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Preços dos alimentos: da influência do clima à segurança alimentar, um tema nada trivial
Quando se trata de alimentos e em especial de seus preços, o escopo é muito maior do que o puramente econômico, mormente numa sociedade com elevado grau de pobreza como é o caso do Brasil.

O ano de 2024 está apenas no início, mas os comentários e expectativas a respeito dos preços dos alimentos e de como estes podem impactar o nível geral de preços ao consumidor, medido oficialmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), já se avolumam. E há alguns pontos de atenção que ensejam tais perspectivas, dentre eles, a questão climática.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
O fenômeno El Niño que incide sobre o clima do País desde o segundo semestre de 2023 foi classificado pela Word Meteorological Organization – WMO (2024) como um dos cinco mais fortes. Tal fenômeno climático resultou em aumento das temperaturas, e as perspectivas são que este perca a força a partir de abril, de acordo com a WMO (2024).
Para além do El Niño, as mudanças climáticas globais, oriundas do efeito estufa, que tem elevado as médias de temperatura, são uma realidade e um dos seus impactos de maior relevância é sobre a produção agrícola, que, a depender da cultura e da região, pode significar um resultado negativo na produtividade, o que influencia diretamente a elevação dos preços dos produtos agrícolas, conforme diversos trabalhos acadêmicos, como o de Dhifaoui et al. (2023), demonstram e quantificam.
Cada vez mais as condições climáticas se mostram um dos principais determinantes para a oferta agrícola, mas este é um item que está fora do domínio do produtor, o que proporciona um grande desafio, tanto para o planejamento, quanto para a manutenção de uma produtividade mínima que garanta ao produtor a continuidade de suas atividades. Pois se para o consumidor as mudanças climáticas podem gerar uma oferta menor de produtos, o que tende a se materializar em preços maiores, para o produtor, a preocupação é também com o aumento de custos, conforme mostram Grigorieva, Livenets, Stelmakh (2023), seja por conta da elevação do uso de defensivos, necessários para combater as pragas que surgem com a alta das temperaturas, da necessidade de implantar e aplicar novas técnicas, da contratação de seguros, dentre outros.
Olhando pelo lado do consumidor, em termos do nível geral de preços da economia, é de amplo conhecimento o peso que o preço dos alimentos representa. No período recente – anos de 2021 e 2022 –, a meta de inflação estipulada para o País não foi cumprida, ficando o IPCA acima do teto, e, em ambos os anos, com uma contribuição significativa do grupo alimentação e bebidas, sendo que, em 2021, tal grupo apresentou variação acumulada de 7,94%, que não foi uma das maiores, já que, em tal período, o preço dos transportes e da habitação também acumularam avanços relevantes, de respectivos 21,03% e 13,05%, conforme IBGE (2024). Já em 2022, o grupo alimentação e bebidas apresentou a segunda maior alta acumulada no ano – de 11,64% –, ficando atrás apenas do grupo vestuário, que variou 18,02% no ano (IBGE, 2024).
Em 2023, a meta de inflação foi cumprida, e o grupo que compreende os produtos alimentícios variou em um patamar bem menor se comparado aos de anos anteriores (1,03% no ano). Sendo que o subgrupo que agrega os produtos relacionados à alimentação no domicilio fechou 2023 com queda acumulada de 0,48%, o que não acontecia desde 2017, muito por conta da ampliação da oferta e também do arrefecimento dos custos dos insumos, depois das altas proporcionadas pela pandemia e pelo início do conflito entre Rússia e Ucrânia. Assim, o cumprimento da meta de inflação de 2023 se deu com forte contribuição do preço dos alimentos.
Agora, considerando-se apenas os dois primeiros meses de 2024, o grupo alimentação e bebidas acumulou alta de 2,34%, sendo que, para o mesmo período em 2023, o avanço era de 0,76%, conforme IBGE (2024). Já o subgrupo alimentação no domicílio acumula, no mesmo período, elevação de 2,93%, o que acaba por deixar um alerta a respeito de como tal conjunto de preços pode se movimentar ao longo do restante do ano, considerando que, pelo menos em parte, os números de janeiro e fevereiro refletem implicações do fenômeno El Niño.
Apenas como exemplo, a batata inglesa, que, no grupo das hortaliças tuberosas, é o produto mais consumido, foi um dos subitens que se destacaram na inflação de fevereiro de 2024, com alta de 6,79%, muito por conta do atraso no plantio, devido a efeitos do El Niño. Mas, conforme informações do Hortifruti/Cepea (2024), há uma expectativa de que em março a oferta aumente, por causa do clima úmido e das chuvas previstas. O que ilustra o fato de que cada produto agrícola tem as suas especificidades, bem como o clima ideal para plantio e colheita. Então, quando se trata dos preços dos alimentos de modo agregado, é sempre importante se atentar que este é um todo composto de diversas particularidades, que devem ser consideradas.

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Ademais, ressalta-se que a preocupação com o preço dos alimentos vai muito além da questão puramente econômica, do alcance de metas de inflação e de como isso pode refletir na política monetária do País. Preocupar-se com os preços dos alimentos, principalmente a nível dos consumidores, é se preocupar também com a segurança alimentar de uma população, o que basicamente corresponde à garantia de acesso econômico, físico, social, permanente e em quantidade suficiente a alimentos nutritivos, conforme FAO (2024). Ou seja, ao se discutir sobre os preços dos alimentos, também deve-se observar o quanto o aumento destes pode dificultar o acesso, sobretudo dos mais pobres, a uma alimentação adequada.
Dados do IBGE (2020) indicam redução de mais de 50% no consumo dos brasileiros de produtos base da alimentação, como arroz e feijão, ao longo de 16 anos e atribui essa diminuição principalmente ao aumento dos preços de tais produtos e ao crescente consumo de produtos ultraprocessados. Evidentemente, a quase estagnação que se observa na renda per capita no Brasil tem um papel forte ao restringir o poder de compra, forçando a população a procurar alternativas menos custosas para se alimentar. Estagnação essa que se dá num cenário de estabilidade do nível de pobreza ao redor de um terço da população.
Especificamente, em torno de 11% da população vive com renda per capita de até ¼ do salário mínimo; 30% vivem com menos de ½ salário mínimo. Resumindo, cerca de 60% da população brasileira vive com até um salário mínimo per capita. Esse cenário de demanda doméstica por certos produtos (como arroz e feijão, por exemplo) quase estagnada – em razão da renda muito baixa – não favorece a expansão sistemática da produção (com uso de tecnologias atualizadas e aproveitamento de economias de escala, como acontece com a produção de produtos exportáveis). Esta produção cresce, portanto, a taxas insuficientes (do ponto de vista nutricional) e fica à mercê do clima e da ocorrência de pragas e doenças nas culturas.

De qualquer maneira, quando se trata de alimentos e em especial de seus preços, o escopo é muito maior do que o puramente econômico, mormente numa sociedade com elevado grau de pobreza como é o caso do Brasil. Até chegar à mesa do consumidor são muitos os fatores que importam para a formação dos preços, alguns mais fáceis de mensurar e prever, já outros mais difíceis, como a questão climática e suas implicações.
Logo, é complexa e imprecisa qualquer previsão sobre como os preços do grande e diverso grupo de produtos relacionados à alimentação se comportarão ao longo de 2024. O que é possível de ser afirmar é a respeito da importância – num país de características estruturais como as do Brasil – de se acompanhar os indicadores de preços, com um olhar atento as especificidades de cada produto, sem perder de vista acontecimentos no cenário econômico, eventos climáticos, questões geopolíticas, dentre outros fatores que direta ou indiretamente podem influenciar os preços dos alimentos. Ou seja, não se trata de uma questão trivial.

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Eleições de 2026 exigem atenção especial ao papel do Legislativo
Em um cenário de incertezas e transformações sociais, o texto destaca a importância das eleições proporcionais e da escolha de parlamentares preparados para representar a sociedade, fiscalizar o Executivo e impulsionar mudanças estruturais no país.

A sociedade em geral e o sistema cooperativista em particular devem prestar atenção às eleições de 2026. Embora a imprensa e os cidadãos, por motivos óbvios, visualizam prioritariamente as eleições majoritárias – presidente, governador e senador – as eleições proporcionais são essenciais. A missão de exercer a representação popular nas Casas Legislativas é particularmente importante para a vida democrática brasileira e de Santa Catarina.
Ainda vivemos uma era de incertezas, com problemas crônicos de um país em crescimento com fortes contrastes regionais, lutando para reduzir desigualdades, criar uma infraestrutura de crescimento econômico de Norte a Sul e de Leste a Oeste, assistir aos fragilizados, amparar a velhice e pavimentar um futuro para as gerações que estão chegando.
Somos ora protagonistas, ora coadjuvantes de um cenário globalizado, onde as decisões, os fluxos e os influxos de qualquer parte do planeta impactam de imediato nossa realidade interna, fazendo com que decisões tomadas em Tóquio ou Washington afetem diretamente empresários, produtores ou consumidores do Brasil.
Essa realidade que nos envolve inexoravelmente e a cada dia com maior celeridade emoldura com tons de dramaticidade o papel do administrador público e do legislador. Todas as demandas sociais decorrentes do pulsar desse processo globalizante deságuam nas barras do Poder Público, exigindo ações e reações ágeis e acertadas. Não há mais espaço para titubeios.
O parlamentar, na esfera federal ou estadual, deve fazer a leitura permanente dos processos sociais em curso para que a ação parlamentar seja a grande impulsionadora das mudanças e transformações reclamadas pela sociedade. Análise da história recente da República revela que a sociedade brasileira vem reconhecendo gradativa importância e indisfarçável essencialidade ao legislador.
Ali, onde todas as ebulições e toda a efervescência desse nervoso século explodem, envoltas pelas cores do pluralismo político-partidário, é crucial defender os superiores interesses de nossa gente, fiscalizando o Poder Executivo, propondo leis, projetos e programas fulcrados em intervenções sociais capazes de levar um pouco de justiça e apoio a segmentos da multifacetada sociedade brasileira.
Diligente e aplicado, o parlamentar deve tentar compreender toda a complexidade do nosso mundo por meio da sincera disposição para o diálogo, para o estudo e para a pesquisa. Por isso, é recomendável humildade para buscar, ouvir e aceitar – sempre que a prudência indicar – uma compreensão mais profunda que permita refocalizar uma visão sobre a sociedade. Por isso, é preciso não se deixar fascinar demasiadamente por gráficos, por relatos burocratizantes, por informações pasteurizadas. É recomendável deixar os gabinetes para uma convivência irmanal com as comunidades que representa para nunca perder a sensibilidade para interpretação dos eventos sociais que eclodem cotidianamente.
A reforma do Estado para pô-lo totalmente a serviço do cidadão ainda exige muito esforço legislativo. Daí a necessidade de elegermos mandatários e parlamentares estaduais e federais que cumpram com coragem e abnegação o sagrado dever que a sociedade delegou para construir um Estado democrático de direito, fundado na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político.
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Impacto das tarifas dos EUA redefine tilapicultura brasileira e acelera transformações para os próximos anos
Setor enfrenta queda na participação nas importações norte-americanas, mantém preços internos estáveis e investe em biosseguridade, inovação e diversificação de mercados para sustentar crescimento.

2025 trouxe uma combinação inédita de desafios para a piscicultura brasileira: mudanças bruscas no comércio internacional, dinâmica interna de preços que surpreendeu o mercado, avanços sanitários impulsionados por necessidades e urgência de diversificar destinos da nossa produção.
Foi um ano intenso, que exigiu adaptação rápida, reposicionamento estratégico e visão mais ampla sobre o papel do Brasil nesse setor em expansão. A produção de tilápia, especificamente, entrou em 2025 com altas expectativas e o encerra com aprendizados que devem moldar o ritmo de crescimento no futuro próximo.

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Entre esses desafios, a virada mais expressiva veio, evidentemente, das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O salto de cerca de 10% para 50% nas taxas de importação alterou a rota natural de expansão brasileira no país que tem demanda elevada, produção interna insuficiente e alto poder de compra. O impacto foi imediato: a participação do Brasil caiu de aproximadamente 5% para perto de 3% no total das importações norte-americanas. Essa reação reforçou a necessidade de rever a estratégia, colocando a diversificação novamente no centro da agenda da cadeia produtiva.
Para além dos EUA, o setor precisou revisitar seu mapa de oportunidades globais. A análise dos mercados evidenciou que cada destino oferece limites e possibilidades distintas – e que, nenhum deles, isoladamente, substitui o potencial norte-americano. A China, por exemplo, apesar de ser um dos maiores consumidores mundiais de pescado, é autossuficiente e mantém barreiras práticas para importadores. Já o Canadá, mesmo com elevado poder aquisitivo, apresenta hábitos de consumo mais restritos. Diante desse quadro, a União Europeia surge como alternativa mais promissora, enquanto a prospecção de novos mercados se torna essencial para sustentar o ritmo de crescimento da produção brasileira.
No mercado interno, os efeitos também foram diferentes do esperado. Em vez de queda, os preços seguiram em alta, mesmo diante de um fluxo menor de exportações. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), a tilápia fechou novembro a R$ 9,29 o quilo, acima dos R$ 8,02/kg registrados logo após o anúncio das tarifas e dos R$ 7,75/kg do fim de 2024. Isso mostra que a oferta não é grande o suficiente para provocar desvalorização significativa, reforçando que o Brasil está apenas começando sua trajetória como produtor e exportador relevante.
Ao mesmo tempo, 2025 estimulou avanços importantes na área sanitária: práticas de biosseguridade mais robustas, fortalecimento dos protocolos de imunidade, uso crescente de vacinas e de nutracêuticos e investimentos em manejo preventivo. A maturidade sanitária deixou de ser tendência e passou a ser pilar estratégico para sustentação de produtividade e competitividade.
Nesse cenário, as empresas brasileiras têm se reorganizado para enfrentar um ambiente mais complexo e exigente. A Fider, maior produtora e processadora de tilápia do Estado de São Paulo e uma das maiores do Brasil, é um exemplo desse movimento, reforçando inovação, rigor sanitário e busca por novos mercados como caminhos para atravessar o período e se posicionar bem para as oportunidades que virão. Fechamos o ano mais consciente dos riscos, mais atentos às mudanças globais e, sobretudo, mais preparados para construir um futuro mais sólido e diverso para a piscicultura nacional.
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O custo do clima: como os extremos estão reescrevendo as regras da economia global
Em um mundo moldado pelo clima, cada dólar investido em prevenção evita múltiplos em perdas futuras. A prosperidade, daqui para frente, será medida não apenas em crescimento, mas em capacidade de resistir e se adaptar.

Entramos na década dos extremos. Ondas de calor recordes, secas prolongadas, enchentes e incêndios de grandes proporções deixaram de ser exceções e passaram a fazer parte do novo cenário global. O impacto vai muito além do ambiental: o clima extremo tornou-se um risco macroeconômico, capaz de redefinir o custo do dinheiro, o valor dos ativos, os preços das commodities e até a capacidade fiscal dos Estados.
As consequências econômicas já são mensuráveis. Em 2023, os desastres naturais geraram US$280 bilhões em perdas econômicas, segundo a Swiss Re. Desses, apenas US$108 bilhões estavam segurados, revelando um preocupante gap de proteção financeira. Em 2024, o valor segurado subiu para US$137 bilhões, e a projeção indica US$145 bilhões anuais até 2025, com crescimento médio de 5% a 7% ao ano.

Foto: Antonio Carlos Mafalda
Mas o dado mais alarmante vem do Banco Mundial: mais de US$ 300 bilhões por ano em perdas não seguradas. São recursos drenados de orçamentos públicos, margens corporativas e renda das famílias, pressionando a liquidez e ampliando a vulnerabilidade fiscal de países e empresas.
E os efeitos do clima não terminam quando as enchentes baixam ou o fogo apaga. Eles se estendem em choques inflacionários, perda de produtividade agrícola, rupturas nas cadeias de suprimentos e aumento do risco-país. O Banco Mundial estima que eventos extremos reduzem o PIB de países emergentes em até 2% ao ano, enquanto a ONU (UNDRR) alerta que, ao incluir perdas ecológicas e sociais, o impacto é ainda maior.
A percepção de risco também mudou no topo do sistema financeiro. Bancos centrais e reguladores passaram a tratar o risco climático como risco sistêmico. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) já alertam para lacunas críticas em dados e métricas prudenciais. O Banco Central Europeu (ECB) incluiu o tema em seu Financial Stability Review, destacando vulnerabilidades em setores intensivos em carbono e os riscos de greenwashing e má precificação de ativos.
Os eventos convectivos severos – como granizo, vendavais e tempestades – tornaram-se a principal fonte de sinistros em várias regiões, inclusive na América do Sul. O aumento da frequência e intensidade tem elevado prêmios, ampliado franquias e, em alguns casos, reduzindo a oferta de cobertura, impulsionando a busca por seguros paramétricos e mecanismos de resiliência financeira.
Ignorar o risco climático é, hoje, o investimento mais caro que uma economia pode fazer. Estudos do World Resources Institute mostram que cada US$1 investido em adaptação e resiliência gera mais de US$10 em benefícios ao longo de uma década, um ROI superior ao de muitos setores tradicionais. Ainda assim, menos de 5% dos fluxos globais de finanças climáticas são destinados à adaptação. O resultado é previsível: os países e empresas mais expostos são também os menos preparados.

Nesse contexto, as finanças sustentáveis consolidam-se como o elo entre estabilidade econômica e proteção ambiental. A Taxonomia da União Europeia trouxe padrões objetivos para definir o que é “verde”, reduzindo ambiguidades e fortalecendo a confiança do investidor. No Brasil, a Taxonomia Sustentável Brasileira segue a mesma lógica, criando um marco técnico que conecta o país à nova economia global, com foco em transição justa, agricultura sustentável e infraestrutura resiliente.
O avanço é visível também no mercado de capitais. O volume de títulos GSS+ (Green, Social, Sustainability e Sustainability-linked) ultrapassou US$ 6,9 trilhões em emissões acumuladas até 2024, com US$ 1,05 trilhão emitido apenas no último ano, um crescimento de 31% em relação a 2023. Esses recursos têm financiado energia limpa, agricultura regenerativa, infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza, pavimentando o caminho para uma economia mais resiliente e competitiva.
Para blindar economias ao clima, é fundamental:
- Integrar riscos físicos e de transição na análise de crédito, investimento e seguro.
- Ampliar emissões soberanas e subnacionais de títulos verdes e de sustentabilidade para obras de adaptação e resiliência urbana.
- Escalar o blended finance, combinando capital público, filantrópico e privado para irrigação eficiente, infraestrutura azul-verde e proteção costeira.
- Melhorar dados e métricas climáticas, mensurando perdas evitadas e indicadores de resiliência, reduzindo incertezas e o custo de capital.

As finanças sustentáveis deixaram de ser um nicho. Elas são hoje o alicerce da nova economia global. Há capital disponível, o desafio é alocar com inteligência, direcionando recursos para onde geram maior impacto e retorno de longo prazo: resiliência, adaptação e desenvolvimento sustentável.
Em um mundo moldado pelo clima, cada dólar investido em prevenção evita múltiplos em perdas futuras. A prosperidade, daqui para frente, será medida não apenas em crescimento, mas em capacidade de resistir e adaptar-se.



