Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Preços do leite voltam a subir no Brasil após queda ao longo de 2025

Alta no leite spot, no UHT e na muçarela indica reação do mercado no início de 2026, enquanto leite em pó mantém estabilidade.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os preços do leite e de derivados voltaram a mostrar reação no início de 2026, com alta em diferentes segmentos do mercado lácteo ao longo de fevereiro. O movimento ocorre após um período de retração registrado durante boa parte de 2025 e reflete mudanças no equilíbrio entre oferta e demanda, além da aproximação da entressafra.

Foto: Carolina Jardine

De acordo com o Boletim de Preços do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, o mercado de leite spot apresentou forte valorização nas duas quinzenas de fevereiro, impulsionado principalmente pela menor oferta de leite cru. “O mercado de leite spot registrou forte alta nas duas quinzenas do mês, refletindo menor oferta de leite cru e a aproximação da entressafra”, aponta o CILeite.

Em Minas Gerais, principal referência para o mercado spot, a reação foi expressiva. O preço do leite negociado entre indústrias avançou 33,6% em fevereiro frente a janeiro. Apesar da forte alta no curto prazo, o valor ainda permanece cerca de 22% abaixo do registrado em fevereiro de 2025. No ano passado, o mercado spot iniciou próximo de R$ 3,00 por litro, mas passou por queda quase contínua ao longo dos meses, atingindo o ponto mais baixo no início de 2026.

No mercado atacadista paulista, o

Foto: Isabele Kleim

também apresentou recuperação relevante. Em fevereiro, os preços do produto subiram 11,1% em comparação com janeiro. Mesmo assim, o valor ainda está 16,5% abaixo do observado no mesmo período do ano passado. Ao longo de 2025, os preços permaneceram relativamente estáveis no primeiro semestre, mas recuaram de forma mais acentuada na segunda metade do ano, alcançando os menores níveis no início de 2026.

Segundo o CILeite, a alta recente indica um movimento de recomposição após esse período de retração. “A alta recente indica um movimento de recomposição após esse período de retração”, destaca o boletim.

Outro derivado que apresentou reação foi a muçarela no atacado paulista. Em fevereiro, o preço do produto avançou 2,8% frente a janeiro. Ainda assim, o valor permanece 13,4% abaixo do registrado em fevereiro de 2025. No início do ano passado, o queijo chegou a superar R$ 33 por quilo, mas passou a registrar quedas graduais a partir do segundo trimestre, movimento que se intensificou no segundo semestre e levou os preços para a faixa próxima de R$ 28 por quilo no início deste ano.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Já o leite em pó apresentou comportamento mais estável. O preço do produto no atacado paulista registrou leve recuo de 0,5% em fevereiro em relação a janeiro, mantendo-se praticamente no mesmo nível do mês anterior. Na comparação anual, entretanto, a queda chega a 9,2%.

Durante 2025, o produto chegou a atingir valores mais elevados no primeiro semestre, mas passou a recuar ao longo do ano, com estabilização nos meses mais recentes. “O desempenho distinto entre os derivados indica dinâmicas diferentes dentro do mercado lácteo. Enquanto o leite UHT começa a mostrar reação mais consistente no início do ano, o leite em pó segue em um cenário de maior estabilidade de preços, após ajustes registrados ao longo de 2025”, aponta o CILeite.

No cenário internacional, o índice de preços do Global Dairy Trade (GDT) manteve trajetória de alta ao longo de

Foto: Isabele Kleim

fevereiro, contribuindo para um ambiente externo mais favorável ao setor. Além disso, embora as importações de lácteos sigam elevadas, a redução em relação a fevereiro de 2025 tende a diminuir a pressão sobre o mercado interno.

Para o CILeite, o comportamento recente sugere um processo gradual de acomodação do mercado após as oscilações observadas no último ano. “O comportamento recente sugere um processo gradual de acomodação do mercado após as oscilações observadas no último ano”, afirma o boletim.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Exportações para a China reforçam sustentação do boi brasileiro

Crescimento das vendas ao mercado chinês contribui para manter os preços em patamar elevado, ainda que o ritmo de avanço das exportações comece a se aproximar de limites de cota.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O cenário para a pecuária segue, em geral, favorável nos próximos meses, sustentado pela firmeza dos preços no mercado físico, pela oferta mais restrita de fêmeas e pela diversificação das exportações. Ainda assim, fatores como a reposição mais cara, a sazonalidade da oferta e incertezas externas exigem atenção do setor.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a firmeza dos preços no físico também influenciou o mercado futuro, que registrou forte alta nos últimos 30 dias, especialmente nos contratos de curto prazo. Em abril, a valorização foi de R$ 18 por arroba, enquanto em maio o avanço chegou a R$ 16 por arroba, abrindo oportunidades de hedge em níveis considerados atrativos para o produtor.

Já os vencimentos entre junho e setembro tiveram desempenho mais moderado e indicam preços abaixo dos atuais patamares. No ritmo atual de crescimento das exportações para a China, que avançaram 17% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, a cota de 1,1 milhão de toneladas deve ser atingida por volta de agosto. Para que isso ocorra antes do previsto, seria necessário um crescimento mais intenso das vendas. Ainda assim, no fim do ano, há expectativa de retomada das compras chinesas para o preenchimento da cota de 2027.

As exportações para outros destinos também seguem em fluxo positivo, o que ajuda a reduzir a dependência momentânea da China, embora o país continue sendo o principal comprador da carne bovina brasileira. No cenário estrutural, o setor mantém perspectiva favorável, com tendência de continuidade de preços sustentados pela menor disponibilidade de fêmeas para abate.

Entre os pontos de atenção, está o encarecimento da reposição de animais, que pode exigir valores mais altos do boi gordo no médio prazo. No mercado interno, fatores sazonais podem influenciar a demanda: a Copa do Mundo de futebol no meio do ano tende a impulsionar o consumo, enquanto a alta dos preços da carne bovina e a maior competitividade do frango podem limitar esse movimento.

Ao mesmo tempo, a oferta de gado deve crescer de forma sazonal nos próximos meses, embora os níveis de abate ainda possam permanecer abaixo dos registrados no ano anterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março

Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.

Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.

No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.

As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil

Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.

Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA

A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA

Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.

O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.

Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping

Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA

A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.

Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”

Fonte: Assessoria FPA
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.