Suínos
Preço do suíno cai até 30% e produtor já trabalha no prejuízo
Abate cresce 5,5% no primeiro trimestre, exportações aumentam 15,3% e mercado interno absorve excesso de oferta. Em abril, atividade independente entrou no vermelho nos três estados do Sul.

Os dados preliminares do IBGE para o primeiro trimestre de 2026 mostram um cenário contraditório para a suinocultura brasileira. O número de animais abatidos cresceu 5,49% em relação ao mesmo período do ano passado, o equivalente a quase 800 mil cabeças a mais no mercado. Apesar disso, o peso médio das carcaças recuou quase 2,5 quilos e limitou o crescimento efetivo da produção de carne a 2,64%, o que corresponde a 35,2 mil toneladas adicionais. (Ver tabela 1)

Tabela 1 – Abate de suínos no primeiro trimestre de 2026 x 2025, em cabeças e toneladas de carcaças e peso médio das carcaças. Dados do primeiro trimestre de 2026 são preliminares (sujeitos a alteração) Elaborado por Iuri Machado, com dados do IBGE.
Ao mesmo tempo, as exportações de carne suína in natura avançaram 15,3% no trimestre, com embarque adicional de 44,5 mil toneladas na comparação anual. O desempenho externo praticamente absorveu todo o incremento da produção brasileira, mantendo a disponibilidade interna em patamar semelhante ao de 2025, com leve retração de 0,9% (ver tabela 2).
Mesmo assim, os preços pagos ao produtor despencaram no período, indicando que a pressão sobre o mercado pode estar mais relacionada ao enfraquecimento da demanda doméstica e ao aumento da oferta imediata de animais para abate do que propriamente a um excedente estrutural de carne no país

Tabela 2 – Produção, exportação (in natura) e disponibilidade interna de carne suína no primeiro trimestre de 2026 x 2025, em toneladas, e variação percentual de um ano para outro. Dados de produção do primeiro trimestre de 2026 são preliminares (sujeitos a alteração) Elaborado por Iuri Machado, com dados do IBGE e Secex.
Mesmo com as exportações absorvendo praticamente todo o crescimento da produção brasileira de carne suína no primeiro trimestre, os preços pagos ao produtor registraram forte queda no período. A principal explicação do lado da oferta está no aumento expressivo do número de animais enviados ao abate. Foram quase 800 mil suínos abatidos a mais nos três primeiros meses de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado. Apenas em março, o incremento foi de 462,6 mil cabeças, alta de 9,46% sobre março de 2025.

Foto: Shutterstock
O volume adicional de animais no mercado pressionou as cotações, mesmo com o crescimento das exportações. Ainda assim, agentes do setor avaliam que a retração dos preços não pode ser atribuída apenas ao aumento da oferta. O enfraquecimento da demanda doméstica também contribuiu para o cenário de desvalorização do suíno vivo.
Nos estados de São Paulo e Minas Gerais, a média dos preços pagos pelo suíno vivo no primeiro trimestre caiu 12,6% e 15,4%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025 (ver gráfico 1). Em abril, o movimento de baixa se intensificou. Segundo dados do Cepea, Minas Gerais fechou o mês com média de R$ 5,94 por quilo vivo, queda de 28,3% frente aos R$ 8,34 registrados um ano antes. Em São Paulo, a cotação média caiu de R$ 8,41 para R$ 5,89 por quilo, recuo de 30%. Em maio, até o dia 22, os preços seguiram em trajetória de baixa, com médias de R$ 5,72 em Minas Gerais e R$ 5,43 em São Paulo.
O movimento ocorre mesmo em um contexto de exportações aquecidas. Em abril, o Brasil embarcou 121,4 mil toneladas de carne suína in natura, volume 9,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Gráfico 1 – Média mensal do preço do suíno vivo para abate (R$/kg) em São Paulo e Minas Gerais nos primeiros três meses do ano de 2025 e 2026 e média de cada trimestre. Elaborado por Iuri Machado, com dados do Cepea.
Outro dado que chamou atenção nos números preliminares do IBGE foi a combinação entre forte aumento do abate e redução do peso médio das carcaças. No primeiro trimestre de 2026, o peso médio ficou em 89,6 quilos, abaixo da marca de 90 quilos pela primeira vez desde o início de 2021.
Para analistas do setor, o movimento indica uma antecipação na venda de animais pelas granjas, numa espécie de

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ajuste de estoques diante da deterioração dos preços. A leitura do mercado é que o crescimento do abate estaria mais relacionado ao escoamento acelerado de animais do que propriamente a uma expansão estrutural do plantel de matrizes ou a ganhos relevantes de produtividade. Os dados ainda são preliminares e podem sofrer pequenos ajustes na consolidação final do IBGE.
Enquanto a oferta interna de carne suína permaneceu praticamente estável no primeiro trimestre, a disponibilidade doméstica de carne bovina e de frango aumentou de forma significativa. Juntas, as duas proteínas ampliaram a oferta ao mercado brasileiro em mais de 180 mil toneladas na comparação anual, volume equivalente a um acréscimo projetado de cerca de 3,5 quilos por habitante ao ano.
O aumento da produção de proteínas concorrentes ocorreu mesmo em um cenário de exportações aquecidas para as երեք carnes. Com maior disponibilidade principalmente de carne de frango no mercado interno, o consumo doméstico ganhou alternativas mais competitivas, fator que também contribuiu para pressionar as cotações do suíno vivo ao longo do início de 2026.
Com relação de troca em queda produtor opera no vermelho
Mesmo com perspectiva de ampla oferta de milho no mercado brasileiro, a deterioração do preço do suíno levou os produtores independentes a operar no prejuízo em 2026. A relação de troca entre o valor recebido pelo animal e os principais insumos da ração segue em queda há oito meses consecutivos, pressionando as margens da atividade.

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No mais recente levantamento de safra, a Conab revisou para cima a produção de milho verão 2025/26, estimada agora em 28,46 milhões de toneladas, volume 14% superior ao da temporada passada e 2% acima da projeção divulgada em abril. Segundo o Cepea, os elevados estoques de passagem no início do ciclo já indicavam um cenário de abastecimento confortável para consumidores do cereal. (ver gráfico 2)
Para a segunda safra, a Conab reduziu a previsão em cerca de 700 mil toneladas diante das perdas esperadas principalmente em Goiás e Minas Gerais. Ainda assim, a estimativa total para a safra brasileira de milho 2025/26 permanece acima de 140 milhões de toneladas, considerando as três colheitas do período. Com isso, as cotações do cereal seguem relativamente estáveis, com leve tendência de queda.
O problema, segundo analistas do setor, é que a redução nos custos da alimentação animal não foi suficiente para compensar a forte desvalorização do suíno vivo. Mesmo com milho e farelo de soja mais acomodados, a perda de receita nas granjas deteriorou rapidamente a relação de troca e levou produtores independentes a operar no vermelho já em abril.

Gráfico 2 – Preço médio mensal do Milho (R$/SC 60kg) em Campinas (SP), nos últimos 12 meses, até dia 22/05/2026. Fonte: Cepea
Mesmo com a queda nas cotações do milho e do farelo de soja ao longo de 2026, a redução contínua do preço pago pelo suíno vivo deteriorou ainda mais a rentabilidade da atividade. A relação de troca entre o valor recebido pelo produtor e os custos da ração acumulou em maio o oitavo mês consecutivo de queda.
Na prática, o recuo dos insumos não foi suficiente para compensar a forte desvalorização do animal no mercado. Com menor poder de compra, o produtor passou a entregar mais quilos de suíno para adquirir a mesma quantidade de milho e farelo de soja, cenário que intensificou a pressão financeira sobre as granjas independentes. (ver gráfico 3)

Gráfico 3 – Relação de troca Suíno : Mix milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro de 2025 a 22 de maio de 2026. Relação de troca considerada ideal, acima de R$ 5. Composição do Mix: para cada quilograma de Mix, 740 gramas de milho e 260 gramas de farelo de soja. Média de maio de 2026. Elaborado por Iuri Machado, com dados do Cepea. Preços no estado de São Paulo.
Os dados de abril acenderam um sinal de alerta para a suinocultura independente. Pela primeira vez em muitos meses, o cruzamento entre os custos de produção calculados pela Embrapa e as cotações do suíno vivo levantadas pelo Cepea mostrou resultado negativo para a atividade nos três estados do Sul do país.
A combinação entre preços deprimidos do animal e deterioração da relação de troca levou produtores a operar no vermelho, mesmo em um cenário de custos relativamente mais estáveis para alimentação. O resultado evidencia o estreitamento das margens da atividade e reforça a pressão financeira enfrentada pelas granjas independentes em 2026. ( ver tabela 3).

Tabela 3 – Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a dezembro de 2025, janeiro a abril de 2026 e a média anual de 2024. Destaque para o mês de abril, com os três estados apresentando prejuízo na atividade. Elaborado por Iuri Machado, com dados da Embrapa (custos) e do Cepea (preço do suíno).
O cruzamento entre os dados preliminares de abate do IBGE e os volumes exportados no primeiro trimestre de 2026 indica que não houve excesso de oferta de carne suína no mercado brasileiro em relação ao mesmo período do ano

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “O produtor independente já opera no vermelho e aguarda uma reação nas cotações do suíno para voltar a trabalhar com margens positivas” – Foto: Divulgação/ABCS
passado. Em toneladas, o crescimento das exportações praticamente absorveu o aumento da produção, reforçando a avaliação de que a forte queda do preço pago ao produtor está mais associada ao enfraquecimento da demanda doméstica do que a um desequilíbrio estrutural de oferta.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, o cenário dos custos de alimentação ainda inspira cautela. Segundo ele, mesmo com as perdas previstas para a segunda safra de milho, o abastecimento nacional segue confortável, fator que tem mantido as cotações do cereal relativamente estáveis. A preocupação do setor está concentrada no desenvolvimento da safra dos Estados Unidos, que ainda enfrenta risco climático e pode pressionar os preços internacionais para cima. “O produtor independente já opera no vermelho e aguarda uma reação nas cotações do suíno para voltar a trabalhar com margens positivas”, afirmou Lopes.

Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais
Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.
O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.
Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.



