Avicultura Nutrição
Prebióticos naturais na formulação de rações para frangos de corte sem inclusão de antibióticos
Além de proteger a mucosa intestinal e melhor disponibilizar o teor de energia das rações, os prebióticos apresentam efeito bifidogênico

Artigo escrito por Verônica Lisboa Santos, doutora em Zootecnia e coordenadora Técnica de Pesquisa na Yes Sinergy Agroindustrial
Durante muitos anos os antibióticos promotores de crescimento (APC’s) foram incorporados às dietas dos animais de produção em dosagens subterapêuticas, e melhorias consistentes na eficiência alimentar justificaram esta prática. Porém, o excesso de antibióticos usados na produção de alimentos de origem animal tem contribuído para o surgimento de resistência bacteriana, sendo esta uma causa de preocupação para a saúde pública mundial.
Desde 2006, a União Europeia proibiu o uso de qualquer antimicrobiano como promotor de crescimento na produção animal. Assim, os mercados exportadores, dentre eles, o Brasil, tiveram que se adaptar à legislação estabelecida por esse bloco econômico para permanecerem aptos a exportar.
O desenvolvimento de aditivos naturais, que possam substituir os antibióticos na alimentação animal, sem causar perdas de produção e econômicas e mantendo suas ações benéficas, tem se tornado alvo de diversos estudos e representa uma alternativa viável para a produção animal. Para uma substituição exitosa dos APC’s na alimentação de animais de produção, deve ser levado em consideração criteriosos processos de biossegurança, manejo, sanidade e a utilização de probióticos e prebióticos, visto que a comunidade científica valida o seu benefício às cepas de bactérias benéficas, resultando em melhor equilíbrio da microbiota intestinal e favorecendo os processos de digestão e absorção de nutrientes. Além de proteger a mucosa intestinal e melhor disponibilizar o teor de energia das rações, os prebióticos apresentam efeito bifidogênico, ou seja, estimulam a multiplicação da microbiota intestinal benéfica como Lactobacillus e bifidobactérias, promovendo maior exclusão competitiva, produção de antibióticos naturais e ácidos graxos de cadeia curta e média, como acético, propiônico, butírico e lático.
Pesquisas científicas
Aditivo prebiótico natural no desempenho de frangos de corte
Material e Métodos: A fim de avaliar o efeito da utilização de um Aditivo Prebiótico Natural (APN) em substituição a um antibiótico promotor de crescimento (APC), foram utilizados 750 pintinhos machos, de um dia de idade, vacinados no incubatório contra as doenças de Marek e Gumboro. As aves foram distribuídas em 70 boxes de 2,0m² com 25 aves por box. No intuito de simular os desafios das condições a campo, a cama, de 10cm de espessura, foi previamente reutilizada por três lotes. O delineamento experimental foi em blocos completamente ao acaso, com três tratamentos e dez repetições cada.
Os seguintes tratamentos foram testados:
T1: Dieta basal SEM APC (controle negativo – CN)
T2: Dieta basal COM APC (controle positivo – CP)
T3: CN + APN
Resultados e Conclusão
As médias dos resultados de desempenho produtivo e margem de lucro final estão descritas as tabelas 1 e 2, respectivamente, bem como, as médias de produção de ácidos graxos de cadeia curta.
Tabela 1 Média de desempenhos produtivo de frangos de corte alimentados com dietas com suplementação do antibiótico promotor de crescimento APC e APN
| Desempenho 1 a 42 dias | |||
| CONTROLE | APC | APN | |
| PMF¹ (g/ave) | 3066,34 | 3131,81 | 3103,27 |
| GPD² (g/dia/ave) | 71,91 | 73,47 | 72,79 |
| CR³ (g/ave) | 5499,40 | 5496,61 | 5467,12 |
| CA4 (g/g) | 1,86 | 1,81 | 1,81 |
| IEP5 | 366,50 | 382,23 | 387,58 |
Os pesquisadores concluíram que as aves que consumiram a ração contendo APN, apresentaram peso médio final, ganho de peso médio diário e índice de eficiência produtiva maiores, aliados a melhor conversão alimentar e menor mortalidade quando comparadas às aves que consumiram o tratamento controle, com adição de APC, bem como, maior margem de lucro e produção de ácidos graxos de cadeia curta, o que provavelmente propiciou ambiente adverso para as populações de bactérias nocivas (principalmente Salmonellas e E. coli).
Tabela 2. Análise econômica de frangos de corte consumido rações sem antibióticos promotores de crescimento, com antibiótico APC ou com APN, durante o período de 42 dias
| CONTROLE | APC | APN | |
| Animais alojados | 1.000 | 1.000 | 1.000 |
| Animais terminados | 932 | 928 | 948 |
| Preço ração (kg) | 1.066 | 1.075 | 1.076 |
| Custo com ração total (R$) | 5.865 | 5.906 | 5.904 |
| Quilos produzidos no período | 2.815 | 2.868 | 2.901 |
| Ganho com venda | 8.585 | 8.746 | 8.848 |
| Lucro para lote de 1.000 aves (R$) | 2.720 | 2.840 | 2.943 |

Gráfico 1. produção de ácidos graxos de cadeia curta por farngos de corte consumido rações sem antibióticos promotores de crescimento, com antibiótico promotor de crescimento (APC) ou com aditivo prebiótico natural (APN), durante o período de 42 dias.
Blend prebiótico natural no desempenho de frangos de corte
Material e Métodos: afim de avaliar o efeito de um blend prebiótico natural (BPN) em substituição ao uso de um antibiótico promotor de crescimento (APC) sobre os parâmetros de desempenho produtivo e produção de ácidos graxos de cadeia curta, foram alojados 750 pintos de corte, machos, da linhagem Cobb 500, vacinados no incubatório contra doença de Marek e Gumboro. As aves foram distribuídas em 70 boxes de 2,0 m2 com 25 aves por boxe. A cama, de 10 cm de espessura, foi previamente utilizada por três lotes e reutilizada afim de simular os desafios das condições de campo. o delineamento experimental foi em blocos casualizados com 3 tratamentos e 10 repetições cada.
Tratamentos experimentais:
T1: Dieta basal SEM APC (controle negativo – CN)
T2: Dieta basal COM APC (controle positivo – CP)
T3: CN + BPN (2 kg/ton)
Resultados e Conclusão:
As médias de desempenho produtivo e produção de ácidos graxos de cadeia curta podem ser observadas na Tabela 1 e no gráfico 1, respectivamente.
Tabela 1 Média de desempenhos produtivo de frangos de corte alimentados com dietas com suplementação do antibiótico promotor de crescimento APC e APN
| PMI¹ | PMF² | GPM³ | CRM4 | CA5 | IEP6 | |
| CONTROLE | 46 | 3066 | 3020 | 5499 | 1,86a | 366,5 |
| APC7 | 46 | 3132 | 3086 | 5497 | 1,81ab | 382,2 |
| BPN8 | 46 | 3188 | 3141 | 5513 | 1,79b | 392,0 |

Gráfico 2. Média da produção de ácidos graxos de cadeia curta por frangos de corte alimentados com dietas com inclusão de antibiótico promotor de crescimento (APC) ou blend prebiótico natural (BPN).
As aves que consumiram o Blend Prebiótico Natural, apresentaram, melhores índices de desempenho zootécnico, destacando-se a melhor conversão alimentar, embora não apresentando diferença significativa no consumo de ração e maior produção de ácidos graxos de cadeia curta.
Considerações finais
A microbiota do trato digestório das aves de produção tem relevante papel na digestão dos alimentos ingeridos. Desequilíbrios na composição deste microambiente podem ocasionar transtornos no desempenho e na capacidade de aproveitamento dos nutrientes. Como alternativa aos tradicionais antibióticos promotores de crescimento, já estão disponíveis no mercado prebióticos caracterizados por serem aditivos naturais, atóxicos e que não induzem resistência bacteriana. Esses produtos podem ser utilizados na ração de animais de produção e companhia, com a perspectiva de estabilizar e manter uma determinada população bacteriana em condições ideais no trato digestório, sem interferir de forma negativa na sanidade, na absorção dos nutrientes das rações, no desempenho desses animais e na saúde dos consumidores.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




