Suínos Suinocultura
Preço do suíno no mercado doméstico e volumes exportados se aproximam de recordes históricos
Mercado doméstico aquecido e exportações de vento em popa mantém o preço do suíno em alta

Embora a última semana de julho tenha apresentado volumes relativamente baixos de exportação (13,6 mil toneladas), quando comparada com outras semanas deste ano, o mês encerrou com um volume muito próximo do recorde mensal que até então havia sido atingido no mês de maio, quando foram exportadas 90,7 mil toneladas de carne suína in natura (MDIC). Já em agosto no acumulado das três primeiras semanas, foram embarcadas 62.742 toneladas, ou seja, pouco mais de 4 mil toneladas por dia útil. Com mais seis dias úteis, mantidas as médias diárias, o esperado é que o mês feche um pouco abaixo de 90 mil toneladas, mantendo a média dos meses anteriores.

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura de janeiro a julho de 2020 e dados mensais de 2019 (em toneladas). Fonte MDIC
O aumento das exportações para o Vietnã, chama a atenção (tabela 2), especialmente no mês de julho quando foram embarcadas quase 7 mil toneladas de carne suína brasileira para este destino. Com cerca de 100 milhões de habitantes, o Vietnã é um importante produtor e consumidor de carne suína e, em função da entrada da Peste Suína Africana no ano passado, importou ao redor de 67 mil toneladas de carne de suína. Para este ano a estimativa é de mais de 100 mil toneladas importadas e, com a recente habilitação de novas plantas, o Brasil é um importante fornecedor para este destino. Porém, nossa dependência das exportações para China e Hong Kong está cada vez maior (tabela 2), fechando estes primeiros 7 meses do ano em quase 70% de todo o embarque, sendo que a China aumentou em quase 140% sua compra em relação ao mesmo período de 2019 (tabela 1).

Tabela 2. Relação dos seis principais destinos das exportações de carne suína brasileira in natura de janeiro a julho de 2020 e a comparação como mesmo período de 2019. A dependência maior de China e Hong Kong não se limita ao aumento do volume exportado para estes destinos, mas também a redução de quase 14% (em torno de 26 mil toneladas) que foram embarcadas a menos para todos os demais países na comparação com o mesmo período do ano passado. Fonte MDIC.
Além das exportações, as altas nas cotações do suíno vivo foram amplificadas (gráfico 1) pela baixa oferta de animais em peso ideal para abate e a reabertura parcial do comércio em importantes regiões consumidoras. Segundo o CEPEA, os valores médios do suíno atingiram patamares recordes reais da série do Cepea, iniciada em 2002. Em julho, no Oeste Catarinense, a elevação no mês foi de 22,7%; no Sudoeste Paranaense, a valorização mensal foi de 24,5%; em Ponte Nova (MG), a valorização mensal do suíno vivo foi de 20,7%. Ainda, segundo o CEPEA, no atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína teve valorização de 19,3% de junho para julho, atingindo R$ 8,54/kg no último mês. Para a carcaça comum, a alta no preço foi de 18,6% no mesmo período, cotada a R$ 8,18/kg.
Recorde real (corrigido pelo IGP-DI) de preço pago pelo kg do suíno vivo até então registrado pelo CEPEA foi de R$ 7,78 em dezembro de 2004, na região de Ponte Nova (MG). Recentemente, no dia 13/08/2020, a Bolsa de BH (BSEMG) estabeleceu recorde histórico, fechando acordo em R$ 7,80.

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo (R$/kg vivo), em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 12 meses (até 14/08/2020). Fonte: CEPEA.
Já o “descolamento” do preço de Minas Gerais observado em relação aos outros estados, iniciado na segunda quinzena de abril, atingiu seu ápice no mês de junho e continua em queda, voltando a patamares abaixo de 3% e mostrando que o restante do Brasil também ganha velocidade na recuperação dos valores pagos aos produtores (gráfico 2).

Gráfico 2. Preço pago pelo do suíno vivo (R$/kg) em Minas Gerais e São Paulo desde final de abril de 2020 e diferença percentual entre os dois estados. A linha preta mostra como o “descolamento” se manteve alto (ultrapassando 10%) em favor de MG durante os meses de maio e junho, porém, desde o início de julho vem se reaproximando do preço de São Paulo, com nítida reversão de tendência. Fonte: CEPEA.
Este crescimento vertiginoso de preços do suíno no mercado independente de todo Brasil gera o natural questionamento: será que a carne suína está muito cara para o consumidor? A resposta a esta pergunta não pode se basear somente nos números absolutos ou percentuais de aumento de preço, provocados na evidente escassez de suínos disponíveis para abastecer o mercado doméstico. Também é preciso acompanhar a evolução dos preços do boi gordo, pois a alta da carne bovina dá mais espaço para a competitividade da carne suína no varejo. Segundo o CEPEA, a parcial de agosto (até o dia 12), o Indicador CEPEA/B3 (São Paulo, à vista) registrou média de R$ 226,97 por @ de boi gordo (gráfico 3), o maior valor, em termos reais, considerando-se toda a série do Cepea, iniciada em 1994 (valores deflacionados pelo IGP-DI).
Segundo o Cepea, além da baixa oferta de animais prontos para abate, a aquecida demanda internacional, segue sustentando as cotações domésticas. O total exportado de carne bovina no acumulado deste ano (até julho) é de 16,4% a mais que o mesmo período do ano passado (MDIC). A China se destaca com o maior crescimento, com 451,8 mil toneladas exportadas entre janeiro e julho de 2020, contra 175 mil toneladas no mesmo período do ano passado (crescimento de 158,2%).

Gráfico 3. Evolução do preço da @ do boi gordo, no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos (até 14/08/2020). Fonte: CEPEA.
Dados de abate do primeiro trimestre de 2020 demonstram a força da suinocultura brasileira
Os dados preliminares de abate de animais no segundo trimestre de 2020 publicados pelo IBGE no último dia 12, demonstram uma tendência que já vem se constatando há alguns anos. A produção de carne suína vem crescendo de forma contínua e consistente, em relação às carnes de frango e bovina (tabela 3).

Dados preliminares de abate fiscalizado (SIF, SIE, SISBI e SIM) do primeiro semestre no Brasil das três principais proteínas e comparativo com produção do primeiro e segundo semestres de 2019. A projeção para o ano de 2020 é baseada na repetição dos números do primeiro semestre no segundo. Dados do IBGE.
A produção de suínos no primeiro semestre de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado teve crescimento tanto no número de animais abatidos (+5,46%), quanto no peso médio (+2,24%) o que determinou um crescimento no volume total produzido na ordem de 7,82%. Mantidas as médias do primeiro semestre até o final de 2020 teremos um incremento em relação ao ano passado ao redor de 5%, consolidando a carne suína como a proteína que mais cresce no país, o que também pode ser demonstrado nos números dos últimos anos na tabela 4, a seguir, quando a produção de carne suína subiu mais de 20% de 2015 a 2019.

Dados consolidados de abate fiscalizado (SIF, SIE, SISBI e SIM) de 2015 a 2019, mostrando crescimento significativo, contínuo e consistente da produção de suínos, percentualmente muito maior que das demais proteínas. Dados do IBGE.
Extrapolando estes números de produção, ainda preliminares do IBGE, e subtraindo os dados de exportação, é possível estimar a quantas anda o consumo interno per capita (gráfico 4). E, apesar da crise econômica e sanitária causada pela Covid-19, e da maior exportação que pressiona os preços de mercado interno para cima, o consumo do brasileiro continua relativamente alto, sendo que no primeiro semestre de 2020, estima-se um aumento no consumo per capita ano de mais de 380g (2,36%) em relação ao mesmo período do ano passado, considerando a mesma população.

Gráfico 4. Evolução trimestral da produção, exportação (ton) e consumo per capita doméstico (kg) de carne suína, de 2019 a 2020. Sobre dados do IBGE e MDIC. Considerada população fixa de 211 milhões de habitantes.
Produção nacional recorde de milho e risco de desabastecimento de farelo de soja
Com a supervalorização da soja e do milho, o custo de produção tem se mantido em alta, mas em função da recuperação significativa do preço do suíno nos últimos meses, a relação de troca entre o valor do suíno e os principais insumos (milho e farelo de soja), voltou a subir (gráfico 5), o que determina margem de lucro na atividade. A grande preocupação é a tendência de alta dos insumos até a entrada da safra verão 2020/21 e, principalmente o risco de desabastecimento, em especial, do farelo de soja.
Gráfico 5. Relação de troca (kg suíno/kg de milho e kg suíno/kg do farelo de soja) de julho/19 a julho/20, mostrando reação positiva nos últimos dois meses. Fonte: CEPEA
Milho
A CONAB divulgou o 11º levantamento da safra 2019/20, projetando a segunda safra de milho, já na reta final da colheita, para um total de 74,92 milhões de toneladas, um aumento de 1,4 milhões de ton. em relação ao levantamento anterior. Se concretizado este número, a safra total de milho (2019/20) chegará no valor recorde de 102,1 milhões de toneladas.As exportações acumuladas de janeiro a julho ainda estão 51% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Ainda segundo a CONAB, para atingir a estimativa de 34,5 milhões de toneladas a serem exportadas para este ano-safra, o Brasil deve embarcar uma média mensal de 4,8 milhões de toneladas até janeiro de 2021. Neste ritmo, os estoques finais estão estimados em 10,3 milhões de toneladas. Porém, só na primeira semana de agosto foram embarcados 2,04 milhões de toneladas (MDIC). É preciso ficar atento aos volumes exportados nos próximos meses, mas, a princípio, não deve faltar milho. Agricultores, relativamente capitalizados, mostram-se bastante parcimoniosos na venda do grão, o que tem mantido o valor do milho em alta mesmo durante o auge da colheita da segunda safra (gráfico 6).

Gráfico 6. Evolução preço do milho (R$/saca de 60 kg), nos últimos 60 dias (até 12/08/2020). Fonte: CEPEA.
Soja
A soja continua batendo recordes sucessivos de preço no mercado doméstico (gráfico 7) e embarques. A estimativa das exportações brasileiras de soja em grãos continua muito aquecida devido aos fortes volumes de comercialização antecipada da safra 2019/20 e dólar elevado. As exportações acumuladas de janeiro a julho de 2020 se aproximaram de 71 milhões de toneladas (MDIC), enquanto, no mesmo período de 2019, esse valor era de 51,17 milhões de toneladas. Segundo a CONAB, a estimativa é que o Brasil exporte aproximadamente 82 milhões de toneladas de soja em grãos em 2020, e a demanda interna esperada (esmagamento e outros usos) é de 47,6 milhões de toneladas, totalizando 129,6 milhões de toneladas. Como o estoque de passagem de 2019 para 2020 foi muito baixo e a produção em 2020 foi de 121 milhões de toneladas haverá um déficit de soja de mais de 8 milhões de toneladas. Alguns analistas acreditam que, dependendo do câmbio e da demanda chinesa, as exportações da oleaginosa podem chegar próximo a 88 milhões de toneladas, o que agravaria o risco de desabastecimento do mercado interno. Mais recentemente, no dia 13 de agosto, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), determinou a redução temporária do percentual de mistura obrigatória do biodiesel ao óleo diesel dos atuais 12% para 10% no bimestre de setembro e outubro de 2020. Este é um fator que deve reduzir a demanda por esmagamento no país, diminuindo ainda mais a oferta de farelo de soja. O quadro indica alto risco de desabastecimento de soja e seus derivados e é um fator de real preocupação para o setor até a entrada da próxima safra, em janeiro de 2021.

Gráfico 7. Evolução do preço da soja no Paraná (R$/saca de 60 kg), nos últimos 6 meses (até 13/08/2020). Fonte: CEPEA.
Mensagem final aos suinocultores
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, os dados preliminares são motivo de orgulho para os suinocultores, “pois demonstram que a atividade pecuária é a que mais cresce nos últimos anos, mesmo diante de sucessivas crises.” Segundo ele, isto ratifica a resiliência e competência dos produtores e é também resultado de um trabalho de muitos anos da ABCS e suas filiadas junto ao varejo e o consumidor pois, embora o mercado de exportação tenha crescido significativamente no último ano, o mercado interno continua sendo o destino de mais de 80% da produção brasileira. “As boas margens financeiras registradas nas últimas semanas, determinam a retomada da agenda de modernização de nossas granjas, adequando-as às crescentes exigências do mercado consumidor. O foco na compra estratégica e antecipada de insumos é outro ponto que deve merecer cada vez mais atenção do setor daqui para frente, em um caminho sem volta”, conclui.

Suínos
Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil
Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.
Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.
O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.
SBSS
As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h: Coffee Break
16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-fera (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento
Suínos
Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef
Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra “Mercado e valorização da proteína“, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

Fotos: Shutterstock
Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.
Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.
A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.
Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.
Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.
O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.
Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.
Novo caminho para a carne suína
Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.
Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.
Comunicação como ferramenta
Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.
Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.
Notícias
Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%
Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste
A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi
O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.
A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.
Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.
Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.
Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa
O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.
Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.
O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.
Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.
Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.
A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.
Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.
A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.




