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Pré-Congresso do IPVS2022 dá pontapé inicial para atualização e decisões do setor suinícola mundial
Primeiro dia do evento foi marcado pelo reencontro presencial de lideranças dessa cadeia produtiva no Rio de Janeiro.

Atender as necessidades do setor suinícola mundial e trazer inovação. Estas foram as diretrizes da programação do Pré-Congresso do IPVS2022, que ocorreu na terça-feira (21), dando início à programação oficial da 26ª edição do evento, que vai até sexta-feira (24), no RioCentro, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Reconhecido como o mais importante evento científico da suinocultura mundial, o IPVS2022 marca o retorno do congresso ao Brasil depois de 34 anos, reunindo mais de duas mil pessoas. “Após dois anos de muito esforço para tirar este congresso do papel, o resultado reforçou o apoio de toda a classe suinícola ao evento. Percebemos o avanço científico da atividade, que mesmo com a pandemia, não parou de evoluir”, ressaltou a presidente do IPVS2022 Fernanda Almeida.
O evento, que tem como tema “Novas perspectivas para a suinocultura: biosseguridade, produtividade e inovação”, é composto por 26 sessões distribuídas ao longo de quatro dias de evento. Neste dia 21, os participantes tiveram acesso à grade de palestras do Pré-Congresso, uma novidade em Congressos IPVS, que trouxe temas como reprodução, uso de antimicrobianos, sanidade, imunologia e vacinologia, nutrição, bem-estar, Peste Suína Africana (PSA), dentre outros.
Um dos destaques do dia ficou por conta da sessão de agronegócio. Inédito na programação da história do IPVS, o painel reuniu lideranças do setor, que buscaram criar uma sólida aliança entre a ciência e a agroindústria a fim de construir pontes entre os dois polos da cadeia produtiva. “Inserimos o painel ‘Agronegócio’ em nossa programação por entender que precisamos nos preparar de maneira holística, ou seja, associar teoria e prática para que tenhamos sucesso nos resultados produtivos”, declarou o diretor de relações institucionais do IPVS2022, diretor executivo de agropecuária e sustentabilidade da JBS/Seara e presidente do Sindicarne, José Antônio Ribas.
Nutrição foi outro tema de destaque no Pré-Congresso, hoje o grande gargalo da cadeia produtiva devido aos altos custos dos insumos. “A suinocultura brasileira tem grande expressividade no agronegócio brasileiro, produzindo 14,329 milhões de toneladas, terceiro lugar no ranking mundial e exportando 4,610 milhões de toneladas, o que garante o primeiro lugar do pódio nos negócios internacionais desta proteína. Para melhorar ainda mais a eficiência produtiva das granjas, é necessário buscar a continua evolução da conversão alimentar, buscando melhores índices para gerar um desempenho econômico mais positivo”, explicou a presidente do IPVS2022.
Biosseguridade
Na sessão que apresentou uma série de medidas para prevenção e controle da Peste Suína Africana no mundo, o professor de saúde animal da Universidade Complutense de Madrid (ESP) e diretor do laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), José Manuel Sánchez Vizcaíno, apresentou os fatores de risco para o ingresso da Peste Suína Africana mundial e o desenvolvimento de vacinas. “É preciso reforçar o controle de entrada de alimentos nos aeroportos brasileiros. O turista vai viajar, traz um embutido, por exemplo, e não imagina que, através daquela iguaria, pode trazer o vírus da PSA. A comunidade subestima a gravidade do transporte de alimentos e isso pode ser a porta de entrada para uma epidemia”, alertou.
Sobre o status sanitário do Brasil com relação à PSA, a professora Fernanda Almeida reafirmou que o controle sanitário é patrimônio nacional. “Nós não temos esse status sanitário porque ‘Deus é brasileiro’, mas, sim, porque somos muito bons no que fazemos”.
Antimicrobianos
Um dos temas abordados no Pré-Congresso do IPVS 2022 foi uma ampla análise sobre o uso de antimicrobianos na produção de suínos e o impacto do crescimento da resistência ao uso destes medicamentos na saúde animal e também na saúde humana.
O professor da Ghent University, da Bélgica, Jeroen Dewulf, debateu o uso de antimicrobianos na produção de suínos na Europa e, segundo ele, nesta questão, “menos é mais”. “Cerca de 33 mil pessoas morrem no mundo devido à resistência bacteriana, porém a maior parte não está associada à produção animal”, apontou. “A interação ser humano eanimal precisa ser muito bem analisada e por isto está crescendo muito o conceito one health (saúde única). Somente assim podemos avançar no conhecimento de como se usa os antibióticos e reduzir a resistência antimicrobiana”, destacou. De acordo com ele, o endurecimento da legislação na Europa é um fato. “Somente assim conseguiremos controlar melhor o impacto da resistência causada pelo uso excessivo de antimicrobianos”, afirmou.
Na sequência, a professora da Universidade Federal de Santa Catarina Maria José Hötzel analisou esta questão do ponto de vista do Brasil. “O uso de antimicrobianos é uma realidade em diferentes fases da vida dos suínos. Não creio que banir o uso seja o melhor caminho, mas, sim, criar mecanismos, inclusive legais, para controlar a supermedicação de maneira geral”, salientou.
Ela ainda analisou a importância da biosseguridade e bem-estar na produção suinícola. “Estes são os aspectos mais importantes para o trabalho de eliminação das doenças nas granjas”, afirmou. “Há muito exagero no que se fala sobre o tema, sem o devido conhecimento sobre aspectos técnicos. Uma coisa é certa: precisamos de antibióticos para controlar a sanidade”, disse.
O médico-veterinário Locke Karriker traçou um perfil sobre o uso de antimicrobianos na produção de suínos na América do Norte, apontando que há um grande esforço global quanto ao uso de antimicrobianos. “Precisamos melhorar o uso responsável destes medicamentos nos Estados Unidos também. Um reflexo é o endurecimento das leis sobre o tema”, destacou.
Os mercados importadores, segundo Karriker, exercem uma forte pressão para decisões sobre o uso de antimicrobianos. “Por isso, a legislação caminha para ser mais restritiva e regulamentada. É uma questão difícil, que envolve, acima de tudo, motivação no campo de todos os atores envolvidos, inclusive dos médicos-veterinários”, analisou. “Uma coisa é certa: não teremos novas drogas no mercado e por isso precisamos desenvolver melhores práticas para lidar com as que dispomos no mercado”.
O professor da Swedish University of Agricultural Sciences Ulf Magnusson discorreu sobre o tema “Uso de antimicrobianos e administração na produção de suínos no leste e sudeste da Ásia – uma atualização”. Segundo ele, a produção de suínos é a que mais se usa antimicrobianos. “Em algumas regiões do mundo é muito difícil de acompanhar o respeito às legislações. Precisamos mudar o perfil do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e preventivos”, afirmou. “Como prevenção ainda é o maior problema se comparado ao uso como promotores e como a projeção aponta um crescimento da produção de suínos na Ásia, tornando-a ainda mais intensiva, são extremamente necessárias medidas contra o uso excessivo destes medicamentos e se o uso abusivo continuar, os antimicrobianos serão cada vez menos eficientes devido ao aumento da resistência gerada”, disse.
Formato inédito
Elaborado de acordo com as necessidades do novo normal, a edição brasileira do IPVS2022 foi elaborada em formato híbrido e democrático, onde as palestras são oferecidas com tradução simultânea em inglês, português e espanhol.
Nos próximos três dias, o congresso segue com suas programação de palestras, abordando assuntos como doenças bacterianas e virais, vacinologia, antimicrobianos e bem-estar animal. “Basicamente o conteúdo apresentado reflete na demanda científica da suinocultura mundial”, relata Fernanda Almeida
Além destas sessões, os congressistas terão acesso ao resultados dos resumos selecionados pela banca examinadora. “Teremos apresentações e um espaço onde os pôsteres estarão abrigados, para que todos possam conferir o que há de mais atual em termos de soluções para o setor suinícola”, conta a presidente.
Com relação a Feira de Negócios, a organização do evento comemora a adesão das principais empresas do setor. “Recebemos o apoio dos expositores, que farão do IPVS2022 uma vitrine para divulgar seus produtos e serviços. Isso além de conferir confiabilidade ao evento, mostra o potencial do Brasil na suinocultura mundial”, encerra.
Somando forças com o IPVS2022
O IPVS2022 conta com o apoio das principais entidades da suinocultura brasileira, como: Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Suínos e Aves, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS), Sindicarne-SC e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
O IPVS2022 tem como Partner as empresas Boehringer-Ingelheim, Farmabase, Hipra, MSD e Zoetis. Na categoria Supporter, temos a presença da Ceva e Elanco. As empresas Agroceres PIC, Biofarma, DB-Dan Bred, Idexx, Ourofino, Pharmacosmos, Sanphar, Trouw Nutrition, Vetanco e Virbac formam o grupo dos patrocinadores Platinum e no grupo Gold temos Crystal Spring, Magapor, Microvet, Phytobiotics, Thermo Fisher, Tonisity, VetScience, Vetoquinol, Lanxess, BioChek e Apha Scientific. Além destas, as empresas Adisseo, Boehringer-Ingelheim e ICC patrocinam o Pré-Congresso do IPVS2022.
O evento apresenta como parceiros de mídia os veículos 333 Brasil, 333 Internacional, Academia Suína, Ediciones Pecuarias/Acontecer Porcino, Engormix, Feed & Food, Maiz Y Soya, MAP, O Presente Rural, Pig Progress, Piscishow e Avisuleite, Suíno Brasil, Suino.com, Suinocultura Industrial, SuiSite, Veterinária Digital e Globo Rural.

Notícias
Agro paranaense registra cenários distintos entre cadeias produtivas
Boletim do Deral mostra cenário diversificado no agro paranaense, com queda nos preços do leite, encerramento do defeso na piscicultura, recordes na suinocultura, redução de área no trigo e avanço da colheita de milho na primeira e segunda safra.

O mercado agropecuário paranaense apresenta movimentos distintos entre cadeias produtivas, com queda nos preços do leite ao produtor, recordes na suinocultura e avanço da colheita de milho. As informações constam no boletim conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral).
No setor leiteiro, o preço pago ao produtor voltou a cair em fevereiro e foi cotado, em média, a R$ 2,11 por litro no Paraná. Na última pesquisa semanal de preços do Deral, realizada entre 23 e 27 de fevereiro, o valor pago pela indústria foi de R$ 2,13 por litro. No atacado, os derivados apresentaram comportamentos diferentes: o queijo minas recuou quase 4% em fevereiro, enquanto a muçarela registrou leve alta de 0,66%. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, ambos apresentam queda, de 20,09% e 12,68%, respectivamente.

Foto: Shutterstock
Na piscicultura, o destaque é o encerramento do período de defeso (Piracema) no Paraná, ocorrido em 28 de fevereiro. Durante o defeso há restrições à captura de espécies nativas para garantir a reprodução dos peixes. Já a pesca de espécies exóticas, como tilápia e carpa, permaneceu permitida ao longo do período.
A suinocultura brasileira encerrou 2025 com novos recordes de produção, exportação e disponibilidade interna. A produção total chegou a 5,598 milhões de toneladas de carne suína, crescimento de 4,5% em relação a 2024. O resultado foi impulsionado pelo abate de 60,15 milhões de suínos, também o maior já registrado.
Do volume produzido, 1,471 milhão de toneladas foram destinadas ao mercado externo, o equivalente a 26,3% da produção nacional, com alta de 12,7% nas exportações frente ao ano anterior. A disponibilidade interna atingiu 4,150 milhões de toneladas, o maior nível da série histórica. Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento, com possibilidade de novos recordes, especialmente em produção e exportações.

Foto: Cleverson Beje
No cultivo de trigo, o Paraná perdeu nos últimos anos a liderança nacional para o Rio Grande do Sul, movimento associado ao avanço do milho segunda safra, que passou a ocupar áreas antes destinadas ao cereal, principalmente nas regiões Norte e Oeste do estado. Para a próxima safra de inverno, a expectativa é de nova redução na área plantada, que deve ficar abaixo dos 824 mil hectares colhidos no ciclo anterior.
Apesar da menor área cultivada, o estado mantém forte presença na indústria. O Paraná possui capacidade de moagem de cerca de 4 milhões de toneladas de trigo, segundo dados da Abitrigo, e utiliza grande parte desse potencial. Em 2025, o estado também registrou recorde de importações de trigo, com 879 mil toneladas, provenientes principalmente da Argentina e do Paraguai, para suprir a demanda da indústria.

Foto: Divulgação/Seab
Já no milho, a colheita da primeira safra 2025/26 alcançou 54% da área estimada de 341 mil hectares, com produtividades consideradas dentro do esperado e, em alguns casos, superiores às projeções iniciais. Neste ciclo, a área plantada é 21,5% maior que a registrada na safra anterior.
A região Sudoeste apresentou a maior expansão, com aumento de 55,1% na área cultivada, passando de 48,8 mil para 75,7 mil hectares. Já a região Sul, principal produtora do estado na primeira safra, ampliou a área em 17,2%, totalizando 208,4 mil hectares, o equivalente a 61% da área plantada no Paraná.
O plantio da segunda safra de milho 2025/26 também avança e já atinge 62% da área estimada de 2,86 milhões de hectares, com os trabalhos concentrados principalmente na região Norte do estado, onde o plantio ocorre tradicionalmente durante o mês de março.
Colunistas
Dois Master, dois Brasis
Enquanto um “Master” aparece associado a investigações e suspeitas, o outro anuncia R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, expansão industrial, ampliação do sistema de integração e mais recursos nas propriedades rurais.

O noticiário desta semana trouxe novamente à tona o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Polícia, investigação, disputas judiciais, cifras bilionárias bloqueadas. É o Brasil que costuma ocupar as manchetes: o das crises financeiras, das conexões políticas, das operações policiais.
Mas existe outro Master no país.
Fica a mais de mil quilômetros de Brasília, em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, onde a política raramente chega às capas – mas de onde saem toneladas de proteína animal para o mundo. Ali opera a Master Agroindustrial, fundada pelo médico-veterinário Mario Faccin, filho de agricultores que se tornou o maior suinocultor independente do Brasil.

Artigo escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Enquanto um “Master” aparece associado a investigações e suspeitas, o outro anuncia R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, expansão industrial, ampliação do sistema de integração e mais recursos nas propriedades rurais. Hoje a empresa integra 350 produtores, emprega cerca de 2 mil pessoas e produz 1,1 milhão de suínos por ano, grande parte destinada à exportação.
São histórias que não têm qualquer relação entre si. Apenas compartilham o nome.
Mas a coincidência é reveladora.
O Brasil urbano e político costuma dominar o debate nacional com seus escândalos, crises institucionais e disputas de poder. Já o Brasil produtivo – espalhado por integradoras, cooperativas, agroindústrias e propriedades rurais – raramente vira manchete, embora sustente boa parte das exportações, da renda e da estabilidade econômica do país.
Um aparece nos autos.
O outro aparece nas planilhas de produção.
Um vive do ruído.
O outro, do trabalho.
No fim das contas, talvez a coincidência de nomes sirva apenas para lembrar que existem dois Brasis convivendo ao mesmo tempo.
Um produz manchetes.
O outro produz comida.
Notícias
Conflito no Oriente Médio eleva preço do petróleo e fertilizantes
Alta da energia encarece diesel e logística do agro e aumenta preocupação com custos da safra, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA.

A escalada das tensões no Oriente Médio após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no último fim de semana trouxe reflexos para mercados globais estratégicos, como energia, fertilizantes e alimentos, com possíveis impactos também para o agronegócio brasileiro.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o conflito ocorre em uma região considerada central para a economia mundial, por concentrar parte importante da produção e do transporte de petróleo, gás natural e insumos utilizados na agricultura. A intensificação das ações militares elevou o risco geopolítico e provocou volatilidade nos preços internacionais.

Foto: Rodrigo Felix Leal/SEIL
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, além de volumes relevantes de gás natural. Após os ataques ao Irã, houve interrupções e restrições na navegação da região, o que levou empresas marítimas a evitarem o corredor e aumentou custos de frete e seguro. Como reação imediata do mercado, o petróleo tipo Brent registrou alta superior a 10%, ultrapassando US$ 80 por barril, nível que não era observado desde o início de 2025.
O encarecimento do petróleo tende a refletir diretamente no custo do diesel, combustível essencial para operações agrícolas, transporte interno e logística de exportação no Brasil. Como o país depende fortemente do transporte rodoviário, a alta do combustível pode pressionar as margens do produtor e aumentar os custos logísticos das exportações de grãos, carnes e açúcar.
Outro ponto sensível é o mercado de fertilizantes. O Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações globais de ureia, além de ter participação relevante em amônia e fosfatados. O Irã está entre os principais produtores de fertilizantes nitrogenados e também fornece gás natural para outros países exportadores da região.

Foto: Divulgação/SAA SP
Com o aumento das tensões, fornecedores da região retiraram ofertas do mercado internacional à espera de maior clareza sobre preços e logística. Em poucos dias, a ureia registrou alta superior a 10%, com cotações no Egito passando de US$ 540 por tonelada. Ao mesmo tempo, os preços do gás natural, principal matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados, subiram fortemente após a paralisação da produção em uma grande planta do Catar, atingida por ataque de drone.
Por que essa situação é relevante para o Brasil?
Para o Brasil, a situação é relevante porque o país importa cerca de 80% a 85% dos fertilizantes que consome, e aproximadamente um terço da ureia importada tem origem direta ou indireta no Oriente Médio. Em 2025, o Irã teve participação relativamente pequena nas importações brasileiras, mas exerce influência na formação de preços e no fornecimento regional de gás natural utilizado na produção de fertilizantes.
No curto prazo, o impacto sobre o produtor brasileiro tende a ser limitado, já que o país não está no período de pico de compras de fertilizantes nitrogenados. Para a segunda safra 2025/26, praticamente todo o volume necessário já foi adquirido. Já para a safra de verão 2026/27, as compras realizadas até agora representam cerca de 30% da demanda esperada, abaixo da média histórica de 40%.

Foto: Claudio Neves
A região do Oriente Médio também é um mercado importante para as exportações do agronegócio brasileiro. O Irã, por exemplo, foi responsável por cerca de 23% das exportações brasileiras de milho em 2025. Até o momento, analistas não projetam interrupções significativas no comércio, mas apontam possibilidade de aumento nos custos logísticos caso a instabilidade no Estreito de Ormuz persista.
Entre os fatores que podem reduzir parte dos impactos está a retomada parcial da produção de fertilizantes nitrogenados no Brasil, com a reativação de unidades industriais no Nordeste, além da possibilidade de diversificação de fornecedores e uso de fontes alternativas, como o sulfato de amônio.
Mesmo assim, o cenário exige atenção. A combinação entre tensões geopolíticas, volatilidade nos preços de energia e a elevada dependência brasileira de fertilizantes importados pode afetar o planejamento da próxima safra e os custos de produção nos próximos meses.





