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Preço recorde de grãos ajuda agricultores, mas pressiona custos de produção de pecuaristas

Demanda internacional e câmbio sopram ventos favoráveis aos produtores de grãos, mas causa dor de cabeça para pecuaristas fecharem as contas

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A demanda internacional e o câmbio sopram ventos favoráveis para a produção de grãos de uma forma nunca vista no agronegócio brasileiro. De fevereiro para cá, o preço da soja praticamente dobrou, chegando a R$ 157 a saca no Paraná. No caso do milho, o aumento foi de 50% em apenas quatro meses. Em ambos os casos, as cotações chegaram a recordes com perspectivas de entrarem em 2021 em alta. Se esse cenário soa como brisa aos produtores de grãos, para as cadeias de proteína animal – que têm a soja e o milho como importantes insumos – essas perspectivas caem como um vendaval, que traz apreensão e um alerta.

O bom momento dos grãos é tão significativo que especialistas enfatizam: tudo que o agricultor brasileiro produzir terá comercialização certa e com bons preços, graças ao apetite internacional. Neste contexto, destaque para a China, que avançou sobre os produtos do agronegócio produzidos no Brasil e no Paraná. De janeiro a setembro deste ano, as exportações paranaenses do complexo soja aumentaram 74%, em volume, chegando a 9,3 milhões de toneladas e arrecadando US$ 3,2 bilhões. Os chineses abocanham, hoje, metade da oleaginosa e seus derivados produzidos no Estado.

Por outro lado, a safra atual deve ser acompanhada pelo fenômeno climático La Niña – que traz estiagem e chuvas irregulares, principalmente no período de desenvolvimento da lavoura. Essa condição pode implicar em quebra de produção, principalmente em Estados da região Sul. Essas incertezas e o risco de se ter menos grãos disponíveis já afetaram o humor do mercado, fazendo com que os contratos futuros de soja sejam negociados em patamares altos na Bolsa de Chicago (CBOT). Tudo isso leva os especialistas a vislumbrarem que os grãos vão entrar em 2021 com preços tão ou mais aquecidos que os atuais.

“A Bolsa de Chicago está bem preocupada com o plantio no Brasil e na Argentina, importantes produtores de grãos. O clima é de preços em alta até por ter essa perspectiva pessimista para a safra em âmbito global”, diz Ana Paula Kowalski, técnica do Departamento Técnico Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR. “Há quem diga que a saca vai chegar a R$ 200. Eu acho um cenário exagerado. Mas se mantiver os preços de agora, isso já representa o dobro do que a gente tinha no ano passado”, acrescenta.

Além da relação oferta/demanda, a força do dólar também favorece o vento positivo para os grãos. O Boletim Focus, do Banco Central, estima que a moeda americana entre em 2021 cotada entre R$ 5,10 e R$ 5,28. É um nível menor do que temos hoje, mas ainda um patamar elevado e positivo para o produtor brasileiro – que ganha na conversão do dólar para o real. Ou seja, tem tudo para o agronegócio nacional continue mirando o mercado externo.

“Em uma economia de livre mercado, o que rege é a relação entre a oferta e a demanda. O vendedor, que é a agroindústria, vai ficar de olho em quem paga melhor. E o mercado externo está pagando muito bem”, observa Luiz Eliezer Ferreira, técnico do DTE. “Além disso, provavelmente teremos, mais uma vez, a China indo forte às compras, provocando um choque de demanda. E os compradores externos estão desesperados atrás de grãos. A procura mundial por grãos é enorme, o que joga os preços lá em cima”, ressalta.

Até em razão dessa demanda internacional, já há relatos de escassez de grãos em algumas regiões do Paraná e, por conseguinte, de preços pressionados. O presidente da Comissão Técnica de Suinocultura da FAEP, Reny Gerardi, diz que, mesmo com a saca 100% mais cara em relação ao ano passado, o produtor independente tem encontrado dificuldade para encontrar o produto, base da alimentação do plantel. “O preço do milho está uma loucura. Com a soja, é a mesma coisa. Apesar disso, em muitos armazéns, já não se acha o milho ou o farelo de soja”, diz.

Vendaval

Essas perspectivas de que a soja e o milho continuem com os preços nas alturas provocam um vendaval turbulento às cadeias de proteínas animais. Isso porque os grãos têm um peso decisivo na produção da pecuária. Segundo a Embrapa, a nutrição corresponde a 78% dos custos na suinocultura e a 72%, na avicultura. Na bovinocultura, o impacto é menor, mas também significativo: corresponde a um terço dos custos totais nas principais praças, de acordo com o projeto Campo Futuro – realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a FAEP.

Os ventos só não provocaram estragos nessas cadeias produtivas, porque as carnes também se beneficiam de uma conjuntura internacional favorável. Neste ano, por exemplo, a voracidade da China também se voltou às proteínas animais. De janeiro a setembro, o volume das exportações paranaenses de produtos do complexo carnes para os chineses aumentou 35%, totalizando 236 mil toneladas e US$ 479 milhões.

No mercado interno, os preços das proteínas animais também se mantiveram aquecidos. Desde janeiro, a arroba do boi e o quilo do frango congelado subiram 44% e 27% respectivamente, segundo o Centro de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP). No caso do suíno vivo, a alta foi ainda maior: 77,6%. O mercado de lácteos no Paraná também vive um bom momento, com o preço de referência do leite chegando em setembro ao maior patamar da história. Em síntese, essa valorização generalizada compensou o que os pecuaristas e/ou empresas – no caso dos produtores integrados – desembolsaram a mais para cobrir os custos de produção.

O xis da questão é: com os grãos em alta, até quando o mercado vai ter fôlego para sustentar também os preços das proteínas animais? Para os especialistas, essa é uma pergunta difícil de ser respondida. Mas o momento é de cautela e de ficar de olho nos desdobramentos, como o poder de consumo do mercado interno.

“Nós não temos dimensão de até quando isso vai se sustentar. Não conseguimos saber até que ponto o pecuarista vai conseguir cobrir seus custos de produção com as receitas. Vai depender muito da força do mercado consumidor, que ainda está em um horizonte de pandemia”, analisa Ferreira.

“Temos que ver os efeitos do novo valor do auxílio emergencial do governo federal. Depende muito de como vão ser os ajustes de demanda interna. O cenário ainda é muito incerto. Não dá para prever se o consumo interno vai se manter no nível que tivemos até agora”, observa Ana Paula.

Avicultura: indústria absorve custos, mas pode reduzir alojamentos

Na avicultura – que opera em regime de integração, no Paraná –, as agroindústrias têm absorvido o aumento dos custos de produção. Presidente da Comissão de Avicultura da FAEP, Carlos Bonfim aponta, no entanto, que os avicultores paranaenses têm acompanhado com apreensão as altas contínuas nos preços da soja e do milho. A preocupação é de que, no médio prazo, as empresas venham a reduzir a escala de produção, o que implicaria na perda de ganho por parte do produtor.

“No sistema integrado, a empresa não repassa essa alta dos custos. O produtor não sente a volatilidade, mas a gente vê com preocupação, com medo do que possa acontecer logo ali na frente. A gente não sabe quanto tempo essas empresas aguentam”, aponta Bonfim.

Ao analisar os elementos dispostos, hoje, no tabuleiro, a técnica Mariana Assolari, do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR, que acompanha a cadeia da avicultura, aponta que as perspectivas de tendência de alta dos preços dos grãos já afetaram o setor, com tendência de que, a partir do ano que vem, as agroindústrias comecem a reduzir o alojamento de aves, de olho no comportamento do mercado.

“A avicultura é um setor muito ajustado. As empresas alojam de acordo com as projeções de demanda”, diz Mariana. “Quando há uma alteração em grãos, há um impacto direto em todas as cadeias produtoras de carne. No caso de frangos, isso é muito evidente”, completa.

Em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, confirmou que deve haver um ajuste, com a redução de alojamento. O dirigente calcula que pode, com um eventual corte na produção entre 5% e 10%, a demanda interna por grãos diminuiria em 1,4 milhão de toneladas até a metade de 2021.

Mudança na ração

Na região de Cianorte, no Noroeste do Paraná, produtores relatam um fator que pode estar relacionado à alta dos grãos. Segundo os avicultores, a qualidade da ração fornecida pela agroindústria piorou nos últimos meses. Como resultado disso, os animais têm custado a ganhar peso. A meta é de que os pintainhos cheguem ao sétimo dia de vida pesando entre 185 e 200 gramas. Entretanto, em sete dias, as aves têm chegado, em média, a 140 gramas (25% menos), de acordo com relatos compilados pela Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadec) local, afetando os rendimentos dos avicultores.

“O avicultor precisa de condições para atingir as metas definidas pela integradora. E esse peso é definido com base em ração de boa qualidade. Se a indústria não colocar uma ração de boa qualidade, o animal não vai responder de acordo”, ressalta o presidente da Cadec de Cianorte, Dienner Santana. “Em regiões vizinhas, temos relatos de que o resultado pago já tem diminuído”, acrescenta. Ele também aponta que o índice de mortalidade dos animais aumentou consideravelmente.

Mariana Assolari destaca que a Lei de Integração prevê que o produtor – representado pela Cadec – acompanhe e valide a qualidade dos insumos – entre eles, a ração – fornecidos pelas agroindústrias, mas que ainda não foram criados mecanismos para que isso aconteça na prática. “O produtor não está envolvido neste processo, mas, em razão dos custos, é provável que a indústria tenha alterado a composição da ração, não só quantidade e qualidade dos grãos na formulação, mas também o premix, muitas vezes composto por ingredientes importados. O que as empresas tendem a fazer daqui para a frente é procurar um ponto de equilíbrio”, avalia.

Suinocultura: da euforia à preocupação

A partir de maio, o preço dos produtos da suinocultura disparou, animando os produtores paranaenses. Em outubro, o quilo do suíno vivo chegou a R$ 8,24: crescimento de mais de 100% em cinco meses. Por um lado, essa decolagem compensou a escalada dos preços de grãos. Por outro, a escassez de soja e de milho passou a dar dor de cabeça ao suinocultor, principalmente o independente – categoria em que se enquadram 40% dos produtores de suínos no Paraná.

“Os valores chegaram a preços que colocam o produtor em uma era que ele nunca viveu. Mas a euforia já passou e hoje os suinocultores estão mais preocupados, principalmente porque não se encontra grãos disponíveis e por conta da incerteza se a demanda vai segurar os preços do suíno em alta”, diz a técnica do Detec do Sistema FAEP/SENAR-PR, Nicolle Wilsek, que acompanha a cadeia da suinocultura.

Nicolle tem orientado os pecuaristas a buscarem alternativas, como triguilho, triticale centeio e sorgo, fato que vai ao encontro que uma pesquisa da Embrapa, que aponta que alguns grãos podem substituir o milho e o farelo de soja na alimentação de suínos e frangos, desde que sejam feitos ajustes nos níveis de aminoácidos, de acordo com a fase de cada animal. Entre essas opções, a Embrapa destaca o triticale e a cevada.

“O entrave é que não temos cultura de plantar esses grãos em grande escala. Mas o produtor que tiver essas opções, pode usá-los como alternativa”, ressalta Nicolle.

Paralelamente, os produtores estão de olho na indústria, na expectativa de que não haja ajustes na escala de produção. “A indústria não iniciou isso ainda. A gente não sabe se vai acontecer ou não, mas por enquanto não há indicativo”, aponta a técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Preço dos grãos mexe na dinâmica da bovinocultura

Em termos de preço, a bovinocultura de corte também vive um bom momento. Segundo o indicador Cepea, a arroba chegou ao fim de outubro a R$ 270. Técnico do DTE do Sistema FAEP/SENAR-PR, Guilherme Souza Dias avalia que a falta de grãos e os preços pressionados já afetam diretamente a atividade, principalmente porque esses fatores exercem um peso maior sobre o confinamento. Tudo isso muda a dinâmica da porteira para dentro.

“Os grãos em alta refletem sobre a diária de confinamento, que passa a ficar mais cara. A tendência é de que o produtor deixe de confinar. Isso vai gerar, como resultado, animais mais tardios”, resume. “Ou seja, esses elementos vão alterar a estratégia do pecuarista, com impactos na receita e no tempo de abate”, acrescenta.

No caso do setor de lácteos, os reflexos também são imediatos. O bovinocultor de leite investe, em média, um quilo de ração para produzir três litros do produto. Ou seja, a relação com os grãos é direta, o que fez com que os custos de produção do setor, em setembro, estivessem 65% acima dos níveis históricos, segundo o Cepea. Os preços dos lácteos no Paraná vinham acompanhando esse movimento até setembro, mas em outubro houve um recuo, o que pode sinalizar que o mercado consumidor não tenha tanto fôlego para bancar as altas sucessivas. “A tendência é que os grãos continuem pressionando ainda mais os custos de produção da cadeia. E na bovinocultura de leite, a ração é um fator determinante. Se o pecuarista dá menos ração, ele vai ter não só um prejuízo na produção, como vai provocar um impacto na vida produtiva da vaca, que não tem mais volta. O animal não volta a produzir no patamar anterior”, aponta Souza Dias. “Os preços dos grãos estão, na verdade, consumindo o que seriam os ganhos dos pecuaristas”, acrescenta.

Fonte: Sistema FAEP
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Notícias Paraná

CSA de Marechal Rondon divulga trabalho sobre enfezamentos do milho

Conselho de Sanidade Agropecuária realizou estudo sobre os efeitos da cigarrinha nas lavouras da região oeste paranaense

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Divulgação/Adapar

Em 2019 as lavouras de milho na região extremo oeste paranaense começaram a apresentar problemas fitossanitários que eram desconhecidos pela assistência técnica agronômica local. Neste mesmo ano, pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo estiveram presente na região e, após o diagnóstico a campo e análises laboratoriais, identificaram que as plantas de milho estavam portando uma doença bacteriana conhecida como enfezamentos da cultura do milho.

Em 2020, devido às restrições impostas pela Covid-19, as autoridades responsáveis não conseguiram evoluir nos estudos do problema. Porém, agora em 2021 houve a formação de um Grupo de Trabalho dentro do Conselho de Sanidade Agropecuário (CSA) de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, que congrega todas as instituições públicas e privadas ligadas ao agronegócio do município, para agir em conjunto na busca de maiores informações sobre os enfezamentos.

“A Embrapa recomenda diversas medidas de controle dos enfezamentos que devem ser utilizadas de forma integrada para maior efetividade do controle. Entre elas a utilização de híbridos de milho tolerantes aos enfezamentos. Assim, realizamos o trabalho no milho safra 20/21 com o objetivo de avaliar a presença visual dos sintomas típicos de enfezamentos nas folhas e planta como um todo (incidência dos enfezamentos) e a influência na produtividade do milho. Os resultados do trabalho foram redigidos em uma linguagem que o agricultor conseguisse entender, como por exemplo, produtividade em sacas por alqueire, gráficos coloridos de fácil visualização e entendimento”, explica o fiscal Agropecuário da ADAPAR e membro do CSA em Sanidade Vegetal, Anderson Lemiska.

De acordo com o fiscal, neste trabalho foi possível observar alta correlação entre incidência dos enfezamentos e a produtividade do milho. “Das amostras de folhas com sintomas de enfezamentos 60% apresentaram resultados laboratoriais positivos para o enfezamento pálido. A incidência dos enfezamentos nas plantas de milho variou entre 7 a 82% conforme o híbrido avaliado e a produtividade oscilou entre 277 e 540 sacas de milho por alqueire. No entanto, verificamos que a maioria dos materiais avaliados obtiveram produtividade acima da considerada satisfatória (400 sc/alq) para a nossa região”, informa.

Lemiska comenta que os nomes comerciais dos híbridos não foram divulgados pois os resultados obtidos foram em apenas uma safra e local de avaliação. “Estes mesmos materiais cultivados outro local de produção, período do ano (safra ou safrinha) clima, manejo, presença ou ausência de cigarrinhas podem expressar resultados diferentes ao observado por nós”, observa.

Ele informa que esta variação do comportamento do híbrido foi observado pela ADAPAR em lavouras comerciais de milho safra deste ano cultivado na Regional de Toledo. “Observamos que um milho considerado altamente sensível aos enfezamentos atingiu teto produtivo em um local e, em outro local, o mesmo híbrido apresentou quase todos os sintomas de enfezamentos, tais como, folhas vermelhadas/amarelas; acamamento (queda) de 50% das plantas; multiespigamento; 25% das espigas malformadas, ou seja, redução significativa da produtividade. Por isso é muito importante que se realizem trabalhos como estes em diversos locais para aprofundar o conhecimento sobre tolerância dos materiais aos enfezamentos, pois o tema ainda carece de muitas informações”, afirma.

Monitoramento das áreas

Lemiska comenta que historicamente o milho safrinha na região tem produtividade inferior quando comparado com o milho safra, portanto, os mesmos materiais cultivados na safra podem trazer resultados de produtividade diferentes quando cultivados na safrinha. “No período de cultivo do milho safrinha geralmente temos temperaturas mais altas, déficit hídrico – como está ocorrendo no presente momento – e maior população de cigarrinhas do milho presentes no campo. Para avaliação dos enfezamentos do milho safrinha 2021 deste ano, o GT do CSA contou com maior número de colaboradores, incluindo Agência de Defesa Agropecuária, Pesquisa Agropecuária Pública e Privada, Cooperativas, Assistência Técnica, Sindicato Rural, Secretaria de Agricultura e dos próprios agricultores que estão atuando conjuntamente”, conta.

Segundo o fiscal agropecuário, uma grande dúvida que se tem é até que fase do milho é preciso controlar a cigarrinha. “Por este motivo estamos realizando o monitoramento e coletas das cigarrinhas nas áreas de avaliação do milho safrinha e já foi possível observar alguns resultados. Em geral, este ano foram observadas pouca presença de cigarrinhas nas áreas comerciais. Porém, o monitoramento constante é de extrema importância porque o inseto tem elevada taxa de crescimento populacional”, diz.

Ele explica que foram observadas área com ausência de cigarrinhas em que não foi necessário a utilização de inseticidas. Por outro lado, houve áreas com presença do inseto com pequenas flutuações da população e teve áreas consideradas como surtos e grande presença de cigarrinhas durante todo o período de monitoramento. Nos monitoramentos também foi observado que em alguns materiais não foram registrados a presença de cigarrinha durante o período de monitoramento, enquanto no material cultivado ao lado deste foi possível verificar a presença.

Recomendações de manejo

Lemiska informa que são várias as medidas recomendadas pela Embrapa que começam antes da semeadura do milho e se estendem durante todo o ciclo da cultura. Entre elas estão:

1º) Melhorar a eficiência na colheita e transporte do milho para evitar perdas de grãos e posterior germinação do milho guacho, tiguera ou voluntário;

2º) Eliminar plantas de milho voluntário, pois elas são consideradas como multiplicador e manutenção tanto dos enfezamentos quanto das cigarrinhas do milho durante a entre safra;

3º) Realizar a sincronia da semeadura buscando homogenizar os controles das cigarrinhas;

4º) Evitar semeadura de milho sobre milho para não formar uma ‘ponte verde’;

5º) Realizar tratamento de sementes com inseticidas para controle da cigarrinha. Este manejo geralmente é disponibilizado industrialmente junto com a semente de milho, porém o agricultor deve consultar um profissional da agronomia caso a semente não venha tratada.

6º) Escolher híbridos de milho tolerantes aos enfezamentos. Essa informação pode ser consultada junto a um profissional da agronomia ou detentor de sementes de milho híbrido. Cabe ressaltar que esta ferramenta não pode ser considerada como estratégia única, pois a tolerância dos materiais pode ser ineficaz em caso de alta população de cigarrinhas contaminadas com os enfezamentos e o material pode se comportar como sensível ocasionando redução na produtividade;

6º) Identificar e monitorar a cigarrinha do milho na lavoura. Item mais importante do manejo dos enfezamentos, pois tem áreas com alta presença de cigarrinhas e outras áreas próximas que não haverá presença do inseto.

7º) Após realizar o monitoramento e se necessitar o controle químico ou biológico, utilizar produtos registrados para manejo da cigarrinha conforme recomendado por um profissional da agronomia. A tomada de decisão do controle químico da cigarrinha é um desafio. Como não se sabe quantas cigarrinhas estão ou não infectadas com os enfezamentos, ainda não existe um quantitativo de cigarrinhas que pode ser tolerados na área, ou seja, a simples presença de uma cigarrinha já justificaria a aplicação do inseticida. Tal fato é preocupante, principalmente em áreas de surtos onde há grande população de cigarrinhas e alta reinfestação. Nestas áreas, tendo como base o critério de controle da presença x ausência do inseto, as aplicações de inseticidas para zerar a população seriam realizadas com muita frequência, fato que pode elevar o custo de produção, perturbar o ambiente produtivo e principalmente acelerar a resistência das cigarrinhas aos poucos inseticidas cadastrados, tornando mais grave o manejo dos enfezamentos.

“De forma geral, os enfezamentos da cultura do milho são problemas antigos no Brasil, porém recente aqui no Paraná. Ainda não sabemos se o problema permanecerá em nossa região ou é apenas um surto. Temos informações sobre o manejo do problema e que devem ser adotadas conjuntamente para reduzir a população de cigarrinhas e minimizar os problemas com os enfezamentos. Há algumas dúvidas sobre a biologia da cigarrinha e manejo dos enfezamentos que aos poucos estão sendo geradas informações que poderão ser utilizadas na mitigação dos problemas”, conclui Lemiska.

Fonte: O Presente Rural
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Notícias Segundo Sindiveg

Área agrícola tratada com defensivos cresce 7% no 1º trimestre de 2021

Neste período, foram tratados 562,7 milhões de hectares, em grande parte devido à alta incidência de pragas e doenças no campo

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A área tratada com defensivos agrícolas cresceu 7% no primeiro trimestre deste ano. Neste período, foram tratados 562,7 milhões de hectares, em grande parte devido à alta incidência de pragas e doenças no campo. Este número representa a multiplicação de área cultivada por volume de produtos e quantidade de aplicações realizadas e é a metodologia que melhor reflete o uso de defensivos pelo produtor rural. Os dados estatísticos fazem parte de levantamento exclusivo encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) pelo segundo ano consecutivo.

“Para comparação, de janeiro a março de 2020, foram 525,9 milhões de hectares tratados, o que significa ampliação de 36,9 milhões de hectares em 2021. Fenômeno semelhante ocorre seguidamente, revelando a constante e crescente preocupação dos produtores rurais com os desafios fitossanitários que prejudicam as lavouras e que, se não enfrentados, podem causar grandes perdas de produção e trazer insegurança alimentar ao país”, afirma o presidente do Sindiveg, Júlio Borges Garcia.

Com recordes consecutivos na produção agrícola – em 2021, por exemplo, a safra de grãos será a maior da história e deve superar 270 milhões de toneladas –, a elevada eficácia dos defensivos aplicados nas plantações tem sido um importante aliado da economia nacional, especialmente durante o recrudescimento da pandemia da Covid-19.

Em volume, os defensivos aplicados chegaram a 349 mil toneladas no primeiro trimestre de 2021, ante 333 mil em igual período do ano anterior (+4,8%). Em toneladas, houve crescimento no uso em tratamento de sementes (12,6%), fungicidas (11,8%), inseticidas (6,8%) e outros produtos (5,8%). Contudo, houve redução na aplicação de herbicidas (-0,5%) – diminuindo, assim, sua participação no total de toneladas pulverizadas (de 41% para 39%).

“Esses dados, encomendados pelo Sindiveg à Spark Consultoria Estratégica, consideram o registro exato do que o agricultor utiliza em defensivos e, por isso, a pesquisa capta um cenário preciso da incidência do ataque de pragas e doenças no Brasil, que é mais severo do que em qualquer outro país devido ao clima tropical, com temperaturas altas e elevada umidade”, explica Júlio Garcia.

O valor do mercado de produtos aplicados recuou 12,9% no primeiro trimestre, caindo de US$ 4,3 bilhões para US$ 3,8 bilhões. Essa variação negativa é resultado da forte desvalorização do real frente ao dólar. Esse cenário justifica o crescimento do setor em 9,2% em reais – de R$ 18,6 bilhões para R$ 20,3 bilhões na comparação com os três primeiros meses de 2020.

“De janeiro a março, houve perda cambial de 20,2%, com o dólar médio passando de R$ 4,31 para R$ 5,40, em comparação com 2020. Além disso, a indústria registrou forte alta nos preços de matérias-primas e embalagens, bem como aumento no custo logístico – tanto nacional quanto internacional. O frete marítimo segue com tendência de elevação e a indústria já começa a sentir falta de matérias primas pontuais, mas com tendência de piora”, relata o dirigente.

Em relação aos cultivos, a soja aumentou sua participação no valor total de mercado de defensivos aplicados (de 41% para 43%), chegando a US$ 1,6 bilhão. A cana também elevou participação: de 7% para cerca de 9%, atingindo US$ 323,1 milhões. O valor empenhado com milho e algodão caiu em relação à participação total. Ainda assim essas culturas mantêm a 2ª e a 3ª posições em aplicações (US$ 1 bilhão e US$ 416,8 milhões, respectivamente).

“Alguns problemas em particular chamaram a atenção de agricultores no primeiro trimestre de 2021. As aplicações para combater a mosca-branca cresceram 25% em área tratada. Esse inimigo é perigoso para soja, algodão e feijão. Já para os ácaros, houve aumento de 22% e para os percevejos, de 10%. Também verificamos aumento da utilização de fungicidas protetores: aumento de 22% em hectares”, destaca o presidente do Sindiveg.

Mesmo sendo um dos maiores produtores agrícolas mundiais, o Brasil aplica menos defensivos por hectare que países de clima temperado, que têm apenas uma safra por ano. “Os defensivos agrícolas disponíveis no mercado brasileiro têm eficácia comprovada pela ciência e segurança garantida por diversos órgãos regulatórios. Em 80 anos, o Sindiveg tem trabalhado para valorizar o setor, que oferece soluções que garantem o aumento da produção de alimentos seguros e com qualidade à população”, finaliza o presidente da entidade.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mercado

Camarões abre mercado para genética avícola do Brasil

Notícia foi comemorada pelo setor produtor de genética avícola do Brasil, que agora passa a fornecer pintinhos de 01 dia e ovos férteis para a avicultura camaronesa

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Arquivo/OP Rural

A República de Camarões anunciou a abertura de seu mercado para a genética produzida pela avicultura brasileira, conforme informação repassada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A notícia foi comemorada pelo setor produtor de genética avícola do Brasil, que agora passa a fornecer pintinhos de 01 dia e ovos férteis para a avicultura camaronesa – que sofreu indiretamente os impactos da crise sanitária da avicultura europeia – principal fornecedora de genética para o país africano – causada pela influenza aviária.

Camarões é um mercado com grande potencial de expansão de crescimento na produção e nos níveis de consumo, de acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin. Com uma produção anual de aproximadamente 150 mil toneladas de carne de aves, a avicultura representa mais de 40% do total de carnes produzidas no País. Em termos de consumo, segundo a FAO, o consumo per capita do país cresceu de 2,2 kg em 2006 para 5,6 kg em 2016.

“Há boa expectativa quanto a esta parceria com a avicultura camaronesa. O País africano tem buscado incrementar sua própria capacidade produtiva de aves e confiou ao Brasil, como nação livre de enfermidades como Influenza Aviária, para o fornecimento destes insumos de alto valor agregado. Esta nova oportunidade amplia o perfil exportador deste segmento, que tem aumentado sua participação na pauta exportadora setorial”, analisa Santin.
O Brasil se consolidou como plataforma exportadora global de genética avícola. Atualmente, fornece insumos para 58 mercados na Ásia, África, Europa e Américas.

Fonte: Assessoria
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