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Presidente da ABCS projeta bom momento para suinocultura brasileira

O país tem avançado de forma significativa em termos de produção, consumo e exportações, consolidando sua posição como um dos principais players no cenário global.

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O mercado da carne suína no Brasil tem mostrado um crescimento robusto e contínuo, refletindo um setor dinâmico e estratégico para a economia nacional. Nos últimos anos, o país tem avançado de forma significativa em termos de produção, consumo e exportações, consolidando sua posição como um dos principais players no cenário global.

Atualmente, o Brasil possui 2.110.840 milhões de matrizes suínas tecnificadas, com destaque para Santa Catarina, que lidera a reprodução com 626.488 mil matrizes, representando 29,7% do total nacional. O Paraná ocupa a segunda posição com 381.677 mil matrizes, seguido pelo Rio Grande do Sul com 369.148 mil. A distribuição dos sistemas de produção inclui 43,7% no modelo integrado, 33,3% no modelo independente e 23% no cooperativo verticalizado.

Entre 2015 e 2023, o setor brasileiro de suinocultura apresentou um crescimento expressivo, com aumento de 45,6% no número de suínos abatidos, enquanto o peso total das carcaças subiu 54,4%. A disponibilidade de carne no mercado interno cresceu 42,3%, e o consumo per capita avançou 36,9%. As exportações in natura dispararam 130,3%, e o consumo de carne suína no Brasil aumentou 46,7% desde 2010.

Em 2023, o país abateu 57.172.838 milhões de suínos, gerando 5.298.537 toneladas de carne. Santa Catarina foi o estado líder, com 16.875.851 milhões de cabeças abatidas, produzindo 1.573.766 milhão de toneladas ou 29,7% do total nacional. O Paraná junto Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo e Bahia completam o ranking dos principais estados produtores de suínos.

Esses dados foram detalhados pelo empresário rural, administrador e presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, durante o Congresso de Suinocultores e Avicultores O Presente Rural, realizado em meados de junho em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. Lopes apresentou uma visão abrangente sobre o cenário atual do mercado da carne suína, suas perspectivas futuras, e as tendências de consumo interno e exportação.

Principais importadores em 2023

Em 2023, os principais importadores da carne suína in natura brasileira foram China, Hong Kong, Filipinas, Chile, Singapura, Uruguai, Vietnã, Japão, Geórgia, México, Angola, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Estados Unidos e Argentina. Entre os maiores importadores globais que pagam melhor pela carne suína, se destacam China, o México, Coreia do Sul, Japão e Reino Unido.

Lopes apontou uma mudança no mercado externo, com os chineses, que historicamente foram o maior comprador de carne suína brasileira, reduzindo sua participação. “Em janeiro de 2023, a China importava 39,8% das exportações brasileiras de carne suína, mas em dezembro esse percentual caiu para 24,1%”, explicou. Apesar da China ainda ser o maior comprador, a dependência brasileira do mercado chinês está diminuindo de forma consideravel.

Dados recentes do Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) mostram que, no primeiro trimestre de 2024, a produção de carne suína na China caiu 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com uma redução de 2,2% no número de suínos abatidos, totalizando cerca de dois milhões a menos. “Esta foi a primeira queda trimestral desde o segundo trimestre de 2020”, afirmou Lopes.

O preço à vista da carne suína na China subiu 12,6%, passando de 13,5 yuans no final de fevereiro de 2024 para aproximadamente 15,2 yuans (US$ 2,10) por quilograma no início de abril, enquanto o custo de produção estimado é de 16 yuans por quilo. Além disso, o tamanho do rebanho suíno na China caiu 5,2% em relação ao ano anterior, e o rebanho de matrizes teve uma redução de 6,9%. “Esse cenário sugere que a China poderá aumentar suas importações de carne suína do Brasil. E a diversificação e ampliação de mercados, como para Filipinas e México, apresenta boas perspectivas para a suinocultura brasileira”, salientou o presidente da ABCS.

Por outro lado, a União Europeia (UE), que é o segundo maior exportador mundial de carne suína, está enfrentando uma retração em sua produção e na exportação. Em 2023, a UE exportou 4,21 milhões de toneladas de carne suína e derivados, um volume semelhante ao de 2013. “Essa diminuição na produção e exportação da União Europeia abre novas oportunidades para o Brasil, que está se aproximando de se tornar o terceiro maior exportador global de carne suína”, ressaltou o empresário rural.

Empresário rural, administrador e presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A diminuição na produção e exportação da União Europeia abre novas oportunidades para o Brasil” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Panorama global

A produção de carne suína da China deve cair 3% em 2024, totalizando 56 milhões de toneladas. As exportações globais de carne suína para este ano estão previstas para ser 4% maiores em comparação a 2023, com aumentos nas remessas de todos os principais exportadores, incluindo Brasil, Canadá, Estados Unidos e União Europeia.

No Brasil, a produção de carne suína deve aumentar 4% este ano, beneficiada pelos custos de produção mais baixos. “Esse crescimento será impulsionado tanto pelo mercado interno quanto pelas exportações, que devem crescer 5%”, declarou Lopes, destacando que o Brasil vai continuar sendo um dos fornecedores de carne suína de menor custo no mundo, o que favorece suas exportações, enfatizando o aumento das exportações brasileiras para Filipinas, Hong Kong e Chile.

De outro lado, a produção de carne suína da União Europeia deve crescer 2% em 2024, com um aumento de 3% nas exportações. Já nos Estados Unidos, a produção deve ser 3% maior, e as exportações estão previstas para subir 8%, com ganhos significativos nas remessas para o México e o Japão.

Conforme dados do IBGE e da Secex, no ano passado o consumo per capita de carne suína no Brasil foi de 20,68 kg, devendo alcançar 21,93 kg em 2024.

Projeções a curto, médio e longo prazo

Conforme aponta Lopes, as estimativas da suinocultura brasileira estão projetadas para um ano de margens positivas e uma lenta retomada do crescimento da produção em 2024, com expectativas de aumento inferior a 4%. O presidente da ABCS, destacou que a estabilidade dos insumos será um fator chave, impulsionada por uma boa oferta de grãos, especialmente no segundo semestre, graças à segunda safra de milho no Brasil, às safras da Argentina e dos Estados Unidos. Contudo, esse cenário vai depender das condições climáticas favoráveis.

Lopes prevê um crescimento nas exportações de carne suína brasileira entre 3% e 5% em 2024, possivelmente elevando o país à terceira posição no ranking mundial de exportações, ultrapassando o Canadá. “Apesar dessas perspectivas positivas, o setor enfrenta desafios significativos. O nível de endividamento dos produtores após uma crise prolongada e profunda, combinado com um cenário de juros elevados, representa uma barreira para o crescimento. Além disso, a alta oferta de carne bovina está pressionando os preços para baixo, complicando ainda mais o cenário econômico para os suinocultores”, analisou.

A longo prazo, Lopes visualiza uma série de desenvolvimentos promissores para a suinocultura brasileira. A erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) na zona não livre abriria uma nova fronteira de produção e consumo para a carne suína, embora isso exija a criação de um fundo compulsório. “O reconhecimento internacional pela Organização Mundial de Saúde Animal da ‘nova’ zona livre de febre aftosa sem vacinação consolidaria o Brasil e ampliaria nossa atuação nos mercados externos mais exigentes”, vislumbrou.

O mercado interno também está se tornando mais exigente, com maior foco em questões de bem-estar animal e meio ambiente. Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras estão crescendo tanto em volume quanto em diversidade de destinos. “A carne suína está ganhando espaço na mesa do brasileiro, competindo cada vez mais com outras carnes”, enfatizou.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Micotoxinas começam no silo: por que o controle fúngico define a saúde dos suínos

Zootecnista Fernanda de Andrade explica como o armazenamento inadequado de grãos favorece fungos e a formação de micotoxinas, impactando desempenho, saúde e produtividade na suinocultura.

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Artigo escrito por Fernanda de Andrade, zootecnista, gerente de Feed Safety and Nutritional Solution da Trouw Nutrition

Embora frequentemente subestimado, o controle fúngico ao longo da cadeia de produção de ração tem papel determinante na saúde e no desempenho dos suínos. A presença de fungos nos ingredientes utilizados na formulação é a principal causa da formação de micotoxinas, substâncias tóxicas que representam um dos maiores desafios sanitários e produtivos da suinocultura moderna.

Nos últimos anos, a incidência de micotoxinas cresceu de maneira significativa em diversas regiões produtoras. Mesmo com avanços em manejo nutricional, a ocorrência de contaminações por fungos ainda é tratada com menos prioridade do que deveria, sobretudo no armazenamento de grãos e na higienização das fábricas de ração. Trata-se de etapas frequentemente negligenciadas, mas que determinam grande parte da qualidade final do alimento fornecido aos animais.

Impactos de alto custo

A suinocultura é especialmente sensível às micotoxinas, em particular à deoxinivalenol (DON) e à zearalenona (ZEA), que afetam diretamente fases críticas do ciclo produtivo. Entre os efeitos mais comuns estão queda de desempenho, redução da eficiência alimentar, comprometimento imunológico, lesões orgânicas e, no caso de matrizes, natimortos, abortos, prolapsos e irregularidades reprodutivas.

O cenário se agrava quando há policontaminação, isto é, a presença simultânea de diferentes micotoxinas. Estudos recentes mostram que, enquanto há alguns anos eram conhecidas cerca de 600 micotoxinas, o número já ultrapassa 700 compostos identificados no mundo, tornando o desafio ainda mais complexo. Mesmo considerando apenas as seis micotoxinas de maior relevância zootécnica, como Fumonisina, DON, ZEA, Aflatoxina, Ocratoxina e Toxina T-2, os impactos são amplos e multifatoriais.

Armazenamento de grãos

O armazenamento é o ponto de maior vulnerabilidade da cadeia. Um armazém sem monitoramento adequado de umidade, temperatura, higiene e ventilação cria as condições ideais para proliferação de fungos e produção de micotoxinas. Assim, o silo deve ser visto não como um simples depósito, mas como um ambiente dinâmico, sujeito à migração de umidade, variações térmicas e intensa atividade microbiológica.

Quando esses fatores não são controlados, ocorre oxidação de ingredientes, deterioração nutricional e formação de compostos tóxicos. São as chamadas “perdas invisíveis”: alterações que não são perceptíveis visualmente, mas que comprometem o valor nutricional e aumentam o risco sanitário. Além disso, falhas de higienização nas fábricas de ração podem perpetuar contaminantes e permitir o desenvolvimento contínuo de fungos nos equipamentos.

Controle fúngico

Diferentemente das micotoxinas já presentes no grão, situação em que apenas adsorventes podem atuar, a contaminação fúngica durante o armazenamento pode e deve ser prevenida. Entre as ferramentas disponíveis, os blends de ácidos orgânicos estão entre as soluções mais eficazes para controle direto de fungos em grãos, ingredientes e ambientes de produção de ração.

Esses blends podem atuar em versões líquidas ou em pó, dependendo da necessidade da operação. Em tecnologias mais avançadas, combinações específicas de ácidos orgânicos aceleram o efeito antifúngico e fortalecem a ação do ácido propiônico, resultando em rompimento mais rápido da membrana do fungo e, consequentemente, em maior eficiência de controle.

Como os ácidos orgânicos atuam sobre fungos

O mecanismo de ação é bem estabelecido na literatura científica. Primeiramente ocorre uma penetração na membrana fúngica na qual os ácidos orgânicos não dissociados atravessam a membrana plasmática, especialmente em pH mais ácido. Depois, acontece uma acidificação do citoplasma dentro da célula fúngica, que libera prótons (H⁺), reduzindo o pH interno.

Em seguida, vem um desbalanço osmótico e energético para tentar restabelecer seu equilíbrio interno, o fungo precisa gastar grandes quantidades de energia, consumindo ATP para bombear íons. A partir deste momento acontece uma inibição da síntese e do crescimento celular, onde a acidificação desestabiliza enzimas metabólicas e compromete a formação de proteínas, o que leva a morte celular do fungo. Sem energia e com a integridade da membrana comprometida, a célula fúngica entra em colapso.

Essa sequência reduz significativamente a proliferação fúngica e, por consequência, diminui o risco de formação de micotoxinas ao longo da estocagem e do processamento.

Estudos recentes comprovaram que a combinação de três ingredientes ao ácido propiônico potencializa essa ação e leva a um rompimento mais rápido da membrana dos fungos. Esta combinação acelera o efeito do ácido propiônico em até três vezes, ampliando sua eficácia.

Abordagem preventiva e integrada

O controle eficaz exige uma abordagem contínua, iniciando no recebimento do grão e se estendendo até a produção da ração. O uso de aditivos conservantes deve ser combinado com iniciativas como inspeção e limpeza dos silos, monitoramento de umidade e temperatura, boas práticas de armazenamento, higienização completa das fábricas e uma análise contínua de risco de contaminações.

Uma mudança de mentalidade é urgentemente necessária. A qualidade da ração começa no armazém. Não basta investir em formulações balanceadas se os ingredientes chegam comprometidos por má estocagem. Quando o controle fúngico deixa de ser tratado como etapa secundária e passa a ser parte estratégica da nutrição, os resultados aparecem em saúde animal, produtividade e rentabilidade.

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Fonte: O Presente Rural
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Cinco passos para maximizar o desempenho das leitoas

Primeiro parto define o “piso” de desempenho da primípara e influencia custo, permanência no plantel e eficiência reprodutiva.

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Artigo escrito por Amanda Pimenta Siqueira e João Victor Facchini Rodrigues, Serviços Técnicos da Agroceres PIC

A produtividade de uma a granja é determinada, em grande parte, pela capacidade de transformar leitoas em matrizes eficientes. A reposição costuma ser conduzida como rotina, mas pode operar como um dos motores mais efetivos de eficiência econômica da granja.

O ponto-chave é técnico e direto. O desempenho em nascidos totais no 1º parto tende a orientar o desempenho dos partos seguintes. Quando o primeiro resultado é limitado por falhas de manejo, a granja carrega esse “teto” reprodutivo para frente.

Isso significa que uma boa preparação de leitoas é uma pré-condição absolutamente essencial para desempenho e longevidade. Quando as primíparas entram na reprodução com preparo padronizado, monitorado e bem realizado, eficiência reprodutiva e retenção são consequências imediatas e os resultados aparecem.

Onde nasce o desempenho da primípara

A preparação não começa na cobertura. Ela atravessa pré-desmame, recria, pré-cobertura/cobertura, gestação e se confirma na 1ª lactação. Pequenas falhas repetidas acumulam efeito: atrasam puberdade, comprometem cio e ovulação, reduzem taxa de concepção e limitam nascidos no 1º parto. A seguir, cinco pilares que sustentam desempenho e longevidade.

1) Gestão da informação

Gestão de fêmeas é gestão de dados. Sem registro, não há identificação de oportunidades e correções. O objetivo é quantificar a qualidade do manejo, e não “checar se foi feito”. O que não é medido vira variabilidade e variabilidade vira perda ao longo do processo de produção.

Um checklist de rotina ajuda a quantificar o que antes era “impressão”: assiduidade no diagnóstico de cio, exposição ao macho para 100% das leitoas elegíveis, precisão no manejo alimentar e efetividade do flushing.

Checklist de rotina:

Assiduidade no diagnóstico de cio: meta operacional de 100% dos dias com rotina executada.

Exposição ao macho: todas as leitoas elegíveis, sem exceção por “falta de tempo”.

Manejo alimentar: alimentação à vontade, sem interrupções.

Flushing: aplicação conforme protocolo, com registro de início, duração e lote.

Número de doses: uso racional baseado no protocolo de inseminação, diagnóstico de cio assertivo e conhecimento da fisiologia animal.

Número de coberturas por semana: garantir mão de obra treinada e em número suficiente para uma correta execução.

2) Pré-cobertura e cobertura

Entre a seleção e a cobertura, a maior causa de falhas costuma ser ausência de método. Sem rotina, não há controle: estímulo ao cio irregular, detecção inconsistente e falta de registro reduzem previsibilidade e aumentam o erro.

Estímulo diário à puberdade: usar machos rufiões de qualidade, com contato direto sempre que possível.

Detecção e registro são indispensáveis: registrar cio de forma sistemática sustenta decisões e reduz variação entre lotes.

Cobrir no 2º cio: está associado ao ponto de equilíbrio entre preparo fisiológico da futura matriz e retorno econômico.

Flushing é complementar: deve estar integrado ao manejo nutricional e respeitar tempo mínimo de adaptação.

Referências sólidas: peso, idade e condição corporal, ajustadas à genética e ao sistema, são fundamentais para o sucesso.

3) Inspeção diária: prevenção é parte do preparo

O acompanhamento “de rebanho” vem dando lugar ao cuidado mais personalizado das fêmeas. No caso da preparação de leitoas essa observação diária é ainda mais importante.

O princípio é simples: olhar individual, todos os dias, com checklist. Checar se a leitoa está comendo e bebendo, se levanta e se locomove bem, se está em conforto térmico e medicada. A inspeção inclui também o ambiente. Conferência de comedouros/drops, oferta correta de ração, vazão e qualidade da água, ventilação e piso.

Os benefícios são mensuráveis. Em plantéis onde essa rotina é bem implementada, observa-se redução média de 4 pontos percentuais na mortalidade. Com um responsável definido pela rotina, o manejo deixa de ser reativo e passa a ser preventivo e isso se traduz em um número maior de leitoas aptas para iniciar a vida reprodutiva.

4) Padronização: o básico bem-feito todos os dias

As granjas mais produtivas não fazem “manejo especial”; fazem o padrão sem variação: mesmo protocolo para todas as leitoas, todos os dias, com monitoria do gerente, revisão periódica e responsabilização do time. Constância de execução é o que transforma protocolo em resultado.

5) 1ª lactação: a primípara se confirma no 1º desmame

O desempenho da leitoa termina no primeiro desmame. Sem estímulo e consumo alimentar adequados, a primípara perde condição corporal, compromete retorno ao cio e reduz desempenho no parto seguinte. O manejo deve priorizar consumo, conforto térmico e acompanhamento diário. O uso estratégico da primípara como mãe de leite pode gerar ganhos, desde que preserve ingestão e condição corporal.

Genética entrega, manejo concretiza

Produtividade e longevidade se conectam no mesmo ponto: manejo executado com rigor e disciplina. O primeiro parto não é apenas um número; é um indicador de preparo. Sem padronização e inspeção diária, a granja não perde “um evento”, perde leitões ao longo da vida útil.

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Fonte: O Presente Rural
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Duas estratégias nutricionais para melhor utilização de gorduras na suinocultura

Uso de emulsificantes e triglicerídeos de cadeia média aumenta a digestibilidade das gorduras na ração, fornecendo energia mais eficiente para fêmeas suínas e melhorando desempenho e saúde reprodutiva.

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Artigo escrito por Flávia Cristina Silva, médica-veterinária, MBA Gestão Empresarial, coordenadora Técnica Nacional – Suinocultura, Sanex

Sabe o que a Síndrome de 2º parto, a Síndrome do Outono e a queda nos resultados da maternidade no verão têm em comum? Energia! É claro que eu estaria sendo muito simplista reduzindo duas síndromes (que pela própria definição são multifatoriais) e um conjunto de índices de um setor em uma estação do ano a um único fator. Mas este fator, energia, é essencial para mitigar esses eventos. Logo, entender como a fêmea consegue energia e como isso pode ser otimizado é básico para a definição de estratégias nutricionais efetivas contra esses processos naturais.

Os mamíferos conseguem energia através de três macronutrientes, basicamente: carboidratos, lipídeos (gorduras) e proteínas, nesta ordem de utilização pelo organismo. As rações de suínos, por sua vez, são compostas geralmente por produtos de origem vegetal (farelos de milho e soja) e têm composição (em porcentagem) de carboidratos (de 50 a mais de 70%), proteínas (entre 16 e 20%) e gorduras (de 3 a 7%), nestas proporções. Se as gorduras são a segunda fonte de energia mais importante na ordem de utilização pelo organismo, por que uma inclusão tão baixa?

Entre os principais motivos, está a facilidade da quebra de carboidratos (no caso, o amido de milho) para conversão em energia pelo corpo. Este é um sistema em 3 etapas: na boca, com a saliva – amilase salivar; no duodeno, com o suco pancreático – amilase pancreática; na superfície dos enterócitos em todo o intestino delgado – dissacaridases, maltase em especial. O produto é a glicose, que fornece 4 kcal/g. Sua absorção é por transporte ativo facilitado através do enterócito e necessita de sódio. A glicose cai na corrente sanguínea e é levada diretamente para o fígado pela veia porta. Esse processo é rápido, dura de 1 a 2 horas.

Já as gorduras têm um processo um pouco mais longo e complexo, mas também pode ser dividido em 3 etapas: no estômago – lipase gástrica; no duodeno – emulsificação pelos sais biliares; ainda no duodeno – lipase pancreática. Os produtos são os ácidos graxos e os monoglicerídeos. Só assim poderão ser absorvidos pelo corpo. Ambos têm aproximadamente 9 kcal/g, a forma mais concentrada de energia em uma dieta, mais que o dobro da glicose e da proteína. No jejuno e no íleo, os ácidos graxos e os monoglicerídeos são absorvidos pelos enterócitos por difusão passiva, mas têm que passar por um processo de ressíntese e transformação em quilomícrons. Esses quilomícrons são muito grandes para serem lançados nos capilares sanguíneos, por isso são liberados nos vasos linfáticos, daí em vasos sanguíneos maiores e depois distribuídos para tecidos adiposos e musculares. Todo esse processo é lento, podendo levar de 6 a 8 horas (Figura 1).

Figura 1 – Processamento dos lipídeos da dieta em vertebrados. (Adaptado de Lehninger, 2022).

Energia

A principal finalidade da utilização de proteínas na ração não é a obtenção de energia. O corpo usa as proteínas para sua construção, como músculos, órgãos, pelos, pele etc. Apesar disso, em último caso (jejum prolongado) ou quando estão em excesso, a proteína pode ser utilizada como fonte de energia. Esse processo é metabolicamente caro e menos eficiente do que usar carboidratos e gorduras para obtenção de energia. Por isso, não vamos nos aprofundar nele aqui.

Em uma avaliação reducionista, poderíamos concluir que, do ponto de vista apenas da obtenção de energia, deveríamos usar somente carboidratos como fonte energética nas rações. Bom, isso poderia dar certo (em parte) se os animais tivessem livre acesso à ração e o consumo fosse relativamente equânime e constante ao longo do dia. O que não acontece em algumas situações na suinocultura: animais que têm restrição de consumo diário natural (leitões recém-desmamados e leitoas em lactação por causa do tamanho do estômago) ou imposto (fêmeas em gestação e machos reprodutores para manutenção do peso) e animais sob estresse térmico (como fêmeas lactantes no verão e terminados com alto índice genético, já que a lactogênese e a síntese proteica são termogênicos).

Em todas essas situações, poderíamos usar duas estratégias nutricionais para tornar a utilização de gorduras na ração mais eficiente e maior. A primeira é a utilização de emulsificantes para ampliar a eficiência da ação dos sais biliares, já produzidos pelo animal, e melhorar a digestibilidade das gorduras, evitando que essa energia seja eliminada pelas fezes. De acordo com a Figura 1, essa estratégia atuaria na etapa inicial do processo de digestão dos lipídeos, já que as etapas anteriores são menos relevantes. O principal emulsificante utilizado tanto pela indústria alimentícia humana quanto pela de rações animais é a lecitina de soja. A lecitina de soja atua na etapa de emulsificação das gorduras reduzindo o tamanho das partículas, quebrando-as em micelas e tornando-as estáveis em água (Figura 2). Essa estratégia aumenta a energia metabolizável pelo animal aumentando a eficiência da utilização das gorduras na ração.

Figura 2 – Formação de micelas (gotículas emulsionadas) através da emulsificação das gorduras pelos sais biliares (The A-level Biologist, 2026).

Segunda estratégia

Uma segunda estratégia nutricional, que não exclui a primeira, é a adição de gorduras ricas em triglicerídeos de cadeia média (TCMs) ou ácidos graxos de cadeia média (AGCMs), como o óleo de palmíste e de coco. Os TCMs são hidrolisados mais rápido e facilmente e são absorvidos no intestino, não dependem de sais biliares e quilomícrons para sua metabolização. Diferentemente dos triglicerídeos de cadeia longa (TCL), não precisam do sistema linfático para serem transportados e vão diretamente para o fígado pela veia porta. O que resulta em um metabolismo mais rápido que as gorduras convencionais. Além disso, o organismo os usa preferencialmente como fonte de energia imediata e tem menor tendência de armazenamento como gordura corporal. Os TCMs também são fonte de energia rápida para os enterócitos.

Essas duas estratégias podem ser consorciadas, pois nenhuma gordura ou óleo natural é puro; o que há é o predomínio de cadeias longas, médias ou curtas (assunto para outro artigo). O fato é que a suinocultura tem ferramentas efetivas, conceitos já consolidados em outras espécies e que podem auxiliar na mitigação dessas síndromes e prejuízos mencionados no início do artigo.

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Fonte: O Presente Rural
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