da bovinocultura leiteira. O credenciamento inicia às 09 horas, em seguida, às 09h30, haverá a abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”. Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar, e desde 1978 é servidor público da Seab.

Em seguida, às 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Importância do status sanitário do Paraná abre ciclo de palestras do Dia do Leite

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Fotos: Divulgação

Segundo maior produtor do país, o Paraná produz por ano cerca de quatro bilhões de litros de leite, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Essa cadeia produtiva engloba 86% dos pequenos agricultores familiares do Estado, mas, nos últimos anos, principalmente em decorrência da paralisação dos negócios pela pandemia da Covid-19, os elevados custos de produção e as intempéries climáticas prejudicaram o desenvolvimento de toda a cadeia leiteira, que não cresceu aos níveis projetados e desejados.

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais”

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o Estado mantém vivo o desafio de tornar o leite mais uma cadeia vitoriosa, tanto para abastecer o mercado interno com preços mais acessíveis ao consumidor quanto para abocanhar mais fatias do mercado internacional. “É preciso ousadia no setor comercial para não perder mercados conquistados e para prospectar novos. Não se pode mais ficar dependente apenas do incerto mercado doméstico”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, que será um dos palestrantes do Dia do Leite, evento realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa.

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Sob a temática “A importância do status sanitário das propriedades leiteiras do Paraná”, Ortigara vai abrir o ciclo de palestras às 10 horas, após a abertura do evento com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella. “O cuidado com a sanidade tem uma história de pelo menos 50 anos, período em que todas as forças do Estado se uniram para cumprir as exigências e seguir as regras estipuladas. Isso culminou com a certificação de livre de febre aftosa sem vacinação, concedida pelo OIE em 27 de maio de 2021. Junto com ela, veio o reconhecimento do Paraná como área livre de peste suína clássica independente. Mas o Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados. O mais imediato é manter o status. Para isso, o cadastro de rebanho é fundamental. A campanha termina em 30 de junho”, menciona.

Segundo Ortigara, a cadeia de leite será vitoriosa quando souber mostrar ao mundo a sanidade de excelência e quando refinar ainda mais a visão estratégica para olhar e aproveitar as oportunidades que o mundo oferece. “Poucos ou quase nenhum setor tem a capacidade de mostrar o Brasil competente e competitivo no mundo, que não o agropecuário, que responde por mais de um terço da produção bruta do Paraná. Por isso, abocanhar uma fatia maior do mercado de leite e de alimentos em geral depende de todos e de cada um”, exalta.

Estratégias em conjunto

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “O Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados”

De acordo com o gestor da Seab, é necessário estabelecer estratégias em conjunto – produtores e indústria – para que a produção e a renda individuais se mantenham em equilíbrio, ainda que as influências externas tendam a fazer com que penda para um ou outro lado. “E é preciso, também, fortalecer a união para garantir força de pressão quando, por conveniência ou inconveniência, importações inoportunas atrapalharem os negócios. Para isso, o Estado faz valer a expertise e as boas condições de criação, com forragens de qualidade superior, sobretudo nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais. Onde ainda não chegou, é preciso caminhar rápido, pois o mercado acabará excluindo quem não tiver um mínimo de profissionalismo”, expõe.

Melhores pastagens, medições de temperatura inteligentes, umidade controlada, internet das coisas aplicada ao campo estão no limite entre a sustentabilidade do negócio e a competitividade no mercado ou a paralisação no tempo e o sucateamento. “As técnicas de manejo foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e hoje possibilitam, inclusive, que se tenha rastreabilidade total, que vai desde o conhecimento profundo da saúde do animal até a entrega ao consumidor na gôndola do mercado”, ressalta Ortigara.

O secretário estadual diz que, cada vez mais, o conceito de conforto e bem-estar animal tem recebido a atenção dos pecuaristas, o que também proporciona um leite de melhor qualidade. Ele também destaca que investimento em equipamentos mais modernos e que reduzam os custos de produção, como o uso de energia renovável ou um bom sistema de irrigação, além da atualização das normas sanitárias de acordo com os modernos conhecimentos, proporcionando garantia de animais saudáveis e de boa qualidade do produto aos consumidores.

Confiança

A confiabilidade que o Estado transmite é retribuída na forma de investimentos. Um deles, segundo o secretário, é o aporte de R$ 500 milhões em uma moderna indústria de queijo pelas cooperativas Frisia, Capal e Castrolanda nas proximidades de Ponta Grossa. “Nas regiões Oeste e Sudoeste, várias agroindústrias de transformação do leite também estão se instalando ou expandindo, como a maior fábrica de queijos do país em São Jorge D´Oeste, muitas delas com o auxílio fundamental do Estado”, exalta.

Esse cenário propicia aumento de geração de empregos, em mais salários e em mais pessoas em condições de consumidor. “É preciso agregar valor e vender pelo preço justo, que é aquele que cobre os custos e dá margem de investimento e de vida digna a quem produz”, salienta Ortigara.

Ciclo de palestras

O Dia do Leite inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

A partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

E no período da tarde, a partir das 13h30, o engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, vai ministrar a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Final das águas: a segunda janela de oportunidade para uma safra bovina produtiva

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo

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Foto: Assessoria

Por Lauriston Bertelli

Uma pecuária de corte lucrativa e sustentável é o desejo de todo pecuarista. Para isso, é fundamental criar o conceito de safra bovina, um formato que conduz um plano de trabalho para uma visão do todo, ou seja, com começo, meio e fim.

Considerando o conceito de safra, fica evidente a necessidade de planejar e realizar os processos produtivos respeitando as janelas que compõem o ano pecuário. São quatro momentos distintos e todos com sua devida importância.

Para ficar claro, existem quatro janelas no ciclo pecuário:

 

Janela 1 – período das águas;

Janela 2 – transição 1: saída das águas para o período da seca;

Janela 3 – período da seca;

Janela 4 – transição 2: saída de seca para período das águas.

 

Neste artigo vamos focar na janela 2 ou transição 1, que é o momento onde de fato se consolida ou não a sustentabilidade do ciclo produtivo. Esta é a fase que termina no período chuvoso, o mais produtivo do sistema de produção a pasto, e entra no período da seca, que via de regra é o “fantasma” da pecuária brasileira.

Este período coincide com o inicio do outono, fase de diminuição das chuvas e reduções do fotoperíodo e das temperaturas médias, o que induz a limitação da produtividade das forrageiras, encaminhando para uma fase de crescimento forrageiro praticamente nulo.

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo. O momento é oportuno para uma avaliação de todos os pastos para verificação do estoque atual de forragens, com o objetivo de enfrentar o período da seca de forma planejada.

Nesta transição, em algumas regiões ainda podem ocorrer chuvas suficientes para algumas práticas zootécnicas, como o pastejo diferido ou até uma possível fertilização nitrogenada, práticas que estendem a produção e a qualidade das pastagens.

Recomenda-se, portanto, a implementação desta rotina em todas as propriedades de produção de bovinos de corte que têm metas produtivas anuais e com o conceito “safra”, com compromisso de efetuar as ações dentro da “janela” correta.

É importante destacar também que neste período existem pastagens que ainda apresentam uma coloração verde e que já estejam sementeadas ou sementeando, nas quais os níveis nutricionais já estão em decréscimo. Este é o momento de virar a chave da suplementação de águas para a suplementação de transição.

Para este período, é possível utilizar três tipos de suplementação, cujos produtos devem ser aditivados preferencialmente com aditivo natural:

 

1- Suplemento na dosagem de 2 a 3 gramas por quilo de peso corporal, contendo 35% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

2- Suplemento na dosagem de 4 a 6 gramas por quilo de peso corporal, contendo 18% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

3 – Em caso de animais em pré terminação, pode-se iniciar uma terminação intensiva a pasto (TIP).

 

Esta suplementação vai permitir prolongar a fase de ganho de peso por mais 45 a 60 dias, indo ao encontro do máximo ganho por animal.

Se a avaliação das pastagens for feita adequadamente, as práticas zootécnicas vão sustentar a produção por hectare ou por área.

Estas avaliações podem ser feitas utilizando lombo de mulas, cavalos, quadriciclos, drones ou até mesmo por imagens de satélites. Por isso, não existe razão para não fazê-las onde quer que esteja a propriedade.

A utilização desta metodologia é um caminho fundamental para o sucesso na safra bovina.

 

Lauriston Bertelli Fernandes é criador, zootecnista, ex-presidente da ASBRAM e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix

 

Fonte: Assessoria
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