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Preços em queda e importações pressionam leite em 2025 com perspectivas de recuperação gradual em 2026

gravidade do cenário desencadeou manifestações, mobilização de entidades representativas e sucessivas articulações políticas em busca de respostas rápidas por parte do governo federal.

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A cadeia leiteira brasileira atravessou, em 2025, uma das fases mais críticas de sua história, caracterizada por preços baixos, forte aumento das importações e prejuízos sistemáticos para produtores em todas as regiões do País. A gravidade do cenário desencadeou manifestações, mobilização de entidades representativas e sucessivas articulações políticas em busca de respostas rápidas por parte do governo federal.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, a crise de 2025 tem raízes diretas no comportamento do mercado nos anos anteriores. “A cadeia leiteira teve uma consequência do que aconteceu no mercado no segundo semestre de 2024 e no primeiro trimestre de 2025, período em que houve um aumento expressivo na produção influenciado pela melhora temporária de preços”, explica.

Borges lembra que o setor já havia enfrentado forte queda de preços em 2023, atingindo tanto pequenos quanto grandes produtores e cooperativas. Com a recuperação do valor pago ao produtor no ano seguinte, a produção voltou a crescer. “Houve um incremento próximo de 8% a 9% no segundo semestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2023, ampliando a oferta e pressionando novamente o mercado no início de 2025”, pontua.

Sete meses de quedas consecutivas

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges: “O mercado está mostrando uma crise maior que a de 2023, com preços mais estrangulados, produtores no Brasil inteiro trabalhando com prejuízo” – Foto: Divulgação/Abraleite

A partir de abril de 2025, o preço do leite ao produtor iniciou uma trajetória de retração contínua. “O mercado está mostrando uma crise maior que a de 2023, com preços mais estrangulados, produtores no Brasil inteiro trabalhando com prejuízo”, reforça Borges, enfatizando que a situação é especialmente grave para os pequenos produtores. “Eles não têm condições de continuar na atividade, com o preço que está sendo praticado principalmente nos últimos meses”, aponta.

Dados do Cepea reforçam a dimensão do problema. A chamada Média Brasil registrou R$ 2,29 por litro em outubro de 2025, queda de 5,9% em relação a setembro. Os valores pagos aos produtores variaram entre os estados monitorados: no Rio Grande do Sul, R$ 2,21; em Santa Catarina, R$ 2,20; no Paraná, R$ 2,29; em São Paulo, R$ 2,41; e em Minas Gerais, R$ 2,38. Na avaliação da Abraleite, esses patamares inviabilizam a atividade para grande parte das propriedades diante dos custos operacionais elevados.

Cobrança por respostas imediatas

O agravamento da crise levou produtores, cooperativas e indústrias a se mobilizarem com mais força ao longo de 2025. Audiências públicas, reuniões com parlamentares e articulação entre entidades setoriais passaram a fazer parte da rotina. “É por isso que a gente está vendo essa onda de manifestações, entidades do setor como a Abraleite lutando junto com parlamentares, cobrando o governo federal por medidas que atenuem essa crise”, destaca Borges.

As reivindicações incluem medidas emergenciais para evitar o colapso financeiro de produtores, cooperativas e laticínios, mas também ações estruturantes que corrijam distorções históricas da cadeia. Para o presidente da Abraleite, o Brasil precisa de uma política de longo prazo. “Estamos cobrando medidas estruturantes para que a cadeia seja mais bem estruturada e mais competitiva, com capacidade de produzir a custos menores, condição essencial para evitar recorrência de crises”, salienta.

Estruturação do setor

Foto: Fernando Dias

Diante do aumento expressivo das importações de lácteos e da perda de competitividade interna, a Abraleite levou ao governo federal um conjunto de solicitações. Borges relata que sugeriu medidas imediatas para conter a queda de preços ao produtor e uma intervenção temporária nas importações, ao mesmo tempo em que se investe na reorganização da cadeia.

Ele reforça ainda a necessidade de reativar o grupo interministerial criado em 2023 para tratar da estruturação do setor. O colegiado, segundo o dirigente, deixou de funcionar em 2024 e 2025. “Eu cobrei que os ministros reativem o grupo e que trabalhem tanto nos períodos de baixa de preço, como também nos períodos em que os preços estiverem mais estabilizados”, afirma.

Para Borges, a função do grupo não é combater crises pontuais, mas desenhar uma política de médio e longo prazo. “Temos que criar medidas estruturais para que não aconteçam novas crises como esta que está acontecendo, garantindo continuidade operacional e planejamento permanente,” ressalta.

As causas profundas da crise

O presidente da Abraleite destaca que os problemas enfrentados em 2025 decorrem de um conjunto de fatores acumulados ao longo dos últimos anos. O primeiro deles é o alto custo de produção, agravado pelo chamado custo Brasil. Além disso, a atividade é extremamente pulverizada. “Produzimos leite em 98,8% dos municípios”, frisa, reforçando que esse modelo, baseado majoritariamente em pequenos produtores, opera com baixa produtividade e pouca assistência técnica e gerencial.

A estrutura industrial também enfrenta gargalos. Borges cita problemas de ociosidade em laticínios e custos elevados de captação, consequência direta da dispersão geográfica da produção. Ele compara o Brasil a grandes players internacionais. “Nos Estados Unidos, a atividade é concentrada em regiões específicas, o que reduz custos logísticos; na Nova Zelândia, o território reduzido facilita a coleta e a inserção no mercado mundial. Já no Brasil, o custo é duas vezes mais caro do que o custo de captação de leite desses países”, aponta.

A baixa competitividade interna abre espaço para produtos importados, especialmente de Argentina e Uruguai. Borges ressalta que há indícios de práticas desleais no comércio internacional, tema atualmente em investigação: “Há um pedido de investigação de dumping, prática de exportar produtos a preços muito baixos, porque há indícios dessa concorrência desleal principalmente por parte da Argentina”, relata Borges, ressaltando que esse cenário forma a receita perfeita para gerar desequilíbrio e outra crise no setor.

Custo de produção e endividamento

A crise de rentabilidade que marcou 2025 também expôs a distância entre o preço recebido e o custo operacional médio nas propriedades. De acordo com o presidente, embora o custo varie entre sistemas produtivos, portes e níveis de eficiência, a referência atualizada pela Abraleite demonstra que o produtor opera no limite. “O custo médio de produção do leite no Brasil atualmente é de aproximadamente R$ 2,20 por litro, quase o mesmo valor que os produtores recebem, ou seja, estão trabalhando no vermelho”, reiterou.

Borges detalha que cada propriedade apresenta uma composição de custos muito distinta, influenciada por fatores como produção de silagem, compra de milho, eficiência na mão de obra e escala produtiva. “Em sistemas menores, o peso dos custos fixos tende a ser proporcionalmente maior, agravando a situação financeira nos períodos de baixa de preços. O reflexo é direto: endividamento crescente, renegociação de financiamentos e falta de capital para custeio e investimentos”, relatou.

Saída de produtores

A perda de produtores não é um fenômeno recente, mas ganhou intensidade nos períodos críticos. Borges destaca que os censos do IBGE já registram queda contínua no número de produtores ao longo das últimas décadas, e estudos regionais apontam retração acentuada. Ele cita o levantamento da Emater do Rio Grande do Sul, que observou redução pela metade no número de produtores em 10 anos no estado.

Crises sucessivas como as vividas em 2023 e em 2025 têm ampliado esse movimento. Muitos produtores saem da atividade durante os momentos de baixa; outros tentam se manter, mas não conseguem se reerguer no pós-crise, devido ao endividamento acumulado e à perda de capacidade produtiva.

Apesar disso, a base produtiva brasileira segue majoritariamente composta por pequenos e médios produtores. O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou 1,17 milhão de propriedades que produziam algum volume de leite, número que reforça a capilaridade da produção no país.

Consumo interno estagnado há uma década

Se de um lado o produtor enfrenta custos elevados e preços deprimidos, do outro lado o mercado doméstico não reage. O consumo per capita brasileiro, quando se convertem todos os lácteos em equivalente-litro, permanece há cerca de 10 anos entre 160 e 170 litros por habitante/ano. “Esse volume está abaixo do recomendado por organismos internacionais e distante do registrado em países desenvolvidos. Por exemplo, na França são consumidos em torno de 340 litros per capita/ano, na Suíça 360 litros por cada habitante/ano. Então o Brasil tem muito o que crescer no consumo de lácteos”, salienta.

Entre os fatores que limitam essa expansão, Borges menciona a restrição imposta pelo contexto econômico. “Na população de menor renda, produtos lácteos mais elaborados como leite UHT, leite em pó e derivados são diretamente afetados pela perda de poder de compra, se tornando itens facilmente suprimidos do orçamento familiar em períodos de aperto financeiro”, enfatiza.

Desinformação

Outro obstáculo citado pelo presidente da Abraleite é a desinformação da população. Borges compara o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, onde campanhas como Got Milk? ajudaram a consolidar a imagem positiva do leite junto ao consumidor. No Brasil, segundo ele, não há iniciativas semelhantes, enquanto discursos desinformados têm ganhado cada vez mais espaço. “O que nós vemos muito é uma quantidade enorme de pessoas desinformadas, denegrindo a imagem do leite, como se o leite fizesse mal para a saúde humana”, criticou.

A Abraleite tem buscado reverter essa narrativa por meio de ações com nutricionistas, médicos, pediatras, ortopedistas e profissionais de Educação Física, com o objetivo de resgatar a confiança da população nos benefícios nutricionais do leite. Borges ressalta que o alimento é extremamente saudável e relevante em todas as fases da vida. “A Organização Mundial da Saúde revisou recentemente a recomendação sobre o consumo de leite de vaca por bebês, autorizando o uso a partir dos seis meses na ausência do leite materno. Antes a orientação era a partir de um ano de idade. Isso demostra a segurança desse alimento”, destacou.

Peso das importações

O peso das importações na crise de 2025 foi outro ponto enfatizado pelo presidente da Abraleite. Desde 2022, o país vive um ciclo de forte entrada de lácteos do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai. A participação do leite importado, historicamente próxima de 3% do consumo nacional, chegou a 12% em determinados momentos e permaneceu, em 2025, entre 8% e 10%. “Esse extra acima dos 3% causa esse enorme transtorno de baixa de preço ao produtor e quebra da cadeia produtiva nacional”, avaliou.

As importações não se concentram apenas em grandes laticínios. Borges explica que indústrias do ramo alimentício, como fabricantes de chocolates, biscoitos e sorvetes, além de traders e atacadistas, também têm recorrido à compra externa. “Esse aumento das importações está diretamente ligado ao alto custo de produção do leite no Brasil. Temos uma produção muito pulverizada, logística complexa, insumos caros e nenhum tipo de subsídio. Com tudo isso, fica difícil competir com os nossos vizinhos do Mercosul”, reforça.

Medidas emergenciais e estruturais

Foto: Jaelson Lucas

Diante do agravamento da crise, Borges reiterou que a Abraleite tem cobrado ações rápidas do governo federal. Ele cita medidas como contenção ou redução de importações e, sobretudo, a reativação do grupo interministerial criado em 2023 para trabalhar na estruturação da cadeia, mas que permaneceu inoperante ao longo de 2024 e 2025. “Esse grupo tem que trabalhar até as medidas estruturantes acontecerem. Sabendo que são medidas de médio e longo prazo, não são medidas emergenciais para apagar o incêndio que está agora”, frisou.

Entre as principais medidas estruturais consideradas essenciais para fortalecer a cadeia leiteira estão o fortalecimento da assistência técnica e gerencial, especialmente para pequenos e médios produtores; a ampliação das compras governamentais de lácteos; a manutenção, substituição ou reformulação do programa Mais Leite Saudável após sua extinção prevista pela reforma tributária; a revisão de questões tributárias; o fortalecimento das ATERs públicas; e a implementação de políticas de incentivo à competitividade e à redução de custos.

Os estudos do Centro de Inteligência do Leite (CiLeite) da Embrapa Gado de Leite apontam que, sem medidas emergenciais, o mercado pode começar a se estabilizar a partir de março deste ano, com recuperação gradual dos preços no segundo semestre. Borges lembra que movimento semelhante ocorreu após a crise de 2023, com melhora do mercado ao longo de 2024. “Talvez a partir de abril, a gente comece a ver um cenário melhor para os produtores”, afirmou, destacando que a recuperação deve alcançar toda a cadeia nacional.

Fonte: O Presente Rural

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Inscrições abertas à 6ª Prova de Eficiência e Performance Brahman

Avaliação será realizada em Botucatu com 40 vagas e inclui CAR, ganho de peso, ultrassonografia e julgamento morfológico; campeões vão a leilão na ExpoGenética 2026.

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Foto: ACBB

Estão abertas as inscrições de touros da raça Brahman para a 6ª Prova de Eficiência e Performance Brahman – Boi com Bula. A iniciativa busca mensurar, em ambiente controlado, o desempenho de reprodutores em características de alto impacto econômico para a pecuária de corte, como qualidade de carcaça, eficiência alimentar, ganho de peso e fertilidade.

A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) disponibiliza 40 vagas. A prova ocorrerá de maio a julho no Centro Tecnológico Bela Vista, em Botucatu (SP), e será dividida em quatro etapas: teste de eficiência alimentar por meio do Consumo Alimentar Residual (CAR), avaliação de ganho de peso, ultrassonografia de carcaça e julgamento de morfologia.

O touro que obtiver o melhor índice final, calculado a partir das pontuações nas quatro fases, será consagrado Grande Campeão. Também haverá premiação para os primeiros colocados em cada uma das avaliações individuais.

Os animais classificados participarão de leilão promovido pela ACBB durante a ExpoGenética 2026, prevista para agosto.

As inscrições seguem até 30 de abril e podem ser realizadas diretamente com a ACBB ou com a BrasilcomZ. A prova é organizada pela ACBB em parceria com BrasilcomZ e Central Bela Vista, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), além das empresas PremiumGen Pecuária Sustentável, Centro Tecnológico Bela Vista e DGT Brasil.

Fonte: Assessoria ACBB
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Confinamento bovino registra alta de 16% no Brasil

Com 9,25 milhões de cabeças em 2025, crescimento reforça modernização produtiva e uso estratégico de dados no setor.

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Foto: Divulgação

O Brasil fechou 2025 reafirmando sua liderança global na produção e exportação de carne bovina em um ambiente de elevada volatilidade, margens pressionadas e maior escrutínio socioambiental. Nesse contexto, eficiência produtiva, previsibilidade e rastreabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a compor a base da competitividade da pecuária de corte.

Foto: Gisele Rosso

Os números do Censo de Confinamento 2025 indicam que a intensificação segue como principal vetor de transformação do setor. O levantamento, apresentado pela dsm-firmenich, aponta que o país alcançou 9,25 milhões de cabeças confinadas no ano passado, alta de 16% frente a 2024. A atividade esteve distribuída em 2.445 propriedades, espalhadas por 1.095 municípios.

O avanço confirma uma tendência observada desde 2015: crescimento consistente do confinamento associado à profissionalização da gestão, maior adoção de tecnologias nutricionais e uso intensivo de dados para tomada de decisão. “O Censo de Confinamento é uma ferramenta estratégica para entender a dinâmica do setor, identificar tendências e apoiar decisões mais assertivas. Ele reflete o amadurecimento da pecuária brasileira e a crescente adoção de práticas que combinam produtividade, gestão e sustentabilidade”, afirma Walter Patrizi, gerente de Confinamento da companhia e responsável pelo levantamento.

Geografia da intensificação

O estudo evidencia a concentração da atividade em polos consolidados da pecuária nacional. O Mato Grosso manteve a liderança, com 2,2 milhões de bovinos confinados, crescimento de 29,6% em relação ao ciclo anterior. O resultado reforça o protagonismo do estado na integração entre produção de grãos, disponibilidade de insumos e escala produtiva.

Na sequência aparecem São Paulo e Goiás, ambos com 1,4 milhão de animais. Enquanto São Paulo registrou expansão de 7,7%, Goiás avançou 13,6%, sinalizando dinamismo regional e ampliação da capacidade instalada.

O Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição, com 0,9 milhão de cabeças e crescimento de 17,8%. Já Minas Gerais fecha o grupo dos cinco principais estados, com 0,8 milhão de animais confinados, mantendo estabilidade frente a 2024.

Estratégia, tecnologia e sustentabilidade

Para além dos números, o crescimento do confinamento dialoga com um movimento mais amplo de modernização da pecuária de corte. A intensificação permite maior controle sobre ganho de peso, conversão alimentar e padronização de carcaças, além de favorecer estratégias de mitigação de emissões e uso mais eficiente de recursos.

A empresa responsável pelo levantamento encerrou 2025 com decisões estratégicas em portfólio, tecnologia, sustentabilidade e inteligência de dados, reforçando o posicionamento como parceira do produtor na transição para sistemas mais eficientes e alinhados às exigências do mercado internacional.

Em um ambiente em que compradores globais demandam comprovação de origem, métricas ambientais e previsibilidade de oferta, o confinamento tende a ganhar ainda mais relevância como ferramenta de gestão de risco e agregação de valor.

Ao consolidar-se como uma das principais referências para o planejamento do setor, o Censo de Confinamento passa a desempenhar papel central na leitura de tendências, apoiando produtores, indústrias e formuladores de políticas na definição de estratégias para uma pecuária mais intensiva, tecnológica e sustentável.

Fonte: O Presente Rural com dsm-firmenich
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Altas temperaturas exigem manejo estratégico para manter produção de leite

Estresse térmico afeta desempenho, saúde e reprodução das vacas, tornando ventilação, sombra e água fresca medidas essenciais nas propriedades.

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Foto: Marcos Tang/Divulgação

O estresse térmico é um dos principais desafios da pecuária leiteira no verão, especialmente em regiões de clima quente e úmido. Vacas de alta produção, como as da raça Holandesa, produzem maior quantidade de calor metabólico e, por isso, têm mais dificuldade para dissipar esse excesso quando as temperaturas se elevam.

A superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Maíza Scheleski da Rosa, explica que o conforto térmico desses animais ocorre em faixas semelhantes às de um dia de outono, entre 8 °C e 18 °C. “Quanto mais leite a vaca produz, maior é o calor gerado pelo próprio metabolismo. Isso torna o animal mais sensível às altas temperaturas, principalmente quando há umidade elevada”, afirma.

Segundo Maíza, o parâmetro mais adequado para avaliar o risco é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que combina temperatura e umidade em um único valor. “O ITU ideal para a raça é abaixo de 68. Quando a temperatura ultrapassa 20 °C, especialmente com umidade alta, a vaca já começa a sofrer com o calor”, explica.

De acordo com a técnica, o animal em estresse térmico reduz o consumo de matéria seca e, por consequência, há queda na produção. A fertilidade pode ser prejudicada, aumentam os problemas metabólicos e os animais ficam mais suscetíveis a doenças.

Os sinais físicos podem ser observados no manejo diário. Respiração mais rápida, salivação intensa e maior permanência em pé, com menos tempo deitada ruminando, indicam que o bem-estar está comprometido. “Esses comportamentos mostram que o animal está tentando dissipar calor e não está em condição ideal de conforto”, observa.

Para melhorar o conforto térmico, Maíza destaca que algumas medidas estruturais e de manejo fazem diferença tanto em sistemas confinados quanto a pasto. “Quando a gente fala em galpões ou freestall, é fundamental investir em boa ventilação, seja natural ou com ventiladores e exaustores. Sempre que possível, também é indicado utilizar sistemas de resfriamento com aspersão de água associados à ventilação”, afirma.

A técnica também chama atenção para a estrutura das instalações. Telhados com isolamento térmico e áreas adequadas de sombreamento contribuem para reduzir os efeitos das altas temperaturas. O fornecimento de água limpa e fresca à vontade é outra medida indispensável segundo a especialista.

O ajuste da alimentação para os horários mais frescos do dia também é recomendado. “A vaca tende a comer melhor quando ela não está sofrendo com o calor”, explica.

Nos sistemas a pasto, a oferta de sombra, natural ou artificial, é essencial, assim como o acesso constante à água de qualidade. A organização das atividades para o início da manhã e o final da tarde ajuda a evitar deslocamentos longos nos períodos mais quentes. O planejamento forrageiro também contribui para reduzir a caminhada excessiva e, indiretamente, diminuir o estresse térmico.

A técnica lembra que sinais como respiração acelerada, salivação e maior tempo em pé indicam que o animal já sofre com o calor. “O conforto térmico não é um luxo, e sim uma necessidade, porque quando a vaca está confortável, ela está em bem-estar, ela come melhor, produz mais leite, reproduz com mais eficiência e permanece mais tempo no rebanho”, afirma.

Fonte: Assessoria Gadolando
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