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Preço firme do milho, apesar de safra recorde, testa setor de carnes do Brasil

Na comparação com as mínimas do ano, no início de maio, os preços do milho no Brasil subiram mais de 13%

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Arquivo/OP Rural

A indústria de aves e suínos do Brasil, que vem obtendo notáveis resultados com a disparada das exportações de carnes, principalmente para a China, terá testada em 2019 sua capacidade de lidar com uma alta inesperada dos preços de sua principal matéria-prima, o milho.

Chuvas excessivas nos Estados Unidos, os maiores produtores e exportadores globais, geraram um atraso recorde no plantio e quebra de safra, impulsionando na quinta-feira (13) os preços na bolsa de Chicago para máximas de cerca de quatro anos, o que tem se refletido no mercado brasileiro, apesar de o Brasil estar no caminho de uma produção histórica do cereal. “A alta do preço do milho (desde maio) pegou todo mundo de calça curta”, disse o pesquisador da área de proteína animal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Thiago Bernardino de Carvalho.

Na comparação com as mínimas do ano, no início de maio, os preços do milho no Brasil subiram mais de 13%, para cerca de R$ 37 por saca de 60 kg, segundo indicador do Cepea, da USP. Enquanto em Chicago os valores subiram cerca de 25% no mesmo período, ganhando impulso adicional após o governo dos EUA reduzir nesta semana a estimativa de safra em quase 10%

O fato de a indústria do Brasil, maior exportador global de carne de frango, ter sido pega no contrapé não é inédito. Mas vai mostrar se dessa vez as companhias estavam protegidas, com hedge, compras antecipadas ou estoques comprados a preços mais baixos, antes da disparada dos valores.

O ano de 2016 pode ter deixado lições, quando uma seca quebrou fortemente a safra do Brasil. Na época, a gigante BRF, maior exportadora global de carne de frango, sofreu sérios problemas com custos maiores do milho, registrando prejuízo de R$ 372 milhões, resultados líquidos negativos que se ampliaram em 2017 e 2018.

Diante da surpreendente alta dos preços do milho no Brasil —apesar de uma safra recorde, que superaria 100 milhões de toneladas pela primeira vez—, a BRF indicou que está preparada. “A BRF possui um percentual de volume já comprado mês a mês para os próximos 12 meses correntes. Essa dinâmica decorre de um mapeamento prévio em que a companhia consegue identificar o melhor formato de compra frente aos fundamentos de preço, câmbio e oferta/demanda do mercado”, disse a companhia em nota à Reuters. “Com isso, a companhia reduz a exposição à volatilidade do mercado de commodities e estabelece uma estratégia coerente para formar seus estoques”, acrescentou.

Procurada, a JBS, dona da Seara, outra gigante do setor de carnes de aves e suínos no Brasil, preferiu não comentar o assunto.

Em evento recente com jornalistas, o analista de Alimentos e Bebidas da Itaú BBA Corretora, Antônio Barreto, comentou que, pelas conversas relacionadas a grandes empresas, “não parece que elas têm posição muito grande de milho”.

Carvalho, do Cepea, explicou que, como havia sinalização de que a safra brasileira seria grande, as indústrias locais aguardavam julho e agosto para realizar as compras, quando tradicionalmente os preços estão mais pressionados, pela maior oferta com o fim da colheita. “A indústria aprendeu a se proteger, mas com o desenho da safrinha (segunda safra), realmente ela não estava muito coberta de contratos…”, disse.

Na B3, o número de contratos em aberto de milho para o vencimento setembro era de pouco mais de 16 mil na quinta-feira, ante quase 24 mil no mesmo período do ano passado, um indicativo de menos agentes protegidos nos mercados futuros. Vale lembrar que, em 2018, o clima não favoreceu a safra de milho, e muitos agentes podem ter antecipado operações de hedge.

“Os mercados sinalizavam mais queda nos preços (este ano), e aí mudou com Chicago e o câmbio”, ressaltou o especialista. Com o dólar sendo negociado a mais de R$ 4 em maio, ficou muito favorável para o Brasil exportar, e o mercado local passou a operar seguindo a paridade de exportação, colocando mais pressão nas indústrias de carnes.

Fator China

O cenário de preços sustentados ocorre em momento em que as indústrias de carnes também deveriam estar mais ativas no mercado de milho, considerando a forte demanda da China, que tem importado mais proteínas para lidar com uma menor oferta por conta do impacto da peste suína africana em seus rebanhos.

Por outro lado, o setor de carnes de aves e de suínos, principais consumidores do milho produzido no Brasil, tem registrado grandes exportações com a demanda adicional da China e o câmbio também favorável para exportações.

“O setor vinha em um momento bastante favorável em termo de custos de produção, com melhores níveis de rentabilidade até o ‘portão’ da fábrica… A elevação do milho retirou uma pequena parte deste quadro favorável que, entretanto, foi compensado pela forte elevação nos níveis de exportação e a alta do dólar”, disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, ao responder perguntas da Reuters.

A ABPA, entidade que tem entre os associados empresas como BRF e Seara, da JBS, destacou que em carne suína, por exemplo, as exportações de maio cresceram 54,6% em receita cambial, enquanto a alta no faturamento em real atingiu 70%.

Segundo dados do governo, os preços da carne suína exportada pelo Brasil estão 17,5% maiores no início de junho, na comparação com 2018, enquanto as cotações da carne de frango exportada subiram 10%. Isso após a China ter elevado embarques dessas carnes do país em cerca de 50% em maio.

“Obviamente que elevações de custos preocupam, mas o quadro atual está longe do cenário crítico vivido pelo setor produtivo em outros momentos…”, comentou Turra, ressaltando que, ainda que o Brasil exporte volumes recordes de milho, os estoques do cereal no país estarão entre os maiores da história.

Dessa forma, destacou o presidente da ABPA, o preço do milho, que representa mais de 60% do custo da ração, principal insumo da indústria de carne de frango e de porcos, talvez “tenha chegado ao nível mais elevado para o quadro atual”.

Turra disse ainda que, em momento de maiores custos, “é natural” que ocorram repasses de preços aos produtos do setor.

Fonte: Reuters
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Notícias Vendas interestaduais

Pedido de redução no ICMS para vendas de suínos vivos é levado ao governador durante ato de sanção

Reconhecimento tem como base pesquisa do IBGE sobre a produção agrícola no Rio Grande do Sul

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O governador do RS, Eduardo Leite, sancionou no dia 8 de julho o Projeto de Lei que reconhece o município de Santo Cristo como campeão gaúcho de produção de leite e suínos do ano de 2019, de autoria do deputado estadual Aloísio Classmann.

O reconhecimento tem como base pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção agrícola no Rio Grande do Sul. “Me sinto honrado em reconhecer a dedicação e o trabalho da comunidade santo-cristense, que contribui para o avanço da economia no Estado”, disse Classmann, que preside a Frente Parlamentar de Apoio à Suinocultura Gaúcha e a Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa do Setor Leiteiro.

Conselheiro fiscal suplente da Associação de Criadores de Suínos do RS – ACSURS e proprietário da Suinocultura Birck, o suinocultor Marino Birck representou os suinocultores do município agraciado durante o ato de sanção do Projeto de Lei. “Foi muito gratificante representar os suinocultores de Santo Cristo”, comenta Birck, mencionando que cerca de 20 pessoas integraram a comitiva, incluindo produtores de leite, lideranças e representantes dos setores produtivos do município.

Birck aproveitou o momento para falar ao governador Eduardo Leite sobre as dificuldades enfrentadas na atividade, em especial pelos suinocultores independentes. O pedido feito pelo suinocultor foi em relação à base de cálculo do ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação nas saídas interestaduais de suínos vivos, que subiu no início deste ano. “Já estava difícil antes desse aumento na alíquota. Por isso, fiz esse pedido ao governador”, explica.

Demanda

O percentual de 6% estava sendo utilizado desde o dia 1º de janeiro de 2017, quando foi aprovada a Lei nº 14.999, que instituiu a redução de 50% na base de cálculo do ICMS nas saídas interestaduais de suínos vivos realizadas por produtor rural. Esta Lei foi derrubada no dia 31 de dezembro de 2020 pelo Decreto 54.738, que modificou o regulamento de ICMS sobre benefícios fiscais, retornando ao percentual anterior, de 12%.

A redução de 12% para 6% na base de cálculo é uma das demandas da ACSURS, que há anos trabalha para auxiliar os suinocultores na manutenção desta alíquota de menor percentual.

O aumento no ICMS inviabiliza a comercialização destes suínos, que precisam ser vendidos para outros Estados porque as plantas gaúchas não tem condições de absorver essa produção. “Manter o ICMS em 6% oferece condições necessárias para que o suinocultor gaúcho possa escoar sua produção”, frisa o presidente da ACSURS, Valdecir Luis Folador.

Números

De acordo com a Seção de Epidemiologia e Estatística – SEE/Divisão de Controle e Informações Sanitárias – DCIS/Departamento de Defesa Agropecuária – DDA, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural – SEAPDR, Santo Cristo aparece com 134.373 cabeças em seu rebanho de suínos, conforme dados de 2019.

O município tem 15 unidades de produção de leitões (UPL) e 34 granjas de terminação ou engorda. O setor também não para de crescer, pois conta com granjas que estão em fase de conclusão e ampliação de suas instalações.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mercado

Preço do leite captado em junho é recorde da série histórica do Cepea

Elevação dos preços não reflete aumento de rentabilidade – mas, sim, pressão de custos

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Arquivo/OP Rural

O preço do leite captado em junho e pago ao produtor em julho chegou a R$ 2,3108/litro na Média Brasil” líquida, recorde real (dados deflacionados pelo IPCA de jun/21) da série histórica do Cepea, que se iniciou em 2005. As altas foram de 5% na comparação com o mês anterior e de 21,8% frente ao mesmo período do ano passado, também em termos reais.

O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea registrou alta de 2,12% de maio para junho, puxado pela elevação média de 5,5% na captação dos estados do Sul do País. No entanto, o aumento dos custos de produção e o período de estiagem limitaram a oferta e intensificaram a concorrência entre as indústrias de laticínios para garantir a compra de matéria-prima durante o mês de junho – ocasionando a alta nos preços.

Dessa forma, a elevação dos preços não reflete aumento de rentabilidade – mas, sim, pressão de custos. Para se ter uma ideia, basta comparar o poder de compra do pecuarista leiteiro frente ao milho, insumo básico da atividade. Na média de janeiro a julho de 2021, foram precisos 44,67 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho (base Campinas -SP), enquanto na média do mesmo período do ano passado, eram necessários 35,20 litros – o que representou uma perda no poder de compra de 26,9% em apenas um ano.

Com estoques de derivados enxutos, as indústrias acirraram a competição pela compra de matéria-prima em junho. Nesse mês, as negociações de leite spot estiveram aquecidas, e o preço médio em Minas Gerais, por exemplo, chegou a R$ 2,78/litro, valor 17% acima da média de maio. Com o leite mais caro no campo, a indústria precisou elevar os preços dos derivados lácteos e repassar a alta da matéria-prima ao consumidor. O queijo muçarela, o leite UHT e o leite em pó negociados entre indústria e atacado de São Paulo se valorizaram 16,1%, 8,6% e 2,6%, respectivamente, em relação a maio/21 – o que sustentou a valorização do leite captado em junho e pago ao produtor em julho.

Perspectiva

O movimento altista no mercado de derivados lácteos perdeu força em julho, uma vez que os preços dos lácteos estão em patamares muito elevados, o que começa a inviabilizar a demanda, já fragilizada pelo menor poder de compra do consumidor brasileiro. De acordo com pesquisa diária do Cepea, realizada com apoio da OCB, os preços médios da muçarela, do UHT e do leite em pó recuaram 2,8%, 1,5% e 0,8%, nessa ordem, entre junho e julho (considerando dados até 28/07). Junto a isso, os maiores volumes de lácteos importados nos últimos meses diminuíram a forte competição entre indústrias pela compra de leite no mercado spot (leite negociado entre indústrias) em julho. A pesquisa do Cepea mostrou que, em Minas Geais, o leite spot registrou média de R$ 2,52/litro em julho, queda de 9,4% frente a junho. Esses resultados evidenciam que, mesmo com custos de produção ainda em alta e clima desfavorável à atividade, o preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto pode não superar o do mês anterior.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de junho/2021)

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Fonte: Cepea
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Notícias Clima

Geada não deve implicar em perdas no cenário agrícola gaúcho

Perdas devem ser pontuais no trigo, cevada e aveia, e pouco maiores na canola

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A forte geada da madrugada de quinta-feira (29) e dos últimos dias não deve implicar em perdas significativas no cenário agrícola gaúcho. Segundo o extensionista da Emater/RS-Ascar, Elder Dal Prá, as perdas devem ser pontuais no trigo, cevada e aveia, e pouco maiores na canola. “No entando, nossa área implantada no Estado é pequena, pouco mais de 40 mil hectares, mas somente semana que vem para se ter uma ideia se deu perda ou não. E na fruticultura mais uns 15 dias, mas como as plantas estão resistentes nesse período, é possível que nem tenha registro. Nos próximos dias deveremos ter relatos mais ajustados”.

De acordo com Informtivo Conjuntural produzido e divulgado na quinta pela Gerência de Planejamento da Instituição, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), para o campo nativo e para as pastagens de verão, a sequência de geadas e de baixas temperaturas vem ocasionando a queima mais intensa das plantas, reduzindo ainda mais a oferta de forragem para os rebanhos, que já era considerada insuficiente. “Pode haver redução na pastagem pela paralisação do crescimento e desenvolvimento das plantas e, como consequência, diminuição da oferta de forragem”, explica Dal Prá.

No sistema de criação de gado de corte, baseado apenas no campo nativo, o quadro de perda de estado corporal dos animais se acentuou devido à sequência de geadas e ao insuficiente forrageiro disponível. Assim como o gado, os ovinos mantidos em pastagens cultivadas de inverno apresentam bom estado corporal, mas os rebanhos mantidos em campo nativo sofrem com a estagnação no crescimento das plantas queimadas pela geada e com altura reduzida, dificultando o pastejo até mesmo para os ovinos.

Trigo

A semeadura do trigo está tecnicamente encerrada no Estado, sendo 98% em germinação e desenvolvimento vegetativo e 2% em floração. Para o plantio da safra 2021, produtores obedeceram aos períodos recomendados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, definidos pelo Ministério da Agricultura, em conformidade com as épocas adequadas para cada grupo de cultivar.

Apicultura

As temperaturas mais altas e o maior período de insolação propiciaram a maior movimentação das abelhas em busca das escassas floradas do momento, principalmente nabo forrageiro, eucalipto, canola, astrapeia e algumas poucas espécies nativas.

Mesmo com as condições do tempo mais favoráveis, os produtores seguem sendo orientados a realizar a suplementação das colmeias. O período é propício para manutenção das áreas de apicultura e construção de novas caixas. Aumentou a procura de projetos de custeio e investimento apícola, elaborados pelos Escritórios municipais da Emater/RS-Ascar.

Piscicultura

Mesmo com a redução das chuvas, o nível dos reservatórios é satisfatório. Os produtores relataram novos casos de mortandade de peixes devido às baixas temperaturas, principalmente de tilápias, muito sensíveis ao frio.

A diminuição da temperatura da água também influencia diretamente na redução do metabolismo dos peixes, resultando na menor necessidade de suplementação alimentar. Em geral, os produtores seguem realizando a encomenda de alevinos a fim de repovoar os açudes para um novo ciclo de produção a partir de setembro, quando as temperaturas aumentarem.

Prognóstico climático trimestral

O próximo trimestre ainda permanecerá sem influência de eventos climáticos globais, o que manterá o restante do Inverno e o começo da primavera de 2021 com padrões próximos da média no RS. Nos próximos meses há previsão de retorno do fenômeno La Niña, o que poderá provocar a redução da chuva no último trimestre de 2021.

Para os meses de agosto e setembro, as precipitações deverão se manter próximas da média na maioria das regiões, somente algumas áreas da Campanha poderão ter valores ligeiramente superiores a normal em agosto. Em outubro, a previsão indica a redução da chuva e são esperados volumes abaixo da média em grande parte do RS, com maior diminuição da precipitação na Metade Leste. O prognóstico das temperaturas mínimas e máximas indicam valores abaixo da normalidade em todo Estado, com elevação natural das máximas entre setembro e outubro.

Fonte: Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar
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