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“Práticas sustentáveis são fundamentais para os negócios prosperarem”, afirma presidente da Ocergs
No Rio Grande do Sul, integram o Sistema Ocergs-Sescoop 423 cooperativas de sete ramos diferentes: agropecuário, crédito, infraestrutura, saúde, transporte, trabalho, consumo, além da produção de bens e serviços. Em 2021, o número de cooperados cresceu 6,6%, alcançando 3,2 milhões de pessoas, o que reforça a confiança da sociedade gaúcha no sistema cooperativista.

Por seus princípios e valores, as cooperativas estão mais próximas dos pilares ESG (conjunto de boas práticas sociais, ambientais e de governança) do que os demais segmentos empresariais, e tem atuado fortemente para fomentar uma cultura mais sustentável em suas atividades, principalmente em decorrência do novo momento em que vivemos, onde o mercado e os consumidores exigem posturas mais transparentes e negócios que não agridam o meio ambiente.
No Rio Grande do Sul, integram o Sistema Ocergs-Sescoop 423 cooperativas de sete ramos diferentes: agropecuário, crédito, infraestrutura, saúde, transporte, trabalho, consumo, além da produção de bens e serviços. Em 2021, o número de cooperados cresceu 6,6%, alcançando 3,2 milhões de pessoas, o que reforça a confiança da sociedade gaúcha no sistema cooperativista.

Entre as ações realizadas no Dia C estão arrecadação de alimentos e roupas de inverno, plantio de mudas de árvores e orientações educativas
De acordo com o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, que também é vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha (CCGL), Darci Pedro Hartmann, o agro representa mais de 90% do sistema cooperativo no Estado, tendo registrado um faturamento de R$ 51 bilhões em 2021, um aumento de 45,9% em relação ao exercício anterior. Atualmente, 60 cooperativas agropecuárias possuem planta agroindustrial em solo gaúcho, onde processam a matéria-prima e agregam valor em mais de 130 produtos diferentes. O faturamento das cooperativas do setor representa 71,6% do total dos sete ramos de cooperativismo no Rio Grande do Sul e as sobras correspondem a 28,5%.
“Acreditamos cada vez mais que hoje a grande diferença do desenvolvimento rural é o cooperativismo que faz, porque ele consegue democratizar todas as suas atividades e, acima de tudo, tem resultados para que, além dos produtores, os colaboradores e a comunidade possam usufruir de tudo que está sendo construído”, reforça Hartmann, ampliando: “O cooperativismo agropecuário no Rio Grande do Sul passa por um processo de renovação de lideranças regionais com bastante velocidade, e a Organização Cooperativa tem te atentado a isso. Aqui nós temos uma situação diferente de outros Estados porque há uma Federação das Cooperativas Agropecuárias, fundada antes da Ocergs, mas nós temos uma integração muito boa na condução dos trabalhos”, afirma Hartmann.
Segundo o gestor cooperativista, o grande desafio do Sistema Ocergs-Sescoop/RS é buscar a intercooperação entre os sete ramos do cooperativismo gaúcho. “A riqueza do setor começa neste pilar, porque todos os setores se comunicam e precisam uns dos outros. Muitas vezes temos todas as ferramentas em um ciclo virtuoso e deixamos de usar, precisamos melhorar isso e essa é a função da Ocergs, construir pontes para aproximar todos os segmentos cooperativistas para que possamos fazer essa intercooperação”, ressalta Hartmann.
De forma sistêmica e integrada aos valores que norteiam o cooperativismo, Hartmann, que assumiu recentemente a presidência da Ocergs, disse que entre os objetivos da sua gestão está desenvolver de forma homogênea todas as cooperativas. “Já começamos a estruturar seminários regionais para, entre outras questões, discutir onde queremos chegar nos próximos cinco anos, qual o volume em faturamento, quais resultados com sobras que vamos gerar, quais impactos vamos causar no desenvolvimento econômico, e, acima de tudo, social nas comunidades em que as cooperativas estão atuando. Esses dados precisam ser mensurados para que possamos planejar nossas ações e traçar um horizonte para onde queremos caminhar nos próximos anos, bem como para mostrar a sociedade a importância do cooperativismo no desenvolvimento dos municípios e do Estado”, enfatiza Hartmann.
Para os próximos meses, o presidente da Ocergs adianta que a organização fará um trabalho através de uma empresa especializada para levantar informações sobre a realidade do cooperativismo no Estado. A partir desta iniciativa será possível saber o que já está sendo adotada das diretrizes do ESG e aquilo que a Organização Cooperativa poderá fomentar dentro do sistema.
O que é certo é que existem várias iniciativas individuais que contemplem as premissas ESG nas cooperativas, agora o trabalho da Ocergs, segundo Hartmann, será promover iniciativas conjuntas. “Dentro do planejamento estratégico vamos levantar quais iniciativas estão sendo disseminadas nas cooperativas para trabalharmos uma ação conjunta. No projeto de crescimento de rentabilidade, que vamos elaborar, o ESG também será contemplado, para que possamos mostrar à sociedade o trabalho que estamos fazendo”, pontua, acrescentando: “Sabemos que toda mudança não ocorre de forma homogênea, algumas avançam mais, outras menos, e nossa função enquanto Ocergs é tentar homogeneizar ao máximo o crescimento das cooperativas. Detectar aquelas que têm dificuldade e instrumentalizar elas com ferramentas que impulsionem o seu desenvolvimento sustentável”.
Melhorias constantes
De acordo com Hartmann, dentro do tripé ESG, as áreas sociais e ambientais são amplamente contempladas com diversas ações durante o ano, e o sistema cooperativo gaúcho adota a governança de compliance, com resultados significativos alcançados na eficiência dos produtos e serviços oferecidos aos associados e à comunidade onde atuam. “Em cima da Agenda ESG tem se trabalhado muito forte. Estamos avançando para estarmos totalmente adequados a todas as diretrizes e premissas que norteiam o ESG, mas posso dizer que esse movimento está se solidificando cada vez mais no Rio Grande do Sul e vamos promover um trabalho intenso para melhorarmos cada vez mais”, realça.
Gestão da cooperativa
Entre as ações na área de governança, a Ocergs dispõe de um sistema de gestão de projetos de capacitação profissional, em que através da plataforma de Gestão do Desenvolvimento Humano, o agente da cooperativa administra, acompanha, organiza e consolida as ações, treinamentos e programas de formação profissional e promoção social.
Voltado ao desenvolvimento da autogestão das cooperativas, é promovido o Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC), com o objetivo de promover a adoção de boas práticas de gestão e de governança. O PDGC é aplicado por meio de instrumento de avaliação, que permitem um diagnóstico objetivo da governança e da gestão da cooperativa. É realizado em ciclos anuais, visando à melhoria contínua a cada ciclo de planejamento, execução, controle e aprendizado.
Para fomentar a transparência cooperativista, a Ocergs oferece às suas filiadas o Programa de Desenvolvimento Econômico-Financeiro (Desempenho), sistema de cadastro e consolidação dos balanços contábeis, financeiros e sociais das cooperativas. O processamento desses dados gera indicadores que facilitam o acompanhamento dos resultados da organização e de seus empregados, o que facilita o processo de tomada de decisões. Além do Estado gaúcho, a ferramenta já está em fase de implantação em Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo.
Braço Social
Com o propósito de fortalecer o compromisso das cooperativas com a sociedade, estimulando ações que valorizem o desenvolvimento social e sustentável, anualmente é realizado o Dia de Cooperar (Dia C), em alusão ao Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado sempre no primeiro sábado de julho. O movimento promove ações de voluntariado e solidariedade, incluindo iniciativas que incentivam a prática dos valores e princípios cooperativistas, especialmente em atenção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Estimular e promover hábitos mais saudáveis, incentivar o esporte, a cooperação e a solidariedade norteiam algumas das ações sociais das cooperativas gaúchas
Entre as ações realizadas estão arrecadação de alimentos e roupas de inverno, plantio de mudas de árvores, orientações educativas, fomento às atividades físicas, recolhimento de embalagens de agrotóxicos e resíduos de óleo de cozinha, doação de sangue, doação de lonas de material publicitário e destinação correta de materiais para reciclagem.
No último ano, o Dia C mobilizou 204 cooperativas e mais de 16 mil voluntários no Rio Grande do Sul, beneficiando com inúmeras ações 280.122 mil pessoas em 215 municípios. Na edição de 2022, o movimento levanta a bandeira da sustentabilidade e promove ações voltadas ao uso de veículo de locomoção não poluente, tendo como símbolo a bicicleta, meio de transporte seguro, que promove saúde, bem-estar social e qualidade de vida.
No âmbito da educação, oferece o Programa Uni-Sescoop/RS, que possibilita a concessão de bolsas de estudo para cursos de pós-graduação em cooperativismo aos associados e empregados de sociedades cooperativas sediadas no Rio Grande do Sul. E ainda possibilita a qualificação profissional por meio da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), primeira instituição de ensino superior do Brasil voltada exclusivamente ao cooperativismo.
E com o Programa Aprendiz Cooperativo abre as portas do mercado de trabalho para estudantes entre 14 e 24 anos. Atuando em uma cooperativa, os jovens aprendem uma profissão e entram em contato com a cultura cooperativista, pautada em valores como igualdade, solidariedade, honestidade e transparência. Além da formação técnico-profissional, o programa contribui para a inclusão social e o desenvolvimento das comunidades.
Cada vez mais sustentáveis
Hartmann destaca que as cooperativas gaúchas estão trabalhando para serem cada vez mais sustentáveis em suas operações, entre as várias iniciativas em andamento ele cita a pesquisa para reduzir o uso de herbicidas nas lavouras e a conservação ambiental. O presidente da Ocergs também reforça que é essencial construir pontes para o cooperativismo crescer e que não existe crescimento sem sustentabilidade. “Sustentabilidade, adotar os princípios ESG e cuidar do meio ambiente não é moda. Hoje, acima de tudo, nós precisamos ter a consciência de que práticas sustentáveis são fundamentais para os negócios prosperarem. Uma cooperativa é a soma de várias iniciativas individuais, então precisamos ser inteligentes, nos adequarmos rapidamente a todas essas normas que norteiam as boas práticas para conseguirmos remunerar melhor nossos produtos”, salienta.
Para saber um pouco mais de como a agenda ESG está movimentando o cooperativismo brasileiro acesse a versão digital da edição Especial de Cooperativismo clicando aqui.

Notícias
Cooperativas passam a ter acesso a fundos regionais e ganham reconhecimento como patrimônio cultural do Brasil
Novas leis ampliam as fontes de financiamento para projetos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e reconhecem oficialmente a contribuição histórica do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

O cooperativismo brasileiro ganhou duas novas legislações a partir desta quarta-feira (17). Publicadas no Diário Oficial da União, a Lei Complementar nº 231 e a Lei nº 15.433 ampliam o acesso das cooperativas a recursos de fundos regionais de desenvolvimento e reconhecem oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

Foto: Shutterstock
A Lei Complementar nº 231 inclui as cooperativas entre os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Já a Lei nº 15.433 estabelece que o cooperativismo integra o patrimônio cultural brasileiro e determina que o Estado garanta a livre atividade das cooperativas e apoie seu desenvolvimento, conforme previsto na Constituição Federal.
As duas medidas têm potencial para ampliar investimentos em setores estratégicos, especialmente no agronegócio, agroindústria e infraestrutura, além de reforçar o papel econômico e social desempenhado pelas cooperativas em diferentes regiões do país.
Acesso a recursos
A principal mudança econômica vem com a Lei Complementar nº 231. Com a nova regra, as cooperativas organizadas de acordo com a legislação específica do setor passam a poder acessar recursos dos fundos regionais para financiar projetos produtivos.
Na prática, a medida amplia as fontes de financiamento para investimentos em agroindústria, armazenagem,

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infraestrutura, logística e outras iniciativas com potencial de gerar emprego e renda.
Os fundos regionais têm justamente a função de estimular atividades produtivas e reduzir desigualdades econômicas, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Para o cooperativismo agropecuário, a mudança abre novas possibilidades de investimentos em cadeias produtivas que já têm forte presença nessas regiões.

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Reconhecimento cultural
A segunda medida publicada é a Lei nº 15.433, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.
O texto destaca a contribuição histórica do modelo para a formação econômica e social do país e associa o cooperativismo a valores como colaboração, ajuda mútua, participação democrática e gestão coletiva.
Além do reconhecimento simbólico, a lei determina que o Estado assegure a livre atuação das cooperativas e incentive seu desenvolvimento, em consonância com os princípios previstos na Constituição Federal.
Importância econômica
O reconhecimento institucional ocorre em um momento de expansão do cooperativismo brasileiro.

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No agronegócio, as cooperativas respondem por parcela expressiva da produção e exportação de grãos, carnes, leite e diversos outros produtos. Também desempenham papel relevante na assistência técnica aos produtores, no fornecimento de insumos e no acesso ao crédito.
Com maior acesso a recursos e respaldo legal ampliado, o setor ganha novos instrumentos para investir e ampliar sua participação no desenvolvimento econômico regional e nacional.
Notícias
Chuvas reduzem áreas de seca e favorecem milho e trigo no Paraná
Monitor de Secas mostra recuo da estiagem em regiões produtoras do Estado. Com maior umidade do solo, milho alcança área recorde de 2,9 milhões de hectares e trigo já foi semeado em 67% da área prevista.

As chuvas registradas nos últimos meses no Paraná reduziram as áreas afetadas pela seca e melhoraram as condições para importantes culturas agrícolas do Estado. O cenário mais favorável já se reflete no campo: o milho de segunda safra ocupa área recorde de 2,9 milhões de hectares e o plantio do trigo alcançou 67% da área prevista, impulsionado pela maior disponibilidade de umidade no solo.

Foto: Divulgação/Pixabay
Os dados constam no Boletim Agroclimático do Simeagro e no Monitor de Secas, divulgado nesta quarta-feira (17) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com instituições estaduais, entre elas o Simepar.
Segundo o levantamento, o extremo Noroeste, Norte, Norte Novo e a região Central do Paraná deixaram de registrar qualquer nível de seca relativa. Também houve redução das áreas classificadas com seca moderada no Norte Pioneiro, Noroeste, Campos Gerais, norte da Região Metropolitana de Curitiba e em municípios do Sul próximos à divisa com Santa Catarina.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
Por outro lado, a estiagem ganhou intensidade em parte do Oeste e do Sudoeste, especialmente nas áreas de fronteira com Paraguai e Argentina. “A chuva foi acima da média no último bimestre em algumas regiões, o que motivou o recuo da seca. Já na área de fronteira a chuva ficou abaixo da média nos últimos meses, o que levou ao avanço da área com registro de seca moderada”, explica o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, que participa da elaboração do Monitor de Secas.
Milho e trigo são beneficiados
A melhora das condições climáticas ocorre em um momento decisivo para duas das principais culturas do inverno paranaense.
De acordo com o Simeagro, o milho segunda safra se aproxima da colheita ocupando uma área estimada em 2,9

Foto: Aires Mariga
milhões de hectares, a maior já registrada para a cultura no Estado.
O trigo também apresenta bom ritmo de implantação. Favorecida pela umidade do solo, a semeadura já alcançou 67% da área prevista para a safra 2026.
Apesar do cenário mais favorável, os impactos da seca ainda exigem atenção em algumas regiões. Segundo o Monitor de Secas, os efeitos são de curto e longo prazo no Centro-Leste e Nordeste do Paraná, podendo influenciar a produtividade agrícola. Nas demais áreas afetadas, os impactos são considerados de curto prazo.
Maio teve chuva acima da média
Os dados meteorológicos reforçam a mudança de cenário observada no campo.
Entre as 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas nove registraram volumes de chuva abaixo da média histórica em maio. Em 18 delas, o acumulado médio esperado para todo o mês foi atingido já nos primeiros dez dias.

Foto: Divulgação/Freepik
Com mais chuva, as temperaturas ficaram dentro ou abaixo da média histórica em todas as regiões do Paraná.
As menores temperaturas do ano até agora ocorreram entre os dias 11 e 13 de maio, período em que também houve registro de geadas em municípios da metade Sul do Estado e chuva congelada em General Carneiro.
A menor temperatura foi registrada em Guarapuava. No distrito de Entre Rios, os termômetros marcaram -2,4°C às 7 horas do dia 11. Em General Carneiro, a sensação térmica chegou a -7°C devido à intensidade dos ventos.
Situação no Brasil
O Monitor de Secas mostra que o Paraná segue em situação menos crítica do que a observada em anos anteriores e

Foto: Marco Favero
também em comparação com outros estados.
No mapa divulgado em junho, referente às condições de maio, não há registro de seca extrema ou excepcional em nenhuma unidade da federação.
A seca grave aparece apenas em uma pequena área do Estado de São Paulo. Já a seca moderada atinge, além do Oeste e Sudoeste paranaense, regiões de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Tocantins e diversos pontos do Nordeste.
A seca fraca está presente em praticamente todas as regiões brasileiras. Apenas Roraima, Amapá e Mato Grosso aparecem sem qualquer registro de seca relativa no levantamento mais recente.
Notícias
USDA eleva safra global de trigo para 820 milhões de toneladas
Produção maior na Rússia compensou cortes nos Estados Unidos, enquanto os estoques mundiais seguem próximos de 275 milhões de toneladas. Mercado opera com contratos ao redor de US$ 5,90 por bushel em Chicago.

A oferta global de trigo continua em trajetória de expansão e deve manter o mercado internacional abastecido na temporada 2026/27. O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisado pela Consultoria Agro Itaú BBA, elevou a estimativa de produção mundial de 819 milhões para 820 milhões de toneladas, reforçando a percepção de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional.

Foto: Cleverson Beje
A revisão foi impulsionada principalmente pelo aumento da produção da Rússia, cuja safra passou de 86 milhões para 88 milhões de toneladas. O ajuste compensou a redução da estimativa para os Estados Unidos, que tiveram a projeção revisada de 42,5 milhões para 42 milhões de toneladas.
Segundo o USDA, a produção global deverá atingir 820 milhões de toneladas na temporada 2026/27, praticamente em linha com o consumo mundial estimado também em 820 milhões de toneladas. Os estoques finais foram projetados em 275 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo dos 280 milhões esperados anteriormente, mas ainda em um patamar considerado confortável para o abastecimento global. A relação estoque-consumo permanece em 34%.
Rússia amplia protagonismo entre exportadores
A Rússia segue como principal referência para o mercado mundial de trigo. A revisão positiva da safra russa reforça a capacidade do país de manter forte presença nas exportações globais. O aumento da oferta ocorre em um momento em que outros grandes produtores registram recuos de produção.

Foto: Divulgação/Freepik
Além da Rússia, a Índia deve ampliar sua colheita para 121 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior. O país também deverá elevar seus estoques finais para 30 milhões de toneladas, avanço de 36%, fortalecendo sua posição entre os maiores detentores de reservas mundiais do cereal.
Estados Unidos, Austrália e Argentina registram recuos
Entre os principais produtores, os Estados Unidos apresentam uma das maiores reduções percentuais previstas para a próxima temporada.
A produção norte-americana está estimada em 42 milhões de toneladas, queda de 22% frente ao ciclo anterior. O USDA também reduziu a projeção dos estoques finais do país para 20,3 milhões de toneladas.
A Austrália deverá colher 28 milhões de toneladas, retração de 22%, enquanto a Argentina aparece com queda ainda mais expressiva, passando de 28 milhões para 21 milhões de toneladas, redução de 25%.
Na União Europeia, a produção foi mantida em 136 milhões de toneladas para 2026/27. Apesar da queda de 6% em relação ao ciclo anterior, o bloco continua entre os principais exportadores globais, com embarques estimados em 31 milhões de toneladas.
Brasil deve colher safra menor
Para o Brasil, o USDA projeta produção de aproximadamente 7 milhões de toneladas em 2026/27, volume inferior ao registrado na temporada anterior. O país segue dependente das importações

Foto: Divulgação
para atender ao consumo interno, característica estrutural do mercado brasileiro de trigo.
A Argentina continua sendo o principal fornecedor do cereal ao mercado brasileiro, embora a redução da safra argentina permaneça no radar dos agentes do setor.
Mercado reage com estabilidade
Mesmo diante dos ajustes promovidos pelo USDA, o mercado futuro reagiu de forma limitada.
Os contratos de trigo negociados em Chicago encerraram o período próximos de US$ 5,90 por bushel nos vencimentos mais curtos, com oscilações moderadas ao longo da curva futura. O comportamento dos preços reflete a percepção de que a produção mundial continua suficiente para atender à demanda global.
Na avaliação da Consultoria Agro Itaú BBA, o principal fator de atenção para os próximos meses continua sendo o desenvolvimento das safras no Hemisfério Norte. Entretanto, com estoques globais próximos de 275 milhões de toneladas e produção acima de 820 milhões de toneladas, o mercado não identifica, neste momento, riscos significativos de desabastecimento capazes de sustentar movimentos mais intensos de valorização das cotações internacionais.



