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Preços pagos ao produtor catarinense de leite voltam a crescer
Preço projetado do leite evoluiu 7% entre maio e junho

Em julho os produtores catarinenses de leite estão recebendo preços superiores aos recebidos em junho. Essa tendencia de alta já havia sido sinalizada na última reunião do Conseleite de Santa Catarina, realizada no dia 25 de junho. Na oportunidade, o preço projetado de junho para o leite padrão foi de R$1,8191 por litro, valor 7% superior aos R$1,6994 de maio.
Os preços indicados pelo Conseleite em um mês acabam influenciando os valores que os produtores recebem no mês seguinte, porque são importantes referências nas negociações com as indústrias lácteas. “Já era esperado que os produtores catarinenses recebessem preços melhores em julho do que em junho”, destaca Tabajara Marcondes, analista de socioeconomia da Epagri/Cepa.
Essa alta nos valores pagos aos produtores está diretamente relacionada à recente recuperação dos preços dos produtos lácteos no mercado atacadista, que, depois de atingirem o seu pico em setembro de 2020, decresceram sensivelmente até o mês de fevereiro. “Neste período, o preço de referência do leite padrão teve uma redução superior a 15%, caindo de R$1,7994/l, em setembro de 2020 para R$1,5218/l, em fevereiro de 2021”, explica Tabajara. Ele acrescenta que a recente recuperação nos preços dos produtos lácteos no mercado atacadista, principalmente nos meses de maio e junho, esteve diretamente relacionada com a redução da oferta nacional, decorrente do período da entressafra da produção leiteira brasileira.
Conseleite
Santa Catarina é um dos seis Estados do país a contar com Conseleite, órgão que tem como principal objetivo realizar reuniões mensais para calcular e divulgar os valores de referência para a matéria-prima leite, bem como fazer a projeção dos preços do produto para o mês seguinte. “Esses valores são calculados a partir de uma metodologia transparente desenvolvida por professores da Universidade Federal do Paraná”, aponta o analista da Epagri/Cepa.
O Conseleite (Conselho de Produtores Rurais e Indústrias de Leite) é uma associação civil que reúne representantes de produtores de leite e das indústrias que processam esta matéria-prima. “Uma das ideias que deram formato aos Conseleite é exatamente a de que os preços da matéria-prima variam no mesmo sentido dos preços dos derivados praticados pelas indústrias participantes do Conselho”, define Tabajara.
O Conseleite Santa Catarina foi instalado em 2007, o que faz dele o segundo mais antigo do país. O Paraná foi o pioneiro, com a criação do órgão em 2002. Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia completam o rol dos Estados que contam com o Conselho.
Custo de produção
O custo de produção do leite faz parte dos cálculos dos valores de referência para o produtor. Por isso, os Conseleite precisam ter custos de produção relativamente atualizados, o que é uma das atribuições das Câmaras Técnicas dos Conselhos. Em abril, o custo ponderado de leite calculado pelo Conseleite Santa Catarina ficou em de R$1,89/l.
“Em Santa Catarina, existem particularidades relacionadas aos custos de produção”, relata Tabajara. Ele explica que a primeira delas é que os custos dos cinco sistemas de produção de leite do Conseleite de Santa Catarina são atualizados quadrimestralmente, conforme os levantamentos dos preços pagos pelos produtores feitos pela Epagri/Cepa.
“A segunda e mais importante particularidade é que, não só esses custos ficam disponíveis para consulta na internet, como há uma planilha Excel disponível para produtores de leite calcularem o seu custo de produção e, consequentemente, avaliarem a rentabilidade na produção e melhorarem a gestão de sua atividade leiteira”, pontua Tabajara. A ferramenta foi desenvolvida pela Câmera Técnica do Conseleite SC e está disponível no site da Epagri/Cepa.
Calcular os próprios custos de produção de leite é uma missão tão difícil quanto importante para o produtor. São diversas variáveis a serem consideradas e controladas, para que o pecuarista saiba quanto investiu para produzir cada litro de leite. Aliada ao valor projetado, essa informação fornece a ele a ferramenta adequada para negociar melhor com o mercado.
Ao navegar na página da Epagri/Cepa, o pecuarista deve rolar a página até encontrar o custo de produção de leite. Então, será preciso clicar na aba com a data mais recente para baixar a planilha Custo de Leite. No arquivo Excel ele deve clicar na aba Dados Rebanho para ver as células que precisa preencher. Preenchendo esses espaços ele vai conhecer o seu custo de produção de leite.
Tabajara entende que a escolha do site da Epagri/Cepa para hospedar a ferramenta do Conseleite tem relação com o levantamento sistemático dos preços pagos pelos produtores realizado pela organização. Pesa também a credibilidade que as informações geradas e difundidas pela Epagri desfrutam nos meios rural e urbano.
Produção catarinense
Estimativas apontam que, em 2020, Santa Catarina produziu 3,15 bilhões de litros de leite, 2,88 bilhões deles destinados para as indústrias lácteas. Os números mostram que, no ano passado, o estado catarinense respondeu por 11,3% do leite recebido pelas indústrias lácteas brasileiras. Esse desempenho coloca Santa Catarina como o quarto maior produtor de leite do Brasil. O Oeste concentra 80% de toda a produção leiteira do estado.
No início dos anos 2000 a produção catarinense de leite representava apenas 4% do total do leite industrializado nacionalmente. Tabajara relata que, até esta época, boa parte do leite produzido no Estado não ia para as indústrias inspecionadas, ficava para consumo das famílias agricultoras ou era vendido localmente.
O analista conta que a partir dos anos 2000 houve um sistemático e expressivo crescimento na quantidade de leite comercializada para as indústrias, causado por uma série de fatores: “o crescimento da demanda nos centros urbanos, as crescentes restrições à comercialização informal de leite, a tradição de produção leiteira na maioria das propriedades dos agricultores familiares, a necessidade de milhares dessas famílias buscarem renda em ‘novas’ atividades, a boa estrutura de organizações públicas e privadas de apoio ao meio rural, os investimentos das indústrias e cooperativas lácteas, a boa competitividade da produção leiteira catarinense, entre outros aspectos,” enumera. Desde então, a cadeia leiteira catarinense só cresceu, e hoje está consolidada e com ótimas perspectivas de seguir nessa evolução.
“Santa Catarina também veio crescendo na produção leiteira como consequência do apoio institucional qualificado, tanto por parte de prefeituras, como das indústrias e pela Epagri, que priorizou a atividade nos últimos anos”, descreve o analista. “A atividade leiteira é das principais para o meio rural catarinense. É uma produção importante para os pequenos municípios, com repercussões socioeconômicas que transcendem em muito o meio rural”, finaliza Tabajara.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



