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Portos brasileiros fecham 2025 com recorde histórico de movimentação de cargas

Volume ultrapassa 1,28 bilhão de toneladas até novembro e consolida a logística marítima como eixo central da economia e do comércio exterior do país.

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Foto: Claudio Neves

Os portos brasileiros encerraram 2025 com um recorde histórico de movimentação de cargas, confirmando a trajetória de crescimento sustentado observada nos últimos anos. Dados do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mostram que, entre janeiro e novembro, o volume movimentado superou 1,28 bilhão de toneladas, resultado cerca de 5% superior ao registrado em 2024.

O desempenho reforça a logística marítima como um dos pilares estruturantes da economia nacional e o principal canal de escoamento da produção brasileira e de integração do país ao comércio internacional.

Antonio Luiz Leite, presidente da Fundação Memória do Transporte: “Os portos passaram a operar de forma mais especializada, com maior capacidade instalada, incorporação de tecnologia, automação de processos e melhor coordenação logística”

O avanço foi observado de forma consistente nos principais complexos portuários. O Porto de Santos alcançou mais de 186 milhões de toneladas movimentadas em 2025, o maior volume de sua história operacional. Já o Porto de Paranaguá registrou crescimento superior a 10%, impulsionado principalmente pelas exportações do agronegócio. Terminais estratégicos como Itaqui e Suape também ampliaram sua participação no escoamento de grãos, combustíveis e cargas gerais, fortalecendo sua relevância regional e nacional no sistema logístico brasileiro.

Para Antonio Luiz Leite, presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), os números refletem um processo histórico contínuo de consolidação da infraestrutura portuária do país, diretamente associado aos ciclos econômicos brasileiros. “Desde o período colonial, com o açúcar e o café, passando pela industrialização e pela expansão do agronegócio e da mineração, os portos sempre tiveram papel estratégico na organização do território e na conexão do Brasil com os mercados internacionais”, afirma, enfatizando que os investimentos estruturais, ajustes regulatórios e avanços na integração logística ao longo das últimas décadas explicam os ganhos de capacidade e eficiência observados atualmente.

A FuMTran atua na preservação, organização e difusão da memória do transporte brasileiro em todos os modais, incluindo a infraestrutura logística e os sistemas aquaviários. A instituição mantém um acervo digital com documentos, imagens, vídeos e publicações técnicas que registram a trajetória dos principais portos do país desde sua origem. Em 2025, no âmbito do transporte marítimo, a fundação realizou registros históricos e entrevistas com a comandante de cabotagem Vanessa Cunha dos Santos Silva, uma das lideranças brasileiras do setor.

Foto: Divulgação/Acervo FuMTran

Na avaliação do presidente, o recorde de 2025 também é resultado do amadurecimento da articulação entre os diferentes modais e da evolução dos modelos operacionais portuários. “Os portos passaram a operar de forma mais especializada, com maior capacidade instalada, incorporação de tecnologia, automação de processos e melhor coordenação logística. Esses avanços elevaram a produtividade, reduziram gargalos e permitiram respostas mais eficientes às exigências do comércio exterior”, observa.

Ao analisar o fechamento do ano, o presidente da FuMTran destaca que os resultados históricos devem servir como base para o planejamento futuro do setor. “Os números evidenciam o enorme potencial logístico do Brasil, mas também reforçam a necessidade de visão de longo prazo. Conhecer a história do transporte é fundamental para orientar investimentos e assegurar que o crescimento da logística marítima ocorra de forma integrada, eficiente e sustentável”, ressaltou.

Fonte: Assessoria FuMTran

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Associativismo herdado da família fortalece trajetória de produtor rural em Chapecó

Produtor de soja e pecuarista relata como a qualificação, a troca de experiências e o acesso a serviços contribuíram para permanecer competitivo e confiante no futuro do agronegócio.

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Kovaleski pontua que o sindicato protege e forma uma família para o produtor

A agricultura e o associativismo vêm da família. O produtor rural Júlio César Kovaleski de Chapecó (SC) conheceu cedo a importância do Sindicato do Produtor Rural de Chapecó. Associado desde 2004, o produtor de soja e pecuarista possui uma propriedade no campo que compartilha o espaço com a esposa, a natureza e a esperança diária no agronegócio.

Kovaleski relembra que o pai é associado ao sindicato desde 1992. “A gente tem meio que isso no sangue. Meu pai e meu avô foram fundadores de uma cooperativa. Então isso vem, de certa forma, como uma herança.” Segundo ele, a entidade cumpre um papel estratégico para quem vive da agricultura. “Acredito que o sindicato é a principal ferramenta que a gente tem para defender o agricultor. Precisamos de alguém que nos represente.”

Presidente do Sindicato e o produtor Júlio César Kovaleski

Outro ponto importante é a oferta de cursos e treinamentos. Para Kovaleski, a qualificação é fundamental para manter a competitividade e permanecer na atividade. “O produtor que ficar para trás não vai conseguir sobreviver na agricultura. Os cursos funcionam como uma mola propulsora para o agricultor se manter na propriedade”, avaliou.

Entre as capacitações que realizou, ele cita o curso de manutenção de máquinas como essencial para a rotina no campo. “Ajuda a antecipar ou até evitar quebras dos equipamentos. E hoje em dia, tudo é muito caro, então precisamos saber lidar com as ferramentas que temos”, pontua. Ele também participou do Assistência Técnica e Gerencia (ATeG), a primeira realizada em Chapecó em 2016. “A convivência com outros produtores, o contato com os técnicos, sempre traz novos conhecimentos, novas formas de enxergar problemas antigos, e também de solucioná-los”, relata.

Entre os serviços mais utilizados por sua família estão os convênios oferecidos com médicos, clínicas e laboratórios. A dificuldade de acesso a planos de saúde no meio rural torna esse tipo de benefício especialmente relevante. “Uma das principais carências no meio rural é a questão dos planos de saúde. O sindicato ajuda muito nisso, com os atendimentos e exames que conseguimos por meio dos convênios”, explica.

Kovaleski enfatizou ainda a importância de incentivar os jovens a buscarem formação, especialmente nas áreas ligadas à tecnologia. Ao falar sobre o significado do sindicato, ele resume na palavra proteção. “E claro, com o tempo, formamos uma família dentro do sindicato. Isso é muito importante, ter esse amparo, essa rede”, conclui.

Serviço sindicato rural

Segundo Kovaleski, a entidade cumpre um papel estratégico para quem vive da agricultura

O presidente do Sindicato dos Produtor Rural de Chapecó, Luiz Carlos Travi, realça que a entidade oferece serviços voltados ao fortalecimento do produtor rural. Em parceria com o Senar e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), o sindicato disponibiliza mais de 150 cursos de capacitação em diversas áreas. Outro atendimento a ATeG oferecida de forma gratuita, que desde 2016 contribui para a modernização do campo, oportuniza no crescimento da produção, da organização e da eficiência.

O Sindicato, a Federação e o Senar atuam de forma integrada para ampliar as oportunidades aos produtores. Além da capacitação técnica, a entidade oferece assistência médica por meio de parcerias com mais de 24 clínicas, além de convênios com laboratórios e empresas que prestam serviços jurídicos e contábeis. Todos os anos, o sindicato também promove ações voltadas ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e ao Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR), organiza e repassa informações essenciais para a gestão do produtor rural.

Fonte: Assessoria Sindicato do Produtor Rural de Chapecó
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Calendário agropecuário destaca força produtiva e diversidade do campo catarinense em 2026

Cronograma reúne feiras, exposições e leilões, fortalecendo comercialização, integração rural e controle sanitário dos rebanhos.

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Imagem ilustrativa: Atividades Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC) - Foto: UQ Eventos

A força e a diversidade da agropecuária catarinense ganham destaque no Calendário de Eventos Agropecuários do ano de 2026, que reúne 456 atividades com a presença de animais, distribuídas por todas as regiões do Estado. Publicado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o cronograma evidencia a organização do setor, o compromisso com a sanidade animal e a relevância econômica e cultural do agro em Santa Catarina.

O calendário é exclusivo para eventos que envolvem animais. A Sape é responsável pela autorização desses eventos, e os que constam no calendário já são considerados aprovados, conforme a Portaria Sape nº 2/2026, desde que atendam às normas sanitárias vigentes e às orientações da Cidasc. O calendário pode ser acessado no site, na aba “eventos”, acesse clicando aqui.

A programação, construída em parceria com entidades públicas e privadas do setor agropecuário catarinense, contempla feiras, exposições, leilões, competições, encontros técnicos, eventos esportivos e manifestações tradicionalistas. O objetivo é divulgar, incentivar e fortalecer a comercialização de animais, seus produtos e subprodutos, além de promover a integração entre o meio urbano e o meio rural e valorizar a cultura catarinense.

Santa Catarina se destaca como um dos principais produtores de alimentos do Brasil, sendo líder nacional na produção de carne suína, moluscos e pescados, além de ocupar a segunda posição na produção de carne de aves. O Estado também se destaca na produção de leite e na apicultura.

“O Calendário de Eventos Agropecuários é mais uma demonstração da força, da organização e do protagonismo da agropecuária de Santa Catarina. São eventos que movimentam a economia, promovem inovação, fortalecem a sanidade animal, mantém as tradições culturais e valorizam o trabalho dos nossos produtores, consolidando o Estado como referência nacional e internacional “, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.

A sanidade animal é um dos maiores patrimônios da agropecuária catarinense. Santa Catarina mantém o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa), além de ser certificada como área livre de peste suína clássica e apresentar baixas prevalências de doenças como brucelose e tuberculose bovina e bubalina. Esses resultados são fruto da parceria sólida entre produtores rurais, Governo do Estado e iniciativa privada.

“O Calendário de Eventos Agropecuários é uma ferramenta estratégica produzida pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária que organiza e confere previsibilidade às atividades do setor em Santa Catarina. A Cidasc atua diretamente na execução desses eventos, assegurando a defesa agropecuária e a sanidade animal. Como são iniciativas que concentram grande número de animais e envolvem significativo interesse econômico, o controle sanitário é fundamental para evitar a disseminação de doenças. Nossa atuação abrange desde a testagem e o monitoramento da sanidade dos rebanhos até a promoção do bem-estar animal, que é um dos pilares do trabalho da defesa agropecuária no Estado”, destaca a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.

Os eventos agropecuários com a presença de animais que não constam no Calendário Oficial precisam passar por análise individual e autorização específica por meio de ofício. Para isso, o organizador do evento deve procurar a Cidasc do seu município.

Acesse o calendário clicando aqui.

Fonte: Assessoria Sape
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Ações judiciais e juros elevados trava produção agrícola

Entre juros abusivos, safras frustradas e contas em atraso, produtores rurais enfrentam disputas judiciais para seguir com o trabalho no campo.

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Foto: Shutterstock

Antes mesmo do início da colheita, muitos produtores rurais brasileiros enfrentam uma das fases mais críticas do ciclo produtivo: a disputa judicial para manter a atividade em funcionamento. Endividados, impactados por frustrações climáticas recorrentes, elevação dos custos de produção e juros elevados, agricultores recorrem ao Judiciário para evitar a apreensão de máquinas, a perda de terras e o colapso das operações no campo.

O cenário se repete em diferentes regiões do país e tem como pano de fundo contratos de crédito rural com taxas acima dos limites legais, negativa de prorrogação de dívidas mesmo em casos de quebra de safra e ações rápidas de busca e apreensão por parte das instituições financeiras. O resultado é um ambiente de insegurança jurídica que paralisa propriedades inteiras justamente no momento mais sensível da produção.

Foto: Jonathan Campos

Além disso, produtores que aguardam decisões judiciais enfrentam uma verdadeira guerra de liminares, com decisões contraditórias em diferentes instâncias. Um caso recente no Paraná ilustra esse contexto. Um produtor que cultiva entre 4 mil e 5 mil hectares e vinha negociando, desde meados de 2025, a reestruturação de dívidas envolvendo 46 máquinas agrícolas foi surpreendido, em setembro, por uma ação de busca e apreensão. A dívida ultrapassa R$ 50 milhões.

As máquinas foram retiradas em pleno plantio do milho, comprometendo diretamente a continuidade da atividade. Segundo o advogado responsável pela defesa, Raphael Condado, o processo judicial se transformou em uma sucessão de reviravoltas. “Foi uma verdadeira guerra de liminares. Em poucos meses, houve apreensão, devolução, nova apreensão e, agora, uma nova ordem de devolução determinada pelo Tribunal”, relata.

Juros acima do limite legal

Além da discussão sobre o alongamento e a prorrogação do financiamento rural, o foco da disputa jurídica passou a ser a cobrança de juros considerados abusivos. A legislação do crédito rural reconhece essas operações como especiais, com taxas subsidiadas, geralmente entre 8% e 12% ao ano, e garante ao produtor o direito à prorrogação da dívida em situações de frustração de safra ou força maior.

Foto: Roberto Dziura Jr.

No caso em análise, o banco ligado à americana John Deere chegou a cobrar juros próximos de 20% ao ano, mais que o dobro do patamar previsto em lei. “Quando há cobrança acima do limite legal, a mora do produtor fica descaracterizada. Isso suspende efeitos como busca e apreensão, leilões de propriedades, cobranças e restrições de crédito, até que os valores corretos sejam apurados”, explica Condado.

Com base nesse entendimento, uma decisão de segunda instância determinou a suspensão da execução da dívida e a devolução das máquinas até o início de fevereiro de 2026, sob pena de multa.

Prejuízos e impacto estrutural

A disputa já gerou prejuízos relevantes para ambas as partes. Estima-se que mais de R$ 700 mil tenham sido gastos apenas com transporte e armazenamento dos equipamentos apreendidos, parte deles deslocados até o estado de Rondônia. Do lado do produtor, a situação financeira permanece delicada, agravada por perdas sucessivas de safra e pela falta de capital para renegociar nos termos exigidos pela instituição financeira.

Foto: Shutterstock

Embora a possibilidade de acordo exista, o cenário mudou após a decisão judicial mais recente. “Com essa decisão, o produtor ganha fôlego e segurança jurídica para discutir prazos e valores de forma mais equilibrada. Qualquer solução precisa respeitar a legislação do crédito rural e a realidade da produção”, afirma o advogado.

O caso expõe um problema estrutural que vai além de uma disputa individual. Em um país onde o agronegócio responde por parcela expressiva do PIB e sustenta a segurança alimentar, o avanço da judicialização revela o descompasso entre o sistema financeiro e a dinâmica do campo.

Para muitos agricultores, recorrer à Justiça deixou de ser exceção e passou a ser a única alternativa para seguir produzindo, ainda que isso signifique conviver com decisões conflitantes que paralisam a atividade e ampliam o endividamento. “Se o produtor não planta, o problema só cresce. A dívida vira uma bola de neve e ele perde totalmente a capacidade de continuar na atividade e de pagar compromissos que são naturais do campo”, ressalta Condado.

Fonte: Assessoria
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