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Preços em queda e importações pressionam leite em 2025 com perspectivas de recuperação gradual em 2026

gravidade do cenário desencadeou manifestações, mobilização de entidades representativas e sucessivas articulações políticas em busca de respostas rápidas por parte do governo federal.

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Fotos: Shutterstock

A cadeia leiteira brasileira atravessou, em 2025, uma das fases mais críticas de sua história, caracterizada por preços baixos, forte aumento das importações e prejuízos sistemáticos para produtores em todas as regiões do País. A gravidade do cenário desencadeou manifestações, mobilização de entidades representativas e sucessivas articulações políticas em busca de respostas rápidas por parte do governo federal.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, a crise de 2025 tem raízes diretas no comportamento do mercado nos anos anteriores. “A cadeia leiteira teve uma consequência do que aconteceu no mercado no segundo semestre de 2024 e no primeiro trimestre de 2025, período em que houve um aumento expressivo na produção influenciado pela melhora temporária de preços”, explica.

Borges lembra que o setor já havia enfrentado forte queda de preços em 2023, atingindo tanto pequenos quanto grandes produtores e cooperativas. Com a recuperação do valor pago ao produtor no ano seguinte, a produção voltou a crescer. “Houve um incremento próximo de 8% a 9% no segundo semestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2023, ampliando a oferta e pressionando novamente o mercado no início de 2025”, pontua.

Sete meses de quedas consecutivas

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges: “O mercado está mostrando uma crise maior que a de 2023, com preços mais estrangulados, produtores no Brasil inteiro trabalhando com prejuízo” – Foto: Divulgação/Abraleite

A partir de abril de 2025, o preço do leite ao produtor iniciou uma trajetória de retração contínua. “O mercado está mostrando uma crise maior que a de 2023, com preços mais estrangulados, produtores no Brasil inteiro trabalhando com prejuízo”, reforça Borges, enfatizando que a situação é especialmente grave para os pequenos produtores. “Eles não têm condições de continuar na atividade, com o preço que está sendo praticado principalmente nos últimos meses”, aponta.

Dados do Cepea reforçam a dimensão do problema. A chamada Média Brasil registrou R$ 2,29 por litro em outubro de 2025, queda de 5,9% em relação a setembro. Os valores pagos aos produtores variaram entre os estados monitorados: no Rio Grande do Sul, R$ 2,21; em Santa Catarina, R$ 2,20; no Paraná, R$ 2,29; em São Paulo, R$ 2,41; e em Minas Gerais, R$ 2,38. Na avaliação da Abraleite, esses patamares inviabilizam a atividade para grande parte das propriedades diante dos custos operacionais elevados.

Cobrança por respostas imediatas

O agravamento da crise levou produtores, cooperativas e indústrias a se mobilizarem com mais força ao longo de 2025. Audiências públicas, reuniões com parlamentares e articulação entre entidades setoriais passaram a fazer parte da rotina. “É por isso que a gente está vendo essa onda de manifestações, entidades do setor como a Abraleite lutando junto com parlamentares, cobrando o governo federal por medidas que atenuem essa crise”, destaca Borges.

As reivindicações incluem medidas emergenciais para evitar o colapso financeiro de produtores, cooperativas e laticínios, mas também ações estruturantes que corrijam distorções históricas da cadeia. Para o presidente da Abraleite, o Brasil precisa de uma política de longo prazo. “Estamos cobrando medidas estruturantes para que a cadeia seja mais bem estruturada e mais competitiva, com capacidade de produzir a custos menores, condição essencial para evitar recorrência de crises”, salienta.

Estruturação do setor

Foto: Fernando Dias

Diante do aumento expressivo das importações de lácteos e da perda de competitividade interna, a Abraleite levou ao governo federal um conjunto de solicitações. Borges relata que sugeriu medidas imediatas para conter a queda de preços ao produtor e uma intervenção temporária nas importações, ao mesmo tempo em que se investe na reorganização da cadeia.

Ele reforça ainda a necessidade de reativar o grupo interministerial criado em 2023 para tratar da estruturação do setor. O colegiado, segundo o dirigente, deixou de funcionar em 2024 e 2025. “Eu cobrei que os ministros reativem o grupo e que trabalhem tanto nos períodos de baixa de preço, como também nos períodos em que os preços estiverem mais estabilizados”, afirma.

Para Borges, a função do grupo não é combater crises pontuais, mas desenhar uma política de médio e longo prazo. “Temos que criar medidas estruturais para que não aconteçam novas crises como esta que está acontecendo, garantindo continuidade operacional e planejamento permanente,” ressalta.

As causas profundas da crise

O presidente da Abraleite destaca que os problemas enfrentados em 2025 decorrem de um conjunto de fatores acumulados ao longo dos últimos anos. O primeiro deles é o alto custo de produção, agravado pelo chamado custo Brasil. Além disso, a atividade é extremamente pulverizada. “Produzimos leite em 98,8% dos municípios”, frisa, reforçando que esse modelo, baseado majoritariamente em pequenos produtores, opera com baixa produtividade e pouca assistência técnica e gerencial.

A estrutura industrial também enfrenta gargalos. Borges cita problemas de ociosidade em laticínios e custos elevados de captação, consequência direta da dispersão geográfica da produção. Ele compara o Brasil a grandes players internacionais. “Nos Estados Unidos, a atividade é concentrada em regiões específicas, o que reduz custos logísticos; na Nova Zelândia, o território reduzido facilita a coleta e a inserção no mercado mundial. Já no Brasil, o custo é duas vezes mais caro do que o custo de captação de leite desses países”, aponta.

A baixa competitividade interna abre espaço para produtos importados, especialmente de Argentina e Uruguai. Borges ressalta que há indícios de práticas desleais no comércio internacional, tema atualmente em investigação: “Há um pedido de investigação de dumping, prática de exportar produtos a preços muito baixos, porque há indícios dessa concorrência desleal principalmente por parte da Argentina”, relata Borges, ressaltando que esse cenário forma a receita perfeita para gerar desequilíbrio e outra crise no setor.

Custo de produção e endividamento

A crise de rentabilidade que marcou 2025 também expôs a distância entre o preço recebido e o custo operacional médio nas propriedades. De acordo com o presidente, embora o custo varie entre sistemas produtivos, portes e níveis de eficiência, a referência atualizada pela Abraleite demonstra que o produtor opera no limite. “O custo médio de produção do leite no Brasil atualmente é de aproximadamente R$ 2,20 por litro, quase o mesmo valor que os produtores recebem, ou seja, estão trabalhando no vermelho”, reiterou.

Borges detalha que cada propriedade apresenta uma composição de custos muito distinta, influenciada por fatores como produção de silagem, compra de milho, eficiência na mão de obra e escala produtiva. “Em sistemas menores, o peso dos custos fixos tende a ser proporcionalmente maior, agravando a situação financeira nos períodos de baixa de preços. O reflexo é direto: endividamento crescente, renegociação de financiamentos e falta de capital para custeio e investimentos”, relatou.

Saída de produtores

A perda de produtores não é um fenômeno recente, mas ganhou intensidade nos períodos críticos. Borges destaca que os censos do IBGE já registram queda contínua no número de produtores ao longo das últimas décadas, e estudos regionais apontam retração acentuada. Ele cita o levantamento da Emater do Rio Grande do Sul, que observou redução pela metade no número de produtores em 10 anos no estado.

Crises sucessivas como as vividas em 2023 e em 2025 têm ampliado esse movimento. Muitos produtores saem da atividade durante os momentos de baixa; outros tentam se manter, mas não conseguem se reerguer no pós-crise, devido ao endividamento acumulado e à perda de capacidade produtiva.

Apesar disso, a base produtiva brasileira segue majoritariamente composta por pequenos e médios produtores. O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou 1,17 milhão de propriedades que produziam algum volume de leite, número que reforça a capilaridade da produção no país.

Consumo interno estagnado há uma década

Se de um lado o produtor enfrenta custos elevados e preços deprimidos, do outro lado o mercado doméstico não reage. O consumo per capita brasileiro, quando se convertem todos os lácteos em equivalente-litro, permanece há cerca de 10 anos entre 160 e 170 litros por habitante/ano. “Esse volume está abaixo do recomendado por organismos internacionais e distante do registrado em países desenvolvidos. Por exemplo, na França são consumidos em torno de 340 litros per capita/ano, na Suíça 360 litros por cada habitante/ano. Então o Brasil tem muito o que crescer no consumo de lácteos”, salienta.

Entre os fatores que limitam essa expansão, Borges menciona a restrição imposta pelo contexto econômico. “Na população de menor renda, produtos lácteos mais elaborados como leite UHT, leite em pó e derivados são diretamente afetados pela perda de poder de compra, se tornando itens facilmente suprimidos do orçamento familiar em períodos de aperto financeiro”, enfatiza.

Desinformação

Outro obstáculo citado pelo presidente da Abraleite é a desinformação da população. Borges compara o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, onde campanhas como Got Milk? ajudaram a consolidar a imagem positiva do leite junto ao consumidor. No Brasil, segundo ele, não há iniciativas semelhantes, enquanto discursos desinformados têm ganhado cada vez mais espaço. “O que nós vemos muito é uma quantidade enorme de pessoas desinformadas, denegrindo a imagem do leite, como se o leite fizesse mal para a saúde humana”, criticou.

A Abraleite tem buscado reverter essa narrativa por meio de ações com nutricionistas, médicos, pediatras, ortopedistas e profissionais de Educação Física, com o objetivo de resgatar a confiança da população nos benefícios nutricionais do leite. Borges ressalta que o alimento é extremamente saudável e relevante em todas as fases da vida. “A Organização Mundial da Saúde revisou recentemente a recomendação sobre o consumo de leite de vaca por bebês, autorizando o uso a partir dos seis meses na ausência do leite materno. Antes a orientação era a partir de um ano de idade. Isso demostra a segurança desse alimento”, destacou.

Peso das importações

O peso das importações na crise de 2025 foi outro ponto enfatizado pelo presidente da Abraleite. Desde 2022, o país vive um ciclo de forte entrada de lácteos do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai. A participação do leite importado, historicamente próxima de 3% do consumo nacional, chegou a 12% em determinados momentos e permaneceu, em 2025, entre 8% e 10%. “Esse extra acima dos 3% causa esse enorme transtorno de baixa de preço ao produtor e quebra da cadeia produtiva nacional”, avaliou.

As importações não se concentram apenas em grandes laticínios. Borges explica que indústrias do ramo alimentício, como fabricantes de chocolates, biscoitos e sorvetes, além de traders e atacadistas, também têm recorrido à compra externa. “Esse aumento das importações está diretamente ligado ao alto custo de produção do leite no Brasil. Temos uma produção muito pulverizada, logística complexa, insumos caros e nenhum tipo de subsídio. Com tudo isso, fica difícil competir com os nossos vizinhos do Mercosul”, reforça.

Medidas emergenciais e estruturais

Foto: Jaelson Lucas

Diante do agravamento da crise, Borges reiterou que a Abraleite tem cobrado ações rápidas do governo federal. Ele cita medidas como contenção ou redução de importações e, sobretudo, a reativação do grupo interministerial criado em 2023 para trabalhar na estruturação da cadeia, mas que permaneceu inoperante ao longo de 2024 e 2025. “Esse grupo tem que trabalhar até as medidas estruturantes acontecerem. Sabendo que são medidas de médio e longo prazo, não são medidas emergenciais para apagar o incêndio que está agora”, frisou.

Entre as principais medidas estruturais consideradas essenciais para fortalecer a cadeia leiteira estão o fortalecimento da assistência técnica e gerencial, especialmente para pequenos e médios produtores; a ampliação das compras governamentais de lácteos; a manutenção, substituição ou reformulação do programa Mais Leite Saudável após sua extinção prevista pela reforma tributária; a revisão de questões tributárias; o fortalecimento das ATERs públicas; e a implementação de políticas de incentivo à competitividade e à redução de custos.

Os estudos do Centro de Inteligência do Leite (CiLeite) da Embrapa Gado de Leite apontam que, sem medidas emergenciais, o mercado pode começar a se estabilizar a partir de março deste ano, com recuperação gradual dos preços no segundo semestre. Borges lembra que movimento semelhante ocorreu após a crise de 2023, com melhora do mercado ao longo de 2024. “Talvez a partir de abril, a gente comece a ver um cenário melhor para os produtores”, afirmou, destacando que a recuperação deve alcançar toda a cadeia nacional.

Fonte: O Presente Rural

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Novo presidente da Asbram destaca momento histórico da carne bovina brasileira

Rodrigo Miguel assume a entidade defendendo avanço em tecnologia, sustentabilidade e preparação do setor para novos desafios.

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Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), Rodrigo Miguel - "Chego muito otimista e com energia para alertar nossos pecuaristas que o mundo moderno exige velocidade e não podemos perder o momento atual maravilhoso para o boi brasileiro" - Foto: Kika Damasceno/@kikadamas

O Brasil vive um momento único na carne bovina, com recorde mundial na produção e exportação, preços crescentes e vendas para 150 países. E o panorama deve permanecer crescente. Mas o segmento necessita estar pronto para desafios como sanidade, qualidade e respeito ao meio ambiente. Além de adequar o fluxo de embarques a ciclos pecuários cada vez menos imprevisíveis.

O panorama foi desenhado pelo médico-veterinário e tarimbado executivo Rodrigo Miguel, que tomou posse como novo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) no fim de fevereiro, sucedendo Fernando Cardoso Penteado Neto, em uma cerimônia realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). O novo vice-presidente é Leonardo Matsuda. E Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A ASBRAM representa 71% das empresas do setor, que mantém no campo mais de 14 mil profissionais, na assistência técnica ao lado dos pecuaristas.

“Chego muito otimista e com energia para alertar nossos pecuaristas que o mundo moderno exige velocidade e não podemos perder o momento atual maravilhoso para o boi brasileiro. O mundo precisa de carne e só nós podemos ofertar nesses volumes que estamos embarcando. Avançando em sustentabilidade ambiental, financeira e em tecnologia. Porque a exportação não pode ficar refém dos ciclos. E temos que ficar atentos ao fato de que 70% da carne fica no mercado interno. Qualquer desequilíbrio pode ser problemático. Vamos ouvir as vozes das diferentes realidades produtivas do Brasil, manter o Painel de Comercialização como referência de negócios e atuar em nome de nossas empresas e de nosso mercado”, garantiu Rodrigo Miguel, que vai dirigir a entidade até o fim de 2027.

O novo presidente ainda apontou que o caminho da produção bovina é claro. Não precisa desmatar, deve usar cada vez mais tecnologia, adaptada aos formatos locais, em áreas menores. “Assim, produziremos e exportaremos cada vez mais alimentos. Vou procurar orientar minha presidência em pilares como visão, coragem, transparência, clareza, humildade e consciência do aprendizado para orientar a execução”, concluiu.

A noite começou com uma palestra do nutrólogo, professor e pesquisador Wilson Rondó Junior, autor do livro que trata dos benefícios da carne vermelha, que falou sobre ‘Uma nova luz sobre a alimentação saudável’. Ele destacou os benefícios ancestrais proporcionados pela proteína e as gorduras saturadas, como crescimento do cérebro, saúde e proteção contra diversas doenças. E as qualidades do rebanho brasileiro que vive essencialmente do pastejo.

“O mundo vive hoje uma inflamação silenciosa, com o uso excessivo de gorduras à base de grãos. Principalmente, obesidade, diabetes e doenças coronárias. Deveríamos rezar pelos bovinos todos os dias porque eles proporcionam alimentos mais saudáveis, com mais Ômega3”, defendeu. E ainda nomeou as principais informações falsas relacionadas a um pretenso perigo no consumo da proteína animal, propagandeadas ao longo dos últimos cem anos. “Carne e leite são fontes poderosíssimas, deveriam fazer parte da dieta de todas as pessoas. Porém, as novas pesquisas já atestam que o correto é o sinal verde para a carne vermelha”, acrescentou.

Na sequência, Fernando Penteado fez um balanço dos dois anos de seu mandato, elogiando o trabalho das equipes e enfatizando que o preparo técnico das indústrias precisa caminhar ao lado dos resultados financeiros. “O importante é estarmos juntos como agora. Sendo assim, vamos alcançar todos os nossos propósitos”, referendou.

“Confio demais na pecuária brasileira e saio depois de dois anos muito profundos, de amadurecimento. Alcançamos o número mágico de cem associados, alcançamos quatro mil profissionais acompanhando nossas reuniões mensais pessoalmente ou pela internet, e fortalecemos nosso caixa. A ASBRAM vai permanecer atuando forte, com seu exército de 14 mil profissionais no campo, todo santo dia. Seguiremos juntos”, falou Fernando Penteado.

Fonte: Assessoria ASBRAM
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Fundocarne lança campanha Carne Gaúcha é Diferente

Iniciativa busca valorizar a produção do Rio Grande do Sul, aproximar produtores e frigoríficos e posicionar o produto como carne de identidade própria.

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Foto: Divulgação

O Fundo de Promoção da Carne Gaúcha (Fundocarne), deu seu primeiro passo em uma nova estratégia da carne bovina gaúcha. Unindo produtores, através do Instituto Desenvolve Pecuária e frigoríficos, por meio do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), o fundo atua na valorização da carne bovina produzida no estado.

O projeto busca aproximar produtores e frigoríficos para promover o produto nos mercados nacional e internacional, posicionando a carne gaúcha como um item diferenciado e com identidade própria. “O fundo nasce com esse desafio de tirar o pecuarista da comodidade e comunicar o que nós temos”, afirma a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli.

Fotos: Shutterstock

A primeira campanha oficial do fundo, intitulada “Carne Gaúcha é Diferente”, foi lançada com um vídeo institucional que destaca as particularidades do bioma Pampa e a tradição do churrasco local. A peça utiliza imagens reais de nove propriedades rurais do Rio Grande do Sul para reforçar a conexão entre o produto e a cultura gaúcha. “Nós temos um bioma exclusivo e uma tradição que ninguém mais tem. O vídeo mostra que o nosso churrasco não é apenas cultura, é um processo técnico de excelência que o mundo precisa reconhecer e remunerar”, destaca a dirigente.

Logo após o lançamento outras entidades e empresários já se interessaram em fazer parte do movimento. O Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Rio Grande do Sul, Sindiler, e alguns associados já anunciaram que vão entrar para o Fundocarne. Reuniões com o setor  de varejo também estão avançando.

O funcionamento do Fundocarne baseia-se em contribuições voluntárias de ambos os elos da cadeia. No setor industrial, 17 frigoríficos participantes comprometeram-se com a doação de R$ 0,50 por animal, do total de abates. Por parte dos produtores rurais, a participação ocorre por meio de doações espontâneas em eventos, leilões e abates, com valores que variam conforme a adesão individual. Segundo Antonia Scalzilli, a união é fundamental para o setor: “A cadeia se uniu; a indústria frigorífica está ao lado dos pecuaristas para somar, junto ao varejo e todos aqueles que vivem da cadeia da carne”, relata.

Os objetivos centrais do Fundocarne incluem a promoção da qualidade e da responsabilidade ambiental e sanitária da produção gaúcha, visando elevar o consumo e a rentabilidade. A estratégia foca em transformar a percepção da carne de uma commodity para um produto de valor agregado, utilizando dados e comunicação ativa. Conforme explica Antonia Scalzilli, o propósito é reconectar o campo com a população urbana: “Queremos impactar os melhores mercados brasileiros com essa experiência da carne e colocar o sul do Brasil no mapa do mundo como um lugar de referência”, afirma Antonia.

Repercussão

A repercussão do lançamento inicial atingiu públicos externos à bolha do agronegócio, gerando engajamento em centros urbanos e reconhecimento de lideranças do setor em todo o país. Para a presidente do Instituto, o movimento de comunicação gerou um ciclo de retorno imediato para a instituição. “A nossa campanha já rompeu a bolha e voltou. Lançamos o ‘ping’ e agora recebemos o ‘pong’, com o reconhecimento de ícones da pecuária brasileira e de pessoas de fora do setor que se sentiram representadas”, explica Antonia.

Logo nas primeiras horas após a publicação no Instagram, o vídeo alcançou dezenas de milhares de visualizações. Além das redes sociais, o material circulou também nos grupos de Whatsapp, alcançando diferentes públicos de dentro e de fora do estado e até do país.

O vídeo está disponível no link, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Fundocarne
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Programa de Melhoramento Genético eleva padrão da raça Angus no Brasil

Mais de 548 mil animais avaliados e testes de DNA permitem selecionar animais de alto desempenho, adaptados a diferentes sistemas produtivos.

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Foto: Gustavo Rafael

O progresso da raça Angus na pecuária brasileira se consolidou, nas últimas décadas, por meio de uma base técnica robusta e do uso estratégico de dados. Números acumulados ao longo de mais de 30 anos de avaliações conduzidas pelo Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) revelam uma evolução consistente: a base raça hoje conta com 548.196 animais avaliados em rodagem semanal, formando uma base genética sólida que permite selecionar indivíduos superiores com alta precisão.

Os dados fenotípicos, ou seja, aqueles observados no campo, demonstram a evolução visual do rebanho, e o sucesso do programa deve ser compartilhado de forma equilibrada com as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie). Elas são o indicador mais preciso do ganho real, pois utilizam cálculos estatísticos para isolar influências externas, como regime alimentar, idade do animal e variações de ambiente, focando exclusivamente no potencial genético que será transmitido aos filhos.

“O peso ao nascer permaneceu estável ao longo do tempo, mesmo com ganhos expressivos nas características de crescimento e carcaça. Isso só foi possível porque a avaliação genética permitiu identificar indivíduos que entregavam mais desempenho sem aumentar os riscos”, afirma Laerte Afonso Rochel, coordenador do Programa. Os registros históricos confirmam essa estabilidade: em 1992, a média para machos era de 34,11 kg; em 2023, o índice fechou em 34,28 kg, garantindo facilidade de parto e eficiência reprodutiva.

Evolução em carcaça

Fotos: Shutterstock

A partir dos anos 2000, o foco na qualidade e quantidade de carcaça foi intensificado através de medições por ultrassom, cujos dados também são processados via DEPs para garantir que o ganho seja genético e não apenas fruto de trato nutricional. Na prática, a raça evoluiu significativamente em Área de Olho de Lombo (AOL), que saltou de uma média bruta de 46,48 cm² no início das avaliações para 70,14 cm² em 2023. Quanto maior a AOL, maior o rendimento de cortes nobres, como contrafilé e picanha.

Na qualidade, a seleção busca uma maior deposição de gordura intramuscular (marmoreio) e um equilíbrio na gordura subcutânea. O objetivo é garantir, com a gordura subcutânea suficiente, o isolamento térmico necessário para o processo industrial de transformação do músculo em carne, sem o excesso que gera custos elevados ao produtor e desperdício ao frigorífico, já com o incremento na gordura intramuscular conseguimos produzir cortes mais suculentos e saborosos.

O salto da genômica

A incorporação da avaliação genômica representou o ponto de virada para aumentar a acurácia das DEPs, permitindo conhecer o potencial de um animal antes mesmo de ele deixar a progênie. Atualmente, o programa conta com 23.228 animais genotipados. O crescimento nesta área é acelerado: entre 2021 e 2025, a quantidade de animais com leitura de DNA vinculada ao programa praticamente quintuplicou.

Para Luis Felipe Cassol, presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de Angus, a ampla base genética da raça contribui para a adaptação a diferentes sistemas produtivos. Segundo ele, a experiência acumulada mostrou que selecionar apenas para crescimento pode elevar a exigência nutricional além da capacidade do sistema produtivo, reforçando a importância de um animal equilibrado entre desempenho, qualidade de carne e funcionalidade.

Além do desempenho produtivo, as tendências apontam para uma característica clara de adaptação: a redução do pelame. A seleção tem priorizado animais de pelo curto e liso, mais preparados para o clima e os sistemas de produção brasileiros.

Próxima etapa: eficiência e resistência

Foto: Pixabay

Com custos de produção crescentes, características como eficiência alimentar e resistência a parasitas ganham protagonismo. Para Rochel, o objetivo é produzir animais capazes de manter desempenho e qualidade consumindo menos e com maior adaptação.

Para Cassol, o desafio é buscar um Angus equilibrado, que entregue desempenho e qualidade dentro do ambiente em que será criado. “A ampla base genética da raça permite trabalhar diferentes perfis de animais conforme o ambiente de produção, evitando que a busca por crescimento aumente excessivamente a exigência nutricional dos rebanhos”, pontua.

Fonte: Assessoria da Associação Brasileira de Angus
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