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Preço do leite pago ao produtor fica praticamente estável, aponta Cepea

Levantamento mais recente mostra média de R$ 2,66 por litro e expectativa de mercados distintos entre Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

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Foto: Isabele Kleim

O preço do leite pago ao produtor manteve-se praticamente estável em maio de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Na chamada “Média Brasil”, o valor ficou em R$ 2,6617 por litro, com recuo de 0,45% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, o preço está 3,8% menor em termos reais, considerando a correção pelo IPCA.

O comportamento dos preços foi diferente entre as regiões produtoras. No Sudeste e no Centro-Oeste, as cotações continuaram em alta, sustentadas pela menor oferta de leite, reflexo da sazonalidade e da redução dos investimentos por parte de produtores após as margens mais apertadas registradas em 2025. Com isso, a disputa entre os laticínios pela matéria-prima permaneceu aquecida.

Foto: Juliana Sussai

No Sul do País, o cenário foi oposto. A melhora das condições climáticas, o bom desenvolvimento das pastagens de inverno e a recuperação da produção aumentaram a oferta de leite, pressionando os preços pagos ao produtor.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 0,07% entre abril e maio na Média Brasil. No acumulado de 2026, porém, o indicador registra retração de 13,7%.

Os custos de produção também apresentaram mudança em maio. O Custo Operacional Efetivo (COE) recuou 1,39%, registrando a primeira queda do ano. Mesmo assim, o indicador ainda acumula alta de 1,8% em 2026, impulsionado pelo aumento das despesas com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas.

Foto: Fernando Dias

No mercado de derivados, pesquisa do Cepea realizada com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostra que o preço do leite UHT caiu 7,56% em maio na comparação com abril. Já a muçarela e o leite em pó tiveram estabilidade, com leves altas de 0,12% e 0,13%, respectivamente. Segundo o Cepea, na primeira quinzena de junho o movimento de queda dos preços dos derivados lácteos ganhou força.

No comércio exterior, as importações brasileiras de lácteos cresceram 3,58% em maio, totalizando 226,21 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL), volume 28% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. As exportações também aumentaram em relação a abril, com alta de 45,33% e volume de 5,81 milhões de litros EqL. Na comparação anual, entretanto, os embarques ficaram 21,42% abaixo dos registrados em maio do ano passado.

Para junho, a expectativa do Cepea é de manutenção das diferenças entre as principais bacias leiteiras. A tendência é de continuidade da pressão sobre os preços no Sul, enquanto Sudeste e Centro-Oeste devem manter um mercado mais firme, caminhando para a estabilidade.

Fonte: Assessoria Cepea

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Feicorte atrai delegações de mais de 20 países e movimenta cadeia da carne

Evento reuniu cerca de 20 mil pessoas, promoveu intercâmbio técnico, leilões, exposição de animais e anunciou expansão internacional para 2027.

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Fórum Feicorte focou nas oportunidades e lucratividade da pecuária brasileira - Fotos: Feicorte/Agência Result

A Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte)  encerrou sua 22ª edição, a terceira em Presidente Prudente (SP), estabelecendo-se como referência na integração dos diferentes elos da cadeia produtiva. A feira reuniu cerca de 20 mil pessoas entre os dias 23 e 26 de junho, conectando genética, tecnologia, negócios, gastronomia e conteúdo técnico em uma programação voltada à competitividade global.

Exposição reuniu cerca de 700 animais em Presidente Prudente

Para a presidente da Feicorte e CEO da Verum, Carla Tuccilio, o evento cumpriu o papel de centralizar as principais discussões do setor. “Foi uma edição com sucesso, muitas ativações novas e conteúdo de excelência comandado por especialistas brasileiros e internacionais. Tivemos a presença de muitos pecuaristas e conseguimos criar novamente o grande ponto de encontro da cadeia produtiva da carne”, destacou, informando que a feira movimentou cerca de seis toneladas de carne em experiências gastronômicas ao longo dos quatro dias de evento e reuniu 130 expositores.

O diretor-executivo da Feicorte e presidente do Instituto Brasileiro de Inovação, Cultura e Qualidade do Agro e Pecuária (IBIQPEC), Ailton Barbosa, reforçou a relevância desse ecossistema tanto no mercado externo quanto na economia local. “A feira se consolidou como um polo de relacionamento institucional ao receber delegações, empresas e representantes de mais de 20 países, como Uruguai, Paraguai, Bolívia, China, EUA, Canadá, África do Sul, Equador, Colômbia, Argentina e Portugal, entre outros. Ao mesmo tempo, o evento gerou impacto direto na região de Presidente Prudente, com a criação de mais de mil empregos diretos e indiretos durante a sua preparação e execução”, pontuou o dirigente.

Com os resultados consolidados, a organização anunciou o planejamento estratégico para as próximas temporadas. A grade internacional terá continuidade com a realização da segunda edição da Feicorte Paraguai, agendada para março de 2027. Já a próxima Feicorte Brasil está confirmada para junho de 2027, em local a ser definido.

Palestras do Fórum Feicorte discutem mercado e eficiência produtiva

Ovinos Suffolk estiveram expostos nos quatro dias de evento

O intercâmbio de conhecimento técnico foi o pilar do Fórum Feicorte, que nesse ano trabalhou sob o tema “O Boi Brasileiro – Um Mundo de Oportunidades”. O debate contou com a participação de quatro palestrantes internacionais vindos de países como África do Sul, Canadá, Estados Unidos e Paraguai, que apresentaram tecnologias de ponta e inspiraram a evolução do rebanho nacional. A programação acadêmica incluiu ainda a realização do 4º Simpósio ReprodOeste, promovido em parceria com a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

O curador de conteúdo do Fórum Feicorte, Diede Loureiro, pontuou que a grade de palestras foi estruturada para responder às necessidades reais do produtor diante das instabilidades climáticas e de mercado. “A Feicorte se posiciona estrategicamente no meio do ano, momento em que o produtor tem o balanço do primeiro semestre e precisa se planejar para o segundo, atuando como uma base essencial de dados técnicos para a tomada de decisões na fazenda”, complementou Loureiro.

Diversidade genética reúne cerca de 700 animais nos pavilhões

Mais de 20 mil pessoas passaram pela Feicorte em junho

A ocupação total dos pavilhões do Recinto de Exposições Jacob Tosello reuniu cerca de 700 animais entre bovinos e ovinos, que passaram por um controle zootécnico e parasitário rigorosos. Com 12 raças diferentes em exposição (Angus, Bonsmara, Brahman, Brangus, Canchim, Caracu, Nelore, Santa Gertrudis, Sindi, Texas Longhorn, Wagyu e o cordeiro Suffolk), a Feicorte reafirmou seu papel como vitrine da genética de qualidade do rebanho brasileiro.

O reflexo prático desse trabalho de seleção no campo foi levado diretamente ao prato do consumidor na tradicional degustação Beef Hour das Raças, que nesta edição reuniu 18 estações de proteínas. O público pôde conferir o sabor da carne das raças Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Canchim e Texas Longhorn, além da carne de búfalo e de cordeiro da raça Suffolk.

Pistas de julgamento definem campeonatos de rústicos e de elite

As avaliações em pista movimentaram criadores de diversos estados. De forma inédita no estado de São Paulo, a feira sediou o julgamento de animais rústicos das raças Angus e Ultrablack. No campeonato Angus de fêmeas, a Grande Campeã foi a TAT TEI1655, de Valdomiro Poliselli Júnior (Mococa-SP), enquanto o prêmio de Grande Campeão de machos foi para o touro TAT FIV797, de Rodrigo Arnt e Nilo Arnt (Tibagi-PR). Na raça Ultrablack, o criador Valdomiro Poliselli Júnior venceu os dois campeonatos principais com a fêmea TAT FIV253 e o macho TAT FIV220.

18 estações demonstraram variedade de sabores na Beef Hour das Raças

No julgamento de ovinos Suffolk, sob a condução do juiz irlandês Patrick O’Keefe, os títulos de Grande Campeão e Grande Campeã na categoria Puro de Origem (PO) foram para os animais DO Contestado IA F427 e DO Contestado F457, ambos da Fazenda Flor do Pago, de Irani (SC).

Na pista do Wagyu, o jurado Willian Koury avaliou 20 exemplares de alta padronização. O criatório da Party Participações, de Americana (SP), conquistou os principais prêmios com a fêmea Morgana 1923 Guidara FIV (Grande Campeã) e o macho Delicado 52 PWI FIV (Grande Campeão). O título de Reservado Grande Campeão de machos ficou com Ares 3351 GUIDARA FIV, do Rancho Santa Bárbara (SP

O julgamento Nacional do Santa Gertrudis, avaliado por Marcelo Moura, consagrou os animais do criatório Santa Gertrudis da Malagueta, com Vaticano da Malagueta como Grande Campeão e Melissa da Monte Sião como Grande Campeã.

Na raça Sindi, o touro de 35 meses e 953 kg, Saudoso da Estiva, garantiu o título de Grande Campeão da Feicorte 2026 após comentários elogiosos do árbitro José Jacinto sobre a qualidade de sua carcaça e aprumos.

Leilões registram pista limpa e movimentam mercado de genética

A agenda de negócios foi marcada por liquidez absoluta em diferentes espécies. O 3º Leilão Confraria da Carcaça Nelore abriu os trabalhos com o recinto lotado por 120 pecuaristas e faturamento que registrou médias de R$ 56 mil para fêmeas e R$ 72 mil para machos, espalhando reprodutores e matrizes para compradores de 14 estados. Na quarta-feira, o Leilão CV Nelore Mocho, liderado pelo pecuarista Carlos Viacava, comercializou 52 touros para 28 compradores de seis estados, gerando um faturamento total de R$ 943.220,00 e média de R$ 18.138,84 por animal.

Ailton Barbosa e Carla Tuccilio

Na quinta-feira, as fêmeas Nelore PO foram o destaque do 3º Leilão Grupo Mazieiro e Grandes Marcas, que superou o clima frio da região e encerrou a noite com pista limpa e média superior a R$ 21 mil por lote.  A equinocultura também mostrou força com o 3º Leilão Feicorte – Quarto de Milha e Paint Horse, organizado por Celso Cuba e Celso Luís Cuba, que vendeu 21 exemplares para criadores e competidores de sete estados brasileiros.

O encerramento oficial dos negócios, na noite de sexta-feira, contou com a terceira edição do Leilão Pecuária Solidária. O remate beneficente, por meio de doações de touros, cavalos, sêmen e insumos agrícolas, movimentou o sistema de redoação na pista para alcançar uma arrecadação parcial estimada em cerca de R$ 400 mil. O montante será integralmente revertido ao Núcleo Ttere, instituição de Presidente Prudente que trabalha no desenvolvimento e inclusão de pessoas com deficiência.

Inovações ampliaram o alcance da feira

O Shopping Seleção Feicorte estreou nessa edição como uma plataforma de venda direta de animais de alta performance, em parceria com a Central Leilões. Disponibilizando 48 machos e sete fêmeas de cinco raças diferentes, a ferramenta permitiu que os compradores analisassem dados científicos de conformação frigorífica antes da compra de pacotes genéticos.

O redesenho da planta geral da feira no Recinto de Exposições Jacob Tosello também permitiu a introdução de novos modelos de negócios e convivência, como o Boulevard Feicorte, área aberta instalada junto ao credenciamento que reuniu expositores tanto institucionais quanto de artigos como roupas, calçados, veículos aquáticos e gastronomia.

Essa estrutura de convivência fez a conexão direta com a área de dois mil metros quadrados dedicada à Rede ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), que em sua terceira edição demonstrou como a combinação dessas atividades recupera áreas e eleva a produtividade. O espaço uniu os esforços da própria Rede ILPF, da CATI, do ITESP e de marcas associadas para aproximar produtores, técnicos e estudantes das tecnologias que transformam o setor.

A conexão entre a cadeia produtiva e a sociedade urbana foi antecipada logo no domingo (22) com a realização da 1ª Feicorte Run Sportime. A corrida e caminhada reforçaram o papel da carne vermelha na manutenção da saúde e atraíram cerca de 700 inscritos, que foram recebidos na linha de chegada com uma degustação “open” de churrasco.

Fonte: Assessoria Feicorte
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Expoleite reúne cerca de 250 animais da raça Holandesa em julgamentos durante três dias de feira

Exposição também terá recorde de participantes no Clube de Bezerras e expectativa de receber 30 mil visitantes.

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Foto: Analice Lopes

Entre os dias 02 e 04 de julho acontece em Arapoti (PR), durante a 52ª edição da Expoleite, uma das principais exposições de caráter competitivo de rebanhos da raça Holandesa no país. O Julgamento da Raça Holandesa apresentará neste ano cerca de 250 exemplares das variedades “preto & branco” (HPB) e “vermelho & branco” (HVB). Na pista, os animais são acompanhados pelos puxadores e desfilam para serem avaliados nos critérios determinados pelo júri especializado.

Foto: Giovanna Santolin

A Expoleite, promovida anualmente pela Capal Cooperativa Agroindustrial, é reconhecida como uma das mais importantes vitrines da robustez e evolução genética do país, evidenciando a excelência dos rebanhos criados na região dos Campos Gerais. Erik Bosch, presidente do Conselho de Administração da Capal, ressalta que além de expor a excelência genética, os julgamentos também têm um caráter social. “Os animais e o julgamento em pista chamam a atenção e aproximam o público da realidade do campo”, pontua.

Os animais participantes provêm de criadores das cidades paranaenses de Arapoti, Castro, Carambeí e Itapetininga. A competição é oficializada pela Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH) e faz parte do prestigiado Circuito Nacional da Raça Holandesa.

Juiz de pista

O jurado responsável pelas avaliações desta edição é o canadense Mike West, natural de Ontário. Com uma trajetória consolidada, West tem vasta experiência em avaliações de exposições regionais, estaduais e internacionais, tendo atuado em países como Japão, Austrália, Brasil, Rússia, México, Colômbia, Equador e Costa Rica.

Atualmente exerce o cargo de gerente de Desenvolvimento de Produto na Semex Alliance, onde é responsável pela prospecção e aquisição de touros, mantendo contato direto com criadores parceiros para o fornecimento de genética. Além disso, atua como analista de touros, oferece suporte à equipe de campo e colabora com o setor de marketing na coordenação de registros fotográficos dos reprodutores e de suas respectivas progênies.

Os julgamentos acontecem durante os três dias de feira. Na quinta-feira (02), às 14h, acontece o julgamento Gado VB e PB Jovem. Na sexta-feira (03), os visitantes poderão conferir, às 13h, o Clube de Bezerras e na sequência, às 15h, o julgamento Gado VB Adulto. No último dia da Expoleite (04), acontece às 9h a primeira etapa da Copa dos Apresentadores, tradicional competição de apresentação de gado jovem que integra o circuito das cooperativas do grupo Unium (Capal, Frísia e Castrolanda), e às 14h o julgamento Gado PB Adulto.

Clube de Bezerras

O Clube de Bezerras chega à 52ª Expoleite com recorde de participantes. Nesta edição, o projeto reúne 15 crianças e adolescentes, na faixa etária de 7 a 14 anos, divididos em duas categorias: a Júnior, com 10 integrantes de 7 a 10 anos, e a Sênior, com 5 integrantes de 11 a 14 anos.

As atividades realizadas início logo no começo do ano e englobam visitas mensais às propriedades e encontros técnicos com os jovens. Durante esse processo, os participantes recebem instruções detalhadas sobre saúde, manejo, nutrição, desenvolvimento e a preparação adequada dos animais para exposição.

A experiência pedagógica vai além da apresentação oficial na feira. O Clube funciona como uma porta de entrada para que as crianças acompanhem de perto o ciclo da leiteira pecuária, entendendo na prática a importância da sucessão e da continuidade no campo.

Segundo Letícia Ianke, técnica da equipe Capal responsável pelo acompanhamento do Clube de Bezerras, os resultados positivos do projeto são coletados no longo prazo. “A gente tem filhos de cooperados que fizeram o clube e hoje trabalham nas propriedades”, afirma. Em cada encontro, visita técnica e na apresentação na Expoleite, as crianças constroem uma relação mais próxima com os animais, com a propriedade e com a história da família na pecuária leiteira.

A 52ª Expoleite conta com cerca de 120 expositores e a expectativa é atrair um público de 30 mil pessoas.

Fonte: Assessoria Capal Cooperativa Agroindustrial
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Rentabilidade desafia pecuária leiteira em cenário de custos elevados e clima instável

Com produção acima de 38 bilhões de litros e preços ainda pressionados, pecuária leiteira brasileira enfrenta desafio de transformar volume em margem, em cenário de custos elevados, clima instável e necessidade crescente de gestão produtiva.

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Foto: Ari Dias

A pecuária leiteira superou 38 bilhões de litros em 2025, posicionando o Brasil entre os maiores produtores mundiais, mas é cada vez mais desafiador transformar volume em rentabilidade. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador de preço do leite cru pago ao produtor atingiu a média nacional de R$ 2,66 por litro em abril deste ano (último dado disponível).

Foto: Shutterstock

Embora o resultado represente melhora em relação aos meses anteriores, o valor ainda está abaixo dos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro alcançado em julho de 2022, o maior patamar da série iniciada em 2004 e divulgada pelo órgão. Apesar da recuperação observada desde dezembro passado, as margens continuam pressionadas por custos operacionais elevados, desafios climáticos e necessidade constante de ganhos de eficiência dentro da porteira.

Isso significa que o desafio do produtor não é apenas produzir mais. Ele tem de produzir de forma (ainda) mais eficiente. Mesmo com o alívio recente nos custos de alguns insumos, como milho e soja, despesas com energia elétrica, mão de obra e suplementação alimentar continuam impactando as despesas e limitando a rentabilidade da atividade. Da mesma forma, as condições climáticas exigem atenção: a formação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície do mar por um longo período, pode aumentar a temperatura e a irregularidade das chuvas em algumas regiões do Brasil, afetando a formação das pastagens e elevando os custos com alimentação do rebanho.

Com a baixa disponibilidade e a menor qualidade das citadas pastagens, principal fonte de alimentação em muitos sistemas leiteiros, as vacas tendem a reduzir o consumo de nutrientes,

Foto: Carolina Jardine

impactando a produção de leite. Além disso, a escassez de alimentos e água pode elevar os níveis de estresse, comprometendo o bem-estar e, por consequência, a saúde geral dos animais.

Como a rentabilidade da atividade leiteira depende cada vez mais da eficiência produtiva, o planejamento da propriedade e o uso eficiente dos recursos disponíveis se tornam cada vez mais importantes. Nesse sentido, o primeiro passo é investir no planejamento. Isso inclui elaborar estratégias para períodos de seca, garantir reservas alimentares, monitorar indicadores produtivos e econômicos e buscar maior eficiência no uso da terra, por meio do manejo adequado das pastagens, adoção do pastejo rotacionado, produção de forragem, controle rigoroso das despesas e foco em infraestrutura que aumente a produtividade por área.

Tecnologias voltadas para a gestão das pastagens e do rebanho podem gerar ganhos expressivos de produtividade e competitividade. O investimento em infraestrutura durável e de qualidade, como um cercamento estratégico, permite ampliar a eficiência do uso das pastagens e otimizar o manejo dos animais. Essa estrutura possibilita a divisão das áreas em piquetes, o que favorece o controle do tempo de ocupação e descanso do pasto, contribui para a recuperação das forrageiras, amplia a capacidade de suporte da propriedade e reduz a dependência de suplementação alimentar externa, um dos principais custos da atividade. Com isso, a propriedade ganha maior estabilidade econômica, mesmo em cenários de preços desfavoráveis.

Foto: Fredox Carvalho

Com as cercas bem posicionadas, os resultados podem ser observados em diversos indicadores, como aumento da produção de leite por hectare, redução dos custos com alimentação suplementar, melhoria da eficiência de utilização das pastagens e aumento da produtividade por animal. Em muitos casos, também há redução de gastos com manutenção de cercas e manejo, bem como melhor retorno sobre os investimentos realizados na propriedade. Essa exigência contribuiu para o desenvolvimento de soluções específicas para a pecuária leiteira moderna, como os arames Belgo Eletrix e Belgo Eletrix Light. Desenvolvidos para cercas elétricas e com alta resistência, eles viabilizam a implantação de piquetes e o manejo racional de forma eficiente, durável e econômica, além de exigirem menos manutenção.

Em um mercado que exige cada vez mais eficiência, o cercamento da propriedade rural deve ser visto não apenas como uma estrutura física, mas como uma ferramenta de gestão que gera ganhos produtivos, econômicos e de bem-estar animal. Investimentos em infraestrutura de qualidade ajudam a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e preparados para os desafios do futuro.

Fonte: Artigo escrito por Vanessa Amorim Teixeira, médica-veterinária, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais e analista de mercado agro da Belgo Arames.
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