Conectado com

Notícias Análise

Poupança de fósforo no solo é um bom investimento?

Fosfatagem é uma prática agrícola recomendada principalmente em solos com baixo teor de argila, onde a fixação do nutriente é baixa, possibilitando maior aproveitamento pelas plantas. Conheça os benefícios desta estratégia e sua rentabilidade na agricultura.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação

Este texto não trata de investimento financeiro em bancos ou bolsas de valores, mas sim trata-se de uma estratégia tradicional na agricultura e defendida por muitos: o uso de adubo fosfatado para formar uma reserva de fósforo no solo, a chamada poupança, usada para garantir disponibilidade futura de fósforo às plantas.

Mas antes de entrar nesse assunto, vamos utilizar as informações do mercado financeiro para responder à pergunta: Poupança é um bom investimento? Consultando o Google, encontramos a reposta abaixo: A poupança está bem longe de ser um bom investimento. Muitas pessoas utilizam essa opção para investir dinheiro, esperando que traga um bom retorno após anos de aplicação, porém, isso é um grande erro.

De fato, o investimento em poupança é relativamente seguro, porém, pouco rentável. Existem outras opções tão seguras quanto e que podem proporcionar um resultado melhor que o rendimento da Poupança.

Poupança de fósforo no solo

É o resultado da aplicação contínua, por anos e anos, de quantidades de fertilizante fosfatado acima da necessidade das plantas, gerando um acúmulo de fósforo no solo. Tecnicamente não existe erro neste posicionamento; a fosfatagem é um exemplo disso. Trata-se de uma técnica de correção de fósforo do solo com aplicação de fertilizantes fosfatados, sendo os mesmos incorporados ou não no perfil do solo. Essa é uma prática que tem como objetivo a elevação da disponibilidade de fósforo do solo.

Porém, até que ponto vale a pena colocar todos seus recursos neste investimento? Este questionamento é feito porque o equilíbrio entre ações práticas, técnicas e econômicas deve ser alcançada, pois de nada adianta adotar uma estratégia tecnicamente justificada sem ser economicamente viável ou prática.

Por exemplo, o Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão (Gape) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), faz a seguinte orientação para tomar decisão sobre o uso da fosfatagem. “A fosfatagem é uma prática agrícola recomendada principalmente em solos com baixo teor de argila, onde a fixação do nutriente é baixa, possibilitando maior aproveitamento pelas plantas”.

Para dar números à essa estratégia (Fosfatagem) e poder analisar matematicamente esta prática, faremos uma análise de manejo de adubação fosfatada ao longo de 20 anos de cultivo em um sistema de rotação soja (safra verão)/milho (safrinha). Sabemos que o uso contínuo deste sistema de rotação tem pontos negativos, pois o uso de outras plantas de cobertura traz benefícios ao sistema; mas para facilitar os cálculos, este foi o sistema de rotação considerado.

Adubação fosfatada: quantidade aplicada versus aproveitamento

Vamos considerar uma situação de um agricultor que cultiva, há 20 anos, soja e milho safrinha na mesma área. Ao longo deste período ele usou, em média, todo ano, 90 kg P2O5/ha e 60 kg P2O5/ha na adubação da soja e do milho, respectivamente. Neste manejo, ao longo dos 20 anos de cultivo, este agricultor colocou 3.000 kg P2O5/ha no seu solo. Vamos considerar que neste período, a produtividade média de soja e de milho safrinha foi de 50 sc/ha e 80 sc/ha, respectivamente. Sabe-se que para produzir uma tonelada de soja e uma tonelada de milho, estas culturas exportam (retiram da lavoura) 11 kg P2O5/t e 6,87 kg P2O5/t, respectivamente. Ou seja, ao longo destes 20 anos, a quantidade de fósforo que saiu da lavoura (na colheita) foi de 660 kg P2O5/ha (na soja) e 659 kg P2O5/ha (no milho safrinha), totalizando 1.319 kg P2O5/ha. Resumindo, haveria um saldo 3.000 – 1.319 = 1.681 kg P2O5/ha após 20 anos de cultivo.

Este saldo (1.681 kg P2O5/ha) deveria mostrar um acréscimo de 367,0 mg P/dm3 ao teor de fósforo no solo. Entretanto, sabemos que na prática esta conta não “fecha” desta forma, pois existem pesquisas mostrando o quanto se eleva o teor de fósforo no solo a cada quilo de fósforo aplicado no solo.

Segundo a Embrapa, para um solo com 45% de argila, são necessários 18 kg P2O5/ha para elevar em 1 mg/dm3 o teor de fósforo determinado em Mehlich 1. Usando esta informação no nosso exemplo, o saldo de fósforo que “ficou” no solo (1.681 kg P2O5/ha) resultaria em acréscimo de 93,4 mg P/dm3 ao teor de fósforo do solo.

Segundo a Comissão de Fertilidade do Solo no Estado de Minas Gerais, solos com teor de argila = 45% e teores de P superiores a 12 mg/dm3 são classificados como “Bom Teor de Fósforo”. No nosso exemplo temos um aumento do teor de P 7,78x ao que é considerado “Bom”. Entretanto, na prática, temos visto que as chamadas “áreas velhas” de cultivo agrícola que apresentam altos teores de fósforo apresentam teores na ordem de 25 a 30 mg/dm3 (teores elevados).

Onde foi parar este “excedente” de fósforo?

Muito se fala da fixação de fósforo no solo, mas pouco se fala sobre o processo de envelhecimento de fósforo no solo. Trata-se de um fenômeno conhecido e que explica por que, com o passar do tempo, a disponibilidade do fósforo aplicado via adubação vai se reduzindo.

Sabemos que as plantas não precisam de solos com altos teores de nutrientes, pois o que elas precisam são solos com adequados teores de nutrientes. Logo, a chamada poupança de fósforo no solo (elevados teores de fósforo no solo) não traria, de imediato, benefícios à lavoura.

Pelo exposto acima, verifica-se que para fazer a chamada poupança de fósforo no solo é necessário a aplicação de fertilizante fosfatado em quantidade maior do que futuramente ficará disponível às plantas. Como fertilizante fosfatado não é gratuito (tem alta participação no custo de produção) e as reservas utilizadas para sua produção são finitas, seu uso, para elevar os teores de fósforo no solo em valores acima do que as plantas precisam, deve ser reconsiderado. Ou seja, o solo não é o melhor lugar para estocar adubo fosfatado!

E agora, vale investir na melhoria do solo?

A resposta é sim, pois sem a devida correção de fertilidade, no caso do fósforo, teremos uma “ripa” curta no famoso barril da Lei do Mínimo e, consequentemente, limitação de produtividade. A questão a refletir não é se vale investir e sim como investir na correção da fertilidade.

Voltando ao exemplo do mercado financeiro, temos que pensar nos “cinco investimentos melhores que a poupança para aplicar seu dinheiro”. Fazendo um paralelo ao tema que estamos abordando, investir somente na aplicação de fertilizantes fosfatados (fornecimento de fósforo), fazendo a chamada poupança de fósforo no solo, não é a única estratégia disponível para garantir a boa disponibilidade de fósforo às plantas e, consequentemente, a boa produtividade.

Como o exemplo da figura acima sugere, existem outras estratégias que irão garantir melhor retorno do investimento realizado, que são:

  • Práticas que eliminam limitação de crescimento radicular (Correção de acidez; Neutralização de alumínio em profundidade; Correção de compactação de solo)
  • Práticas que promovam acúmulo de matéria orgânica no solo
  • Práticas que promovam o acúmulo de umidade no solo (umidade do solo influencia significativamente a difusão de fósforo no solo – principal mecanismo de transporte de fósforo até as raízes das plantas)
  • Uso correto do Sistema Plantio Direto
  • Práticas que promovam o crescimento radicular (estimulantes hormonais, microrganismos, etc)

Também não podemos esquecer do Conceito 4C, utilizado para amentar a eficiência da adubação:

  • Dose Certa (análise de solo é fundamental para isso)
  • Local Certo (aplicação localizada x área total – “à lanço”/superficial/incorporado)
  • Época Certa (lembrar dos problemas de envelhecimento do fósforo)
  • Produto Certo (hoje existem adubos fosfatados de eficiência aumentada no mercado)

Ao Conceito 4C poderíamos adicionar mais um item (Conceito 5C?), que seria o Manejo (do solo) Correto, envolvendo práticas como Sistema Plantio Direto, correção de compactação e acidez do solo, incremento do teor de matéria orgânica do solo, etc.

“E agora José?” Qual sua opinião sobre fazer a poupança de fósforo no solo?

Fonte: Por Roberto Reis, engenheiro agrônomo

Notícias

FuturoCoop reúne mais de 450 jovens para fortalecer sucessão no cooperativismo

Encontro promovido pela Coamo e Credicoamo abordou educação digital, cooperativismo, educação financeira e formação de futuras lideranças.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Coamo

Mais de 450 adolescentes e jovens integrantes do programa FuturoCoop participaram, nesta terça-feira (14), de um encontro realizado pela Coamo e Credicoamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). O evento reuniu jovens de toda a área de atuação da cooperativa no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul para um dia de atividades voltadas à formação cooperativista, desenvolvimento pessoal e educação digital. A programação integra o trabalho desenvolvido ao longo do ano nos entrepostos e tem como objetivo preparar as novas gerações para a sucessão familiar, fortalecer o vínculo com o cooperativismo e contribuir para a formação de cidadãos conscientes.

A programação teve como tema central a educação digital. Palestras e atividades orientaram os adolescentes sobre o uso responsável das redes sociais, prevenção de golpes, combate ao bullying virtual e cuidados no ambiente digital. A proposta foi oferecer informações que auxiliem os jovens a utilizar a tecnologia de forma segura e consciente.

O presidente dos Conselhos de Administração da Coamo e Credicoamo, José Aroldo Gallassini, ensina que investir na formação das novas gerações faz parte da missão do cooperativismo e garante a continuidade das cooperativas ao longo do tempo. “A cooperativa existe para servir às famílias em diferentes gerações. Preparar adolescentes e jovens significa investir no futuro do cooperativismo, fortalecer a sucessão familiar e formar pessoas comprometidas com os princípios cooperativistas”, destaca.

Gallassini afirma que programas como o FuturoCoop aproximam os jovens da realidade da cooperativa e ampliam o conhecimento sobre a importância da participação dos cooperados na gestão e no desenvolvimento das comunidades. “O programa incentiva a participação, a responsabilidade e o interesse pelo trabalho desenvolvido no campo. Essa formação contribui para que esses jovens estejam preparados para dar continuidade ao trabalho das famílias e ao fortalecimento do cooperativismo”, conclui.

O assessor de Cooperativismo da Coamo, José Ricardo Pedron Romani, destaca que o programa mantém a cooperativa próxima das novas gerações e permite compreender as expectativas dos futuros cooperados. “Queremos conhecer esses jovens, falar a linguagem deles e prepará-los para participar cada vez mais da cooperativa, seja nas propriedades, nos comitês educativos, nas assembleias ou em outras instâncias de participação”, ressalta.

Conforme Romani, mais de 45 turmas já foram formadas pelo programa, envolvendo aproximadamente 1.200 adolescentes. No encontro deste ano, participaram 451 jovens vindos de diferentes regiões de atuação da Coamo.

Na Credicoamo, o programa também trabalha a educação financeira. O presidente Executivo, Alcir José Goldoni, explica que a iniciativa busca preparar os jovens para administrar recursos e compreender o funcionamento do mercado financeiro desde cedo. “O objetivo é preparar esses jovens para que, quando assumirem suas responsabilidades no futuro, tenham conhecimento para tomar decisões conscientes também na área financeira”, observa.

Entre os participantes, o encontro foi uma oportunidade para ampliar a visão sobre o cooperativismo, fortalecer o interesse pelo agro e trocar experiências com jovens de diferentes regiões da área de atuação da Coamo.

Para Gisele Castioni, de Abelardo Luz (Oeste de Santa Catarina), o FuturoCoop despertou um novo olhar para a atividade rural. Ela conta que o programa despertou um interesse que antes não existia. “O FuturoCoop abriu minha visão para a agricultura. Além de conhecer melhor a atividade, aprendi sobre a parte financeira e passei a entender a importância do agro. Hoje quero seguir na Odontologia, mas também pretendo ajudar meus pais na propriedade sempre que possível. O programa despertou essa paixão e também me aproximou de pessoas que vivem essa realidade.”

Victor Hugo Bonilha Pilla, de Roncador (Centro-Oeste do Paraná), afirma que o programa reforçou valores ligados à responsabilidade e à sucessão familiar. Estudante de Direito, ele acredita que o conhecimento adquirido poderá contribuir para conciliar a profissão com a administração da propriedade da família. “O FuturoCoop trouxe uma visão maior sobre responsabilidade e mostrou a importância de buscar informações corretas. Sempre gostei da atividade rural e o programa reforçou minha certeza de que, quando chegar o momento, estarei preparado para cuidar da propriedade da família.”

Fonte: Assessoria Coamo
Continue Lendo

Notícias

Plano Safra não atende às necessidades do setor, avalia FecoAgro/RS

Entidade considera positivas as reduções de juros em algumas linhas de crédito, mas alerta para a insuficiência dos recursos, a menor equalização das taxas e o enfraquecimento do seguro rural.

Publicado em

em

Foto: Gilson Abreu

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) avalia que o Plano Safra 2026/2027 trouxe avanços pontuais, mas ficou aquém das necessidades do setor agropecuário. Na análise da entidade, a redução das taxas de juros em algumas linhas de financiamento e a ampliação dos limites de crédito para cooperativas representam medidas positivas, porém insuficientes diante da demanda por recursos no campo.

Foto: Gilson Abreu

Segundo a Federação, o plano manteve praticamente a mesma estrutura dos últimos anos e foi lançado com um volume de crédito inferior ao necessário para atender produtores e cooperativas.

Entre os pontos considerados favoráveis estão a redução das taxas de juros em programas como Prodecoop, Procap-Agro, PCA e Pronaf, especialmente para operações voltadas a investimentos de longo prazo.

Na avaliação da FecoAgro/RS, contudo, essas mudanças não compensam a ausência de medidas estruturais nem a limitação dos recursos destinados ao crédito rural.

A entidade também demonstra preocupação com a redução do orçamento destinado à equalização das taxas de juros. Segundo a Federação, em um cenário de juros elevados, a diminuição desses recursos reduz a atratividade das linhas oficiais de financiamento, limita novos investimentos e restringe a capacidade de expansão dos produtores e das cooperativas.

Seguro rural preocupa setor

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

Outro ponto destacado pela FecoAgro/RS é o seguro rural. Embora os recursos para a subvenção dependam de orçamento específico, a entidade afirma que os sucessivos cortes no programa enfraquecem um dos principais instrumentos de gestão de risco da atividade agropecuária.

Na avaliação da Federação, o fortalecimento do seguro rural se torna ainda mais necessário diante da maior frequência de eventos climáticos extremos, que elevam a exposição dos produtores a perdas de produção e renda.

Cooperativas defendem reforço no crédito

A FecoAgro/RS ressalta que as cooperativas desempenham papel central na operacionalização do crédito rural e no atendimento aos produtores. Por isso, defende um Plano Safra com volume de recursos mais compatível com a demanda do setor, reforço no orçamento destinado à equalização das taxas de juros e fortalecimento do seguro rural.

Segundo a entidade, essas medidas são fundamentais para garantir investimentos, manter a capacidade produtiva e preservar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Assessoria FecoAgro/RS
Continue Lendo

Notícias

Exportadores terão acesso a R$ 15 bilhões em crédito para ampliar competitividade

Recursos poderão financiar capital de giro, expansão da produção, inovação e adequação às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade dos mercados internacionais.

Publicado em

em

Fotos: Claudio Neves

Empresas exportadoras da agropecuária, da agroindústria e de outros setores produtivos poderão acessar até R$ 15 bilhões em linhas de crédito destinadas a reduzir os impactos das instabilidades no comércio internacional e de medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países. O Plenário do Senado aprovou, na última quarta-feira (08), o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 7/2026, originado da Medida Provisória (MP) 1.345/2026. O texto segue para sanção presidencial.

A proposta amplia o alcance da política oficial de crédito às exportações e autoriza a utilização de recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para respaldar as operações de financiamento. A medida dá continuidade às ações adotadas pelo governo federal desde 2025 para enfrentar os efeitos do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e de outras restrições ao comércio internacional.

Além da agroindústria, passam a ser contempladas empresas dos setores da agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e recursos minerais. Cooperativas e associações também poderão acessar as linhas de crédito, desde que atendam aos critérios de elegibilidade estabelecidos na proposta.

Os financiamentos poderão ser destinados ao capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos também poderão financiar a adaptação de produtos, serviços e processos às exigências dos mercados internacionais, incluindo requisitos sanitários, fitossanitários, ambientais, de rastreabilidade e de conformidade regulatória.

O limite autorizado é de até R$ 15 bilhões, provenientes principalmente do superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), apurado em 31 de dezembro de 2025, além de outras fontes orçamentárias. As operações serão realizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições financeiras habilitadas, enquanto o Conselho Monetário Nacional (CMN) ficará responsável por definir encargos, prazos e critérios para concessão dos financiamentos.

O texto aprovado também reorganiza o modelo de compartilhamento de riscos entre os fundos garantidores, com o objetivo de fortalecer a segurança das operações de crédito e ampliar o acesso ao financiamento para empresas exportadoras.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.