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Preço do boi reage diante da moderação da oferta

Apesar da compressão de margem atual do pecuarista na venda do boi gordo, dado que o mesmo adquiriu o animal jovem no ano passado ou antes com a arroba valorizada, há pouco a ser feito neste momento, para salvar a margem da operação. Por outro lado, o bezerro hoje desvalorizado, serve de oportunidade para a construção de um estoque de arrobas a um custo menor e que serão terminados em 2024 e 2025 a preços possivelmente melhores.

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Foto: Arquivo/OP Rural

A pressão intensa sobre os preços do boi gordo continuou na primeira metade de setembro, sustentando as margens dos frigoríficos no mercado interno e prejudicando os pecuaristas, sobretudo os confinadores com entregas programadas e sem hedge. Todavia, o animal passou a se recuperar a partir do início da segunda quinzena de setembro, diante da moderação da oferta combinada com as fortes margens da indústria, que permitiram um ajuste nos preços do boi.

O indicador Cepea (SP), na média de setembro, ficou em R$ 212,10/@, 3,8% abaixo do mês anterior e 30% abaixo de set/22. O animal chegou a ser negociado abaixo dos R$ 200/@ até meados do mês, mas recuperou para próximo dos R$240/@nos últimos dias.

Spread da indústria no mercado interno (carcaça casada/boi gordo)

O spread no MI (carcaça casada/boi gordo) manteve em setembro os 11,6% ocorridos no mês anterior, o segundo maior da série histórica iniciada em 2001. Já o spread da exportação também evoluiu bem nos últimos dois meses, capturando em setembro o boi 4,5% mais barato em dólares e uma alta de 0,6% no preço médio da carne na exportação.

A quantidade exportada em setembro (195 mil t) foi 3,9% abaixo do mesmo mês do ano passado, o que não é um número ruim dada a elevada base de comparação. Porém, em função do efeito negativo do embargo chinês no início do ano, possivelmente o total exportado será menor neste ano, tendo acumulado até setembro uma queda de 5,2%.

Do lado da oferta, o IBGE indicou que os abates do segundo trimestre deste ano foram 12,6% maiores sobre o segundo trimestre de 2022, enquanto a produção de carcaças foi 10,8% superior no mesmo comparativo. Do lado da demanda, como as exportações caíram, o consumo aparente expandiu 15,5% em relação ao ano passado.

Fonte: Cepea

Boi gordo deve exibir maior firmeza no curto prazo

A Consultoria Agro do Itaú BBA acredita que o cenário para o boi gordo é de gradual recuperação dos preços em outubro e novembro, em função da melhora sazonal da demanda doméstica combinada com uma possível moderação da oferta, embora as entregas de animais devam seguir maiores que as observadas no ano anterior.

Apesar da compressão de margem atual do pecuarista na venda do boi gordo, dado que o mesmo adquiriu o animal jovem no ano passado ou antes com a arroba valorizada, há pouco a ser feito neste momento, para salvar a margem da operação, supondo que esses animais não foram hedgeados.

Preço da carne bovina no atacado chinês

Por outro lado, o bezerro hoje desvalorizado, serve de oportunidade para a construção de um estoque de arrobas a um custo menor e que serão terminados em 2024 e 2025 a preços possivelmente melhores.

Já o confinamento, que é uma atividade de curto prazo, geralmente de 90 a 120 dias, e que também deixou um resultado ruim dada a forte queda do boi gordo, já exibe um resultado melhor considerando os preços atuais do boi agro, custos de ração e a arroba futura para entregas em novembro e dezembro. Contudo, se levarmos em conta o desestímulo do produtor, principalmente em julho e agosto, em tese, um menor volume de gado confinado deverá vir em outubro e novembro.

Todavia, é importante ter em mente que, com a alta de R$ 40/@ ocorrida desde meados de setembro, o spread da indústria no MI veio de 20% em 12 de setembro para 5% nos últimos dias, o que significa que o interesse dos frigoríficos já ficou bem menor para novos reajustes. Uma boa constatação é que os preços da carne bovina no atacado chinês pararam de cair, o que pode estar influenciando o mesmo movimento no preço médio de exportação.

Fonte: Cepea, Secex, Itaú BBA

Fonte: Consultoria Agro do Itaú BBA

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A verdade é aliada do agronegócio

A desinformação, ao se propagar, compromete o diálogo social e mina a confiança entre o campo e a cidade.

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Foto: Shutterstock

A circulação acelerada de informações, potencializada pelo ambiente digital, impôs à sociedade contemporânea um desafio que extrapola o campo da tecnologia e alcança a esfera ética, econômica e institucional: o combate sistemático à desinformação. No caso do agronegócio brasileiro, setor estratégico para a segurança alimentar, para a geração de empregos e para o equilíbrio da balança comercial, as notícias falsas produzem efeitos particularmente nocivos, pois distorcem percepções, fragilizam reputações e comprometem decisões públicas e privadas baseadas em dados equivocados.

As entidades de representação e defesa do setor primário da economia (como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e todas as Federações estaduais) vêm alertando sobre a transmissão intencional de mentiras na forma de narrativas simplificadoras e frequentemente ideologizadas, disseminadas com o objetivo de desqualificar a produção agropecuária nacional.

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Atribui-se ao campo, de forma leviana, a responsabilidade exclusiva por problemas complexos, como mudanças climáticas, insegurança alimentar ou crises ambientais, ignorando-se deliberadamente o arcabouço legal, científico e tecnológico que orienta a atividade rural no Brasil. Afirmações como a suposta inexistência de controle sobre o uso da água na irrigação, a ideia de que a produção de grãos avança indiscriminadamente sobre áreas protegidas ou a falsa noção de que a pecuária brasileira opera à margem de qualquer critério de bem-estar animal são exemplos de construções retóricas que não resistem à uma análise minimamente fundamentada.

A desinformação, ao se propagar, compromete o diálogo social e mina a confiança entre o campo e a cidade. O produtor rural passa a ser visto como antagonista do interesse coletivo, quando, na realidade, é protagonista de avanços relevantes em produtividade sustentável, rastreabilidade, inovação genética, agricultura de precisão e adoção de práticas conservacionistas. Esse descompasso entre percepção e realidade gera prejuízos concretos, desde restrições comerciais baseadas em argumentos infundados até a formulação de políticas públicas dissociadas da realidade produtiva.

Combater as notícias falsas não significa negar a necessidade de aperfeiçoamentos contínuos ou de fiscalização rigorosa. Ao contrário, pressupõe transparência, acesso à informação qualificada e valorização do conhecimento técnico-científico. Exige, sobretudo, o fortalecimento do pensamento crítico, da educação midiática e da responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos. Instituições representativas, imprensa profissional, comunidade acadêmica e sociedade civil têm papel complementar nesse processo.

A Faesc utiliza todos os seus canais de comunicação para levar cotidianamente à sociedade informações verdadeiras, verificáveis e confiáveis sobre tudo o que envolve o universo rural, mas o enfrentamento da desinformação sobre o agronegócio é uma tarefa permanente, que demanda compromisso com os fatos, respeito à ciência e disposição para o diálogo. Defender a verdade sobre o campo brasileiro é defender o desenvolvimento sustentável, a soberania alimentar e o futuro de milhões de famílias que produzem com responsabilidade, sob uma das legislações ambientais mais exigentes do mundo. Trata-se de um dever institucional e cívico que não pode ser relativizado.

Fonte: Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
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Mudanças climáticas lideram lista de preocupações no campo paranaense

Levantamento apresentado no Show Rural Coopavel indica que 91% temem impactos climáticos e 40% citam pragas e despesas como entraves à rentabilidade.

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Foto: Divulgação/Embrapa Soja

Os produtores rurais do Paraná iniciam 2025 sob forte atenção aos impactos climáticos e à sustentabilidade econômica do negócio. Dados da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, com recorte exclusivo de 2025, apresentados durante o Fórum ABMRA de Comunicação, realizado no Show Rural Coopavel, nesta quarta-feira, 11, mostram que 91% dos agricultores do estado acreditam que as mudanças no clima causarão algum tipo de impacto em suas propriedades nos próximos anos. A radiografia é maior do que a média nacional, que chega a 86% de preocupação pelos produtores rurais.

O levantamento também revela quais são os desafios do produtor paranaense, colocando o clima como o principal, citado por 67% dos entrevistados. Na sequência estão pragas e doenças e custos de produção com 40% em ambos os cenários.

Fórum ABMRA de Comunicação apresentou dados inéditos do perfil do produtor rural paranaense – Foto: Divulgação

Para o presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), Ricardo Nicodemos, o retrato apresentado pela pesquisa é estratégico para o mercado. “Esses dados são fundamentais para que as empresas deixem de falar com um produtor genérico e passem a se comunicar com o produtor real de 2025, o qual é mais qualificado, mais pressionado pelo clima e pelos custos e muito mais atento à comercialização. Quando entendemos exatamente quais são suas prioridades e desafios, conseguimos construir estratégias de comunicação mais assertivas, com mensagens relevantes, escolha adequada de canais e abordagens que realmente dialoguem com a tomada de decisão no campo”, afirma.

O perfil do produtor rural no estado apresenta uma característica de maturidade de idade com média de 47 anos. Em termos de escolaridade, 35% concluíram o ensino médio e 10% possuem ensino superior completo.

A tradição familiar permanece como principal motivador para atuar no agro, mencionada por 53% dos entrevistados, enquanto 46% destacam o conhecimento adquirido no setor.

Fonte: Assessoria ABMRA
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Exportações aos EUA recuam pelo sexto mês seguido e déficit triplica em janeiro

Vendas ao mercado americano somam US$ 2,4 bilhões, com queda de 25,5% pressionada por tarifas e retração do petróleo no início de 2026.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

As exportações brasileiras para os Estados Unidos iniciaram 2026 em retração. Segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil, as vendas ao mercado americano somaram US$ 2,4 bilhões em janeiro, queda de 25,5% na comparação anual e o sexto recuo consecutivo.

As importações brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram, com baixa de 10,9% no mesmo período. Como a contração das exportações foi mais intensa, o déficit comercial brasileiro na relação bilateral alcançou cerca de US$ 0,7 bilhão — mais que o triplo do registrado em janeiro de 2025.

Tarifas e petróleo pressionam a balança

O desempenho negativo foi puxado principalmente pelos óleos brutos de petróleo, cuja receita caiu 39,1% em relação a janeiro do ano anterior. Produtos sujeitos a tarifas adicionais registraram retração média de 26,7%, com destaque para os bens enquadrados na Seção 232, que recuaram 38,3%.

Entre os itens com maior impacto negativo estão semiacabados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

“O início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Produtos sobretaxados ampliam retração

A análise do conjunto de bens afetados por tarifas adicionais indica que a queda foi superior à média geral. Produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% registraram retração expressiva, assim como itens vinculados à Seção 232, especialmente cobre e produtos siderúrgicos.

O movimento reforça a tendência observada nos meses anteriores, com manutenção de barreiras tarifárias pressionando o fluxo bilateral.

Resiliência parcial na pauta exportadora

Apesar do cenário adverso, parte da pauta exportadora apresentou desempenho relativamente mais robusto. Entre os dez principais produtos enviados aos Estados Unidos em janeiro, seis tiveram desempenho melhor do que as exportações brasileiras para o restante do mundo. É o caso de café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

Em contrapartida, produtos que perderam espaço no mercado americano mostraram desempenho superior quando destinados a outros países, sinalizando reorientação geográfica das vendas externas.

Mesmo com o aumento do déficit global dos Estados Unidos no comércio de bens, o Brasil segue entre os poucos países com os quais os norte-americanos mantêm superávit comercial relevante. “Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, conclui Abrão Neto.

Fonte: O Presente Rural
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