Notícias Durante a Expointer
Prêmio reconhece propriedades com eficiência produtiva e qualidade do leite
Premiação visa valorizar os produtores pelos resultados obtidos, mesmo num ano com tantas dificuldades, como foram as questões climáticas e de custos de produção.

Os vencedores do 1º Prêmio de Referência Leiteira foram conhecidos durante a Expointer 2022. A premiação, promovida pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Emater/RS-Ascar e Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul, aconteceu nesta quarta-feira (31), na Casa do Sindilat. O prêmio tem por objetivo reconhecer as propriedades que se destacam em eficiência produtiva e qualidade do leite.
Entre as lideranças e autoridades, participaram do Prêmio Referência Leiteira o presidente da Emater/RS, Alex da Silva Corrêa, o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, e o representante da Seapdr, Paulo Lipp. De acordo com o gerente técnico da Emater/RS-Ascar, Jaime Eduardo Ries, o objetivo do prêmio é valorizar os produtores pelos resultados obtidos, mesmo num ano com tantas dificuldades, como foram as questões climáticas e de custos de produção. “Da mesma forma, a premiação nos permite conhecer os resultados obtidos pelas propriedades de excelência do Rio Grande do Sul, contribuindo para estabelecer parâmetros de mensuração do desempenho das propriedades gaúchas”, afirmou Ries.
O prêmio foi aberto a todas as propriedades leiteiras do RS, independentemente de porte, vinculadas à indústria estabelecida no Estado. Ao todo, 107 propriedades de 52 municípios inscreveram-se no prêmio. De junho de 2021 a julho de 2022, os extensionistas da Emater/RS-Ascar acompanharam as propriedades e coletaram informações referentes ao uso das áreas com o gado leiteiro e à mão de obra utilizada na atividade, além de registrar mensalmente dados referentes a produção de leite (volume e qualidade).
O prêmio avaliou indicadores nas categorias de produtividade, qualidade do leite. Cada uma das categorias premiou três propriedades, com uma premiação geral resultante do somatório de pontos das três categorias. A categoria produtividade da terra examinou a quantidade de litros produzidos por ano em relação à área utilizada (litros/hectare/ano). A categoria qualidade do leite foi resultado das análises mensais de índices qualitativos do leite como a Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total (CBT), feitas em laboratório oficial. Já, a de produtividade de mão de obra, analisou a correlação entre a quantidade de litros de leite produzido nas propriedades com o número de pessoas envolvidas.
A Breunig Agricultura e Pecuária, de Condor, consagrou-se na 1ª edição do Prêmio Referência Leiteira. A propriedade da família Breunig somou 243,12 pontos, destacando-se por sua eficiência produtiva e qualidade do leite. A Granja Cichelero, de Carlos Barbosa, levou o segundo lugar com 202,35 pontos. A terceira colocação ficou com a Cabanha DS, de Vila Lângaro, que acumulou 197,04 pontos.
A família Breunig também foi reconhecida em primeiro lugar na categoria Produtividade da Mão de Obra, onde foi analisada a correlação entre a quantidade de litros de leite produzidos e o número de pessoas envolvidas, considerando seu grau de dedicação em termos de carga horária e capacidade laboral. A propriedade somou 422,537 litros/pessoa/ ano. O segundo lugar ficou com a Cabanha DS, que atingiu pontuação de 310,027. A propriedade Família Rhoden, de Armando José Rhoden, de Tupandi, fez 278,448 litros/pessoa/ano, conquistando a terceira colocação.
Na categoria Qualidade do Leite, o primeiro lugar foi conquistado pela Estância das Pedras, de Gabriel Lorenzon, de Água Santa, que alcançou 116,52 pontos. Em segundo lugar ficou a Cabanha Ventana, de Carmem Petersen Dias da Costa, de Boa Vista do Incra, com 115,33 pontos. Logo em seguida, destacou-se a Agropecuária Nova Esperança, de Fabrício Balerini, de Vespasiano Correa, com 106,25 pontos. A categoria classificou índices qualitativos do leite como a Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total (CBT).
A Agropecuária Pfeifer, de Darci Sérgio Pfeifer, de Condor, sagrou-se na categoria Produtividade da Terra, com 48,019 litros de leite por hectare/ano. Já a Granja Saling, de Rude Saling, de São Martinho, alcançou pontuação de 39,932, ficando em segundo lugar. A terceira colocação foi conquistada pela Granja Cichelero, com 39,724 litros de leite por hectare/ano.
Na ocasião, também foi lançada a 2ª edição do Prêmio Referência Leiteira.

Notícias
Copercampos supera R$ 9,6 milhões em economia com Mercado Livre de Energia
Estratégia iniciada em 2018 já envolve 13 unidades da cooperativa e reduz custos com eletricidade em mais de 25% em comparação ao mercado cativo.

A decisão estratégica da Copercampos de migrar parte de suas unidades para o Mercado Livre de Energia segue gerando resultados expressivos e consolida a cooperativa como referência em gestão eficiente de custos e visão de longo prazo. Iniciado em 2018, o projeto começou com a migração de cinco unidades e, ao longo dos anos, foi sendo ampliado de forma planejada, acompanhando a evolução do consumo energético e as oportunidades do setor elétrico brasileiro.
Somente em 2025, as unidades da Copercampos inseridas no mercado livre registraram uma economia de R$ 1.866.154,16, o que representa uma redução média de 25,55% nos custos com energia elétrica em comparação ao mercado cativo, sem considerar o ICMS. No período, o consumo total dessas unidades somou 11.168,040 MWh, evidenciando a relevância do impacto financeiro da estratégia adotada.
Além do ganho econômico, toda a energia adquirida pela cooperativa no Mercado Livre é proveniente de fontes 100% renováveis, o que reforça o compromisso da Copercampos com práticas sustentáveis e responsáveis. “A utilização de energia limpa contribui diretamente para a sustentabilidade econômica, social e ambiental, alinhando eficiência operacional com responsabilidade ambiental”, destaca o Gerente Operacional Ricardo Saurin.
Desde o início do projeto, a cooperativa avançou de forma consistente. Em 2018, cinco unidades passaram a operar no mercado livre. Em 2024, outras três migraram, seguidas por mais cinco unidades em 2025. Atualmente, o grupo conta com 13 unidades no ambiente de contratação livre, e o planejamento segue ativo, com mais cinco unidades em processo de migração em 2026, reforçando o compromisso contínuo com a eficiência energética e a competitividade.
No acumulado desde 2018, a economia total alcançada pela Copercampos com o mercado livre de energia é superior a R$ 9,6 milhões. O maior destaque está na Indústria de Rações, unidade que apresenta o maior consumo energético do grupo. Migrada ainda em 2018, essa unidade já acumula, até o momento, uma economia de R$ 5,3 milhões, demonstrando como o modelo é especialmente vantajoso para operações industriais de grande porte e consumo intensivo.
“Além da redução direta de custos, a atuação no mercado livre proporciona ganhos estratégicos, como previsibilidade orçamentária, análises de impacto de reajustes tarifários, otimização de demanda e avaliação contínua do perfil de consumo. Para 2026, estamos realizando a contratação de três novos contratos de fornecimento, ampliando a gestão ativa da energia e fortalecendo a segurança no abastecimento”, ressalta Ricardo Saurin.
O gerente da área ressalta ainda que a experiência da Copercampos no Mercado Livre de Energia demonstra que a eficiência energética vai além da economia financeira. “Trata-se de uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade, sustentar investimentos e contribuir para um modelo de gestão cada vez mais moderno, sustentável e alinhado às boas práticas ambientais”, complementa.
Colunistas
Inventário pode consumir até 40% do patrimônio familiar
Holding rural pode reduzir custos e evitar inventário na sucessão patrimonial

Até 40% do patrimônio bruto de uma família pode ser consumido em um processo de inventário, somando impostos, custas judiciais e outras despesas. Além do custo elevado, o procedimento costuma se arrastar por anos: em média, cinco até a conclusão.
O advogado Manoel Terças, com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural, explica que a constituição de uma holding é hoje uma das estratégias mais utilizadas para organizar o planejamento patrimonial, sucessório e tributário no meio rural.
Segundo ele, a estrutura permite organizar a transferência de bens ainda em vida, reduzir a carga tributária, prevenir conflitos familiares e dar maior previsibilidade à sucessão, evitando a necessidade de inventário judicial.
A possibilidade de criação de holdings no Brasil existe há quase cinco décadas e tem sido amplamente utilizada como instrumento de proteção e gestão do patrimônio familiar. Em determinadas operações, a estrutura também pode oferecer vantagens fiscais, como a não incidência de ITBI.
Notícias
Conflito no Oriente Médio pressiona custos e fertilizantes do agro brasileiro, aponta estudo
Interrupção de rotas logísticas e alta nos preços do petróleo e fertilizantes pode encarecer produção de grãos, rações e carne, enquanto safra recorde mantém perspectiva positiva.

A escalada do conflito no Oriente Médio após a intervenção dos Estados Unidos no Irã pode gerar impactos relevantes para o agronegócio brasileiro, com pressão sobre custos logísticos, fertilizantes e cadeias de produção de alimentos. A avaliação integra o relatório econômico Cenário do Agronegócio, apresentado pela Bateleur durante a Expodireto Cotrijal, que está sendo realizada até esta sexta-feira (13) em Não-Me-Toque (RS).
Ainda de acordo com o estudo, o impacto do conflito sobre a inflação global influencia o nível das taxas de juros, o que, no Brasil, associado à pressão inflacionária decorrente do repasse das cadeias globais e da desvalorização do câmbio, pode dificultar o ciclo de cortes na Selic e diminuir a perspectiva de redução dos juros do Plano Safra, encarecendo o crédito e prejudicando a capacidade de investimento.

Fotos: Claudio Neves
Outro fator de preocupação é a interrupção parcial do fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. A restrição elevou os preços da commodity e ampliou os custos logísticos em escala global. “O fechamento do canal gerou um entrave logístico extremamente relevante, resultando em uma disparada nos preços do petróleo e, por consequência, no aumento sistêmico do custo logístico global”, destaca o relatório. O impacto sobre as cadeias de suprimento que passam pelo Oriente Médio, somado à necessidade de alterar rotas marítimas e ao encarecimento do frete, tende a gerar efeitos indiretos sobre diversas commodities.
Fertilizantes e cadeia produtiva
O Oriente Médio também tem papel relevante no fornecimento global de fertilizantes, insumo essencial para a produção agrícola. Eventuais restrições na oferta podem elevar custos ao longo de toda a cadeia do agronegócio, com efeitos que começam na produção de grãos e se estendem à pecuária, por meio do aumento no preço das rações. “No Brasil, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados são importados, e aproximadamente um terço da ureia vem do Oriente Médio. Esse cenário torna o setor particularmente sensível a choques de oferta e de preços”, aponta o estudo.
O aumento dos custos de energia também pode afetar polos industriais estratégicos, como a China, principal compradora de commodities brasileiras, pressionando a inflação global e influenciando decisões de política monetária. No Brasil, esse contexto pode impactar investimentos.
Exportações

No que tange às exportações, o Brasil vende para o Oriente Médio principalmente carne de frango, carne bovina, milho e açúcar. Eventuais bloqueios logísticos na região podem afetar temporariamente essa demanda, exigindo o redirecionamento das exportações para outros mercados.
Por outro lado, o relatório aponta que o cenário internacional também pode abrir oportunidades. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar o acesso do agronegócio brasileiro a novos mercados nos próximos anos, ainda que a indústria nacional enfrente maior concorrência.
Apesar das incertezas externas, as perspectivas para a produção agrícola brasileira permanecem positivas. A safra nacional 2025/2026 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas de grãos, um novo recorde.



