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Bovinos / Grãos / Máquinas

Preço do leite sobe 17,6% no trimestre com oferta restrita no campo

Captação recua mais de 11% no início de 2026, enquanto custos de produção e importações seguem pressionando o setor lácteo.

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Foto: Isabele Kleim

O mercado lácteo brasileiro iniciou 2026 com recuperação nos preços pagos ao produtor, impulsionada principalmente pela menor oferta de leite no campo. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) apontam que o valor médio pago ao produtor subiu pelo terceiro mês consecutivo em março, acumulando alta de 17,6% no primeiro trimestre do ano.

Foto: Fernando Dias

A chamada “Média Brasil” fechou março em R$ 2,3924 por litro, avanço de 10,5% frente a fevereiro. Apesar da reação, o patamar ainda permanece abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Em termos reais, o preço ficou 18,7% inferior ao de março de 2025.

A valorização ocorreu em meio à redução da produção nacional. Segundo o Índice de Captação de Leite (ICAP-L), a coleta caiu 3,9% de fevereiro para março e acumula retração de 11,1% nos três primeiros meses do ano. O movimento reflete fatores sazonais, com menor disponibilidade de pastagens, além da cautela dos produtores após um 2025 marcado por margens apertadas.

A menor oferta aumentou a concorrência entre indústrias pela matéria-prima, sustentando os reajustes ao produtor. Ao mesmo tempo, os custos da atividade seguem pressionando a rentabilidade das propriedades.

Foto: Isabele Kleim

Em abril, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira avançou 1,1% na média nacional, acumulando alta de 3,24% em 2026. Entre os principais fatores de pressão estão os gastos com alimentação animal, suplementos minerais, sanidade e operações mecanizadas.

O diesel teve valorização média de 5,42% entre março e abril nas regiões acompanhadas pelo Cepea, impactando diretamente os custos logísticos e operacionais. Os suplementos minerais registraram alta média de 7,6% no período, enquanto os concentrados voltaram a subir após estabilidade no mês anterior.

Mesmo com o aumento das despesas, a relação de troca entre leite e milho apresentou melhora. Em março, o produtor precisou de 29,64 litros de leite para comprar uma saca de 60 quilos de milho, redução de 6,3% frente a fevereiro.

Derivados avançam e consumo mostra resistência

Foto: Luísa Berg

No mercado de derivados, os preços também avançaram em abril diante dos estoques mais ajustados e da menor disponibilidade de matéria-prima. No atacado paulista, o leite UHT registrou alta de 20,17% no comparativo mensal, atingindo média de R$ 5,03 por litro. A muçarela subiu 12,65%, chegando a R$ 34,86 por quilo, enquanto o leite em pó fracionado avançou 1,52%.

Apesar das altas, o mercado começou a dar sinais de desaceleração na primeira quinzena de maio. O Cepea aponta que a demanda mais enfraquecida e a resistência do consumidor aos preços elevados passaram a limitar novos reajustes.

Comércio exterior mantém pressão sobre o setor

Foto: Shutterstock

No cenário externo, as importações brasileiras de lácteos recuaram 10% em abril frente a março, totalizando 218,38 milhões de litros equivalentes de leite. Já as exportações tiveram queda ainda mais intensa, de 28,67%, somando 3,99 milhões de litros equivalentes.

Mesmo com a retração mensal, as compras externas seguem em patamar elevado na comparação anual, com avanço de 34,1% frente a abril de 2025. O déficit da balança comercial de lácteos alcançou 214,38 milhões de litros equivalentes no mês.

A expectativa do setor é de continuidade da valorização no curto prazo, embora em ritmo mais moderado. O consumo enfraquecido, a manutenção das importações e a possibilidade de recuperação gradual da produção devem aumentar a cautela da indústria nos próximos meses.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea

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Pequenas propriedades concentram 80% da pecuária de corte em Mato Grosso

Levantamento do Indea mostra que quatro em cada cinco fazendas de bovinocultura de corte no estado têm até 320 hectares, evidenciando o peso dos pequenos produtores na liderança nacional do rebanho bovino.

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Foto: Divulgação/Imac

Apesar de abrigar o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso tem sua pecuária de corte sustentada majoritariamente por pequenas propriedades. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) mostram que, das 106.009 fazendas dedicadas à atividade no estado, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.

Além da liderança nacional em número de bovinos, a pecuária de corte também é a atividade econômica com maior número de estabelecimentos em Mato Grosso. O segmento responde por 9,36% de todas as empresas registradas no estado, superando setores como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário, o transporte rodoviário de cargas e a construção civil.

Foto: Fabiano Bastos

A estrutura da atividade inclui ainda 12.583 propriedades de médio porte, que representam 11,8% do total, e 8.417 grandes fazendas, correspondentes a 7,9%.

Entre os municípios com maior número de propriedades voltadas à bovinocultura de corte, Colniza ocupa a primeira posição, com 3.762 fazendas cadastradas. Na sequência aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051).

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números evidenciam que a competitividade da pecuária estadual está apoiada em uma ampla base de produtores. “Quando observamos que mais de 90% das propriedades pecuárias são de pequeno porte, percebemos que a pecuária mato-grossense é construída por milhares de produtores que geram renda, empregos e movimentam a economia local. Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, afirma.

Segundo Andrade, a presença da bovinocultura em praticamente todas as regiões do estado contribui para o desenvolvimento econômico dos municípios e fortalece a cadeia produtiva. “Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, salienta.

Fonte: Assessoria Imac
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Integração entre lavoura e pecuária transforma prejuízo de US$ 215 por hectare em resultado positivo

Estudo de 25 anos mostra que a diversificação da produção reduz os impactos das quebras de safra, aumenta a estabilidade da renda e melhora as condições do solo.

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Foto: Divulgação/Rede ILPF

A integração entre lavoura e pecuária pode reduzir os impactos das oscilações climáticas sobre a produção agrícola, aumentar a rentabilidade das propriedades e melhorar a qualidade do solo. A avaliação é do professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho, que apresentou resultados de pesquisas conduzidas ao longo de décadas no Sul do Brasil.

Professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho

Segundo o pesquisador, os levantamentos mostram que a região convive com uma elevada variabilidade climática e com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, cenário que amplia os riscos para os sistemas produtivos. Nos últimos 30 anos, o Rio Grande do Sul registrou frustração de safra em 44% das lavouras de soja e em mais de 50% das de trigo. Para Carvalho, os dados demonstram que a diversificação da produção é uma das principais estratégias para reduzir a vulnerabilidade das propriedades.

Um experimento de longa duração, conduzido durante 25 anos no estado, evidencia os ganhos da integração. Em sistemas exclusivamente agrícolas, a produtividade da soja variou de mais de 70 sacas por hectare em anos favoráveis para menos de 10 sacas por hectare em períodos de seca. Quando o gado é incorporado ao sistema para o pastejo das plantas de cobertura no inverno, a renda obtida com a pecuária é convertida em equivalente de produção de soja, elevando o resultado médio para 73 sacas por hectare.

Foto: Rodrigo Alva

O impacto econômico também é expressivo. Em anos de clima favorável, o sistema integrado proporciona receita superior ao dobro da obtida apenas com a agricultura. Já em anos de quebra de safra, enquanto a lavoura isolada registra prejuízo de US$ 215 por hectare, a integração entre agricultura e pecuária gera resultado positivo de US$ 189 por hectare.

Para Carvalho, a presença dos animais reduz a exposição da propriedade às oscilações do mercado e do clima. Enquanto a produtividade da soja apresenta variações superiores a 30%, a pecuária registra oscilações inferiores a 10%, funcionando como um fator de estabilidade para o sistema produtivo.

Foto: Gabriel Faria

As pesquisas também mostram benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo. Utilizando técnicas de análise tridimensional, os pesquisadores verificaram que o pastejo moderado aumenta a conexão entre os macroporos do solo, favorecendo a infiltração e o armazenamento de água. O efeito resulta em aumento de 14% na capacidade de retenção hídrica.

Outro resultado observado foi o incremento de 140% na ocorrência de fungos benéficos em áreas manejadas com integração lavoura-pecuária. Esses microrganismos favorecem a absorção de fósforo pelas plantas, contribuindo para o aumento gradual da produtividade da soja ao longo dos anos.

Fonte: Assessoria UFRGS
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Angus desenvolve base genética inédita para cruzamento industrial

Projeto em parceria com a Embrapa vai coletar seis mil amostras de bovinos meio-sangue para desenvolver modelos capazes de identificar touros Angus com maior potencial para transmitir qualidade de carne aos descendentes.

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Foto: Divulgação

A pecuária de corte brasileira terá, pela primeira vez, uma população de referência genética formada exclusivamente por bovinos meio-sangue. A iniciativa, liderada pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, pretende desenvolver modelos capazes de identificar quais touros Angus apresentam maior potencial para transmitir características ligadas à qualidade da carne quando utilizados no cruzamento com matrizes de outras raças, como o Nelore.

Foto: Agência Result/Feicorte

O projeto representa uma das primeiras pesquisas conduzidas pela entidade após sua certificação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), obtida em 2026. Entre os resultados esperados está o desenvolvimento de novas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), incluindo uma voltada à maciez da carne, característica ainda inexistente nas avaliações genéticas brasileiras.

A fase de campo começa na terça-feira (14) e prevê a coleta de seis mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue certificadas pelo Programa Carne Angus Certificada. O orçamento dessa etapa já está assegurado.

Para viabilizar o estudo, pesquisadores desenvolveram um protocolo inédito de coleta utilizando a tecnologia TSU para retirar amostras de tecido muscular diretamente de carcaças resfriadas. A técnica adapta um método empregado anteriormente apenas na coleta de cartilagem da orelha para análises genéticas. “O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue”, explica Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação.

Genética voltada ao cruzamento industrial

Hoje, as avaliações genéticas relacionadas à qualidade de carcaça, como marmoreio e área de olho de lombo, são baseadas em animais de raça pura e utilizam principalmente informações obtidas por ultrassonografia.

Foto: Gustavo Rafael

Com o novo projeto, os dados fenotípicos coletados nos frigoríficos serão integrados às informações genéticas dos animais. A partir desse banco de dados, pesquisadores da Associação Brasileira de Angus e da Embrapa desenvolverão modelos estatísticos específicos para bovinos oriundos de cruzamento industrial.

Na prática, a ferramenta permitirá identificar touros com maior capacidade de transmitir atributos ligados à qualidade da carne aos descendentes, oferecendo ao pecuarista maior segurança na escolha da genética e aumentando a eficiência dos programas de melhoramento.

Ganhos produtivos e novas etapas da pesquisa

Além dos efeitos sobre a qualidade da carne, a seleção mais precisa de reprodutores pode reduzir o tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate. Com melhor conversão alimentar, o sistema tende a utilizar menos recursos naturais por quilo produzido e diminuir as emissões de gases de efeito estufa por animal ao longo do ciclo produtivo.

Foto: Divulgação/Angus

Em uma segunda etapa, condicionada à captação de novos recursos, a Associação pretende ampliar a população estudada para dez mil animais e realizar análises físico-químicas em três mil amostras de carne.

Os exames irão avaliar parâmetros como teor de gordura, pH, coloração e força de cisalhamento (shear force), indicador utilizado para medir objetivamente a maciez da carne. Essas informações servirão de base para o desenvolvimento de novas predições genéticas, incluindo uma DEP específica para maciez, inédita no país.

Fonte: Assessoria Angus
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