Bovinos / Grãos / Máquinas
Preço médio da carne bovina exportada sobe 14,6%
Faturamento cresce 29% e China já utiliza 43% da cota anual livre de tarifa adicional.

As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 233,79 mil toneladas em março, alta de 8,95% sobre igual mês de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos. Em receita, o avanço foi mais intenso: 29,14%, alcançando US$ 1,36 bilhão.
O resultado confirma uma mudança de ritmo observada no primeiro trimestre. Em janeiro e fevereiro, o crescimento do volume havia sido de 28,7% e 24%, respectivamente, na comparação anual. Já em março, a expansão física perdeu força, mas a valorização do preço médio em dólar compensou. A alta da arroba do boi gordo no mercado interno e a recente desvalorização da moeda norte-americana pressionaram os valores internacionais da carne brasileira.
A carne in natura responde por cerca de 90% das exportações do setor. Considerando também industrializados e subprodutos, como miudezas, tripas e sebo, o faturamento total em março chegou a US$ 1,476 bilhão, aumento de 21,42%, enquanto o volume total recuou 6,65%, para 270,53 mil toneladas.
No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totais do setor bovino somaram US$ 4,32 bilhões, alta de 32,29% sobre o mesmo período de 2025, com volume de 827,64 mil toneladas (+10,98%). Apenas a carne in natura respondeu por US$ 3,98 bilhões (+37,45%) e 700,98 mil toneladas (+19,92%). O valor médio de exportação subiu 14,61%, de US$ 4.954 para US$ 5.642 por tonelada.
A China permaneceu como principal destino, com compras de US$ 1,816 bilhão no trimestre (+41,83%) e 325,68 mil toneladas (+39,35%). O preço médio pago pelo país asiático subiu 15%, para US$ 5.578 por tonelada. A China respondeu por 46,42% do volume e 45,6% da receita da carne in natura brasileira no período.

Foto: Fernando Dias
Há, porém, um descompasso estatístico relevante. O governo chinês contabiliza, para efeito da cota tarifária de 1,106 milhão de toneladas livres da sobretaxa de 55%, apenas as cargas que chegam aos portos chineses a partir de 1º de janeiro, mesmo que tenham sido embarcadas no Brasil no ano anterior.
Dados divulgados pelo Ministério do Comércio da China indicavam 372,08 mil toneladas já internalizadas nos dois primeiros meses do ano. Somando o volume embarcado em março apurado no Brasil, chega-se a uma estimativa de 474,08 mil toneladas no trimestre, o equivalente a 42,86% da cota. Restariam 631,92 mil toneladas ainda livres da tarifa adicional, número sujeito a revisão conforme novos dados chineses.
Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição entre os compradores. As vendas de carne in natura cresceram 60,96% em valor, para US$ 588,98 milhões, e 28,51% em volume, para 98,17 mil toneladas. O preço médio atingiu US$ 6 mil por tonelada, alta de 25,25%. O país enfrenta déficit interno estimado em 2,5 milhões de toneladas em 2026, segundo o USDA, e respondeu por 14% do volume e 14,8% da receita brasileira.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A União Europeia ocupa a terceira posição. No trimestre, as vendas de carne in natura ao bloco somaram US$ 187,96 milhões (+29,48%) e 21,713 mil toneladas (+21,16%), com preço médio de US$ 8.656 por tonelada (+6,86%). Considerando industrializados e subprodutos, o total exportado ao bloco atingiu US$ 251,57 milhões (+49,84%).
Entre outros mercados relevantes, o Chile ampliou as compras em 27,6% em volume e 36,9% em valor, chegando a 38.764 toneladas e US$ 224,1 milhões. A Rússia elevou aquisições em 73,4% em volume e 91,1% em valor. O México fechou o grupo dos seis maiores destinos, com 18.374 toneladas (+37,5%) e US$ 105,3 milhões (+55,6%).
Ao todo, 106 países ampliaram as importações de carne bovina brasileira no primeiro trimestre, enquanto 49 reduziram as compras. O desempenho parte de uma base elevada de comparação, após sucessivos recordes mensais em 2025, o que ajuda a explicar a desaceleração do ritmo físico observada em março, compensada pela valorização dos preços.

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Exposição Nacional revela campeões Angus e Ultrablack com forte padrão racial
Julgamento reuniu criatórios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, destacando animais pela consistência genética, fertilidade e biotipo funcional.

A primeira Exposição Nacional das raças Angus e Ultrablack realizada em Vacaria, nos Campos de Cima da Serra (RS), definiu um conjunto de campeões que, além dos títulos na pista, asseguraram passaporte para o leilão do Secretariado Mundial Angus no Brasil em 2027. O julgamento ocorreu na última sexta-feira (17), com avaliação do jurado argentino Mauricio Groppo.
Entre os destaques, cabanhas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina concentraram os grandes campeonatos nas duas raças, com vitórias de Bortolozzo, Floripana, Conquista, Basso Pancotte e Rincon del Sarandy.

Terneiros Angus
Nas fêmeas Angus, a Grande Campeã Terneira foi a intermediária do Box 19 (TAT: IA79), da Cabanha Bortolozzo, de Antônio Prado (RS). “Vencer em casa com uma terneira de genética própria reforça a consistência do nosso trabalho. Ela é filha de uma irmã inteira dos touros que ganharam a Expointer no ano passado. Se destaca pela feminilidade aliada à potência, dentro do biotipo buscado pelo jurado: uma fêmea larga, comprida e feminina”, enfatiza Vinícius Bortolozzo.
Já na categoria Reservada Grande Campeã Terneira foi a do Box 4 (TAT: FIVG83), da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade (RS). Já a Terceira Melhor Terneira saiu do Box 28 (TAT: 2531), da Genética AGP, de Campos Novos (SC).
A Grande Campeã Fêmea Angus foi a vaca adulta do Box 53 (TAT: FIV637), da Cabanha Floripana, de Urubici (SC). O mesmo animal já havia conquistado o título máximo na Nacional de 2025, em Chapecó (SC). “É a primeira vez que conquistamos o título de bi-grande campeã nacional com a mesma vaca, o que comprova a consistência do animal ao longo do tempo. Ela reúne equilíbrio, feminilidade e potência. Trinta dias após parir, já estava prenhe novamente, evidenciando a fertilidade”, ressalta o criador Oreste Melo Júnior.
E na classe Reservada Grande Campeã foi a vaca adulta do Box 55 (TAT: TE3626), da Reconquista Agropecuária, de Alegrete (RS). A Terceira Melhor Fêmea foi a do Box 49 (TAT: 2404), da Genética AGP.
Na Ultrablack, o Grande Campeonato de Fêmeas foi vencido pela vaca jovem do Box 7 (TAT: 355), da Fazenda da Conquista, de São Joaquim (SC). A Reservada ficou com a novilha maior do Box 6 (TAT: 455), do mesmo criatório. A Terceira Melhor Fêmea foi a terneira menor do Box 1 (TAT: UT206), da Fazenda Renascença, de Vargem (SC).
Nos machos Ultrablack, a Fazenda da Conquista também levou o Grande Campeonato com o touro jovem do Box 12 (TAT: 364). “Os quatro animais que trouxemos foram premiados, o que confirma o critério adotado no criatório. Em apenas 11 anos selecionando Angus e Ultrablack, mostramos que é possível competir em alto nível”, menciona o pecuarista Marcos Pagani.
Já na categoria Reservado ficou campeão o touro do Box 11 (TAT: UT169), da Fazenda Renascença, e o Terceiro Melhor Macho foi o do Box 10 (TAT: 450), novamente da Conquista.
Entre os terneiros Angus, o Grande Campeão foi o do Box 58 (TAT: FIVG73), da Fazenda Basso Pancotte. “Essa vitória representa inovação. É um terneiro com um pai inédito na raça no Brasil. É a prova do que ele vinha imprimindo no Uruguai e na Argentina. Aqui, este touro se confirmou com este terneiro, com pureza racial, masculinidade e uma precocidade impressionantes”, frisou o criador Pedro Gomes.
O Reservado saiu do Box 56 (TAT: FIVG87), do mesmo criatório, e o Terceiro Melhor foi o do Box 777 (TAT: 4028), da Reconquista Agropecuária.
O Grande Campeão Angus foi o touro jovem do Box 92 (TAT: TE4173), da parceria Rincon del Sarandy, de Uruguaiana (RS). “Este touro grande campeão é resultado de uma parceria entre criadores. Competimos na pista, mas fora dela mantemos uma relação de cooperação”, salientou o criador José Paulo Dornelles Cairoli.
O Reservado foi o touro do Box 93 (TAT: TE3844), e o Terceiro Melhor Macho foi o do Box 83 (TAT: NORTON036), da Cabanha Vila Fertilitá, de Blumenau (SC).
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Leite mais caro no campo eleva preços nas prateleiras
Menor oferta impulsiona derivados e acende alerta para queda no consumo.

Os preços do leite voltaram a subir no Brasil e já impactam o bolso do consumidor. Dados do Cepea, da Esalq/USP, mostram que o valor pago ao produtor avançou 5,43% em fevereiro, alcançando média de R$ 2,1464 por litro. Foi a segunda alta consecutiva.
A elevação está ligada, principalmente, à menor oferta no campo. O período do ano, com pastagens prejudicadas, tem limitado a produção e elevado os custos com alimentação do rebanho. Além disso, produtores têm adotado postura mais cautelosa após as quedas de preços registradas em 2025, reduzindo investimentos na atividade.
Os custos de produção também seguem em alta. Em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46%, com destaque para o aumento do diesel, que encarece as operações nas propriedades.
No mercado, o reflexo foi imediato. Com menos leite disponível, os preços dos derivados dispararam no atacado. O leite UHT registrou alta de 18,27% em março, com média de R$ 4,16 por litro, chegando a R$ 4,94 na primeira quinzena de abril. O queijo muçarela subiu 6,11%, atingindo R$ 30,73 por quilo, e já alcança R$ 34,33 em abril. O leite em pó também apresentou avanço, com valorização de 4,17% e média de R$ 30,01 por quilo.
A alta acelerada preocupa agentes do setor, que temem redução no consumo nos próximos meses diante dos preços mais elevados.

Foto: Isabele Kleim
Para compensar a menor oferta interna, o Brasil ampliou as importações de lácteos. Em março, as compras externas cresceram 33,3%, somando mais de 242 milhões de litros em equivalente leite. O leite em pó concentrou a maior parte desse volume, com participação de 80,8%. Como as exportações avançaram em ritmo menor, de 11,2%, o país registrou déficit de US$ 95,25 milhões na balança comercial do setor.
Por outro lado, há sinal de alívio nos custos de alimentação animal. O preço do milho recuou 4,1% na primeira quinzena de abril, influenciado pelo avanço da colheita e menor demanda. O farelo de soja também caiu 2,2% no período, diante da expectativa de safra recorde, estimada em 179,15 milhões de toneladas.
Com isso, o poder de compra do pecuarista melhorou. Atualmente, são necessários cerca de 31,82 litros de leite para adquirir uma saca de milho, indicador superior ao observado no início do ano.
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Cosalfa define diretrizes para vigilância contra aftosa em áreas livres sem vacinação e prepara plano contra emergências sanitárias
Reunião na Guiana reforça uso de análise de risco, protocolos de resposta rápida e metas do programa hemisférico de erradicação até 2030.

A 52ª reunião da Comissão Sul-americana de Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), realizada na Guiana, encerrou nesta quinta-feira (23) com a consolidação de diretrizes técnicas voltadas à sustentação de zonas livres sem vacinação, ao fortalecimento de protocolos de resposta a emergências sanitárias e à incorporação sistemática de estudos de análise de risco nos serviços veterinários oficiais.
Promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde no âmbito do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa, o encontro reuniu representantes de países sul-americanos e do Caribe para avaliar a situação epidemiológica regional e alinhar procedimentos diante de diferentes estágios sanitários no continente.

Entre os pontos centrais, os países destacaram a necessidade de reforçar a vigilância passiva, a rastreabilidade animal e a padronização de fluxos de notificação e investigação de suspeitas clínicas, especialmente em territórios que deixaram de vacinar e dependem exclusivamente da capacidade de detecção precoce para manter o reconhecimento internacional de área livre.
Também foi apresentado o Plano de Ação 2026/2030 do programa hemisférico, que prioriza preparação para emergências, harmonização de protocolos técnicos e capacitação contínua dos serviços veterinários. Países do Caribe relataram desafios estruturais para prevenção e resposta rápida, o que motivou discussões sobre cooperação técnica regional.
O Rio Grande do Sul participou das discussões por meio dos fiscais estaduais agropecuários Brunele Weber Chaves e Marcos Rogério Sauter Groff, do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura. A participação foi custeada pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal.
Para os serviços veterinários estaduais, as definições da Cosalfa orientam ajustes operacionais na vigilância de campo, nos protocolos de investigação e na preparação para eventual reintrodução do vírus, tema tratado como prioridade diante da circulação internacional de animais e produtos de origem animal.



