Notícias
Preços do trigo têm comportamento desigual entre os estados em janeiro
Cotações recuam em Santa Catarina e Paraná, enquanto Rio Grande do Sul e São Paulo registram maior firmeza.

Em janeiro, os preços do trigo apresentaram movimentos distintos dentre os estados acompanhados pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, os preços foram influenciados pelas diferentes condições de oferta e demanda.

Foto: Cleverson Beje
Enquanto em Santa Catarina e no Paraná as cotações cederam, pressionadas por liquidação de estoques, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os valores estiveram mais firmes. No estado sulista, o bom fluxo das exportações deu suporte aos preços. Em São Paulo, o movimento de avanço foi verificado pelo terceiro mês consecutivo e foi influenciado pela restrição vendedora.
Levantamento do Cepea indica que, em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.158,92/tonelada em janeiro, recuos de 1,6% em relação a dezembro e de 18,3% em relação a janeiro/25 e o menor patamar real desde março/18 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de dezembro/25).
No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.178,66/t, baixa de 0,4% na comparação mensal e de 15,2% na anual e também a menor desde outubro/23, em termos reais. Já no Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.050,89/t em janeiro, a mais elevada em três meses, com avanço mensal de 1,4%, mas queda anual de 16,1%. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.257,25/t em janeiro, avanço de 0,4% frente ao de dezembro, porém, recuo de 19,9% em relação a janeiro/25.

Notícias Infraestrutura no Nordeste
Transnordestina recebe R$ 152 milhões para execução de novos trechos da ferrovia
Corredor ferroviário de 1,2 mil km já soma R$ 6,6 bilhões liberados, tem obras contratadas em toda a extensão e prevê mais 100 km concluídos até abril.

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aprovou a liberação de mais R$ 152,4 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para as obras da Transnordestina. O aporte reforça o compromisso do Governo Federal com o cumprimento do cronograma de um dos mais relevantes projetos estruturantes para a competitividade econômica da Região Nordeste.
A decisão foi deliberada pela Diretoria Colegiada da Sudene, em reunião realizada na quinta-feira (19). O valor faz parte da parcela contratual de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 806 milhões já haviam sido repassados anteriormente.
De acordo com o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a Transnordestina é estratégica para o desenvolvimento regional. “Trata-se de um projeto prioritário para o Governo do Brasil, com impacto direto na dinamização dos setores produtivos, geração de empregos e aumento da renda no Nordeste”, afirmou.
O diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, Heitor Freire, explicou que a concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) apresentou as comprovações física, financeira e contábil da execução das obras, devidamente atestadas pelo agente operador do FDNE neste empreendimento, o Banco do Nordeste.
Com mais de 1,2 mil quilômetros de extensão, a ferrovia ligará o município de Eliseu Martins, no Piauí, ao Complexo do Pecém, no Ceará, consolidando um corredor logístico estratégico para o escoamento da produção regional. A Sudene é uma das principais financiadoras da obra, por meio do FDNE, e deverá aplicar R$ 7,4 bilhões no projeto até 2027. Com o novo aporte, já foram liberados R$ 6,6 bilhões desse total, incluindo R$ 800 milhões oriundos do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).
Atualmente, a Transnordestina conta com 100% de sua execução contratada. Entre os avanços recentes, destacam-se as assinaturas das ordens de serviço dos lotes 9 (Baturité–Aracoiaba, com 46 km) e 10 (Aracoiaba–Caucaia, com 51 km), considerados trechos de maior complexidade técnica e fundamentais para a conclusão da primeira fase do projeto.
Segundo a TLSA, a expectativa é de que mais 100 quilômetros da ferrovia, dos 326 quilômetros atualmente em obras, sejam concluídos até abril deste ano. O próximo lote a ser entregue será o que liga Piquet Carneiro e Quixeramobim, com 51 quilômetros. Mais de cinco mil trabalhadores atuam na construção. A ferrovia já iniciou, em fase de testes, o transporte de cargas como milho, milheto, sorgo, calcário agrícola e gipsita, sinalizando o potencial logístico e econômico do empreendimento.
Notícias
Funrural terá aumento de alíquotas a partir de 1º de abril e Receita deve intensificar fiscalização no campo
Mudança prevista na Lei Complementar 224/2025 reduz benefício fiscal incidente sobre a receita bruta da comercialização, aumenta contribuição previdenciária do produtor rural e impõe revisão imediata do planejamento tributário no setor.

A aprovação da Lei Complementar nº 224/2025, no fim do ano passado, trouxe mudanças nos incentivos e benefícios fiscais que passam a produzir efeitos diretos sobre o setor agropecuário. Entre os impactos está o aumento das alíquotas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), que começa a valer em 1º de abril de 2026 e atinge produtores que recolhem a contribuição com base na receita bruta da comercialização.
De acordo com a advogada Viviane Morales, a alteração impacta diretamente os produtores que utilizam a receita bruta como base de cálculo da contribuição. “Na prática, a alíquota efetiva do produtor rural pessoa física sobe de 1,5% para 1,63% sobre a receita bruta da comercialização. Já para o produtor rural pessoa jurídica, a alíquota passa de 2,05% para 2,23%. O aumento real da carga corresponde a 0,13 ponto percentual para pessoa física e 0,18 ponto percentual para pessoa jurídica”, explica.
De acordo com ela o impacto é automático, pois a contribuição incide diretamente sobre a receita bruta do produtor. Já, os produtores que optaram pelo recolhimento do Funrural com base na folha de pagamento não serão afetados, porque a forma de tributação é diferente e não foi atingida pelas alterações legais.
Além da elevação de custos, Viviane orienta que produtores revisem o planejamento tributário para avaliar se o modelo de recolhimento permanece vantajoso. A recomendação é analisar os valores da folha de pagamento e comparar com a tributação incidente sobre a comercialização da produção.
A advogada também alerta para a necessidade de atenção operacional. A partir de 1º de abril, o recolhimento deverá seguir os novos percentuais, com destaque correto nas notas fiscais, pois a exigência será fiscalizada. “Essa é uma mudança que aumenta o custo do produtor em um momento desafiador para o setor, exigindo adaptação às novas regras e maior rigor nos procedimentos fiscais”, salienta.
Colunistas
Saúde Única exige mudança prática no uso de medicamentos e no manejo nas propriedades
Conceito que integra saúde humana, animal e ambiental avança no debate, mas ainda esbarra no uso indiscriminado de antibióticos, falhas em biosseguridade e risco de resíduos na produção de alimentos.

Apesar de ter suas raízes há mais de dois séculos, o conceito de Saúde Única ainda tem um longo caminho a percorrer até, de fato, atingir a abrangência e a consciência necessárias. Alguns avanços já foram alcançados, mas os pilares que sustentam este conceito ainda precisam ser disseminados, popularizados e colocados em prática por empresas, profissionais autônomos e pela sociedade como um todo. É preciso ter em mente que vivemos em um grande ecossistema, onde a saúde de um está diretamente relacionada à saúde do outro e ao ambiente onde vivemos.
Apenas para contextualizar, o conceito de “One Health” é uma espécie de evolução de estudos desenvolvidos desde meados de 1800. Foi no final do século XIX que surgiu o conceito de zoonoses. Naquele momento, foi comprovado que algumas doenças podiam ser transmitidas de animais para humanos. Logo em seguida, surgiu o conceito “One Medicine”, que já trazia a ideia de integração entre a medicina humana e veterinária. No entanto, demorou quase 100 anos para o termo ganhar força. A repercussão mundial começou mesmo após a publicação do livro do médico veterinário Calvin Schwabe, Veterinary Medicine and Human Health, com uma visão mais aprofundada da relação entre a saúde humana e animal.

Chegando ao século XXI, mais um marco importante: a publicação dos 12 Princípios de Manhattan. Foi neste momento que surgiu, pela primeira vez, o conceito “One World, one Helth”, incluindo a questão do meio ambiente na discussão. De lá para cá, fóruns, congressos e até a definição de uma data mundial para reflexão sobre Saúde Única deram amplitude à discussão. A questão agora é sair do papel, aplicando todos esses conceitos no dia a dia em diferentes frentes e iniciativas.
Saúde é um conceito amplo e há uma fragmentação de cuidados por segmentos. E, por este motivo, é preciso disseminar boas práticas que visem a aplicação de estratégias integradas.
Como exemplo dessa integração, podemos citar a indústria de medicamentos veterinários. A ligação desse setor com a saúde humana é direta. Todo animal de produção, por exemplo, que recebe um medicamento veterinário, pode deixar resíduos no alimento que, em algum momento, chegará à mesa do consumidor, caso os produtores não respeitem o período de carência preconizado pela indústria farmacêutica.
Ainda sobre medicamentos, importante fazer uma ressalva específica sobre os antibióticos. Esses medicamentos devem ser utilizados para tratamento e não para a prevenção de doenças. Ou seja, devem ser utilizados apenas em casos realmente necessários e jamais como medida preventiva. Esta informação merece destaque pois, além de possíveis resíduos, o uso indiscriminado de algumas substâncias pode fazer com que o animal – e até mesmo de todo um rebanho – crie resistência às bactérias, gerando a necessidade de mais medicamentos ou, dependendo da gravidade, o abate dos animais.
Prevenção de doenças deve ser feita com manejo adequado e medidas de biosseguridade. Estas medidas envolvem desde higiene e sanitização das instalações, vacinação, quarentena de animais adquiridos recentemente, controle de acesso a pessoas ou veículos e isolamento dos animais doentes. Ao manter o rebanho saudável, o produtor garante também alimentos seguros e saudáveis para o ser humano.
Se, mesmo com os cuidados, a doença aparecer e o caso for para antibióticos, deve-se ter atenção redobrada à dose correta, a aplicação e ao descarte de embalagens. Essa última etapa impacta diretamente o meio ambiente.
Vivemos em um grande ecossistema e, quando falamos em saúde, a responsabilidade é ainda maior. Cada um, em sua área de atuação, precisa ter a consciência dos impactos de suas ações. Desde a medicação desnecessária, a negligência com a higiene ou o descarte irresponsável, todas estas atitudes afetam a saúde de todos. Este é o princípio básico da Saúde Única. E devemos tê-lo sempre em mente na hora de tomarmos qualquer decisão.



