Conectado com
OP INSTAGRAM

Suínos / Peixes

Prebióticos (e blends) na nutrição de leitões podem substituir promotores de crescimento

Para prevenir os efeitos prejudiciais do desmame, como mortalidade e redução no ganho de peso, é frequente o uso de antibióticos

Publicado em

em

Artigo escrito por Fabiana Luiggi, Zootecnista, Ph.D. e Coordenadora Técnica e de Pesquisas da Yes

Para qualquer suinocultor não é novidade o estresse que o momento do desmame representa para os leitões. Além de ser um momento traumático pela separação da mãe e pela necessidade de estabelecer hierarquia em um novo grupo, os animais passam por uma mudança brusca e importante no seu alimento. Os leitões deixam de receber uma dieta líquida, rica em gordura e altamente digestível, que é o leite, e passam a receber dieta sólida, menos digestível, contendo amidos, óleos e proteínas vegetais, para os quais não possuem o sistema enzimático preparado.

Nessa época, os lactobacilos presentes no estômago fermentam a lactose, produzindo ácido lático, principal agente acidificador do estômago de leitões. O controle do pH gástrico pelo ácido clorídrico é suficiente apenas em torno de dois meses e meio de vida, o que resulta em um período onde a proliferação das bactérias patogênicas é favorecida, uma vez que não se desenvolvem bem em pH ácido.

Ainda, a proteção imunológica passiva (adquirida através do colostro) alcança níveis mínimos entre 3 e 5 semanas de idade, justamente no período do desmame, deixando os leitões ainda mais suscetíveis aos fatores estressantes, culminando em menor desempenho na fase de creche. Esse menor desempenho na fase de creche certamente será notado no momento do abate, representando um prejuízo para o produtor.

Para prevenir os efeitos prejudiciais do desmame, como mortalidade e redução no ganho de peso, é frequente o uso de antibióticos que, além de atuarem como medicamentos no tratamento de enfermidades, são utilizados como promotores de crescimento.

Com a preocupação com o aparecimento de bactérias resistentes e com a presença de resíduos nos produtos finais (carne, leite e ovos), a pressão dos consumidores, órgãos regulatórios e autoridades da saúde para que ocorra a proibição do uso dos antibióticos como promotores de crescimento na nutrição animal é crescente. Assim, a partir de janeiro de 2017, os Estados Unidos se juntam ao grupo dos países que proíbem o uso desses medicamentos com essa finalidade, assim como a União Europeia, Dinamarca e Alemanha.

Diante dessa realidade, produtores e nutricionistas vêm trabalhando para desenvolver aditivos capazes de manipular a microbiota intestinal, favorecendo, através de diferentes ações, o desenvolvimento das bactérias benéficas, o que resulta em melhor saúde intestinal, maior resistência do hospedeiro a enfermidades/estresse e melhor aproveitamento dos nutrientes da dieta. Atualmente, estão disponíveis no mercado prebióticos, probióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e enzimas, utilizados isolados ou associados. O objetivo dessa matéria é abordar um pouco mais a fundo alguns prebióticos importantes na nutrição de suínos.

Prebióticos

Definidos como ingredientes alimentares não digeríveis que beneficiam a saúde do hospedeiro por estimular seletivamente o crescimento e/ou atividade de um número limitado de bactérias no intestino, os prebióticos servem de substrato para microrganismos benéficos, que irão se desenvolver e alterar a microbiota de maneira favorável à saúde do hospedeiro.

Por não serem digeridos, os prebióticos são fermentados no intestino grosso pelas bactérias benéficas, propiciando a formação de ácidos graxos de cadeia curta (em especial ácido láctico e acético). Esses compostos reduzem o pH luminal e, juntamente com outras substâncias antibacterianas e enzimas produzidas pela mesma microbiota e o aumento da exclusão competitiva, inibem o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, como E. coli, Salmonella e Clostridium.

Os prebióticos mais estudados atualmente são carboidratos denominados oligossacarídeos, ou seja, carboidratos que contêm entre 2 e 10 monossacarídeos, covalentemente ligados através de ligações glicosídicas. Entre esses oligossacarídeos estão os mananoligossacarídeos (MOS), os β-glucanos, os frutoligossacarídeos (FOS) e os galacto-oligossacarídeos (GOS). A resistência à digestão no trato gastrointestinal superior e à fermentação no intestino grosso é um dos principais critérios para escolha dos oligossacarídeos como prebióticos.

MOS e β-glucanos

A fonte mais utilizada para obtenção de MOS e de β-glucanos é a levedura Saccharomyces cerevisiae. A estrutura da parede celular da levedura é resistente à degradação das enzimas e bactérias do aparelho digestivo. A parede celular representa cerca de 30-33% da levedura, sendo 70% constituída por camadas de oligossacarídeos ligadas entre si por ligações covalentes e o restante por quitina. A camada externa da parede celular da levedura é formada por mananoligossacarídeos e a camada interna formada por β-glucanos. Essas camadas de oligossacarídeos são ligadas entre si por ligações covalentes.

Ambos os tipos de oligossacarídeos constituintes principais da parede celular têm sido reconhecidos como capazes de modular o sistema imune por meio de interações específicas com várias células imunocompetentes, melhorando a saúde e o bem-estar dos animais. O MOS, como não é digerido no organismo, possui ação prebiótica e, ainda, capacidade de aglutinar bactérias gram-negativas que possuem fímbrias do tipo I (E. coli e Salmonellas). As fímbrias bacterianas, ao invés de se ligarem aos enterócitos para colonização, são aglutinadas pelos mananos e carreadas para fora do organismo via fezes.

Os B-glucanos presentes na parede da levedura Saccharomyces cerevisiae são monômeros de glicose com ligações β-1,3 ligados a pequenos resíduos ramificados constituídos por ligações β-1,6. Os B-glucanos β-1,3 e 1,6 são capazes de adsorver determinadas micotoxinas. Ligam-se às toxinas por ligações de Van der Walls e Pontes de Hidrogênio. Dessa forma, as moléculas, agora maiores, não são absorvidas para a corrente sanguínea, sendo eliminadas nas fezes.

Esses monômeros de glicose são considerados um composto estimulador da imunidade celular, capazes de modular o sistema imune por meio de interações específicas com várias células imunocompetentes. São estruturas denominadas padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs), que são reconhecidas por receptores de reconhecimento padrão (PRRs) presentes nas células sentinelas. Esse reconhecimento ativa os leucócitos, estimulando suas atividades fagocíticas, citotóxicas e antimicrobianas. Em adição, essa ligação também desencadeia processos intracelulares, caracterizados pelo “burst respiratório” após a fagocitose de células invasoras (formação de espécies reativas de oxigênio, peróxido de hidrogênio, radical superóxido, etc.) aumentando a produção e atividade de enzimas hidrolíticas e metabólicas e iniciando processos que levam a ativação de outros fagócitos e a secreção de citocinas e outras substâncias, iniciando reações inflamatórias. Essas reações têm efeito benéfico no combate a possíveis infecções causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas, deixando o organismo mais protegido.

FOS e GOS

Os FOS e os GOS passam integralmente para o intestino grosso e no cólon promovem o crescimento de uma flora constituída, principalmente, por bactérias dos gêneros Bifidobacterium, além de Lactobacillus e alguns Streptococcus, as quais, por competição, inibem o crescimento de bactérias putrefativas.

O FOS como produto comercial é uma mistura de GF2, GF3, GF4, sacarose, glicose e traços de frutose. A produção de ácidos de cadeia curta – como o acético, butírico e propiônico – além de ácido lático por bactérias predominantemente do gênero Bifidobacterium, após a fermentação do FOS, facilitam a absorção de cálcio, magnésio e ferro.

Os GOS são produzidos a partir de lactose (soro de leite) por atividade enzimática, formando fibras de moléculas de galactose ligadas a uma molécula de glicose. De acordo com a literatura, o GOS apresenta diversos efeitos benéficos: modificação significativa na microflora colonizadora do cólon; estímulo à produção de nutrientes; decréscimo no pH do cólon e maior produção dos ácidos graxos de cadeia curta; incremento na excreção fecal de massa seca; aumento na umidade do bolo fecal através de pressão osmótica; inibição da diarreia; efeito protetor contra infecções nos tratos gastrintestinal, respiratório e urogenital; aumento na capacidade de absorção de diferentes minerais, como o cálcio; efeito benéfico no metabolismo de carboidratos e de lipídios e redução do risco de câncer de cólon.

Em resumo, os MOS apresentam efeito bifidogênico moderado e importante ação de aglutinação de bactérias como Salmonellas e E. coli. Os B-glucanos são importantes agentes imunoestimulantes, enquanto o FOS e o GOS são prebióticos bifidogênicos específicos de forte ação. Assim, o uso associado desses aditivos apresentará melhores resultados zootécnicos e relação custo/benefício. Como todos os prebióticos são utilizados para fortalecer os microrganismos benéficos presentes no trato gastrointestinal do animal, a colonização (em pulsos) do intestino com probióticos contendo bactérias específicas da microbiota do hospedeiro irá reforçar ainda mais os efeitos positivos, principalmente após momentos de estresse. Colonizar e fortalecer! Com esses avanços na nutrição animal, a falta dos antibióticos utilizados como promotores de crescimento não será sentida.

 

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

um × um =

Suínos / Peixes Mercado

PSA preocupa, mas é oportunidade para Brasil conquistar novos mercados

Para lideranças, algo que garantiu ao Brasil o aumento das exportações foi gozar de um privilegiado status sanitário

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Identificado em suínos de subsistência na China em setembro de 2018 o vírus da Peste Suína Africana deixou o mercado mundial em pânico. Isso porque a PSA é uma doença altamente contagiosa e que não tem cura nem tratamento. O vírus da PSA foi identificado pela primeira vez na África, no início do século 20, e se estima que chegou à Europa em 1957 por meio de restos de alimentos servidos em aviões contendo produtos derivados de suínos contaminados com PSA. No Brasil, o vírus foi identificado em 1978 em suínos de subsistência, em Paracambi, no Rio de Janeiro. A PSA foi erradicada e o Brasil é considerado livre da doença desde 1984.

Três anos depois de identificado novamente na China, o vírus tem causado grandes mudanças no mercado nacional e internacional. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, desde 2018, quando foi notificada na China, a PSA apareceu em outros países do sudoeste asiático, como Vietnã e já chegou a Europa ocidental (Alemanha). Ele explica que a demanda chinesa por carne suína com a redução do rebanho de lá fez com que aos poucos a maior parte das exportações brasileiras fossem direcionadas para aquele país e que o Brasil batesse recordes de exportações em 2018 e 2019, com a expectativa de aumentar também em 2021.

“A China não só substituiu a Rússia, que até 2017 foi o maior destino de nossas exportações, como fez com que quase dobrasse as nossas exportações em três anos. Este crescimento das exportações ajudou a sustentar o aumento da produção brasileira de carne suína que, só no ano de 2020 aumentou em 8,5% em relação ao ano anterior”, conta.

Lopes informa que o impacto principal sentido pelo produtor brasileiro é sobre o aumento da demanda mundial, que fez com que aumentassem as exportações nacionais, ajudando a sustentar os preços pagos ao produtor no Brasil. “Por outro lado, a tragédia observada no rebanho chinês fez com que reforçássemos as medidas de biosseguridade no país e nas granjas”, diz.

De acordo com ele, mesmo com a maior demanda da China e do aumento dos embarques, a disponibilidade de carne suína no mercado interno tem aumentado ano a ano e essa foi a proteína que mais conquistou espaço na mesa do consumidor nestes últimos anos. “Isso aconteceu, pois, a carne suína se mostrou extremamente competitiva na gondola dos supermercados, especialmente quando comparada com a carne bovina, cujo preço explodiu nos últimos anos”, afirma.

A PSA no mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), o vírus está presente na África, Europa e Ásia. Entre 2016 e o ano passado 30% dos países destes continentes relataram a doença. Na Europa, muitos países reportaram a doença pela primeira vez em 2016. Entre os países estão a Moldova, República Checa, Romênia, Hungria, Bulgária, Bélgica, Eslováquia, Sérvia, Itália, Polônia e Grécia. Já na Ásia, entre os países que reportaram o vírus, de acordo com a OIE, estão a China, Mongólia, Vietnã, Camboja, Hong Kong, as Coreias, Mianmar, Filipinas, Indonésia e Índia.

Segundo relatório da OIE, a Europa foi responsável por 67% dos surtos relatados entre 2016 e 2020. No entanto, o maior impacto em termos de perdas de animais foi observado na Ásia (82%). Além disso, importantes diferenças são vistas a nível regional. Países africanos relataram surtos apenas em suínos, na Ásia foram principalmente em suínos, enquanto na Europa os relatos foram principalmente em javalis.

De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, a PSA é transmitida principalmente pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados, como os javalis) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus. Na Europa, o ciclo de infecção mais comum detectado é o de suínos que se infectam ao ingerir produtos cárneos de origem suína contaminados com o vírus da PSA, como salames e embutidos, oriundos de restos da alimentação humana. Após alguns dias, os animais iniciam a eliminação viral por meio das secreções e excreções. Além disto, o vírus persiste no sangue e nos tecidos após a morte, tornando-se fonte de infecção para outros suínos.

Os efeitos da PSA no mercado mundial

De acordo com o diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua, a PSA começou a alterara a dinâmica do mercado em 2018. “Quando a gente falava até 2018, a produção de carne suína no mundo era de um pouco mais de 51% vinda da China. Efetivamente quando começaram os focos, isso mudou”, comenta. Ele explica que os focos se espalharam pela China e outros países da Ásia, como Vietnã e Filipinas, que são grandes consumidores da proteína. “Estes países passaram por problemas em 2018, 2019 e 2020 e, assim, vimos uma redução na produção mundial de carne suína, obviamente puxada pela China, que produzia 54 milhões de toneladas e esse número vem caindo. No ano passado o país produziu 38 milhões de toneladas, é uma diferença de 16 milhões de déficit de produção animal na China”, observa.

O diretor comenta que quando se olha para a China, que antes produziu 54 milhões de toneladas de carne suína em 2019 e no ano passado foi para 38 milhões de toneladas, há um grande déficit. Ainda mais quando as projeções mostram que em 2021 o país asiático deva produzir 42 milhões de toneladas. “Ainda é um déficit de 12 milhões de toneladas. E notamos que a China continua a crescer, a economia como um todo. Quando a China se recuperar totalmente, e ela vai, aos parâmetros anteriores, a demanda chinesa já vai ser maior que os 54 milhões de toneladas que eles produziam antes. Estimamos que eles consumam na casa das 59 milhões de toneladas daqui três anos. De alguma maneira, 54 milhões não é mais suficiente para a China”, afirma.

Rua diz que é preciso lembrar que existe a urbanização, crescimento da renda média, mais pessoas para o consumo, e tudo isso faz com que as estimativas de exportações chineses aumentem. “Mesmo a China voltando, ainda vai haver capacidade forte de importação. Isso, de alguma forma, nos dá o entendimento que o mercado asiático vai puxar as importações de carne suína do mundo”, comenta. Ele observa que o mundo todo está exportando mais para a China desde o início da PSA. “8% do que a China importava antes era do Brasil. Em 2020 nós aumentamos mais proporcionalmente que outros mercados, e passamos para 10% do que a China importou ano passado. Estamos com expectativas maiores. Se olharmos no acumulado desse ano até março, estamos exportando de maneira geral 22% a mais e para a China são 36% a mais que o mesmo período do ano passado. Então continuamos crescendo a participação no mercado chinês”, conta.

Outro ponto observado pelo diretor foi que não a doença não está acometendo somente a China e países da Ásia, mas também da Europa. “Antigamente a China produzia 54 milhões de toneladas e a União Europeia 24 milhões. Até 2018 estes dois dominavam 3/4 da produção mundial de carne suína”, afirma. Rua diz que como a doença acabou se espalhando por países europeus, isso também dificultou as negociações deles. “Países como a Alemanha, por exemplo, estão banidos de exportar para a China”, comenta.

O Brasil, assim, tem aproveitado este cenário para conquistar novos mercados e aumentar suas exportações para aqueles que já negociava. “Nós triplicamos o volume das nossas exportações para o Japão, um mercado que paga mais e é mais exigente. O Vietnã triplicou o volume de exportação de 2019 para 2020. O Brasil, de alguma forma, tem aproveitado esse dinamismo das importações do trade mundial de carne suína para conseguir um cher maior nas exportações mundiais”, afirma. Rua conta que em 2020 os Estados Unidos e o Canadá aumentaram as exportações totais em cerca de 19% enquanto o Brasil aumentou 36%.

Rua ainda destacou que este é o momento de o Brasil valorizar algo valioso que possui: o status sanitário. “Como diz o presidente (Ricardo) Santin, a gente trabalha e reza para não ter nenhuma dessas doenças aqui. Trabalhamos muito forte para evitar qualquer tipo de enfermidade nesse sentido. E isso tem permitido para o Brasil avançar de maneira significativa no mercado internacional”, menciona. Além disso, ele ainda destaca que existe no Brasil um grupo de trabalho para prevenção a peste suína africana. “Trabalhamos em um plano de ação. Não queremos usar nunca esse plano. A ideia é nunca precisar usar, mas estamos preparados”, afirma.

Para Rua, a questão mais importante em toda essa situação que tem acontecido no mercado mundial nos últimos anos é o quanto os outros países perceberam que o Brasil é confiável. “Nós temos o produto para disponibilizar. É importante destacar que no ano passado exportamos mais e isso ajudou na segurança alimentar de diversos países. Mesmo assim, nós não esquecemos do nosso consumidor, o brasileiro. Continuamos vendendo para o mercado doméstico, sendo que 75% do que a gente produz fica aqui para o nosso consumidor. Então mesmo com o aumento das exportações, nós não descuidamos do consumidor brasileiro e, ao mesmo tempo, a gente pôde ajudar na segurança alimentar de muitos países. Nós não deixamos o mercado desabastecer e oferecemos um alimento seguro, saudável e acessível”, menciona.

Conquistando mais mercados

Essa situação também permitiu que o Brasil avançasse na conquista de novos mercados para o produto carne suína. Isso lembra uma situação similar que aconteceu na avicultura, entre 2004 e 2005, quando houve surtos de influenza aviária em diversos países e o Brasil aproveitou a oportunidade, vendendo para novos mercados e se tornando assim líder nas exportações mundiais. “O Brasil tinha o status sanitário, um produto de qualidade, acessível e que era competitivo. Com isso, passamos na liderança das exportações de carne de aves”, conta.

Mas, Rua comenta que para o suíno a situação pode não ser exatamente a mesma – fazendo o Brasil se tornar líder nas exportações – mas que é preciso aproveitar a oportunidade que apareceu e, novamente, aproveitar o status sanitário privilegiado que o país tem. “Na carne suína ainda estamos longe de sermos líderes na exportação, mas mês após mês nós viemos avançando e ganhamos mais espaço no mercado mundial”, afirma. O diretor frisa que mesmo a China sendo o destino da maioria das exportações brasileiras, o trabalhando que vem sendo feito por aqui é para abrir novos mercados. “Viemos trabalhando forte nisso e o nosso status sanitário sempre deve ser colocado como um ponto fundamental”, avalia.

De acordo com Rua, a expectativa é que cada vez mais o Brasil ganhe mais mercados. “O Brasil vem aumentando a sua participação, exportando para países com bastante valor agregado, como é o caso do Japão e dos Estados Unidos, que são mercados que pagam bem e isso é importante também quando consideramos novos mercados”, diz.

Outro ponto positivo para o Brasil, segundo o diretor, foi quanto a sensatez do setor produtivo nacional. “Crescimento bom é aquele crescimento sustentável. A gente não pode fazer loucura e o setor aprender muito dessa questão no passado. O setor teve essa maturidade de entender que existe a oportunidade que deve ser aproveitada, mas de uma forma inteligente e saudável, confiando no nosso status e no produto”, comenta.

“A gente não torce e nem comemora a desgraça alheia, mas é uma oportunidade de mercado e temos trabalhado forte para manter o nosso status sanitário, trabalhando com o Mapa e as Relações Exteriores para incrementar o número de mercados. Cada vez que abre mercado, expande um pouco as exportações e isso afeta positivamente para o nosso produtor, tanto o de insumos quanto para o suinocultor”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Nova edição

Suinocultura: muito além da carne

Nova edição mostra como suinocultor brasileiro é muito mais do que somente um produtor de carne, mas também um agente presente nos cuidados com o meio ambiente

Publicado em

em

O Presente Rural

Está disponível na versão digital a nova edição de Suínos e Peixes de O Presente Rural. Nesta edição mostramos como a suinocultura brasileira é muito mais do que somente produção de carne. O suinocultor não produz somente a proteína animal, mas também trabalha a favor do meio ambiente e da preservação ambiental. Dessa forma, você, leitor, verá exemplos na prática de produtores que investiram na suinocultura e no meio ambiente, a partir de energia solar, biogás, entre outros.

Há ainda matérias sobre os cuidados que o produtor deve tomar quanto a chegada do frio, do nascimento dos suínos até a terminação. Além disso, há um encarte especial falando sobre a história da Agriness – como tudo começou até se tornar o que é hoje – e o prêmio Melhores da Suinocultura, que conheceu os vencedores de 2020.

Os artigos técnicos escritor por profissionais renomados do setor falam sobre diversos assuntos do setor suinícola e de peixes, como nutrição, bem-estar, tecnologias e novidades.

Além disso, a edição tem as novidades das principais empresas nacionais e internacionais do setor, como contratações, novos produtos e mudanças.

Você pode ler a edição na íntegra e gratuitamente aqui.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Piscicultura

Pesquisa produz material usado no controle de qualidade do filé de peixe

Além de ter em mãos um material de referência que permite avaliar a qualidade dos filés de peixe, a indústria do pescado poderá utilizá-lo para controle de qualidade de seus próprios laboratórios

Publicado em

em

Ana Maio

Você acredita que o filé de peixe que sua família consome nas refeições está dentro dos padrões de qualidade que você espera? Sabe como é feito esse controle? Imagina que tem muita pesquisa por trás dessa garantia? Laboratórios públicos e privados que avaliam a qualidade dos filés de peixe no Brasil já receberam amostras do material de referência de tecido de peixe produzido pela Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP).

O que é isso? Materiais de referência servem de padrão para que laboratórios comparem os resultados de suas análises feitas em produtos que recebem da indústria (ex: filé de pescado) com esse “modelo com valores conhecidos”. Assim, é possível saber se os laboratórios não apresentam erros nos resultados dos componentes químicos da amostra recebida, importante para manter a qualidade exigida pelos padrões internacionais e pela legislação brasileira.

Dois grandes produtores comerciais de peixe do Brasil foram convidados pela PeixeBR (Associação Brasileira de Piscicultura) a doar o material que serviu de base para os estudos. Isso é importante porque o material produzido pela pesquisa é bastante parecido com as amostras que são analisadas e comercializadas pela indústria do pescado, ou seja, com aquele peixe que chega à mesa do consumidor.

E sim, tem muita pesquisa por trás desses chamados materiais de referência. De acordo com a pesquisadora Ana Rita Nogueira, da Embrapa Pecuária Sudeste, os peixes recebidos dos fabricantes foram devidamente moídos, homogeneizados, peneirados e envasados. A partir desse pó diversas ações de pesquisa foram realizadas, incluindo uma série de análises químicas e avaliações estatísticas.

Essas atividades resultaram uma carta controle que a equipe da Embrapa elaborou e enviou aos laboratórios, com as indicações dos valores definidos, por exemplo, de cálcio, fósforo, magnésio, potássio, cobre, ferro, manganês e zinco e suas incertezas associadas. A amostra produzida e a respectiva carta controle foram distribuídas para os Laboratórios Nacionais Agropecuários e outros laboratórios interessados.

Controle interno

Além de ter em mãos um material de referência que permite avaliar a qualidade dos filés de peixe, a indústria do pescado poderá utilizá-lo para controle de qualidade de seus próprios laboratórios, tanto na calibração de instrumentos quanto para diagnosticar problemas com os métodos utilizados.

Recentemente, a Embrapa – maior empresa de pesquisa agropecuária tropical do mundo – desenvolveu e distribuiu aos laboratórios o material de referência de ração de peixes. Na mesma lógica do tecido de peixe, esse outro pó está sendo utilizado por laboratórios que atestam a qualidade das rações de peixe no Brasil.

Todas essas pesquisas são resultados do BRS Aqua, o maior projeto de pesquisa em aquicultura já desenvolvido no país. A iniciativa envolve mais de 20 centros de pesquisa da Embrapa e cerca de 270 empregados da empresa. Ele é financiado pelo Fundo Tecnológico (Funtec) do BNDES, pela Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca e pela própria Embrapa.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
Continue Lendo
Boehringer webinar

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.