Notícias
Prazo de vigência da IN 14 de 2016 é prorrogado
A ampliação favorece os produtores que fabricam ração para o consumo próprio
A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), após solicitar a protelação da Instrução Normativa (IN) nº 14 de 2016 ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), comemora a publicação desta quinta-feira (19), do Diário Oficial da União referente a prorrogação do prazo para vigência da IN 14, a qual define normas para as fábricas de ração animal que produzem o alimento com medicamentos.
A Secretaria de Defesa Agropecuária publicou a Instrução Normativa nº 25 de 12 de julho de 2017 com o objetivo de prorrogar o prazo para adequação dos estabelecimentos que fabricam, importam e manipulam produto veterinário até o dia 18 de julho de 2019.
A suinocultura independente no Brasil representa hoje cerca de 40% dos produtores de suínos, os quais possuem fábricas próprias de ração sem fins comercias. Estes produtores congregam aproximadamente 680 mil matrizes em diversos estados. Muitos já adotam alguns requisitos da IN 14 de 2016 e da IN 04 de 2007, porém no último ano (2016) o setor enfrentou uma grave crise desencadeada pelo aumento excessivo do valor do milho, principal componente da ração, que em algumas regiões chegou a custar mais de R$ 60,00 por saca de 60kg. Esta crise tirou alguns pequenos suinocultores independentes da atividade e os demais tiveram que contrair empréstimos para permanecer na atividade. Diante deste quadro as adequações necessárias para se cumprir a IN 14 de 2016 ficaram em segundo plano e voltaram ao horizonte do produtor mais recentemente em 2017 com o início de sua recuperação econômica e financeira. Outro fator que ainda dificulta as adequações é a dificuldade de acesso destes produtores ao crédito para realizar as inovações e adequações técnicas necessárias.
“A principal dificuldade do setor produtivo em se adequar a esta norma se deve às adequações paralelas requeridas pela Instrução Normativa nº 04 de 2007 que trata das boas práticas de fabricação” alerta presidente da ABCS, Marcelo Lopes. Para cumprir a IN 14 e continuar fabricando ração com medicamentos os produtores deveriam cumprir também as boas práticas de fabricação detalhadas na IN 04/2007, “caso o produtor não atinja a pontuação mínima de 80% dos requisitos da IN 04 ele automaticamente não poderia mais fabricar ração com medicamentos a granel, podendo apenas utilizar premixes medicados que já vem prontos das indústrias de nutrição animal. Isso gera uma grande dificuldade operacional pois em casos de emergência, o premix medicado pode demorar semanas para chegar na granja”, explica Lopes.
Atuação da ABCS
Entendendo a importância de normativas sanitárias adequadas para a garantia da qualidade da produção de proteína animal brasileira, a ABCS protocolou no dia 05 de junho um ofício solicitando a Secretaria de Defesa Agropecuária – SDA a prorrogação do prazo de adequação e registro de fábricas de ração para consumo próprio junto ao MAPA . O pedido teve o apoio direto da Frente Parlamentar da Suinocultura e a ação política foi coordenada pelo Deputado Valdir Collato que em nome dos demais membros também protocolou ofício requisitando a adequação do prazo para estes produtores.
"O Ministério da Agricultura entendeu a solicitação que apresentamos, levando em conta a inviabilidade de implantar as regras da Instrução Normativa nº 14/2016, nas propriedades. Esse novo prazo permitirá que as propriedades se adaptem as exigências e permitirá que os produtores continuem com as atividades de suinocultura independente e bovinocultura de leite" explica o Deputado Federal Valdir Colatto, PMDB-SC.
A fim de garantir a prorrogação do prazo a ABCS se comprometeu com o Secretário de Defesa Agropecuária do MAPA, Luiz Rangel, a debater as diretrizes de adequação para o setor com a área técnica do Ministério no segundo semestre de 2017. A primeira discussão sobre a importância de haver normas que controlem o uso de medicamentos na produção de suínos nacional ocorreu com o setor produtivo durante o XVII Seminário Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura – SNDS em Atibaia, São Paulo. Na ocasião o Secretário Rangel esteve presente em um debate com outras entidades do setor produtivo para discutir o consumo consciente de antibióticos a fim de permanecermos competitivos no mercado frente as crescentes demandas dos consumidores e organizações por um menor uso de antibióticos na pecuária.
Fonte: ABCS

Notícias
Conferência em Brasília discute como ciência e inovação podem acelerar metas da Agenda 2030 no Brasil
Encontro da rede ligada à pesquisa agropecuária reúne governo, setor produtivo e sociedade civil para debater educação, bioeconomia e uso de inteligência artificial no desenvolvimento sustentável.

Brasília sediará, no dia 22 de abril, a Conferência Livre da Rede ODS da Embrapa, evento que reunirá especialistas, gestores públicos, representantes de ministérios e empresas públicas, organismos internacionais, do setor produtivo e movimentos sociais para discutir o papel da ciência, tecnologia e inovação na implementação da Agenda 2030 no Brasil.
A iniciativa integra as atividades comemorativas dos 53 anos da Embrapa e será realizada em formato semipresencial, na sede da instituição, com participação estimada de cerca de 100 pessoas. O encontro também se conecta à preparação da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), considerada estratégica para alinhar políticas públicas e desenvolvimento sustentável no país.
A proposta da conferência é fortalecer a articulação entre diferentes setores — governo, comunidade científica, setor produtivo e sociedade civil — em torno de soluções que integrem educação, inovação e desenvolvimento territorial.
Para Ana Maria Costa, pesquisadora da Assessoria de Relações Institucionais e Governamentais (ARIG) e à frente das ações de relacionamento institucional da Rede ODS Embrapa, o evento cumpre um papel estratégico de conexão entre atores e agendas: “a Conferência Livre amplia o diálogo entre diferentes setores e fortalece a articulação institucional necessária para transformar conhecimento em ação. É nesse espaço que construímos pontes entre ciência, políticas públicas e as demandas reais da sociedade”.
Entre os temas centrais estão ODS 4 (Educação de Qualidade) e ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), considerados pilares para ampliar a capacidade tecnológica e promover uma industrialização sustentável no Brasil.
De acordo com o documento que embasa a proposta, o país já possui uma base consolidada de industrialização de matriz biológica, como a cadeia sucroalcooleira, mas ainda enfrenta o desafio de ampliar sua complexidade tecnológica e promover maior inclusão produtiva. Nesse contexto, a pesquisa agropecuária e a integração com a educação técnica e profissional são apontadas como fundamentais para impulsionar a bioeconomia e o desenvolvimento regional.
Outro destaque do encontro será o debate sobre o uso da chamada Inteligência Artificial Regenerativa, aplicada ao manejo sustentável dos recursos naturais.
Para Betulia de Morais Souto, da Gerência-Adjunta de Inclusão Socioprodutiva e Digital da Diretoria de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia (DINT) e à frente das ações de engajamento interno da Rede ODS, a conferência também representa um movimento de mobilização institucional: “a Rede ODS é, antes de tudo, um espaço de engajamento. A conferência fortalece essa construção ao mobilizar pessoas, conectar iniciativas e ampliar a consciência sobre o papel de cada área e de cada membro da rede na agenda ODS”, explica.
Para ela, a tecnologia pode, por exemplo, apoiar práticas agrícolas mais eficientes, com redução de insumos químicos e aumento da captura de carbono, contribuindo para a sustentabilidade dos biomas brasileiros.
Segundo Marisa Prado, da Supervisão de Sustentabilidade Corporativa da Diretoria de Governança e Informação (DEGI) – área que ancora a Rede ODS Embrapa – e coordenadora do processo e do Grupo de Trabalho, o evento se configura como um espaço estruturante da agenda de sustentabilidade.
A conferência contará com a participação de representantes dos poderes Legislativo e Executivo e de instituições estratégicas, como ministérios, bancos públicos e entidades de fomento à inovação. Também estão previstas contribuições de organizações da sociedade civil, movimentos sociais e entidades científicas, ampliando o diálogo entre diferentes perspectivas e saberes.
A programação inclui painéis de discussão, grupos de trabalho e uma plenária final para consolidação de propostas que poderão contribuir para políticas públicas e estratégias nacionais voltadas ao desenvolvimento sustentável.
Para os organizadores, a realização do evento em Brasília reforça o papel da capital como centro de articulação política e institucional, favorecendo a construção de soluções integradas para os desafios da sustentabilidade. A expectativa da diretora de Governança e Informação, Selma Beltrão, é que encontro contribua para fortalecer políticas públicas, ampliar parcerias e acelerar a adoção de tecnologias voltadas à melhoria da qualidade de vida, especialmente em comunidades rurais e em situação de vulnerabilidade.
As inscrições poderão ser feitas neste link. O evento será híbrido e o público poderá participar das discussões.
Notícias
Seminário da Mulher da C.Vale reúne mil participantes em Palotina
Capitão da reserva do Corpo de Bombeiros, Léo Farah, usou experiências em Mariana e Brumadinho para falar sobre disciplina, família e pequenas atitudes.

Cerca de mil mulheres participaram, na quinta-feira (09), do 26º Seminário da Mulher promovido pela C.Vale, na Asfuca, em Palotina (PR). A principal atração foi o consultor corporativo Léo Farah, capitão da reserva do Corpo de Bombeiros, que utilizou experiências em grandes operações de salvamento para tratar de disciplina, missão coletiva e rotina pessoal.

Ao relembrar atuações nas tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), em Minas Gerais, o palestrante afirmou que grandes resgates salvam vidas, mas são os pequenos gestos que salvam almas. “Se você quer mudar o mundo, comece por arrumar a sua cama. São os cuidados com as pequenas atitudes que geram confiança”, exaltou.
Farah também ressaltou a prioridade do bem coletivo sobre preferências individuais. “Não se trata do que você quer, mas do que a missão ou a família precisam. As coisas mais importantes de nossas vidas são os nossos filhos”, evidenciou.
O vice-presidente da C.Vale, Ademar Pedron, informou que as mulheres representam 20% dos 30 mil associados da cooperativa e 42% dos 15 mil funcionários.
Além da palestra, o evento contou com apresentação da Orquestra Sinfônica de Palotina. O radialista Juca Bala conduziu momentos de descontração ao longo da programação.
Entre as participantes, a avaliação foi positiva. “Eu venho todo ano e adoro, mas igual a esse não teve. Saio muito feliz, a gente aprende muito. Foi uma noite muito linda e divertida”, destacou Dulce Schuchardt, de Maripá. “O seminário valoriza a mulher, sempre é muito bem organizado”, acrescentou Tânia Sponchiado, de Palotina.
A professora Gleice Romão Richter definiu o encontro como momento de crescimento pessoal e profissional e relatou que a palestra reforçou a importância de valorizar a família. E a nutricionista Fabrícia Aires Kufeld, participando pela primeira vez, classificou a experiência como maravilhosa e comentou, em tom descontraído: “Acho até que vou comprar um pedaço de terra”.
Notícias
Variantes silenciosas do Gumboro desafiam controle sanitário nas granjas
Pesquisador mostrou durante 26º SBSA que formas subclínicas do vírus se espalham sem sinais aparentes e exigem diagnóstico mais sensível, monitoramento constante e estratégias regionais de controle.

Os desafios sanitários e as novas estratégias de controle do vírus de Gumboro estiveram no centro das discussões que encerraram a programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó. Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle do vírus” foi conduzida pelo pesquisador Gonzalo Tomás, que destacou a complexidade crescente no enfrentamento da enfermidade.
Professor da Secção de Genética Evolutiva da Universidade da República (Uruguai), Gonzalo trouxe uma análise atualizada sobre os genótipos do vírus que circulam no Brasil e em diferentes regiões do mundo, ressaltando que a diversidade genética tem sido um dos principais entraves para o controle eficaz da doença.
Segundo ele, o vírus de Gumboro segue como um problema global e passa por uma mudança epidemiológica importante. “Observamos diferentes variantes com características genéticas, antigenicidade e patogenia distintas, o que desafia as estratégias tradicionais de controle”, explicou.
De acordo com o pesquisador, há uma redução nos casos clínicos evidentes, mas um aumento significativo das formas subclínicas da doença. “Muitas dessas variantes não causam infecção com sinais clínicos evidentes, mas continuam se replicando e causando prejuízos produtivos. Isso faz com que o problema passe despercebido, enquanto o vírus segue circulando”, alertou.
Gonzalo destacou que, diante desse cenário, os métodos convencionais têm se mostrado insuficientes para o controle de algumas variantes. “As evidências indicam que os esforços atuais não estão sendo suficientes para determinados genótipos, e precisamos entender melhor as razões para isso”, pontuou.
Como caminho para avançar no controle da doença, o pesquisador reforçou a necessidade de intensificar o monitoramento sanitário e aprimorar as ferramentas de diagnóstico. “É fundamental ampliar a coleta sistemática de amostras nas granjas, investir em técnicas mais sensíveis e rápidas de diagnóstico e avançar na caracterização genética dos vírus, inclusive em aves aparentemente saudáveis. Precisamos procurar ativamente, porque muitas vezes não sabemos que o vírus está presente”, destacou.
Ele também enfatizou a importância de desenvolver estratégias de controle mais adaptadas à realidade local. “Precisamos de ferramentas alinhadas às variantes que estão circulando em cada região. Esse é um passo essencial para aumentar a eficiência das medidas sanitárias e reduzir os impactos da doença na produção”, concluiu.
Influenza aviária
Na sequência, a auditora fiscal federal agropecuária, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Taís Barnasque, apresentou um panorama prático sobre o Plano de Contingência para Influenza aviária, com base em um caso real no Brasil.
A palestra demonstrou a importância de respostas rápidas, treinamento contínuo dos profissionais para o enfrentamento de emergências sanitárias, integração entre órgãos e execução rigorosa de medidas como vigilância epidemiológica, interdição de áreas, eliminação de focos e desinfecção, fundamentais para conter a disseminação da doença e restabelecer o status sanitário.
