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Preços do trigo devem ser sustentados pelo aperto do balanço e incertezas da guerra
Ao produtor de trigo, o cenário sugere a volta das margens aos patamares médios históricos da cultura, visto que os fundamentos não garantem altas significativas dos preços e o clima no final da temporada pode alterar a qualidade do cereal a ser colhido.

No mercado de trigo, de acordo com o USDA, o balanço global de oferta e demanda para a safra 2023/24 deverá apresentar mais um ano de redução da relação estoque/consumo (E/C), caminhando para 33,5%, o menor patamar do indicador das últimas 10 safras. Ademais, a soma do volume dos estoques finais dos principais exportadores também segue em queda, ou seja, para a demanda dos importadores a disponibilidade se projeta menor.
Algumas questões precisam ser acompanhadas, dado que têm potencial para mudar o cenário de oferta.
A primeira delas é que o principal exportador global, a Rússia, pode ter dificuldades no escoamento de grãos, assim como ocorreu no último ano, com o conflito continuando. Além disso, a influência geralmente negativa do El Niño sobre a produção asiática, associada a menos chuvas, pode reduzir as produções estimadas para Índia, China e Austrália, influenciando negativamente o quadro de suprimento do cereal. Apesar do cenário construtivo para preços, a perspectiva de balanço global de milho mais folgado define um teto para o trigo.
Nos EUA, apesar da área destinada à cultura na safra 2023/24 ser 6,2% maior em relação à temporada anterior, contabilizando 15,2 milhões de hectares, o balanço doméstico deverá ficar mais apertado. A produtividade é estimada em 3,1 toneladas/ha (51,6 scs/ha), 3,5% menor que a do ano anterior. Com isso, a produção americana deverá ser de 7,3 milhões de toneladas, 5,4% acima do ano anterior, enquanto o consumo destinado às rações deverá crescer 27%, indicando uma relação E/C apertada historicamente, sustentando Chicago.
Por outro lado, a competição no mercado externo com o trigo russo, que tem grande disponibilidade, mitigaria possíveis elevações. Na Argentina, principal fornecedor de trigo ao mercado brasileiro, o El Niño pode ajudar a retomar a produtividade, que sofreu no último ano com falta de chuvas. O aumento estimado para a produção é 24% em relação ao ano anterior,totalizando 16,9 milhões de toneladas, podendo aumentar a disponibilidade nos portos e vir a pressionar as cotações na região do Prata.
No Brasil, com o aumento de área, a produção deve bater um novo recorde, de 12,5 milhões de toneladas segundo a Safras & Mercado. Com isso, aumentará a disponibilidade do cereal mesmo sustentando recordes de exportação, em função da diminuição da oferta do Mar Negro. Apesar da produção recorde estimada, deve-se considerar que o ElNiño tende a trazer mais chuvas na época da colheita na região Sul, o que pode comprometer parte da produção, reduzindo a oferta de trigo de maior qualidade.
Do lado dos preços, como descrito anteriormente, caso a produção recorde se concretize, esse volume tende a puxar os preços para baixo. E mesmo que as exportações enxuguem o balanço doméstico, o câmbio pode não ajudar na paridade de exportação. Além disso, o nosso principal fornecedor também caminha para uma disponibilidade maior do cereal. O que pode ajudar o produtor é a política de preços mínimos, que estipulou o valor de R$ 79,20/sc (eq. R$ 1.320/t) para o trigo nessa safra.
Produtor – Perspectiva de safra cheia exigirá atenção
Ao produtor de trigo, o cenário sugere a volta das margens aos patamares médios históricos da cultura, visto que os fundamentos não garantem altas significativas dos preços e o clima no final da temporada pode alterar a qualidade do cereal a ser colhido. O ponto a ser acompanhado é a condição climática durante a colheita do cereal, dada a possibilidade de excesso de chuvas, o que, caso ocorra, pode prejudicar a qualidade do cereal.
A estocagem é outro ponto de atenção, visto que o custo de carrego ainda deve continuar alto, ou seja, a negociação ao longo dos meses pode aumentar o giro do caixa para a próxima safra de verão e trazer liquidez.
Moinhos – Custos mais baixos serão o trunfo do ano
Dada a maior disponibilidade de produto prevista para essa safra, a necessidade de se formar grandes estoques será menor, reduzindo o custo de estoques. Além disso, como as aquisições podem ocorrer em janelas maiores, a necessidade de capital de giro pode vir a ser menor ao longo da próxima safra, melhorando o custo da operação. Do lado da farinha, os preços do produto, bem como os do farelo, também tendem a ceder em função do aumento da oferta e, com isso, pode haver uma redução do faturamento. Contudo, a combinação entre os custos financeiros um pouco menores somados à boa disponibilidade do cereal, que reduz o custo da matéria-prima, pode trazer mais um ano com margens acima da média ao setor.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

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Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

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De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.







