Bovinos / Grãos / Máquinas
Prejuízos com mastite vão da qualidade do leite à morte de animais
Vania Maria, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, descreve as perdas produtivas e financeiras em vários graus da doença, que ataca rebanhos de todo o país
O jornal O Presente Rural procurou Vania Maria de Oliveira, uma das maiores especialistas sobre mastite no Brasil, para saber quais os prejuízos que essa doença causa na bovinocultura de leite no Brasil e no mundo. Médica veterinária, mestre em Medicina Veterinária e doutora em Ciência e Saúde Animal, Vania Maria é pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora, MG. Em entrevista exclusiva, ela descreve as perdas produtivas e financeiras em vários graus da doença, que ataca rebanhos de todo o país.
“A baixa qualidade do leite produzido no país provém, na maioria das vezes, de rebanhos com vacas com representativo índice de mastite. Além da baixa qualidade da matéria-prima, ocorrem prejuízos com descarte de vacas e custo de reposição, perda de material genético, gastos com laboratório, medicamentos e com assistência veterinária, redução da produtividade dos rebanhos, dentre outros”, cita a pesquisadora.
“Resultados econômicos de programas de controle, bem estruturados e direcionados, já foram demonstrados em vários países, com altas taxas de retorno para os produtores. Pela importância econômica desta doença, são indispensáveis estratégias de controle eficazes em condições tropicais, a custos viáveis para os produtores e que proporcionem maior produtividade, rentabilidade e um leite ideal para consumo e produção de derivados”, amplia.
O Presente Rural ( OP Rural) – O que é e quais os tipos de mastite?
Vania Maria de Oliveira (VMO) – A palavra mastite designa uma doença de grande importância econômica, sobre a qual muito se tem investigado. A mastite dos bovinos é uma inflamação da glândula mamária (mama), que se manifesta de diferentes formas.
Na forma clínica, os animais podem apresentar sinais visíveis, como leite com grumos ou secreção de aspecto aquoso ou purulento, tetos e úberes com sinais característicos de inflamação. Outros sintomas também ajudam a diagnosticar a doença na fase clínica mais severa, como febre, perda de apetite e úberes quentes e doloridos.
Na forma subclínica, os sintomas não estão presentes no leite e nem na vaca, sendo necessários testes laboratoriais para identificar a doença, somente por meio de testes como o CMT e CCS. O teste de CMT (California Mastitis Test) é realizado no campo, “ao pé da vaca”, e o teste de CCS (Contagem de Células Somáticas) é realizado em laboratórios credenciados.
Em relação à forma de transmissão e ao microrganismo envolvido, a mastite se caracteriza de duas formas, contagiosa ou ambiental. A contagiosa é de longa duração, a CCS do leite total do rebanho afetado é relativamente alta e pode haver recidivas dos casos clínicos. Por outro lado, a ambiental se caracteriza muitas vezes pelo aparecimento súbito e duração relativamente curta, com baixa CCS do leite total do rebanho e alta incidência de casos clínicos, sendo muito comum seu aparecimento no período pós-parto e dificilmente ocorrem recidivas.
OP Rural – Quais os graus da doença e suas consequências na vaca e/ou rebanho em seus diferentes graus?
VMO – Os tipos de mastite são definidos de acordo com os sinais que variam de acordo com os microrganismos que estão provocando a infecção e com a capacidade do organismo da vaca de combater esses microrganismos.
Existem dois tipos de mastite quanto ao aparecimento dos sintomas: na mastite subclínica não há alterações no leite e nem sinais de inflamação na mama, sendo possível identificar a doença somente por meio de testes de campo ou de laboratório. Na mastite clínica os sinais da doença no leite e na vaca são visíveis, tornando fácil sua identificação.
Na mastite clínica as alterações no leite ou no animal são bem visíveis. Existem três graus da mastite clínica: O grau 1 é a forma clínica mais branda em que ocorrem apenas alterações no leite (como presença de grumos, alterações de cor e consistência), principalmente nos primeiros jatos, perfeitamente observados ao teste conhecido como teste da caneca de fundo escuro ou teste da caneca telada. Neste estágio da doença a vaca pode sentir dor durante a ordenha. No grau 2, além das alterações no leite, quando se examina a mama com as mãos pode- se perceber dor, inchaço, local endurecido e parte da mama avermelhada. Na mastite clínica grau 3, além dos sinais anteriores, há comprometimento do organismo do animal. A vaca doente pode apresentar febre, perda de apetite, desidratação, entre outros sinais. Vacas com mastite clínica com grau 3 correm o risco até de morrer, por isso o tratamento tem que ser iniciado o mais rápido possível.
Os outros sinais e o estado geral do animal doente somente poderão ser avaliados por um médico veterinário. A presença deste profissional é importante para examinar detalhadamente a vaca doente, indicar o tratamento certo e evitar que a vaca perca a mama ou até mesmo venha a morrer.
A mastite também pode se manifestar na forma crônica, de longa duração, isto é, duração prolongada da fase subclínica ou a ocorrência alternada desta com a forma clínica. No caso, vai depender muito do microrganismo envolvido, das medidas de controle e tratamento empregadas para recuperação do quarto mamário doente, da imunidade do animal, ou seja, da capacidade que o organismo animal possui em combater a infecção. É comum a perda total da função do quarto mamário devido à fibrose (endurecimento) dos tecidos internos da glândula mamária. É aconselhável que os animais com este tipo de mastite sejam descartados, pois são portadores e fontes de contaminação para outras vacas do rebanho.
OP Rural – Porque e como a mastite reduz a produção de leite?
VMO – Como a mastite é uma infecção bacteriana, inicialmente ocorre inflamação do tecido epitelial secretor de leite e, posteriormente, dependendo da gravidade e duração da infecção, o tecido é danificado gradativamente e, consequentemente, há redução da produção de leite. Se a inflamação não for controlada a tempo, pode haver perda total do quarto mamário comprometido. Desta forma, as perdas econômicas causadas pela mastite são consequência direta da redução de produção de leite, entre outras, como descarte de leite e gastos com medicamentos. Em rebanhos onde ocorre perda de quartos mamários, em um ou mais animais, as vacas normalmente são vendidas a preço de corte e ocorre também perda genética e gastos com reposição de animais.
OP Rural – Porque a como mastite reduz a qualidade do leite?
VMO – A função das células somáticas na glândula mamária é protegê-la de infecções provocadas por bactérias causadoras de mastite. Os diferentes tipos de microrganismos que causam mastite, tanto contagiosas quanto ambiental, agem sobre a glândula mamária, provocando aumento das células somáticas no leite. A quantidade de células que passam do sangue para o leite na tentativa de combater o processo inflamatório varia muito em função de vários fatores, como: do microrganismo que está causando a mastite, da gravidade da lesão e abrangência da área afetada, do tempo de duração da inflamação, entre outros. Estes determinam a quantidade de células que estarão presentes no leite de uma vaca. Se existirem muitas vacas com mastite no rebanho, provavelmente a Contagem de Células Somáticas (CCS) deste rebanho será alta, portanto, quanto maior o número de quartos infectados, maior a CCS do leite total do rebanho e, consequentemente, a qualidade do leite deste rebanho não será boa. A CCS do leite também pode aumentar, com menor intensidade, em decorrência de características individuais de cada animal, da produção, do estágio de lactações (no final da lactação geralmente aumenta), da idade e do número de lactações da vaca, da temperatura e de outros fatores ambientais.
O aumento da CCS causa redução da produção e alterações da composição de leite devido a resposta imune do organismo do animal que tem mastite. Durante o processo inflamatório há redução da capacidade de formação dos componentes do leite e aumento da quantidade líquida do sangue que passa para o leite, o que altera a quantidade de seus componentes.
Leite com alta CCS apresenta redução do teor de lactose, de caseína, de gordura, de cálcio e maior teor de proteínas do soro. Com isto há redução do rendimento de queijo e de outros derivados lácteos. Aumenta a concentração de enzimas proteolíticas e lipolíticas e, consequentemente, reduz a validade dos produtos lácteos, que também podem apresentar sabor rançoso e amargo. Em determinadas situações ocorre “rancidez” do leite e sabores indesejáveis no leite pasteurizado.
As lesões das células produtoras de leite são em parte responsáveis pelas alterações dos seus componentes. O aumento da permeabilidade vascular, que determina o aumento da passagem de substâncias do sangue para o leite, tais como sódio, cloro, imunoglobulinas e outras proteínas séricas, também é responsável por estas alterações.
OP Rural – O que o produtor tem que fazer com o leite de vacas com mastite, dos casos mais brandos aos mais severos?
VMO – O ideal seria o descarte de todo o leite proveniente de vacas com mastite. Porém, o prejuízo é grande para o produtor, principalmente quando há grande número de vacas com mastite no rebanho. Normalmente este leite é usado na alimentação de bezerros, não sendo, porém, recomendado para bezerras criadas em abrigos coletivos, uma vez que alguns trabalhos de pesquisa mostraram que pode predispor a maior ocorrência de infecções da glândula mamária em bezerras e novilhas. Já o leite proveniente de vacas com mastite clínica deve ser descartado.
OP Rural – O preço é diferenciado para leite com muita CCS?
VMO – A CCS no leite de animais individuais ou de tanque é uma ferramenta valiosa na avaliação do nível de mastite subclínica no rebanho, sendo considerado um dos principais indicativos da qualidade do leite produzido na propriedade. É possível, a partir dos resultados de CCS, fazer uma estimativa das perdas quantitativas e qualitativas de produção do leite e derivados. A CCS permite monitorar os casos de mastite subclínica e crônica, atuando como o principal indicativo da qualidade do leite cru e como referência da saúde da glândula mamária das vacas do rebanho. Este parâmetro é um dos mais utilizados pelas indústrias de leite/laticínios para efetuar o pagamento do leite em função da qualidade. O sistema de “Pagamento pela Qualidade do Leite” é adotado pelas indústrias lácteas para incentivar os produtores a investir no controle e ter cuidados que resultem em melhor qualidade da matéria-prima. Por outro lado, o objetivo também é criar e por em prática um programa de bonificação que possa beneficiar seus cooperados.
OP Rural – Há regiões e/ou períodos do ano no Brasil em que a mastite é mais intensa?
VMO – A mastite ocorre em todos os rebanhos leiteiros com maior ou menor intensidade, em qualquer época do ano e em todas as regiões. Ou seja, a mastite bovina é uma doença encontrada em todas as regiões produtoras de leite. Portanto, a prevalência desta está relacionada ao animal e à sua produção, ao ambiente, ao manejo sanitário, nutricional, ao sistema de ordenha, à mão de obra, aos microrganismos, entre muitos outros.
Em relação aos fatores abordados acima, algumas considerações são importantes. Em períodos de chuva, por exemplo, onde as vacas em lactação permanecem por algum período em locais lamacentos, os tetos ficam muito sujos, o que dificulta o manejo de ordenha e aumenta o número de casos de mastite.
Já é comprovado que a ocorrência de mastite no Brasil é maior em animais da raça holandesa e, no caso, está principalmente associado ao nível de produção. Portanto, pode-se afirmar que a mastite bovina é mais frequente em bacias leiteiras com rebanhos mais puros.
OP Rural – Qual a prevalência no rebanho brasileiro?
VMO – Estima-se que nos Estados Unidos haja uma perda da ordem de US$ 2 bilhões de dólares ao ano somente em decorrência da doença. No Brasil não temos informações de algum levantamento que determine a ocorrência desta enfermidade a nível nacional. Existem muitos estudos mostrando sua prevalência, porém de rebanhos leiteiros de determinados municípios, regiões ou bacias leiteiras, individualmente. Todos estes estudos, apesar de direcionados e independente do critério ou do diagnóstico empregado, mostraram uma alta prevalência desta enfermidade.
OP Rural – Entre as doenças de gado leiteiro, a mastite está em que posição no ranking de mais agressivas e custosas?
VMO – A mastite, sem dúvida, caracteriza a doença mais importante dos rebanhos leiteiros. Dentre as doenças de animais de produção leiteira a mastite é a mais importante por vários aspectos, como por exemplo, pela complexidade e alta prevalência, por causar prejuízos diversos, pela redução na produção, por alterar a qualidade do leite e dos derivados lácteos. Também pelo fato de os microrganismos responsáveis por várias formas de mastite causar danos à saúde do consumidor.
Uma transformação radical nos últimos anos mudou o cenário do setor lácteo brasileiro e, com isto, houve uma exigência quanto ao aprimoramento das raças bovinas leiteiras, que se tornaram mais produtivas e, consequentemente, apresentando úberes maiores e mais suscetíveis às infecções, traumas mecânicos e físicos, entre outras agressões. Com isto a mastite, doença de maior ocorrência em vacas leiteiras, passou a ser uma das maiores preocupações dos produtores. Além dos prejuízos econômicos a mastite altera a qualidade do leite, uma vez que aumenta a Contagem de Células Somáticas (CCS).
OP Rural – Quanto custa prevenir a mastite e quanto custa tratar?
VMO – A estimativa do custo de um caso de mastite clínica no Brasil, no Estado de Minas Gerais, entre 2002 a 2004, ficou em torno de US$ 100,4. As maiores despesas foram relacionadas aos exames, medicamentos e mão-de-obra adicional (37%); descarte de leite (29%); descarte e morte de vacas (28%) e honorários do médico veterinário (6%).
Quantificar a perda associada aos casos de mastite subclínica é mais difícil, pois este tipo de mastite é de longa duração, sendo identificada apenas através de testes específicos como o CMT e a CCS. Ela reduz a produção de leite e altera a qualidade do leite total do rebanho afetado. Segundo alguns estudos, ela é muito mais prevalente do que a mastite clínica, de 15 a 40 vezes. Pelo fato de ser normalmente contagiosa, se não houver um programa de controle eficiente no rebanho, muitas vacas ou mesmo novilhas deste rebanho apresentarão mastite dentro de um curto espaço de tempo, uma vez que cada animal infectado constitui uma fonte de infecção para outros animais do mesmo rebanho.
O custo de um programa de controle vai depender muito do manejo do rebanho, do número de animais doentes, da mão de obra (se especializada ou não), do sistema de ordenha, da raça e idade das vacas, entre outros fatores. Normalmente, em vacas mais velhas, a doença já se encontra na forma crônica, sendo difícil a recuperação dos quartos afetados sendo, portanto, necessário o descarte de muitos destes animais e, posteriormente, a aquisição de outros para reposição.
OP Rural – Quais os prejuízos econômicos que a mastite causa na cadeia do leite no Brasil? Há estatísticas?
VMO – Os prejuízos em nosso país são imensuráveis, dada a variedade de manejo dos rebanhos, das raças leiteiras, da região, da acessibilidade ou não à tecnologia, da condição socioeconômica e até mesmo cultural de cada produtor e da extensão e diversidade territorial do Brasil. Todos estes aspectos inviabilizam qualquer programa de ordem econômica relacionado à mastite que tenha abrangência nacional. Talvez seja possível fazer estimativas, mas há necessidade de dados confiáveis e atualizados de produção e produtividade relacionados a todas as bacias leiteiras, de obter informações dos laboratórios da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL), envolver profissionais especializados e que atuem em todos os setores da cadeia produtiva do leite no Brasil.
Comprovadamente, um dado muito importante em relação aos prejuízos é a perda de produção devido a forma subclínica da mastite, que pode ser até 40 vezes mais frequente que a forma clínica, causa as maiores perdas econômicas devido à prevalência (índices elevados de 25% a 97% já foram encontrados em algumas regiões do Brasil) e a redução da produção de leite por rebanho variando entre 25,4 e 43%; 5 e 25%; 20 e 71% entre muitos outros já encontrados.
OP Rural – O que o produtor precisa fazer para evitar prejuízos com a mastite?
VMO – Controlar a doença através do uso de medidas preventivas e curativas. A principal medida de controle da mastite é a higiene, que no caso significa o conjunto de medidas utilizadas para impedir que microrganismos (germes como fungos, bactérias e outros) contaminem a superfície dos tetos. Tem grande importância, tanto no aspecto de contaminação do leite como na saúde dos animais, principalmente a do úbere. A ordenha deve ocorrer em ambiente silencioso para permitir a tranquilidade necessária ao animal para liberação do hormônio ocitocina (substância que faz com que o leite seja liberado), proporcionando a realização de uma ordenha completa e profunda.
Alguns aspectos básicos, por sua influência no rendimento e na qualidade do leite, são de extrema importância, como o local de ordenha. As instalações devem ser adequadas principalmente para que facilitem a ordenha e a higienização dos utensílios, serem práticas e funcionais para que permitam uma eficiente ordenha em condições de higiene e conservação dos equipamentos. Tanto a sala de ordenha quanto galpões ou estábulos devem ser arejados, com boa claridade e possuírem pisos que favoreçam uma boa limpeza, evitando o acúmulo de esterco nestes locais e presença de moscas.
A sala de ordenha deve ser mantida sempre limpa e higienizada para destruir ou impedir o desenvolvimento de germes que vivem nesses locais. Para isto, há necessidade de lavá-la diariamente. Por este motivo, o material usado para construção deve ser resistente e projetado para facilitar a higienização e o escoamento da água. Normalmente a sanitização da sala se faz imediatamente após a ordenha, porque facilita o trabalho e fica pronta e seca para a ordenha seguinte. A limpeza remove a sujeira e restos de leite, enquanto a desinfecção atua destruindo os germes.
Para a higienização dos equipamentos de ordenha, devem-se utilizar detergentes apropriados: detergente neutro para retirar a gordura; detergente ácido para retirar os sais minerais aderidos nos vasilhames; e detergente clorado alcalino para retirar partículas de proteínas.
O controle da mastite contagiosa depende em sua maioria do manejo de ordenha que, no caso, está mais relacionado às medidas higiênicas direcionadas aos animais, à ordenhadeira, aos vasilhames e ao local de ordenha. Este funcionará bem se houver participação efetiva dos ordenhadores treinados.
Existe na ordenha um conjunto de normas e rotinas a serem seguidas para que não afetem a composição e o volume de leite. São procedimentos relacionados com o manejo de ordenha, ambiente, limpeza e desinfecção dos tetos (antes e após a ordenha), conservação e limpeza dos utensílios de ordenha. Estes procedimentos interferem tanto na saúde do úbere quanto na qualidade do leite.
Em muitos rebanhos há necessidade de lavar os tetos com água corrente, esfregando-os com as mãos e, em seguida, secar bem com toalhas de papel descartável; em outros rebanhos, quando os tetos não sujam muito durante o intervalo de ordenha, não há necessidade. Porém, ordenhar as vacas com tetos sujos e úmidos, além de ser uma das principais causas de contaminação do leite, predispõe o animal a ter mastite.
Após a ordenha os tetos devem ser desinfetados com solução apropriada (disponível no mercado) e os animais mantidos de pé por até duas horas após a ordenha para evitar contaminação. Interessante é fornecer alimento no cocho, após a ordenha, para que as vacas permaneçam de pé.
Em resumo, o importante para evitar a mastite é necessário adotar uma série de medidas de prevenção e controle da doença direcionadas para cada sistema de produção. Estas poderão variar de acordo com o microrganismo envolvido (agente responsável pela infecção) e incluem medidas de higiene da ordenha (limpeza de equipamentos e utensílios com água de boa qualidade, detergentes e desinfetantes apropriados), o tratamento dos casos clínicos à lactação nos casos indicados e o tratamento das vacas ao iniciar a fase de secagem (imediatamente após cessar a lactação).
O tratamento da mastite consiste na cura dos casos de mastite clínica o mais rápido possível, principalmente para que não ocorra perda do quarto mamário; para que o animal retorne à produção normal e para evitar a morte do animal em casos de mastite aguda.
É importante a definição de um protocolo de tratamento adequado para cada rebanho, que deve ser elaborado por um médico veterinário com o aval do produtor. Uma medida muito eficiente, que deve estar associada à recuperação do quarto mamário com mastite clínica, é a prática de ordenhar este animal várias vezes durante o dia.
O tratamento da vaca seca no final da lactação é uma das medidas mais importantes e recomendadas para recuperação dos quartos com mastite subclínica e prevenção de novos casos de mastite durante o período seco. Este procedimento é uma das principais medidas de controle e tratamento da mastite, pois pode recuperar a maioria dos quartos com mastite subclínica e prevenir novas infecções que ocorrem com frequência durante o período seco. Recomenda-se tratar no período seco, pois o sucesso do tratamento é maior, já que o produto fica atuando por um maior período de tempo na glândula mamária.
Sugerimos ainda como medida de prevenção e controle da mastite: conscientização dos produtores e/ou administradores e trabalho educativo com os ordenhadores (através de “Dias de Campo”, cursos, treinamentos em geral) e análise mensal do leite para verificar a CCS do rebanho.
OP Rural – Mastite pode comprometer a atividade mesmo em propriedades tecnificadas?
VMO – A ocorrência de mastite independe do nível de tecnificação da propriedade, estando no caso, mais relacionada à produção e à produtividade do rebanho. Em propriedades com rebanho menos produtivo, com ordenha manual e, principalmente, aquelas com bezerro ao pé, geralmente a ocorrência de mastite é menor.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas
Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
