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Presidência do IBGE rebate críticas, exalta avanços e propõe reformulação da instituição

Crise ganhou repercussão após as renúncias de Elizabeth Hypolito e João Hallak Neto, respectivamente diretora e diretor-adjunto de Pesquisas, uma das áreas mais relevantes do Instituto.

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Presidente do IBGE, economista Marcio Pochmann - Foto: Pedro França/Agência Senado

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se tornou centro de debates intensos nos últimos dias, após a saída de diretores-chave e a manifestação de insatisfação de servidores. Em resposta, o presidente do Instituto, o economista Marcio Pochmann, publicou na noite de quarta-feira (15) um comunicado oficial rebatendo as críticas e reafirmando o compromisso da entidade com sua missão institucional.

No texto, divulgado no site do IBGE, Pochmann negou as declarações de que a presidência estaria desconsiderando as opiniões do quadro técnico e do Conselho Diretor. Ele ressaltou que os desafios enfrentados pela instituição devem ser entendidos como parte de um processo de modernização necessário para fortalecer sua atuação.

A crise ganhou repercussão após as renúncias de Elizabeth Hypolito e João Hallak Neto, respectivamente diretora e diretor-adjunto de Pesquisas, uma das áreas mais relevantes do IBGE. Fontes próximas à gestão indicam que outras saídas podem ocorrer ainda em janeiro, incluindo Ivone Batista e Patrícia Costa, diretoras ligadas ao setor de Geociências.

Apesar de não mencionar diretamente os desligamentos, a nota emitida pela presidência sugeriu que os conflitos internos refletem interesses individuais, que por vezes se contrapõem às prioridades institucionais. “O IBGE é maior que qualquer disputa interna e segue comprometida com a sociedade brasileira”, declarou.

Uma das propostas defendidas por Pochmann no comunicado é a transformação do Instituto em uma fundação. Segundo ele, essa mudança garantiria maior autonomia financeira e administrativa, permitindo ao IBGE modernizar sua estrutura e ampliar sua capacidade de produção de dados confiáveis. A sugestão, no entanto, divide opiniões dentro e fora da instituição. Embora parte dos servidores tema que a alteração comprometa a estabilidade dos trabalhadores e a independência do órgão, especialistas avaliam que a ideia pode trazer flexibilidade e eficiência ao instituto.

A controvérsia ocorre em um momento em que o IBGE enfrenta desafios logísticos e financeiros, com impactos diretos na realização de pesquisas essenciais, como o Censo Demográfico. O debate sobre o futuro da entidade promete se intensificar nos próximos meses, com impacto direto na produção de dados que orientam políticas públicas e decisões estratégicas em todo o país.

Confira o comunicado na íntegra abaixo: 

Em manutenção de sua política de manifestar-se por meio de comunicados, a presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem a público esclarecer à sociedade brasileira a respeito de conflitos de interesses individuais e particulares frente à missão institucional do IBGE, maior órgão de pesquisa do país:

1 – Os riscos de manipulação em uma casa técnica oficial

A difusão e repetição constante de inverdades a respeito do IBGE exige posicionamento firme e esclarecedor sobre a realidade dos fatos. São condenáveis os ataques de servidores e ex-servidores, instituições sindicais, entre outros, que têm espaço na internet e em veículos de comunicação para divulgar mentiras sobre o próprio IBGE.

A suspeição levianamente gerada sobre a possibilidade de manipulação de dados em uma casa técnica é um ataque direto à credibilidade do IBGE, agravado justamente pelo fato de ser produzido por aqueles que conhecem em profundidade o rigor, a metodologia e a ética profissional que conduzem uma instituição de quase 90 anos. Neste cenário, a direção do IBGE seguirá o exemplo dado pelo Supremo Tribunal Federal e a Advocacia-Geral da União, que vêm enfrentando judicialmente a desinformação e as mentiras.

2 – A volta ao trabalho presencial

Até 2023, a quase totalidade dos institutos nacionais de estatística do planeta já havia retornado ao trabalho presencial. O IBGE era uma das exceções, ainda que com uma peculiaridade: parte significativa da força de trabalho que atua na coleta dos dados já havia retornado ao trabalho presencial integral, nos cinco dias úteis da semana, além de superintendentes, chefes de agências, setores administrativos e diretores. Ou seja, apenas parcela reduzida do quadro ainda se encontrava em regime totalmente remoto.

Este retorno foi determinado em gestões anteriores, em etapas desde 2021, e a atual gestão manteve esta política, ao publicar a Portaria nº 1023 na data de 22 de agosto de 2024, que determinou o retorno ao trabalho presencial em dois dias por semana, da parcela ainda em regime remoto integral, considerando exceções determinadas pelas diretorias. Esta decisão também considerou a necessidade de preparar a recepção a quase mil novos servidores advindos do Concurso Público Nacional Unificado, que terão, por obrigatoriedade legal, o regime presencial integral com necessidade de supervisão de coordenadores e gerentes.

A Portaria desencadeou reações, até então, inéditas do sindicato e de parte dos trabalhadores da unidade da Avenida Chile, no centro do Rio de Janeiro, em defesa de interesses particulares e contrariados pelo fim do regime remoto integral, o popular home-office.

3 – A mudança para o prédio do Serpro

Seguindo o princípio de melhor aplicação dos recursos públicos, e acompanhando as diretrizes do programa Racionaliza*, a atual gestão buscou a mudança para um prédio público federal, com significativa economia com aluguéis, que possibilita a recuperação dos prédios próprios do IBGE, para que estes tenham condições de absorver a totalidade dos servidores e servidoras do Instituto, atuais e novos.

Esta ação de recuperação de locais de trabalho pertencentes ao IBGE tem sido adotada em unidades por todo o país, em concordância com a orientação do governo federal. Após longa e diversificada busca por prédios em todo o Rio de Janeiro, a Diretoria-Executiva do IBGE, por meio de seu corpo técnico formado por engenheiros e arquitetos, localizou imóvel pertencente ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), no bairro do Horto Florestal, em excelentes condições estruturais de atender ao Instituto de maneira imediata e sem a necessidade de investimentos em obras de melhoria. A transferência temporária dos servidores e servidoras alocadas na unidade da Avenida Chile permitirá ao IBGE economia anual de aproximadamente 84% em relação aos R$ 15 milhões anualmente gastos em aluguel e custos de manutenção que esta unidade consumia no início da atual gestão. Estes recursos serão revertidos para reformas das unidades do centro e da Avenida Canabarro, obra esta que se inicia neste mês de janeiro.

Entretanto, apesar dos ganhos evidentes e substanciais com esta mudança temporária, parte dos servidores e servidoras da unidade da Avenida Chile, e o sindicato, difundem informações inverídicas sobre condições de acesso e de trabalho na unidade do Horto, que contará com sistema de vans para transporte entre o imóvel e a principal rua do bairro, que possui ampla oferta de transporte público e serviços, como restaurantes e comércio local.

Ressalte-se que os servidores e servidoras desta unidade deverão trabalhar presencialmente no prédio do Serpro apenas dois dias por semana. Neste sentido, explicita-se o conflito entre interesses públicos e institucionais e interesses privados e individuais.

4 – Fundação IBGE+

O processo de reconhecimento do IBGE como Instituição de Ciência e Tecnologia, e a consequente e legalmente necessária constituição de uma fundação de apoio, a permitir a busca de recursos não-orçamentários essenciais para a urgente e imprescindível modernização e fortalecimento tecnológico, já foi amplamente publicizado em Comunicados e documentos disponíveis no Portal do IBGE e em site próprio da fundação.

Entretanto, cabem neste ponto esclarecimentos adicionais frentes a alegação recente do sindicato nacional dos servidores (ASSIBGE), de que a criação da Fundação nem passou pelo Conselho Diretor, órgão máximo deliberativo do Instituto, e composto majoritariamente por servidores da casa. Não só foram feitos os debates junto a órgãos federais e no Conselho Diretor do IBGE, como todos os diretores e diretoras deste Conselho acompanharam as discussões, aprovaram a totalidade dos documentos e assinaram a ata de criação da Fundação IBGE+, registrada em cartório e aprovada por unanimidade, em ato documentado em texto e imagens.

A Fundação IBGE+ é também alvo de forte campanha de desinformação por, possivelmente, evidenciar conflitos de interesses privados existentes dentro do IBGE, sendo estes, inclusive, objeto de manifestação do Ministério Público Federal, conforme Ofício nº 503/2024 PR-RJ/GMGBA, disponível Anexo I e seus documentos anexos, em resposta ao Ofício nº 6/2024/PF-GAB/PFE-IBGE/PGF/AGU da Procuradoria Federal Especializada Junto ao IBGE, disponível no Anexo II, e corroboradas por conclusão da Coordenação de Recursos Humanos do IBGE, conforme Nota Técnica Nº 45/2024/DE/CRH/IBGE, disponível no Anexo III, além da ação de órgãos de controle interno do Instituto. Possivelmente, diante deste fato, a atual gestão enfrenta fortes reações.

5 – O IBGE avança

A atual gestão assumiu um órgão que teve 7 presidentes nos últimos 8 anos, experiência de instabilidade institucional jamais notada na trajetória do maior instituto de pesquisa pública do Brasil, com orçamentos decrescentes, sem a realização de concurso público para a recomposição de quadros, vacância de diretores e pesquisas paralisadas.

As ações de recuperação de remunerações e infraestrutura, e de recomposição e qualificação do corpo técnico, e retomada do protagonismo nacional e internacional do IBGE mostram que, sob a atual gestão, o Instituto avança, renovando quadros, superintendências e diretorias, buscando em todas as frentes recursos e alternativas para a modernização e valorização de seus servidores e servidoras. O IBGE segue e seguirá rumo aos seus 90 anos em sua firme missão de retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento de sua realidade e ao exercício da cidadania.

*O Programa Racionaliza é coordenado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), em articulação com a Secretaria de Gestão e Inovação (SEGES), ambas vinculadas ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), com vistas à ocupação otimizada e compartilhada dos imóveis de uso especial utilizados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, próprios da União ou de terceiros.

Fonte: O Presente Rural com Agência de Notícias do IBGE

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Curso Técnico em Zootecnia inicia nova turma em Seara e fortalece a formação para o agronegócio

Formação gratuita da Rede e-Tec Brasil, oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos, busca qualificar profissionais para atuar na produção rural.

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Alunos do Curso Técnico em Zootecnia de Seara e lideranças comemoram o início das aulas - Foto Divulgação

O Polo de Seara promoveu, no último sábado (07), a aula inaugural do Curso Técnico em Zootecnia, formação gratuita voltada à qualificação de profissionais para atuar com eficiência, inovação e sustentabilidade na produção rural. A iniciativa integra a Rede e-Tec Brasil e é oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos em Santa Catarina.

A proposta do curso é aliar conteúdos teóricos, atividades práticas e experiências de campo, o que é essencial para uma formação alinhada às demandas do setor agropecuário. O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, destacou o sucesso da iniciativa desde a implantação no município. Também ressaltou a qualidade do corpo docente e enfatizou que, ao final dos dois anos, os participantes terão conquistado uma qualificação capaz de ampliar oportunidades profissionais e contribuir para o desenvolvimento das propriedades rurais e das empresas do setor agropecuário.

O superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, enfatizou que a formação técnica proporciona uma base sólida de conhecimento aos alunos. Também frisou que o curso vai além do aprendizado em sala de aula ao possibilitar a construção de vínculos, troca de experiências e contato com profissionais e lideranças do setor, ampliando a visão dos participantes sobre o agronegócio.

O prefeito de Seara, Beto Gonçalves, que participou da abertura acompanhado pelo secretário de Agricultura, Renato Tumelero, enfatizou a importância do Curso Técnico para o município e reforçou o apoio do Poder Público local a ações de qualificação profissional. De acordo com ele, Seara é um município com forte ligação com o agronegócio e iniciativas que incentivam o acesso ao conhecimento são fundamentais, especialmente para jovens que estão assumindo ou pretendem atuar nas propriedades rurais.

Também estiveram presentes o supervisor regional do Senar/SC, Helder Jorge Barbosa, outras lideranças e a equipe do polo de Seara.

Curso em zootecnia

Totalmente gratuito, o curso é oferecido na modalidade presencial híbrida (80% da carga horária acontece presencialmente e 20% acontece a distância). Há certificação intermediária ao longo do percurso formativo e diploma com validade nacional, emitido conforme a legislação educacional.

De acordo com o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a formação tem contribuído para que jovens e adultos do meio rural atuem com excelência na produção, no manejo e na gestão pecuária.  Ele ressaltou, ainda, que Santa Catarina conta com 17 polos de formação técnica no Estado e, além do Curso Técnico em Zootecnia, são oferecidas as seguintes formações: Técnico em Agricultura; Técnico em Agronegócio; Técnico em Florestas e Técnico em Fruticultura.

Fonte: Assessoria Sistema Faesc/Senar
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Produtividade da soja no Rio Grande do Sul fica abaixo da média nacional, aponta especialista

Avaliação foi apresentada durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

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Foto: Shutterstock

A produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média registrada em outros estados brasileiros, sobretudo nos últimos cinco anos. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (10) pelo fundador da Veeries e especialista em inteligência de mercado para o agronegócio, Marcos Rubin, durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado no Auditório Central da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). O evento integrou a programação técnica da 26ª edição da Expodireto Cotrijal e reuniu especialistas para discutir competitividade, cenário produtivo e perspectivas para as cadeias da soja e do milho.

Na palestra “2026: O Novo Ciclo da Soja e do Milho: entre safras recordes e mudanças na demanda”, Rubin apresentou números e ferramentas voltados à análise do mercado agrícola. Ele exibiu dados sobre o desempenho da soja nos últimos anos e apontou que a produtividade gaúcha tem ficado abaixo da média observada em outros estados. Segundo Rubin, fatores climáticos têm contribuído para esse cenário. “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”, ressaltou.

Guillermo Dawson Jr: “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras” – Fotos: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação

Durante a apresentação, Rubin também chamou atenção para o potencial da produção de biocombustíveis a partir de grãos como alternativa para ampliar a demanda por soja. “A nova China para o Brasil é a geração de biodiesel. No Brasil, existe um mercado interno considerável para comercialização de biodiesel. A gente tem uma oportunidade gigantesca. Então, se aplicarmos o biocombustível no futuro, ele vai ser o principal responsável pelo crescimento da demanda de soja no Brasil nos próximos anos”, concluiu.

Rubin apresentou ainda gráficos comparativos sobre a evolução da produção de soja no cenário internacional. Segundo ele, o Brasil ampliou significativamente sua produção nos últimos 10 anos na comparação com os Estados Unidos. Sobre as perspectivas futuras, o especialista afirmou que começa a enxergar sinais mais positivos para o segundo semestre, mas destacou fatores de incerteza no cenário internacional. “Eu acho que existem fatores imponderáveis como as consequências da guerra Estados Unidos-Irã. Tem um fator que não é benéfico nessa questão da guerra, que é o fertilizante. A gente não sabe por quanto tempo, mas os preços já subiram”, constatou.

Além da análise de mercado, o fórum também abordou desafios relacionados à infraestrutura e à logística para o agronegócio brasileiro. A programação incluiu a palestra “Da adversidade à vantagem competitiva: o novo ciclo estratégico do TERMASA”, apresentada pelo vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) e dos terminais portuários Termasa-Tergrasa, Guillermo Dawson Jr.

Marcos Rubin: “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”

Durante a apresentação, Dawson Jr. abordou o papel da infraestrutura portuária e da logística integrada na competitividade do agronegócio brasileiro. “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras. Nos cabe dar as melhores condições de infraestrutura logística para que a soja possa ingressar nos mercados”, afirmou.

O dirigente também destacou a trajetória dos terminais Termasa-Tergrasa, localizados no Porto de Rio Grande. Segundo ele, o empreendimento surgiu no final dos anos 1960 a partir de uma iniciativa de cooperativistas que buscavam alternativas para o escoamento da produção de grãos. O terminal tornou-se o primeiro terminal graneleiro do país em 1972. Atualmente, o Termasa passa por reconstrução, com investimento de R$ 600 milhões, após um acidente envolvendo um navio. As obras devem se estender até outubro de 2026.

Na abertura do fórum, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, destacou a importância do evento, que chega à 36ª edição e ocorre pelo 26º ano consecutivo dentro da Expodireto Cotrijal. “Eu acho que a questão mais importante do Fórum da Soja é a interação. Nós temos basicamente representantes de cooperativas, de empresas, do sistema financeiro e é nesse contexto que temos uma seleção muito grande de debates no sentido convergente para solucionar os problemas”, ressaltou.

O 36º Fórum Nacional da Soja é promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS.

Fonte: Assessoria FecoAgro/RS
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Cooperativismo movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina

Tema foi destaque na primeira reunião de 2026 da Frencoop, que reuniu deputados e dirigentes de cooperativas em Florianópolis.

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Foto: Shutterstock

Na noite de segunda-feira (09), em Florianópolis, a a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) realizou a primeira reunião de 2026, durante o encontro de integração entre entidades e poderes públicos com a Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc).

Santa Catarina é considerado o estado mais cooperativista do Brasil. Cerca de quatro milhões de catarinenses estão associados a pelo menos uma cooperativa, número que representa mais da metade da população.

A importância desse sistema também se reflete na atuação do Parlamento catarinense. A Alesc  mantém há mais de três décadas a Frencoop, que atua na defesa e no fortalecimento do setor.

O cooperativismo responde por aproximadamente 12% do PIB catarinense e por cerca de 70% das exportações do estado, movimentando mais de R$ 100 bilhões por ano e gerando milhares de empregos e oportunidades.

Importância econômica do cooperativismo

O coordenador da frente parlamentar, deputado José  Milton Scheffer (PP), destacou a relevância econômica e social do setor para Santa Catarina.

José Milton Scheffer

Deputado José Milton Scheffer: “O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado”

“O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado. Na Assembleia temos uma frente parlamentar com 12 deputados que trabalham diretamente em pautas ligadas ao cooperativismo. Já aprovamos leis de incentivo, como a legislação de apoio ao cooperativismo de energia elétrica e subsídios fiscais. Agora acompanhamos com atenção a reforma tributária e outros temas que podem impactar o setor.”

Segundo o parlamentar, além da geração de empregos, o modelo cooperativista permite que pequenos produtores se organizem e tenham acesso a mercado e crédito. “As cooperativas movimentam mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina e arrecadam cerca de R$ 8 bilhões em impostos estaduais. Muitas vezes pequenos agricultores só conseguem comercializar seus produtos por meio das cooperativas. O cooperativismo é estruturante para a economia catarinense.”

Mauro de Nadal

Deputado Mauro de Nadal: “A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses”

Para o deputado Mauro De Nadal (MDB), a Frencoop cumpre um papel fundamental ao aproximar o Parlamento das demandas do setor produtivo.

“A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses. Essa aproximação nos permite defender projetos que fortalecem o agronegócio e ajudam a garantir que o agricultor seja valorizado dentro de toda a cadeia produtiva.”

Integração entre cooperativas e Parlamento

O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, ressaltou que o encontro também tem o objetivo de aproximar dirigentes das cooperativas dos parlamentares. “Mais de 50% da população catarinense está ligada a alguma cooperativa. Aqui reunimos cerca de 130 presidentes de cooperativas para dialogar com os deputados. Essa integração é importante para apresentar demandas e fortalecer essa parceria que já vem trazendo bons resultados para o estado.”

A presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a catarinense Tânia Zanella, destacou que o cooperativismo tem papel central no desenvolvimento regional. “A cada três catarinenses, um é cooperativista. Santa Catarina mostra como o cooperativismo transforma realidades e melhora a vida das pessoas. Essa parceria com o Parlamento é fundamental, porque as cooperativas também dependem de políticas públicas e de um ambiente regulatório adequado para continuar crescendo.”

O secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, reforçou que o modelo cooperativista garante segurança e estabilidade ao produtor rural. “O cooperativismo é essencial para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina. Ele fortalece o produtor rural, organiza a produção e contribui para que o estado, mesmo sendo pequeno em território, tenha uma produção extremamente forte.”

Fabiano da Luz

Deputado Fabiano da Luz: “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola”

Para o deputado Fabiano da Luz (PT), a relação entre cooperativas e poder público é estratégica para garantir competitividade ao setor agrícola. “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola. Ele garante acesso a crédito, assistência técnica e segurança na comercialização da produção. O papel do poder público é justamente dar suporte às demandas desse setor.”

Já o deputado Altair Silva (PP) destacou a origem do movimento cooperativista no meio rural.

Altair Silva

Deputado Altair Silva: “O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense”

“O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense. A presença da Assembleia nesse diálogo reforça o compromisso com o desenvolvimento do estado.”

O deputado Napoleão Bernardes (PSD) destacou que a atuação da frente parlamentar vai além do setor produtivo e impacta diretamente o desenvolvimento do estado.

“As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade. O cooperativismo é uma mola propulsora do desenvolvimento de Santa Catarina. É um modelo econômico justo, porque reúne desenvolvimento econômico, social e humano. Por isso, a frente parlamentar em defesa do cooperativismo é também uma frente em defesa do desenvolvimento e da prosperidade de Santa Catarina.”

Napoleão Bernardes

Deputado Napoleão Bernardes: “As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade”

O deputado Pepê Collaço (PP) ressaltou que o cooperativismo tem papel histórico na formação econômica do estado.

“Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor. O cooperativismo foi fundamental para forjar o nosso estado, formado em grande parte por pequenas e médias cidades e pela agricultura familiar. O sistema cooperativo potencializa a produção e mantém o homem no campo. Ao longo da nossa história, esse setor contribuiu muito para o crescimento e o desenvolvimento de Santa Catarina.”

Crise da cebola

Pepê Collaço

Deputado Pepê Collaço: “Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor”

Entre as preocupações do setor está a situação enfrentada pelos produtores de cebola em Santa Catarina. Oscilações de preços e aumento nos custos de produção têm reduzido a rentabilidade dos agricultores. O tema tem mobilizado cooperativas e parlamentares em busca de medidas que garantam maior equilíbrio de mercado e proteção ao produtor catarinense.

Dificuldades no setor do arroz

A cadeia produtiva do arroz também enfrenta desafios, especialmente relacionados à competitividade e aos custos de produção. Cooperativas e produtores defendem políticas de apoio e mecanismos que garantam condições mais justas de comercialização para manter a atividade viável no estado.

Desafios para a produção de leite

O setor leiteiro vive um cenário de instabilidade causado pela variação de preços e pelo aumento dos custos de produção. Nos últimos anos, produtores têm cobrado medidas de apoio e políticas que garantam maior previsibilidade ao mercado e sustentação para a atividade.

Reforma tributária preocupa cooperativas

Outro tema acompanhado de perto pelo setor é a reforma tributária em discussão no país. Cooperativas e parlamentares avaliam possíveis impactos das mudanças no sistema de arrecadação, especialmente sobre a competitividade do agronegócio e das organizações cooperativistas.

Fonte: Assessoria Alesc
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