Notícias Muito além da exportação
Pragas, doenças e daninhas prejudicam produção de alimentos, cosméticos e medicamentos
Vários fatores interferem no sucesso dos produtos agrícolas, itens essenciais para as pessoas e para o país

O custo da cesta básica em São Paulo aumentou apenas 1,4% entre janeiro e agosto, segundo o Dieese. “O principal responsável por evitar que os preços subissem ainda mais, mesmo em um período tão desafiador como a pandemia, é o aumento da produção de grãos, frutas, verduras, carnes, fibras e bioenergia. Nunca o Brasil produziu tantos alimentos para atender à demanda da população. Dois exemplos são as 11,2 milhões de toneladas de arroz e as 3,5 milhões de toneladas de feijão por ano”, informa Julio Borges, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).
Arroz e feijão são dois itens indispensáveis da cesta básica, também composta por batata, tomate, banana, açúcar, óleo, café, farinha de trigo, manteiga, carne e leite. “O arroz e o feijão são alimentos essenciais e fazem parte da dieta diária dos brasileiros. A produção tem desempenho fantástico, pois não deixa faltar esses grãos na mesa das famílias. Mas os desafios são grandes. Em 15 anos, a área de cultivo do arroz caiu mais da metade. O feijão também perdeu mais de 1 milhão de hectares. A boa notícia é que tanto a produção de arroz como a de feijão aumentaram nesse período, devido aos relevantes ganhos de produtividade. Para os consumidores, isso significa mais oferta de alimentos essenciais com os preços controlados”, complementa Julio.
Vários fatores interferem no sucesso dos produtos agrícolas, itens essenciais para as pessoas e para o país. A disponibilidade de terras, o clima tropical, as tecnologias modernas, o controle das pragas, o aumento do consumo e o próprio mercado, que regula os preços.
“Cerca de 80% dos itens da cesta básica são vegetais, que sofrem o impacto muito mais direto do clima, por exemplo. Se por um lado o Brasil é privilegiado pelo clima tropical e pode ter até três safras por ano, como é o caso do feijão, por outro é o cenário perfeito para a ação de insetos, doenças, e plantas daninhas, inimigos declarados da produção, que quando não controlados podem reduzir pela metade a quantidade de alimentos disponíveis no mercado, fazendo com que o país retornasse à situação de cerca de 50 anos atrás, quando ainda precisávamos importar mais da metade do nosso consumo de alimentos”, reforça o presidente do Sindiveg.
“Hoje, os defensivos agrícolas são os principais aliados no controle das pragas, doenças e ervas daninhas. Sem eles, a produção cairia cerca de 40% e, em algumas culturas, esta perda poderia chegar a 90%. O impacto na vida dos brasileiros seria desastroso”, diz Julio Borges. “Na verdade, se trata de uma luta entre esses inimigos da agricultura e a oferta de alimentos e demais produtos derivados para a população. Se eles vencem, perdemos todos nós”.
Impacto das pragas na produção de alimentos
Apresentar a importância dos defensivos agrícolas para a sociedade em relação ao combate das pragas, ervas daninhas e doenças no campo, demonstrando que isso é uma estratégia de produção importante para garantir a qualidade dos alimentos e o volume de produção, é um dos objetivos do Sindiveg, que há quase 80 anos se dedica à disseminação de conhecimento para o campo, promovendo a produção com uso de alta tecnologia de forma segura e consciente. Dessa maneira, todos saem ganhando: o meio ambiente, o agricultor e a sociedade como um todo. “Nossa proposta é abordar os principais problemas das mais importantes culturas e apresentar os seus efeitos sociais porque, efetivamente, as pragas, doenças e ervas daninhas têm impacto direto na oferta não apenas em alimentos in natura, mas em toda a cadeia de consumo – como a produção de roupas, carne, cosméticos e até mesmo medicamentos –, o que interessa diretamente a todas as pessoas”.
O risco da explosão de preços dos alimentos devido à implacável ação das pragas não se limita ao arroz, ao feijão e a outros produtos do nosso dia a dia. “A soja nos fornece o óleo, mas, assim como o milho, também é transformada em farelo, usado na ração para os animais, em cosméticos e até mesmo em formulações medicamentosas. Com o ataque de uma praga ou doença que diminua sua oferta, além de o preço do óleo subir, haveria também aumento das carnes e diversos outros mercados de consumo. A cana nos dá o etanol, biocombustível essencial, inclusive para redução da emissão de gases na atmosfera. O algodão nos dá a vestimenta. A produção agrícola cumpre vários papéis importantes em nossas vidas”, explica Julio Borges.
“Em 40 anos, o custo da cesta básica caiu pela metade. O sucesso da produção de alimentos é a mola-mestra desse processo”, finaliza o dirigente.

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



