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Prejuízos com mastite vão da qualidade do leite à morte de animais

Vania Maria, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, descreve as perdas produtivas e financeiras em vários graus da doença, que ataca rebanhos de todo o país

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O jornal O Presente Rural procurou Vania Maria de Oliveira, uma das maiores especialistas sobre mastite no Brasil, para saber quais os prejuízos que essa doença causa na bovinocultura de leite no Brasil e no mundo. Médica veterinária, mestre em Medicina Veterinária e doutora em Ciência e Saúde Animal, Vania Maria é pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora, MG. Em entrevista exclusiva, ela descreve as perdas produtivas e financeiras em vários graus da doença, que ataca rebanhos de todo o país.

“A baixa qualidade do leite produzido no país provém, na maioria das vezes, de rebanhos com vacas com representativo índice de mastite. Além da baixa qualidade da matéria-prima, ocorrem prejuízos com descarte de vacas e custo de reposição, perda de material genético, gastos com laboratório, medicamentos e com assistência veterinária, redução da produtividade dos rebanhos, dentre outros”, cita a pesquisadora.

“Resultados econômicos de programas de controle, bem estruturados e direcionados, já foram demonstrados em vários países, com altas taxas de retorno para os produtores. Pela importância econômica desta doença, são indispensáveis estratégias de controle eficazes em condições tropicais, a custos viáveis para os produtores e que proporcionem maior produtividade, rentabilidade e um leite ideal para consumo e produção de derivados”, amplia.

O Presente Rural ( OP Rural) – O que é e quais os tipos de mastite?

Vania Maria de Oliveira (VMO) – A palavra mastite designa uma doença de grande importância econômica, sobre a qual muito se tem investigado. A mastite dos bovinos é uma inflamação da glândula mamária (mama), que se manifesta de diferentes formas.

Na forma clínica, os animais podem apresentar sinais visíveis, como leite com grumos ou secreção de aspecto aquoso ou purulento, tetos e úberes com sinais característicos de inflamação. Outros sintomas também ajudam a diagnosticar a doença na fase clínica mais severa, como febre, perda de apetite e úberes quentes e doloridos.

Na forma subclínica, os sintomas não estão presentes no leite e nem na vaca, sendo necessários testes laboratoriais para identificar a doença, somente por meio de testes como o CMT e CCS. O teste de CMT (California Mastitis Test) é realizado no campo, “ao pé da vaca”, e o teste de CCS (Contagem de Células Somáticas) é realizado em laboratórios credenciados.

Em relação à forma de transmissão e ao microrganismo envolvido, a mastite se caracteriza de duas formas, contagiosa ou ambiental. A contagiosa é de longa duração, a CCS do leite total do rebanho afetado é relativamente alta e pode haver recidivas dos casos clínicos. Por outro lado, a ambiental se caracteriza muitas vezes pelo aparecimento súbito e duração relativamente curta, com baixa CCS do leite total do rebanho e alta incidência de casos clínicos, sendo muito comum seu aparecimento no período pós-parto e dificilmente ocorrem recidivas.

OP Rural – Quais os graus da doença e suas consequências na vaca e/ou rebanho em seus diferentes graus?

VMO – Os tipos de mastite são definidos de acordo com os sinais que variam de acordo com os microrganismos que estão provocando a infecção e com a capacidade do organismo da vaca de combater esses microrganismos.

Existem dois tipos de mastite quanto ao aparecimento dos sintomas: na mastite subclínica não há alterações no leite e nem sinais de inflamação na mama, sendo possível identificar a doença somente por meio de testes de campo ou de laboratório. Na mastite clínica os sinais da doença no leite e na vaca são visíveis, tornando fácil sua identificação.

Na mastite clínica as alterações no leite ou no animal são bem visíveis. Existem três graus da mastite clínica: O grau 1 é a forma clínica mais branda em que ocorrem apenas alterações no leite (como presença de grumos, alterações de cor e consistência), principalmente nos primeiros jatos, perfeitamente observados ao teste conhecido como teste da caneca de fundo escuro ou teste da caneca telada. Neste estágio da doença a vaca pode sentir dor durante a ordenha. No grau 2, além das alterações no leite, quando se examina a mama com as mãos pode- se perceber dor, inchaço, local endurecido e parte da mama avermelhada. Na mastite clínica grau 3, além dos sinais anteriores, há comprometimento do organismo do animal. A vaca doente pode apresentar febre, perda de apetite, desidratação, entre outros sinais. Vacas com mastite clínica com grau 3 correm o risco até de morrer, por isso o tratamento tem que ser iniciado o mais rápido possível.

Os outros sinais e o estado geral do animal doente somente poderão ser avaliados por um médico veterinário. A presença deste profissional é importante para examinar detalhadamente a vaca doente, indicar o tratamento certo e evitar que a vaca perca a mama ou até mesmo venha a morrer.

A mastite também pode se manifestar na forma crônica, de longa duração, isto é, duração prolongada da fase subclínica ou a ocorrência alternada desta com a forma clínica. No caso, vai depender muito do microrganismo envolvido, das medidas de controle e tratamento empregadas para recuperação do quarto mamário doente, da imunidade do animal, ou seja, da capacidade que o organismo animal possui em combater a infecção. É comum a perda total da função do quarto mamário devido à fibrose (endurecimento) dos tecidos internos da glândula mamária.  É aconselhável que os animais com este tipo de mastite sejam descartados, pois são portadores e fontes de contaminação para outras vacas do rebanho.

OP Rural – Porque e como a mastite reduz a produção de leite?

VMO – Como a mastite é uma infecção bacteriana, inicialmente ocorre inflamação do tecido epitelial secretor de leite e, posteriormente, dependendo da gravidade e duração da infecção, o tecido é danificado gradativamente e, consequentemente, há redução da produção de leite.  Se a inflamação não for controlada a tempo, pode haver perda total do quarto mamário comprometido. Desta forma, as perdas econômicas causadas pela mastite são consequência direta da redução de produção de leite, entre outras, como descarte de leite e gastos com medicamentos. Em rebanhos onde ocorre perda de quartos mamários, em um ou mais animais, as vacas normalmente são vendidas a preço de corte e ocorre também perda genética e gastos com reposição de animais.

OP Rural – Porque a como mastite reduz a qualidade do leite?

VMO – A função das células somáticas na glândula mamária é protegê-la de infecções provocadas por bactérias causadoras de mastite. Os diferentes tipos de microrganismos que causam mastite, tanto contagiosas quanto ambiental, agem sobre a glândula mamária, provocando aumento das células somáticas no leite. A quantidade de células que passam do sangue para o leite na tentativa de combater o processo inflamatório varia muito em função de vários fatores, como: do microrganismo que está causando a mastite, da gravidade da lesão e abrangência da área afetada, do tempo de duração da inflamação, entre outros. Estes determinam a quantidade de células que estarão presentes no leite de uma vaca. Se existirem muitas vacas com mastite no rebanho, provavelmente a Contagem de Células Somáticas (CCS) deste rebanho será alta, portanto, quanto maior o número de quartos infectados, maior a CCS do leite total do rebanho e, consequentemente, a qualidade do leite deste rebanho não será boa. A CCS do leite também pode aumentar, com menor intensidade, em decorrência de características individuais de cada animal, da produção, do estágio de lactações (no final da lactação geralmente aumenta), da idade e do número de lactações da vaca, da temperatura e de outros fatores ambientais.

O aumento da CCS causa redução da produção e alterações da composição de leite devido a resposta imune do organismo do animal que tem mastite. Durante o processo inflamatório há redução da capacidade de formação dos componentes do leite e aumento da quantidade líquida do sangue que passa para o leite, o que altera a quantidade de seus componentes.

Leite com alta CCS apresenta redução do teor de lactose, de caseína, de gordura, de cálcio e maior teor de proteínas do soro. Com isto há redução do rendimento de queijo e de outros derivados lácteos. Aumenta a concentração de enzimas proteolíticas e lipolíticas e, consequentemente, reduz a validade dos produtos lácteos, que também podem apresentar sabor rançoso e amargo. Em determinadas situações ocorre “rancidez” do leite e sabores indesejáveis no leite pasteurizado.

As lesões das células produtoras de leite são em parte responsáveis pelas alterações dos seus componentes. O aumento da permeabilidade vascular, que determina o aumento da passagem de substâncias do sangue para o leite, tais como sódio, cloro, imunoglobulinas e outras proteínas séricas, também é responsável por estas alterações.

OP Rural – O que o produtor tem que fazer com o leite de vacas com mastite, dos casos mais brandos aos mais severos?

VMO – O ideal seria o descarte de todo o leite proveniente de vacas com mastite. Porém, o prejuízo é grande para o produtor, principalmente quando há grande número de vacas com mastite no rebanho. Normalmente este leite é usado na alimentação de bezerros, não sendo, porém, recomendado para bezerras criadas em abrigos coletivos, uma vez que alguns trabalhos de pesquisa mostraram que pode predispor a maior ocorrência de infecções da glândula mamária em bezerras e novilhas. Já o leite proveniente de vacas com mastite clínica deve ser descartado.

OP Rural – O preço é diferenciado para leite com muita CCS?

VMO – A CCS no leite de animais individuais ou de tanque é uma ferramenta valiosa na avaliação do nível de mastite subclínica no rebanho, sendo considerado um dos principais indicativos da qualidade do leite produzido na propriedade. É possível, a partir dos resultados de CCS, fazer uma estimativa das perdas quantitativas e qualitativas de produção do leite e derivados. A CCS permite monitorar os casos de mastite subclínica e crônica, atuando como o principal indicativo da qualidade do leite cru e como referência da saúde da glândula mamária das vacas do rebanho. Este parâmetro é um dos mais utilizados pelas indústrias de leite/laticínios para efetuar o pagamento do leite em função da qualidade. O sistema de “Pagamento pela Qualidade do Leite” é adotado pelas indústrias lácteas para incentivar os produtores a investir no controle e ter cuidados que resultem em melhor qualidade da matéria-prima. Por outro lado, o objetivo também é criar e por em prática um programa de bonificação que possa beneficiar seus cooperados.

OP Rural – Há regiões e/ou períodos do ano no Brasil em que a mastite é mais intensa?

VMO – A mastite ocorre em todos os rebanhos leiteiros com maior ou menor intensidade, em qualquer época do ano e em todas as regiões. Ou seja, a mastite bovina é uma doença encontrada em todas as regiões produtoras de leite. Portanto, a prevalência desta está relacionada ao animal e à sua produção, ao ambiente, ao manejo sanitário, nutricional, ao sistema de ordenha, à mão de obra, aos microrganismos, entre muitos outros.

Em relação aos fatores abordados acima, algumas considerações são importantes. Em períodos de chuva, por exemplo, onde as vacas em lactação permanecem por algum período em locais lamacentos, os tetos ficam muito sujos, o que dificulta o manejo de ordenha e aumenta o número de casos de mastite.

Já é comprovado que a ocorrência de mastite no Brasil é maior em animais da raça holandesa e, no caso, está principalmente associado ao nível de produção. Portanto, pode-se afirmar que a mastite bovina é mais frequente em bacias leiteiras com rebanhos mais puros.

OP Rural – Qual a prevalência no rebanho brasileiro?

VMO – Estima-se que nos Estados Unidos haja uma perda da ordem de US$ 2 bilhões de dólares ao ano somente em decorrência da doença. No Brasil não temos informações de algum levantamento que determine a ocorrência desta enfermidade a nível nacional. Existem muitos estudos mostrando sua prevalência, porém de rebanhos leiteiros de determinados municípios, regiões ou bacias leiteiras, individualmente. Todos estes estudos, apesar de direcionados e independente do critério ou do diagnóstico empregado, mostraram uma alta prevalência desta enfermidade.

OP Rural – Entre as doenças de gado leiteiro, a mastite está em que posição no ranking de mais agressivas e custosas?

VMO – A mastite, sem dúvida, caracteriza a doença mais importante dos rebanhos leiteiros. Dentre as doenças de animais de produção leiteira a mastite é a mais importante por vários aspectos, como por exemplo, pela complexidade e alta prevalência, por causar prejuízos diversos, pela redução na produção, por alterar a qualidade do leite e dos derivados lácteos. Também pelo fato de os microrganismos responsáveis por várias formas de mastite causar danos à saúde do consumidor.

Uma transformação radical nos últimos anos mudou o cenário do setor lácteo brasileiro e, com isto, houve uma exigência quanto ao aprimoramento das raças bovinas leiteiras, que se tornaram mais produtivas e, consequentemente, apresentando úberes maiores e mais suscetíveis às infecções, traumas mecânicos e físicos, entre outras agressões. Com isto a mastite, doença de maior ocorrência em vacas leiteiras, passou a ser uma das maiores preocupações dos produtores. Além dos prejuízos econômicos a mastite altera a qualidade do leite, uma vez que aumenta a Contagem de Células Somáticas (CCS).

OP Rural – Quanto custa prevenir a mastite e quanto custa tratar?

VMO – A estimativa do  custo  de  um  caso  de  mastite  clínica  no  Brasil,  no  Estado  de  Minas Gerais,  entre  2002  a  2004,  ficou  em  torno  de  US$  100,4.  As maiores despesas foram relacionadas aos exames, medicamentos e mão-de-obra adicional (37%); descarte de leite (29%); descarte e morte de vacas (28%) e honorários do médico veterinário (6%).

Quantificar a perda associada aos casos de mastite subclínica é mais difícil, pois este tipo de mastite é de longa duração, sendo identificada apenas através de testes específicos como o CMT e a CCS. Ela reduz a produção de leite e altera a qualidade do leite total do rebanho afetado. Segundo alguns estudos, ela é muito mais prevalente do que a mastite clínica, de 15 a 40 vezes. Pelo fato de ser normalmente contagiosa, se não houver um programa de controle eficiente no rebanho, muitas vacas ou mesmo novilhas deste rebanho apresentarão mastite dentro de um curto espaço de tempo, uma vez que cada animal infectado constitui uma fonte de infecção para outros animais do mesmo rebanho.

O custo de um programa de controle vai depender muito do manejo do rebanho, do número de animais doentes, da mão de obra (se especializada ou não), do sistema de ordenha, da raça e idade das vacas, entre outros fatores. Normalmente, em vacas mais velhas, a doença já se encontra na forma crônica, sendo difícil a recuperação dos quartos afetados sendo, portanto, necessário o descarte de muitos destes animais e, posteriormente, a aquisição de outros para reposição.

OP Rural – Quais os prejuízos econômicos que a mastite causa na cadeia do leite no Brasil? Há estatísticas?

VMO – Os prejuízos em nosso país são imensuráveis, dada a variedade de manejo dos rebanhos, das raças leiteiras, da região, da acessibilidade ou não à tecnologia, da condição socioeconômica e até mesmo cultural de cada produtor e da extensão e diversidade territorial do Brasil. Todos estes aspectos inviabilizam qualquer programa de ordem econômica relacionado à mastite que tenha abrangência nacional. Talvez seja possível fazer estimativas, mas há necessidade de dados confiáveis e atualizados de produção e produtividade relacionados a todas as bacias leiteiras, de obter informações dos laboratórios da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL), envolver profissionais especializados e que atuem em todos os setores da cadeia produtiva do leite no Brasil.

Comprovadamente, um dado muito importante em relação aos prejuízos é a perda de produção devido a forma subclínica da mastite, que pode ser até 40 vezes mais frequente  que  a  forma  clínica, causa  as  maiores  perdas  econômicas  devido  à prevalência (índices elevados de 25% a 97% já foram encontrados em algumas regiões do Brasil) e a redução da produção de leite por rebanho variando entre  25,4  e  43%; 5 e 25%; 20 e 71% entre muitos outros já encontrados.

OP Rural – O que o produtor precisa fazer para evitar prejuízos com a mastite?

VMO – Controlar a doença através do uso de medidas preventivas e curativas. A principal medida de controle da mastite é a higiene, que no caso significa o conjunto de medidas utilizadas para impedir que microrganismos (germes como fungos, bactérias e outros) contaminem a superfície dos tetos. Tem grande importância, tanto no aspecto de contaminação do leite como na saúde dos animais, principalmente a do úbere. A ordenha deve ocorrer em ambiente silencioso para permitir a tranquilidade necessária ao animal para liberação do hormônio ocitocina (substância que faz com que o leite seja liberado), proporcionando a realização de uma ordenha completa e profunda.

Alguns aspectos básicos, por sua influência no rendimento e na qualidade do leite, são de extrema importância, como o local de ordenha. As instalações devem ser adequadas principalmente para que facilitem a ordenha e a higienização dos utensílios, serem práticas e funcionais para que permitam uma eficiente ordenha em condições de higiene e conservação dos equipamentos. Tanto a sala de ordenha quanto galpões ou estábulos devem ser arejados, com boa claridade e possuírem pisos que favoreçam uma boa limpeza, evitando o acúmulo de esterco nestes locais e presença de moscas.

A sala de ordenha deve ser mantida sempre limpa e higienizada para destruir ou impedir o desenvolvimento de germes que vivem nesses locais. Para isto, há necessidade de lavá-la diariamente. Por este motivo, o material usado para construção deve ser resistente e projetado para facilitar a higienização e o escoamento da água. Normalmente a sanitização da sala se faz imediatamente após a ordenha, porque facilita o trabalho e fica pronta e seca para a ordenha seguinte. A limpeza remove a sujeira e restos de leite, enquanto a desinfecção atua destruindo os germes.

Para a higienização dos equipamentos de ordenha, devem-se utilizar detergentes apropriados: detergente neutro para retirar a gordura; detergente ácido para retirar os sais minerais aderidos nos vasilhames; e detergente clorado alcalino para retirar partículas de proteínas.

O controle da mastite contagiosa depende em sua maioria do manejo de ordenha que, no caso, está mais relacionado às medidas higiênicas direcionadas aos animais, à ordenhadeira, aos vasilhames e ao local de ordenha. Este funcionará bem se houver participação efetiva dos ordenhadores treinados.

Existe na ordenha um conjunto de normas e rotinas a serem seguidas para que não afetem a composição e o volume de leite. São procedimentos relacionados com o manejo de ordenha, ambiente, limpeza e desinfecção dos tetos (antes e após a ordenha), conservação e limpeza dos utensílios de ordenha. Estes procedimentos interferem tanto na saúde do úbere quanto na qualidade do leite.

Em muitos rebanhos há necessidade de lavar os tetos com água corrente, esfregando-os com as mãos e, em seguida, secar bem com toalhas de papel descartável; em outros rebanhos, quando os tetos não sujam muito durante o intervalo de ordenha, não há necessidade. Porém, ordenhar as vacas com tetos sujos e úmidos, além de ser uma das principais causas de contaminação do leite, predispõe o animal a ter mastite.

Após a ordenha os tetos devem ser desinfetados com solução apropriada (disponível no mercado) e os animais mantidos de pé por até duas horas após a ordenha para evitar contaminação. Interessante é fornecer alimento no cocho, após a ordenha, para que as vacas permaneçam de pé.

Em resumo, o importante para evitar a mastite é necessário adotar uma série de medidas de prevenção e controle da doença direcionadas para cada sistema de produção. Estas poderão variar de acordo com o microrganismo envolvido (agente responsável pela infecção) e incluem medidas de higiene da ordenha (limpeza de equipamentos e utensílios com água de boa qualidade, detergentes e desinfetantes apropriados), o tratamento dos casos clínicos à lactação nos casos indicados e o tratamento das vacas ao iniciar a fase de secagem (imediatamente após cessar a lactação).

O tratamento da mastite consiste na cura dos casos de mastite clínica o mais rápido possível, principalmente para que não ocorra perda do quarto mamário; para que o animal retorne à produção normal e para evitar a morte do animal em casos de mastite aguda.

É importante a definição de um protocolo de tratamento adequado para cada rebanho, que deve ser elaborado por um médico veterinário com o aval do produtor. Uma medida muito eficiente, que deve estar associada à recuperação do quarto mamário com mastite clínica, é a prática de ordenhar este animal várias vezes durante o dia.

O tratamento da vaca seca no final da lactação é uma das medidas mais importantes e recomendadas para recuperação dos quartos com mastite subclínica e prevenção de novos casos de mastite durante o período seco. Este procedimento é uma das principais medidas de controle e tratamento da mastite, pois pode recuperar a maioria dos quartos com mastite subclínica e prevenir novas infecções que ocorrem com frequência durante o período seco. Recomenda-se tratar no período seco, pois o sucesso do tratamento é maior, já que o produto fica atuando por um maior período de tempo na glândula mamária.

Sugerimos ainda como medida de prevenção e controle da mastite: conscientização dos produtores e/ou administradores e trabalho educativo com os ordenhadores (através de “Dias de Campo”, cursos, treinamentos em geral) e análise mensal do leite para verificar a CCS do rebanho.

OP Rural – Mastite pode comprometer a atividade mesmo em propriedades tecnificadas?

VMO – A ocorrência de mastite independe do nível de tecnificação da propriedade, estando no caso, mais relacionada à produção e à produtividade do rebanho. Em propriedades com rebanho menos produtivo, com ordenha manual e, principalmente, aquelas com bezerro ao pé, geralmente a ocorrência de mastite é menor.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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