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Possível taxação de produtos brasileiros por Trump gera alerta no agronegócio
Caso a medida seja implementada por Donald Trump, o impacto pode ser significativo tanto para as exportações quanto para a economia interna do Brasil.

A possível imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tem gerado preocupação em setores estratégicos da economia nacional, como agronegócio, siderurgia e manufatura. Caso a medida seja implementada por Donald Trump, o impacto pode ser significativo tanto para as exportações quanto para a economia interna do Brasil.

Fotos: Claudio Neves
O CEO da gestora Multiplike, Volnei Eyng, destaca que esses setores são altamente dependentes do mercado americano. “Produtos como aço, alumínio e carne bovina perderiam competitividade, reduzindo o volume exportado e pressionando a produção interna. Isso afetaria a balança comercial, o câmbio e o emprego em cadeias produtivas inteiras. Por outro lado, o cenário poderia acelerar a busca por acordos com a Europa e a Ásia, diversificando mercados e diminuindo a dependência dos EUA”, evidencia.
Para Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, a situação reforça a necessidade de o Brasil diversificar seus parceiros comerciais. “A decisão de Trump pode impactar a economia nacional, mas também destaca a urgência de diversificar mercados. A dependência excessiva dos EUA expõe vulnerabilidades, especialmente nos setores agrícola e industrial. Nesse sentido, reforçar acordos com a União Europeia, fortalecer as relações com a China e explorar novas parcerias comerciais são caminhos necessários para reduzir os danos causados por políticas protecionistas americanas”, menciona.
Os possíveis impactos não se limitam ao Brasil. Segundo José Alfaix, economista da Rio Bravo, as tarifas podem gerar efeitos inesperados nos próprios Estados Unidos. “As ameaças tarifárias de Trump talvez não estejam gerando o efeito esperado. O que inicialmente era visto como um jogo político agora se materializa em uma iminente guerra tarifária, com todos os parceiros comerciais anunciando retaliação. O pior cenário possível. Em um contexto de economia aquecida e preocupação com a inflação, as tarifas tendem a ter efeito recessivo”, salienta Alfaix.
Impacto nas exportações brasileiras
O peso da medida sobre as exportações brasileiras para os EUA pode ser relevante. Em 2024, o país foi o terceiro maior destino dos produtos brasileiros, totalizando

US$ 12,1 bilhões, com destaque para petróleo bruto, aeronaves, café, celulose e carne bovina. O Brasil também responde por 32% das exportações mundiais de suco de laranja, fortemente dependentes do mercado americano.
Necessidade norte-americana
Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, pondera que, apesar dos riscos, a demanda interna dos EUA pode mitigar parte dos impactos. “Devido aos baixos estoques de gado nos EUA – os menores em sete décadas – é provável que o país continue importando grandes volumes de carne bovina do Brasil, mesmo com tarifas adicionais. No entanto, os custos mais altos poderiam ser repassados aos consumidores americanos, potencialmente elevando a inflação nos EUA”, avalia.
João Kepler, CEO da Equity Group, acredita que as consequências podem ter um duplo efeito: “No curto prazo, pressionariam a produção de setores como o agronegócio e a manufatura. No longo prazo, podem acelerar mudanças estruturais nas exportações brasileiras, levando à busca por novos mercados”, analisa.

O CEO do Grupo Studio, Carlos Braga Monteiro, enfatiza que esse cenário deve reforçar a necessidade de ampliação das relações comerciais com outros países, como a China — já o maior parceiro do Brasil, com importações que somaram US$ 49,7 bilhões em 2024 — e a União Europeia, que importou US$ 23,2 bilhões. “Esse cenário pode reforçar a necessidade de ampliar relaço com a União Europeia, que demonstrou interesse crescente nos produtos brasileiros”, ressalta.
Fortalecimento do Mercosul
A imposição de tarifas também pode impulsionar mudanças regionais. Pedro Ros, CEO da Referência Capital, sugere que o Brasil pode fortalecer o Mercosul como bloco econômico e negociar novos mercados. “Apesar do impacto imediato, essa situação pode abrir espaço para o fortalecimento do Mercosul, incentivando negociaço conjunta com mercados alternativos. A resposta do Brasil precisaria ser ágil, reforçando laços com parceiros estratégicos para manter o fluxo comercial.”
Diante das incertezas e possíveis impactos econômicos, os especialistas concordam que a estratégia do Brasil deve se concentrar na diversificação comercial e no fortalecimento das relações com outros países, reduzindo a dependência do mercado americano. O desenrolar das decisões de Trump será essencial para determinar os próximos passos da economia brasileira.

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Brasil e Coreia do Sul criam grupo para destravar acordo comercial com o Mercosul
Países buscam retomar negociações paralisadas desde 2021. Iniciativa pretende identificar pontos de resistência e avançar em um possível tratado entre o bloco sul-americano e a economia asiática.

Brasil e Coreia do Sul criaram um grupo de trabalho para tentar avançar nas negociações de um acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. A iniciativa busca identificar os principais pontos de divergência entre os lados e encontrar alternativas para retomar as discussões sobre um tratado que começou a ser negociado em 2018, mas não avançou nos últimos anos.

Foto: Caroline de Vita/Mapa
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (27), após uma reunião entre representantes dos dois países em Brasília. Segundo o governo brasileiro, o grupo será coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. “Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Coreia do Sul é uma das principais economias da Ásia e um importante parceiro comercial do Brasil. As negociações com o Mercosul envolvem temas como redução de tarifas, acesso a mercados, regras sanitárias e barreiras técnicas.
Oportunidade
Durante o encontro, o governo sul-coreano defendeu a retomada das tratativas como uma forma de ampliar a

Imagem criada pelo ChatGPT/Emili Schneider/OP Rural
presença de empresas dos dois lados. A avaliação é que um acordo poderia abrir novas oportunidades para companhias coreanas na América do Sul e facilitar a inserção brasileira no mercado asiático. “Em um momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trazer uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia”, enfatizou o presidente sul-coreano.
A retomada das negociações ocorre em um período de maior instabilidade no comércio internacional, marcado por disputas tarifárias e mudanças nas relações entre grandes economias.
Minerais críticos entram na agenda bilateral
Além do comércio, Brasil e Coreia do Sul assinaram acordos de cooperação em áreas como defesa, educação, energia, ciência e tecnologia, esporte e exploração espacial.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil
Um dos temas tratados foi a cadeia de minerais críticos, considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia renovável e indústria de alta tecnologia. O governo sul-coreano destacou o potencial brasileiro no fornecimento desses recursos. “Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida desses minerais, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, ressaltou.
A agenda também incluiu acordos para intercâmbio de políticas educacionais, cooperação entre instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico aplicado à indústria, além de intercâmbio esportivo entre atletas e especialistas.
Comunidade coreana no Brasil
Após a agenda em Brasília, a comitiva sul-coreana segue para São Paulo. A cidade concentra a maior comunidade coreana do país, com mais de 50 mil pessoas.
O Brasil é o principal destino de imigrantes coreanos na América Latina, e a comunidade mantém presença relevante

Foto: Shutterstock
em áreas como comércio, indústria, tecnologia e serviços.
Países defendem cooperação internacional
Durante as declarações após a reunião, os dois governos também destacaram a defesa do diálogo diplomático e da solução pacífica de conflitos. “Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, afirmou Lula.
O governo sul-coreano reforçou a importância da estabilidade internacional para ampliar a cooperação econômica. “É importante a paz para termos segurança. Sem a necessidade de luta ou guerra”, declarou o presidente sul-coreano.
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China, Paraguai e Palau abrem mercados para produtos agropecuários brasileiros
Novos acordos sanitários ampliam oportunidades para exportação de cálculos biliares bovinos, suínos vivos e carnes de diferentes espécies.

As autoridades sanitárias da China, do Paraguai e de Palau aprovaram novos requisitos que permitem a entrada de produtos agropecuários brasileiros nesses mercados. As medidas envolvem a exportação de cálculos biliares bovinos para o mercado chinês, suínos vivos destinados ao abate para o Paraguai e carnes bovina, ovina, caprina e suína para Palau.

Foto: Shutterstock
Com a China, o Brasil assinou um protocolo sanitário que estabelece as condições para exportação de cálculos biliares bovinos. O produto, utilizado principalmente pela indústria de Medicina Tradicional Chinesa, passa a ter regras definidas para inspeção, certificação e controle das remessas entre os dois países.
O acordo amplia o comércio de um subproduto da cadeia pecuária brasileira e cria uma nova possibilidade de aproveitamento econômico de materiais provenientes da produção bovina. A China é um dos principais destinos das proteínas animais brasileiras e tem papel estratégico para a expansão das exportações do agronegócio nacional.
No Paraguai, as autoridades sanitárias aprovaram o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a exportação de suínos vivos brasileiros destinados ao abate. A medida estabelece o padrão documental necessário para os embarques e abre uma nova alternativa comercial para a cadeia suinícola nacional.
Já Palau aprovou os modelos de CSI para importação de carnes bovina, ovina, caprina e suína produzidas no Brasil.

Foto: Shutterstock
Com a aprovação dos certificados, empresas brasileiras poderão iniciar os procedimentos de habilitação e atender aos requisitos sanitários exigidos pelo país insular.
As aberturas fazem parte da estratégia brasileira de ampliar o acesso a mercados internacionais por meio de acordos sanitários. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), uma abertura de mercado ocorre quando o país importador reconhece que as garantias sanitárias oferecidas pelo Brasil atendem aos seus requisitos para determinado produto.
Impacto para o agro
A ampliação de destinos comerciais reduz a dependência de poucos compradores e aumenta as possibilidades de comercialização para diferentes cadeias produtivas. No caso das carnes, a abertura de novos mercados ocorre em um momento de busca por maior diversificação das exportações brasileiras de proteína animal.
Além dos produtos tradicionais, como carne bovina e suína, o avanço de negociações envolvendo subprodutos de origem animal mostra a tentativa da indústria de ampliar o aproveitamento econômico da produção pecuária brasileira.
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Brasil e China discutem avanço de acordo comercial e cooperação em tecnologia
Negociações para um acordo Mercosul-China entram na agenda bilateral, que também inclui parcerias em inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes.







