Suínos
Pós-biótico de fermentação fúngica melhora a sustentabilidade
Uma estratégia de longo prazo na produção animal requer soluções viáveis de ração. A fermentação em estado sólido (SSF) é o cultivo de microrganismos em um veículo inerte ou substrato insolúvel.

Artigo escrito por Dra. Charlotte M. E. Heyer, Provita Supplements GmbH
Junto com a sustentabilidade e a disponibilidade de matéria-prima, a saúde intestinal é uma das principais áreas de interesse para conceitos globais de alimentação. Produtos surgidos da fermentação de substratos vegetais com fungos aumentam a digestibilidade dos nutrientes, o desempenho animal e contêm metabólitos funcionais que fortalecem a integridade intestinal. Assim, as dietas podem ser elevadas ou reformuladas, incluindo um conteúdo reduzido de proteína bruta e fontes de proteína relacionadas na dieta.
Uma estratégia de sustentabilidade de longo prazo na produção animal requer soluções viáveis de ração. A fermentação em estado sólido (SSF) é o cultivo de microrganismos em um veículo inerte ou substrato insolúvel. No processamento de alimentos, já há milhares de anos a SSF era usada como uma tecnologia de processamento para fermentar arroz com fungos, a fim de torná-lo mais estável na prateleira e aumentar seu valor nutricional.
Aumentar a digestibilidade de nutrientes e energia
Os produtos SSF também são usados na nutrição animal como um ingrediente pós-biótico produzido pela fermentação de substratos vegetais com fungos (por exemplo, Aspergillus spp., Neurospora spp. ou Trichoderma spp.). Os metabólitos dos componentes de células microbianas inativadas deste processo de produção são parte dos efeitos pós-bióticos dos produtos SSF, contribuindo para benefícios à saúde. Seu principal modo de ação é ilustrado na Figura 1 com o exemplo de um produto SSF especialmente direcionado à liberação de proteína em monogástricos. Dependendo dos substratos e fungos usados, os produtos SSF mostram uma variedade de atividades metabólicas. O amplo espectro de atividade enzimática residual leva à degradação de diferentes estruturas de carboidratos dentro da matriz da dieta, resultando em um aumento da digestibilidade de nutrientes e energia. A desestabilização e desintegração de frações de fibra libera proteínas ligadas à parede celular para se tornarem disponíveis para proteases endógenas no trato gastrointestinal.

Efeitos pós-bióticos dos produtos SSF
A flexibilidade alcançada na elevação ou reformulação de dietas fortalece a sustentabilidade econômica e ecológica de diferentes estratégias de alimentação. Os efeitos abrangem economias de matérias-primas caras que às vezes vêm junto com longas rotas de transporte. A maior digestibilidade da proteína resulta em uma possível redução do conteúdo de proteína bruta da dieta. Essas medições resultam em uma excreção reduzida de nitrogênio dos animais. Assim, as concentrações de amônia no ar do galpão são reduzidas.
Após a comprovação bem-sucedida da eficácia e sustentabilidade dos produtos SSF, vamos dar uma olhada mais de perto em seus efeitos pós-bióticos. Conforme mencionado acima, os produtos SSF contêm componentes metabólicos e funcionais que promovem a integridade intestinal. Isso foi comprovado com o uso de diferentes métodos e seus resultados (veja também a Figura 2):
- A adição da micotoxina desoxinivalenol (DON) a uma cultura de células IPEC-J2 suínas de células epiteliais jejunais teve um efeito prejudicial na expressão de proteínas de junção estreita. Isso aumentou a permeabilidade do epitélio intestinal, resultando na ocorrência de intestino permeável. A adição simultânea de um produto SSF resultou em uma regulação positiva da expressão gênica, levando a um menor risco geral de intestino permeável e a uma barreira intestinal fortalecida.
- A quebra de carboidratos facilmente fermentáveis por produtos SSF promove populações bacterianas desejáveis que afetam positivamente a saúde animal. Isso foi demonstrado por um aumento no número de lactobacilos e bifidobactérias benéficas na composição microbiana de fezes de frangos de corte quando as dietas foram suplementadas com o produto SSF. Também foi demonstrado que a inclusão de um produto SSF reduziu efetivamente a adesão de patógenos às células epiteliais (E. coli -77% e S. enterica -60%), prevenindo assim a entrada de patógenos nas células e danos celulares subsequentes.
- Micotoxinas, como DON, são conhecidas por afetar a migração de células epiteliais, como a etapa inicial na cicatrização de feridas gastrointestinais. Os resultados de um ensaio de cicatrização de feridas usando monocamadas de IPEC-J2 para imitar o epitélio intestinal suíno indicaram que o tratamento com DON inibiu claramente os processos de cicatrização de feridas. A adição de um produto SSF foi capaz de prevenir parcialmente ou mesmo salvar completamente os efeitos prejudiciais causados por DON. As células epiteliais tratadas com um produto SSF tiveram uma aptidão geral melhor, sendo melhor preparadas para períodos estressantes de criação.

Segurança econômica e muito mais
Concluindo, os produtos SSF aumentam efetivamente a utilização de nutrientes pelos animais, resultando em economia de matéria-prima e melhor desempenho animal. Este último pode ser rastreado até um estado de saúde melhor dos animais, causado principalmente pelos efeitos pós-bióticos dos produtos SSF, especialmente devido a manutenção da barreira intestinal contra invasão patogênica juntamente com uma grande capacidade de cicatrização de feridas gastrointestinais.
Todas as declarações técnicas são baseadas em literatura científica e resultados de ensaios; referências e detalhes dos ensaios estão disponíveis mediante solicitação. Contato: archibald.rehder@provita-supplements.com.br.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo, acesse a versão digital de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Suínos
Queda de 27,5% no preço do suíno vivo acende alerta no setor em Mato Grosso
Produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 60 por animal enquanto recuo não chega ao consumidor.

A suinocultura de Mato Grosso enfrenta um momento de forte pressão econômica em 2026. Levantamento realizado pela Bolsa de Suínos da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), indica uma queda expressiva no preço pago ao produtor, sem que essa redução seja percebida pelo consumidor final nos supermercados e açougues.
De acordo com a Acrismat, em janeiro deste ano o quilo do suíno vivo era comercializado a R$ 8,00. Nesta semana, o valor caiu para R$ 5,80, uma redução de 27,5%. Trata-se do menor patamar registrado desde 25 de abril de 2024, quando o preço estava em R$ 5,60 por quilo.

Frederico Tannure Filho, presidente da Acrismat: “Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor”
Apesar da queda significativa tanto no preço do suíno vivo quanto da carcaça, o movimento não tem sido acompanhado pelo varejo. Segundo o setor produtivo, os preços da carne suína em supermercados e açougues permanecem elevados, o que impede que o consumidor final se beneficie da redução.
Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos de produção. Atualmente, o suinocultor mato-grossense acumula prejuízo estimado em cerca de R$ 60,00 por animal enviado para abate, o que compromete a sustentabilidade da atividade.
O presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, destaca a necessidade de maior equilíbrio na cadeia produtiva e faz um apelo ao setor varejista:
“Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e também na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor. É importante que o varejo acompanhe esse movimento, reduzindo os preços na ponta. Dessa forma, conseguimos estimular o consumo de carne suína e, ao mesmo tempo, amenizar os impactos enfrentados pelos produtores”, afirma.
A entidade reforça que a redução no preço ao consumidor pode contribuir para o aumento da demanda, ajudando a reequilibrar o mercado e minimizar os prejuízos no campo. A Acrismat também pede apoio e conscientização dos elos da cadeia para atravessar o atual momento de crise no setor.
Suínos
Preço do suíno cai em abril mesmo com demanda externa em alta
Com embarques 26% maiores em março, mercado interno não reage e cotações retornam a níveis próximos de 2022 a 2024.

Os preços do suíno vivo no mercado brasileiro recuaram no início de abril, mesmo com o avanço das exportações e o aumento da produção.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, em março, as cotações em São Paulo ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,3%, mantendo o animal em torno de R$ 6,95 por quilo. Já na primeira parte de abril, houve queda de 7,7%, com o preço médio no primeiro decêndio em R$ 6,40 por quilo, mesmo em um período que costuma ter maior demanda. Com isso, os valores voltaram a patamares próximos aos registrados entre 2022 e 2024, ficando cerca de 25% abaixo dos níveis do ano passado.
O spread da suinocultura também apresentou redução. Em março, o indicador ficou em torno de 10%, próximo ao observado em fevereiro, mas abaixo dos 23% registrados no mesmo período do ano anterior. Para abril, a projeção é de nova queda, podendo atingir cerca de 2% caso o comportamento da primeira quinzena se mantenha, o menor nível desde junho de 2023.
Mesmo com a pressão nos preços internos, as exportações tiveram desempenho positivo. Em março, os embarques de carne suína in natura somaram 132 mil toneladas, um recorde para o mês e volume 26% superior ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento é de 15%.
Entre os principais destinos, Filipinas e Japão se destacaram, com altas de 74% e 60% nas compras, respectivamente, respondendo juntos por 43% das exportações brasileiras. Em 2025, o mercado externo absorveu cerca de 26% da produção nacional de carne suína.
Dados preliminares indicam aumento de 4% nos abates no primeiro trimestre. Ainda assim, diante do crescimento das exportações, a disponibilidade interna de carne suína teve apenas leve variação no período.
Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.



