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Prêmio Queijos do Paraná chega à 3ª edição em 2026 com nova categoria

Concurso reforça a consolidação da cadeia queijeira no Estado e inclui, pela primeira vez, a categoria Queijo Colonial, com avaliação também voltada à versatilidade gastronômica.

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Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

Foi lançada na terça-feira (23), no Mercado Municipal de Curitiba, a 3ª edição do Prêmio Queijos do Paraná, iniciativa que já se consolida como vitrine da qualidade e da evolução da cadeia queijeira no Estado. A organização projeta a participação de mais de 600 produtos nesta edição, número que reforça o avanço em especialização, diversidade e excelência da produção paranaense.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O concurso tem como objetivo valorizar a pecuária leiteira do Paraná, reconhecendo os melhores queijos inscritos por meio da concessão de medalhas nas categorias Super Ouro, Ouro, Prata e Bronze. Mais do que uma premiação, a iniciativa busca estimular a qualificação da produção e dar visibilidade aos diferentes perfis de queijos elaborados no Estado.

A principal novidade deste ano é a inclusão da categoria Queijo Colonial, ampliando o escopo da avaliação e contemplando um dos produtos mais tradicionais da produção regional.

A análise dos queijos seguirá critérios sensoriais rigorosos, com avaliação de atributos como sabor, textura, aroma e aparência. Na nova categoria, haverá uma etapa adicional: além da degustação técnica, os jurados também irão avaliar a versatilidade gastronômica do queijo, considerando seu desempenho em preparações culinárias e em harmonizações com bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

O evento de lançamento contou com a presença do vice-governador do Paraná, Darci Piana. Para ele, a união de diversas categorias é a responsável pelos bons resultados da produção de lácteos do Estado. “Com a valorização do trabalho da nossa gente, agora exportamos queijos. A harmonia entre produtores, federações, técnicos, entre outros, faz com que o nosso produto seja valorizado”, destacou.

Lançamento de livro

A cerimônia também marcou o fechamento do ciclo anterior com o lançamento do livro da 2ª edição do prêmio, que registra as histórias dos produtores vencedores, a trajetória da premiação e conteúdos técnicos sobre a produção de lácteos.

A organização do prêmio é realizada por um comitê gestor composto pelo Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Sebrae/PR, Senac-PR e Sindileite-PR.

Para o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a iniciativa funciona como uma grande vitrine para o setor e consolida o Estado como referência de

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “Era um sonho fortalecer essa cadeia e hoje esse sonho chega à terceira edição” – Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

excelência. “Era um sonho fortalecer essa cadeia e hoje esse sonho chega à terceira edição. No nosso primeiro evento, tivemos 291 queijos participantes. No segundo, foram 477 inscrições de 77 municípios. Isso mostra a força e a pujança do queijo do Paraná, não só para nós, mas para o mundo”, explicou.

A fase final e a cerimônia de premiação estão agendadas para os dias 02 e 03 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. A programação do evento vai incluir palestras técnicas, minicursos, mesas-redondas e harmonizações gastronômicas.

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) faz parte do grupo gestor do prêmio, mas também auxilia os produtores desde a formulação de dieta dos animais, até a parte da regularização das queijarias, tecnologia dos processos e comercialização desses produtos. “O trabalho em conjunto traz uma alternativa de renda para nossos produtores rurais, que são premiados internacionalmente. Com esse incentivo, nós conseguimos colocar técnicos em todas as regiões paranaenses. É a mão do Estado ajudando o produtor rural”, reforçou o diretor-presidente do IDR-Paraná, Altair Sebastião Dorigo.

Reconhecimento

No ano passado, o queijo colonial Aroma do Campo foi um dos medalhistas Super Ouro da 2ª edição do Prêmio Queijos do Paraná. De sabor suave e aroma frutado,

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

o produto é produzido com flores por Solange Liller, fundadora da empresa Tia Nena Produtos Coloniais, no município de Cantagalo, no Centro-Oeste do Estado.

A produtora detalha que o queijo foi criado após uma viagem técnica para a França, que a queijaria ganhou em 2023. “Lá, conheci muitos queijos e me inspirei em um deles para criar o Aroma do Campo. Me inscrevi no prêmio para aprimorar as técnicas; foram várias tentativas até chegar à versão final”, explicou. “Quando me inscrevi, só queria que os técnicos me mostrassem o que poderia melhorar. Nunca imaginei que ganharia o Super Ouro”, finalizou Solange.

Hoje, o queijo maturado com ervas e flores de calêndula, perpétua, fada azul e camomila é vendido em diversos municípios do Paraná.

Foto: Igor Jacinto/Vice-Governadoria

Prêmio Queijos do Paraná

Criado para estimular a pecuária leiteira, agregar valor à matéria-prima e projetar os derivados lácteos no mercado nacional, o prêmio atua diretamente no fortalecimento de uma cadeia produtiva presente em todos os 399 municípios do Paraná. O concurso aproxima o produtor do mercado consumidor, alcançando desde lojas especializadas, empórios e supermercados até as mesas das famílias paranaenses.

Para se inscrever no Prêmio Queijos do Paraná, os produtores artesanais ou agroindústrias devem preencher um formulário no site do Sistema Faep. 

Presenças

Também estiveram presentes no evento o presidente do Sindileite-PR, Elias José Zydek; o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta; o diretor regional do Senac/PR, Sidnei Lopes de Oliveira; o secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, Leverci Silveira Filho; entre outros representantes da categoria.

Fonte: AEN-PR

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Do laboratório ao tanque: como Rondônia derrubou em até 76% a carga bacteriana do leite

Parceria entre Embrapa, produtores e indústria eleva padrões higiênico-sanitários, reduz contaminação e transforma a cadeia leiteira no estado ao longo de sete anos de estudos.

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Foto: Shutterstock
Um esforço conjunto entre pesquisa científica da Embrapa, produtores rurais, técnicos e o setor industrial vem promovendo uma transformação consistente na pecuária leiteira de Rondônia.

Estudos iniciados em 2013 mostram uma evolução significativa na qualidade do leite entregue às indústrias do estado. A conformidade dos tanques em relação ao limite de contagem padrão em placas (CPP), indicador da carga bacteriana, no período chuvoso, passou de 36% em 2015 para 72,6% em 2022.

Foto: Rafael Alves da Rocha

Essa melhora é acompanhada por uma redução expressiva da média de contagem bacteriana, que caiu 69,1% no período das águas e 76,7% na estação seca. Ao todo, foram avaliados 566 tanques em 2015 e 536 em 2022, distribuídos pelas principais microrregiões produtoras de Rondônia.

Os resultados apontam para uma maior efetividade na execução do Programa Nacional da Qualidade do Leite (PNQL), com avanço na adoção de práticas e processos mais adequados às exigências higiênico-sanitárias previstas em normativas oficiais.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Juliana Alves Dias, que coordenou os estudos, parte dos avanços está associada à atualização regulatória, especialmente com a implementação das Instruções Normativas 76 e 77, do Ministério da Agricultura, em 2019. Ela destaca também o papel da articulação entre os diferentes elos da cadeia produtiva e das ações de transferência de tecnologia. “Nesse contexto, os estudos e as ações convergiram para dar subsídios ao estado. Trabalhamos na identificação dos principais desafios e no direcionamento de estratégias específicas, mostrando que a parceria entre o setor público e privado é o caminho para a efetividade das ações”, afirma.

As pesquisas seguem em andamento e vêm gerando diagnósticos detalhados sobre a cadeia leiteira, incluindo fatores de risco e propostas de solução para a melhoria

Foto: Rafael Alves da Rocha

contínua da qualidade do leite. O objetivo é apoiar produtores e gestores na adequação aos padrões sanitários exigidos pela legislação brasileira.

Os resultados estão consolidados no documento técnico “Contribuições da pesquisa e transferência de tecnologia à execução do Programa Nacional de Qualidade do Leite (PNQL) em Rondônia”, publicado pela Embrapa. A iniciativa também está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 12), da ONU, que trata de padrões sustentáveis de produção e consumo.

Desafios logísticos e higiênico-sanitários

A cadeia produtiva do leite em Rondônia reúne cerca de 26 mil famílias, com predominância de pequenos e médios produtores. O estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional de produção leiteira e, em 2024, registrou 619 milhões de litros produzidos, o maior volume da Região Norte, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para chegar a esse diagnóstico e identificar os principais fatores de risco no campo, as pesquisas saíram do ambiente laboratorial e avançaram para análises epidemiológicas e de geoprocessamento. Foram considerados indicadores higiênico-sanitários do leite, como contagem bacteriana, contagem de células somáticas (CCS), presença de patógenos associados à mastite bovina e resíduos químicos.

Foto: Rafael Alves da Rocha

Os resultados apontam que o principal gargalo regional está no controle da contagem bacteriana, associado, sobretudo, a falhas na adoção de boas práticas de ordenha e à deficiência na logística de refrigeração do leite.

Entre os pontos críticos identificados está o uso de “carretinhas”, transporte intermediário entre a propriedade e o tanque coletivo. Atrasos no resfriamento e falhas na higienização dos latões utilizados nesse percurso contribuíram para o aumento da carga bacteriana. Atualmente, 78% dos produtores do estado estão vinculados a sistemas de tanques coletivos. A pesquisa também indica que tanques com mais de cinco produtores apresentam maior risco de contaminação, o que levanta a necessidade de reavaliação desse modelo por parte da indústria.

Segundo Juliana, falhas no manejo sanitário dentro das propriedades também elevam o risco de mastite no rebanho. Um dado que chama atenção é que sistemas mais tecnificados, incluindo ordenha mecânica e uso de animais especializados, apresentaram maior probabilidade de ocorrência da doença.

Esse cenário é reforçado pelo monitoramento da contagem de células somáticas (CCS) em tanques vinculados às indústrias. A comparação entre 2015 e 2022 indica tendência de aumento da média de CCS em todo o estado, sinalizando novos desafios para o controle da saúde do úbere. “Esses resultados indicam que o setor enfrenta novos desafios que exigem ações mais efetivas de prevenção e controle da saúde do úbere, especialmente em rebanhos mais tecnificados”, destaca a pesquisadora.

Para chegar a essas conclusões, além do acompanhamento temporal e espacial dos dados de tanques industriais, foram conduzidos dois estudos em nível de propriedade: um em 2013, com 267 rebanhos em 11 municípios da microrregião de Ji-Paraná, e outro entre 2018 e 2019, envolvendo 178 rebanhos ligados a agroindústrias familiares em seis microrregiões do estado.

Projeto piloto avalia impacto das boas práticas nas propriedades

A pesquisa realizada em Rondônia indica que a adoção de práticas simples tem papel decisivo na transformação da qualidade do leite no estado. Entre 2017 e 2018,

Foto: Juliana Alves Dias

quatro propriedades representativas dos principais sistemas de produção da região foram selecionadas para um estudo de validação de protocolos de higiene. A amostra foi definida a partir de levantamentos anteriores e contemplou diferentes realidades produtivas, desde a ordenha manual em piquetes abertos até o sistema mecanizado “balde ao pé”.

Segundo a pesquisadora Juliana Dias, o objetivo foi identificar os principais pontos de contaminação bacteriana durante a ordenha, incluindo baldes, latões, tetos dos animais, ordenhadeiras, água utilizada e as mãos dos ordenhadores. A partir desse diagnóstico, foram propostas práticas adaptadas às condições locais.

Com a adoção do conjunto de boas práticas, como o preparo adequado do úbere e a higienização rigorosa de utensílios e equipamentos, as propriedades registraram uma redução superior a 95% na carga bacteriana do leite, independentemente do nível tecnológico adotado.

Para viabilizar a transferência desse conhecimento ao campo, foram produzidos materiais educativos, como vídeos, notas técnicas e documentos orientadores, destinados a técnicos, produtores e indústrias. Os resultados também foram disseminados em cursos, treinamentos, oficinas e palestras em diferentes regiões do estado. Ao todo, mais de cinco mil pessoas foram alcançadas em 42 municípios, o que representa cerca de 80% do território rondoniense.

A melhoria da qualidade do leite é atribuída a um conjunto integrado de ações, que vai desde a estruturação de laboratórios e diagnósticos da cadeia produtiva até a definição de recomendações técnicas e a aplicação prática das boas práticas nas propriedades.

Foto: Shutterstock

Juliana destaca que a parceria com as indústrias lácteas foi determinante para transformar os resultados da pesquisa em ganhos concretos de qualidade, por meio da análise estratégica de dados, capacitação de equipes de campo e comunicação direta com os produtores.

Além das indústrias, participaram dos projetos a Secretaria de Agricultura de Rondônia (Seagri), a Emater-RO, a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) e a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero), além de unidades da Embrapa, como a Embrapa Gado de Leite, a Embrapa Agricultura Digital e a Embrapa Acre. As ações também contaram com a participação de técnicos e produtores vinculados ao Programa Balde Cheio, coordenado pela Embrapa Pecuária Sudeste.

Qualidade do leite se converte em renda

A adoção de bonificações por qualidade do leite tem funcionado como um incentivo direto à implementação de boas práticas no campo. Em Rondônia, o Laticínio Joia, parceiro da Embrapa, passou a pagar, a partir de 2015, um adicional por litro de leite que atende aos padrões estabelecidos pelo Programa Nacional de Qualidade do Leite (PNQL). A medida contribuiu para melhorar a qualidade da matéria-prima e também a eficiência industrial, estabelecendo uma relação de ganho mútuo entre produtor e agroindústria.

Segundo o proprietário do laticínio, Alessandro Rodrigues, a melhoria na qualidade do leite impacta diretamente o rendimento industrial. “Valorizamos o trabalho do produtor rural que queira se adequar e, quando o leite chega com qualidade à indústria, nós temos uma maior rentabilidade em quilo de massa de queijo produzido. Se antes eu precisava de dez litros de leite para produzir um quilo de queijo, hoje produzo um quilo de queijo com 9,2 litros de leite. Isso em escala, por dia, impacta muito. É uma parceria em que todos se beneficiam”, afirma.

Dados do IBGE indicam que atualmente 92,5% do leite processado em Rondônia é oriundo de indústrias sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que garante maior controle sanitário ao produto que chega ao consumidor final.

De acordo com Juliana, durante o desenvolvimento dos estudos também foi avaliada a qualidade do leite proveniente de rebanhos vinculados a cerca de 85% das

Foto: Shutterstock

agroindústrias familiares do estado com Selo de Inspeção Estadual. Nesse processo, foram capacitados 52 fiscais agropecuários e 57 técnicos da Emater/RO, que passaram a atuar como multiplicadores das boas práticas voltadas à qualidade do leite.

Boas práticas elevam produtividade e reduzem perdas

A integração entre pesquisa e extensão rural em Rondônia confirmou que a adoção de boas práticas tem impacto direto na rentabilidade das propriedades. Para o técnico do Programa Balde Cheio, Abner Guimarães, a capacitação focada na qualidade do leite é determinante para o retorno econômico do produtor. “A abordagem técnica permitiu aos produtores a compreensão do quanto a mastite pode ser economicamente importante dentro de uma propriedade; assim, incentivou a adoção de práticas de higiene e o uso correto de antimicrobianos”, explica.

O produtor Ademir Reolon, de Vilhena (RO), relata que as orientações técnicas contribuíram para a redução da contagem padrão em placas (CPP) e da contagem de células somáticas (CCS), o que resultou em bonificações pagas pela indústria. “A partir das orientações, começamos a realizar o monitoramento da mastite subclínica e a adoção da linha de ordenha, em vez de realizar o tratamento com antibióticos”, afirma.

Na avaliação do médico veterinário da Emater/RO, Samuel Borges, a aplicação de protocolos adequados e o acompanhamento em tempo real foram decisivos para a mudança de comportamento nas propriedades.

Ele explica que a mastite clínica exige descarte do leite, gerando perdas diretas e custos com tratamento. Já a forma subclínica, mais difícil de identificar, pode reduzir significativamente a produção sem sinais visíveis. “Dependendo do grau de infecção do rebanho, a queda na produção de leite pode chegar a 18%. Esse é um prejuízo difícil de mensurar, mas é uma realidade. E, por fim, pode chegar ao ponto de descarte dos animais”, complementa.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
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Abate de fêmeas volta a crescer e muda composição da pecuária brasileira

Matrizes e novilhas responderam por 49,9% dos animais abatidos no primeiro trimestre, o maior índice já registrado para o período pelo IBGE.

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Foto: Divulgação

O crescimento do abate de fêmeas marcou o início de 2026 na pecuária bovina brasileira e alterou a composição dos animais destinados aos frigoríficos no país. No primeiro trimestre, matrizes e novilhas representaram 49,9% do total de bovinos abatidos, a maior participação já registrada para o período na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Foto: Divulgação

O percentual praticamente iguala a presença de machos e fêmeas nos abates e interrompe uma sequência de dois trimestres consecutivos de queda na participação das vacas e novilhas enviadas para o abate.

Ao todo, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças entre janeiro e março deste ano, volume 3,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar do crescimento na comparação anual, houve redução de 6,9% em relação ao quarto trimestre do ano passado, quando tradicionalmente o ritmo de abates costuma ser maior.

Segundo o gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Oliveira, o comportamento das fêmeas foi determinante para o resultado do trimestre. “O setor de bovinos foi marcado pelo maior volume de abate e produção de carcaças em um primeiro trimestre. A participação de fêmeas no abate teve um aumento superior à de machos e atingiu o recorde de 49,9%. Este comportamento significa a retomada do crescimento do abate de fêmeas, após dois trimestres sucessivos de queda”, afirmou.

Foto: Divulgação

Produção de carne também atinge recorde

O aumento no número de animais abatidos refletiu diretamente na produção de carne bovina. No primeiro trimestre, foram produzidas 2,63 milhões de toneladas de carcaças, o maior volume já registrado para os três primeiros meses do ano.

Na comparação com o mesmo período de 2025, a produção cresceu 5,1%. Já em relação ao quarto trimestre do ano passado, houve retração de 10,3%, acompanhando a redução no ritmo dos abates.

O avanço da participação das fêmeas é acompanhado de perto por analistas do setor por ser um dos indicadores do

Foto: Fernando Dias

ciclo pecuário. Quando cresce o envio de vacas e novilhas para os frigoríficos, aumenta a oferta de carne no curto prazo, mas pode haver impacto sobre a reposição do rebanho nos anos seguintes, dependendo da intensidade desse movimento.

Entre as unidades da Federação, o Mato Grosso manteve a liderança nacional, respondendo por 17,5% de todo o abate bovino do país no primeiro trimestre. Em seguida aparecem São Paulo, com 11,6%, Goiás, com 9,2%, e Pará, com 9,1%.

Os dados fazem parte das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha divulgadas pelo IBGE e reforçam que, embora o volume total de abates tenha alcançado um novo recorde para o período, a principal mudança observada no início de 2026 ocorreu na composição do rebanho destinado aos frigoríficos.

Fonte: O Presente Rural
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Feicorte abre debates sobre o futuro da pecuária e o protagonismo do Brasil no mercado global

Programação aborda tecnologias de precisão, sustentabilidade e tendências que devem moldar a produção de carne nos próximos anos.

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Carla Tuccilio, CEO da Verum e organizadora da Feicorte, destacou a força da pecuária brasileira e o papel da inovação no futuro da cadeia da carne - Foto: Divulgação

O futuro da produção pecuária no Brasil será debatido ao longo desta semana, na Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), que teve início nesta terça-feira (23), em Presidente Prudente (SP). O evento, que segue até sexta-feira (26), tem como tema central “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades” e reúne especialistas nacionais e internacionais para abordar genética, sustentabilidade, nutrição, sanidade, manejo, tecnologias de precisão e o papel do Brasil no abastecimento global.

Carla Tuccilio, CEO da Verum e organizadora da Feicorte: “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira” – Foto: Divulgação

A abertura do encontro contou com a presença da CEO da Verum e organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, que destacou o esforço coletivo para a realização do evento. “Essa edição nasce de um esforço coletivo e tenho certeza de que teremos um grande encontro. Agradeço a todos que contribuíram para essa Feicorte, especialmente à nossa equipe, que vem trabalhando incansavelmente”, destacou.

Segundo ela, o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, tem na pecuária uma de suas principais forças econômicas ao movimentar mais de R$600 bilhões ao ano. Nesse contexto, o tema desta edição propõe um olhar estratégico sobre como transformar a vocação produtiva do país em rentabilidade real, com a tecnologia como fator decisivo dentro da porteira. “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira, sustentada em três pilares: força, que representa a potência produtiva do maior rebanho comercial do mundo; brasilidade, valorizando nossa identidade, genética e forma única de fazer pecuária; e inovação, porque o futuro exige tecnologia, sustentabilidade e visão estratégica”, afirmou.

DNA feminino da carne

Iniciada pelo painel DNA feminino da carne, a programação do evento foi pensada nos principais elos da cadeia produtiva. “A mulher representa força e dedicação na

Foto: Divulgação

atividade e em diversos setores da economia. Por isso, iniciamos o encontro com um debate de alto nível, evidenciando a história e experiência das profissionais que ajudam a construir a pecuária nacional”, realçou.

O espaço reuniu profissionais do setor que abordaram as transformações da pecuária brasileira e trouxeram perspectivas sobre temas estratégicos relacionados à qualidade da carne, genética, hábitos de consumo, saúde, experiência gastronômica e à contribuição das mulheres para uma cadeia cada vez mais alinhada às demandas do mercado.

Participaram do painel a especialista em churrasco e primeira sommelier de carnes do Brasil, Larissa Morales, que compartilhou sua experiência na gastronomia e destacou que sua relação com o churrasco começou ainda na infância, acompanhando os preparos em família; a pecuarista Clélia Pacheco, selecionadora da raça Bonsmara, que trouxe ao debate uma reflexão sobre a presença feminina no agro e os desafios enfrentados por mulheres que assumem a gestão das propriedades rurais; a nutricionista Letícia Moreira, pioneira mundial na adoção da dieta carnívora em modalidades de alta resistência; e a diretora técnica da DGT Brasil e referência em avaliação de carcaça, Liliane Suguisawa, que relembrou sua atuação profissional, marcada por uma relação histórica com o evento e com a pecuária de corte brasileira. 

Novas ferramentas de seleção genética 

O cientista norte-americano e Chief Scientific Officer da Acceligen, Tad Sonstegard, apresentou os avanços da edição gênica aplicada ao desenvolvimento de bovinos de corte mais eficientes, sustentáveis e adaptados às condições tropicais.

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Com ampla experiência internacional em biotecnologia animal, o pesquisador detalhou o cronograma de introdução das primeiras soluções comerciais no Brasil, com destaque para linhagens voltadas à tolerância ao calor e à resistência a doenças. “Os primeiros produtos de sêmen e embriões chegarão ao mercado nos próximos anos, começando pelo Angus Slick, que foi classificado como não transgênico pela CTNBio no Brasil e terá os dados iniciais de sua descendência nacional consolidados em 2027”, explicou.

Beef Hour das Raças celebra diversidade genética e qualidade da carne

A Beef Hour das Raças foi um dos momentos de maior destaque do primeiro dia da Feicorte. A tradicional degustação reuniu 18 variedades, proporcionando aos participantes uma experiência que conectou genética, pecuária e atributos de qualidade dos diferentes produtos apresentados.

Participaram da edição deste ano as raças bovinas Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Canchim e Texas Longhorn. Como novidade, a Beef Hour também contou com cortes de búfalo e de cordeiro da raça Suffolk, ampliando a diversidade de experiências gastronômicas e sistemas produtivos representados no evento.

Fonte: Assessoria Feicorte
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