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Por uma nova pecuária brasileira
Mais do que um artigo, este é um manifesto para que uma nova Pecuária possa surgir no país, com lideranças capazes de entender seus desafios futuros e que mostre ao mundo um setor capaz de assumir seus compromissos e de demonstrar sua evolução
O livro Carne e Osso lançado em 2015 pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne traz um relato inédito sobre as origens e a evolução da indústria da carne brasileira, a reboque da pecuária e do avanço do gado no território brasileiro.
O fato é que o Brasil foi alçado ao posto de grande produtor e maior exportador do mundo de carne bovina por condições naturais de espaço, água e insolação, por gente de coragem para empreender e avançar fronteiras, mas muito mais por inovação.
Nos primórdios de nossa indústria, a grande inovação era o charque. O sal conservava a carne e as charqueadas gaúchas abasteciam o grande mercado do Brasil Colônia com essa proteína. O Corned Beef, a carne enlatada foi outra inovação que permitiu que as multinacionais americanas e inglesas aqui instaladas no início de século passado abastecessem tropas e mercados em todo o globo.
A refrigeração foi outra inovação, que permitiu que o comércio de carne in natura ganhasse o mundo. O invencível binômio zebu-braquiária foi a inovação que fez nosso rebanho multiplicar-se e conquistar o Brasil central. Outras inovações vieram, algumas institucionais como um sistema de inspeção organizado, e outras técnicas como a mineralização do rebanho, os avanços em saúde animal, cruzamentos indústrias e inseminação artificial, confinamentos, semi confinamentos, pastejo rotacionado e a integração lavoura pecuária que mal começa a entregar valiosos frutos. Agora entramos na era da pecuária de precisão, de drones e softwares.
Mesmo o sistema agroindustrial da carne brasileiro chega a um ponto delicado de sua história. Somos os maiores exportadores do mundo, mas ainda sofremos restrições e barreiras de mercados importantes. Achamos que nossa carne é a melhor do mundo, mas, lá fora, a vendemos como commodity barata, e perdemos em imagem e percepção de qualidade para outros países produtores que exportam bem menos.
Temos indústrias de ponta convivendo lado a lado com matadouros medievais. Temos uma legislação obsoleta quando precisamos ser mais competitivos. Temos inúmeras formas de consumir carne no Brasil, e quem lança modas como hambúrguer gourmet, dry aged e outras são os gringos. Somos muito bons dentro das fábricas e fazendas, e péssimos fora delas em ambiente de negócios e infraestrutura. Temos produtores extremamente eficientes e gente que usa o boi como desculpa para ocupar terra. Indústria e produtores ainda se veem como antagonistas em disputas de preço e peso, quando deveriam trabalhar juntos para ampliar mercado. Temos grandes ativos ambientais e um código florestal sem paralelo no mundo, e nossa carne é acusada de ser a causa do desmatamento.
Por todos esses desafios, e para se manter no topo, o Brasil precisará necessariamente continuar inovando. Inovando como? Que inovações são essas? Quais serão as tecnologias que iremos precisar para nos manter competitivos nas fazendas e nos frigoríficos? Que papel pode ter a automação nisso, a internet das coisas, a nanotecnologia, a geotecnologia? Como vai se comportar o consumidor mundial, quais as tendências de mercado? Que tipo de carne vão consumir, que atributo procuram, como deve ser o posicionamento do Brasil? Qual o impacto da carne de laboratório que bilionários investidores dizem poder tornar viável em poucos anos? Dos movimentos por direitos dos animais? Quais os desafios sanitários, seus riscos, como responde a política pública brasileira? Quais os reais impactos ambientais da pecuária? Enquanto o mundo discute se deve ou não comer carne, como o Brasil pode se inserir de forma diferenciada nessa discussão?.
Temos sim novas tecnologias surgindo e disponíveis aos produtores. Mas não é só isso. Hoje, infelizmente, dedicamos boa parte do tempo a apagar incêndios presentes, e o ambiente do país não ajuda o setor privado a pensar no longo prazo.
Precisamos pensar como cadeia produtiva inserida em um mercado global, e o setor precisa desesperadamente de fóruns qualificados para debater seu futuro e as políticas que irão definir o seu futuro. O GTPS é uma exceção, que tem trabalhado brava e valorosamente em um dos aspectos da cadeia que mais precisam ser debatidos, a sustentabilidade.
Vamos ao contexto. Mudanças climáticas hoje fazem parte da agenda geopolítica global. Segundo a teoria, o homem causa mudanças climáticas ao despejar CO2 na atmosfera. Esse CO2 nos países ricos vem de energia e transportes, nos países em desenvolvimento de desmatamento e agropecuária.
Diante dessa teoria, corroborada pela grande maioria da comunidade científica, países mobilizam-se, pressionados pela sociedade, criarem acordos, compromissos e políticas relacionados ao clima.
O outro fato dado neste contexto é a relação estabelecida entre florestas e clima. Há vários anos esse elo é reforçado, por estudos, conferências, artigos que tornam a discussão de clima indissociável da discussão da preservação de florestas.
Goste-se ou não disso, esta é a realidade com a qual o setor precisa lidar.
Acordos, compromissos e políticas que surgem em grande parte dos países (e mercados) geram também acordos, compromissos e políticas no setor privado, seja em agentes financiadores e investidores, seja em compradores de produtos em cujas cadeias existe o risco do desmatamento.
Como a pecuária brasileira pode encarar esta realidade e ganhar com ela?
O primeiro ponto que nos interessa é que a pecuária evoluiu muito em produtividade no Brasil por causa de mercado. A atividade deixou de ser um efeito colateral da ocupação do território e uma poupança viva (live-stock) que garantia sobrevivência em um país de economia caótica para ser, depois do fim da inflação, uma atividade econômica que precisa dar lucro. E o aumento de eficiência veio porque o Brasil estava inserido num mercado global de carne.
Mercado é o que interessa para manter a atividade sustentável do ponto de vista econômico. O efeito positivo ao meio ambiente decorrente do aumento de eficiência, com redução de emissões e diminuição da pressão por novas áreas, demonstra que a sustentabilidade ambiental (e social) não são incompatíveis com o desenvolvimento econômico do setor.
Em segundo lugar, hoje, com a construção de cadeias globais de fornecimento, as grandes empresas multinacionais processadoras e varejistas adotam critérios para reduzir o desmatamento em suas cadeias de fornecimento de commodities, especialmente aquelas produzidas em zonas tropicais.
De certa forma não há uma régua única que diga se um produto é sustentável ou não. Existem processos de certificação disponíveis no mercado, processos de melhoria contínua acontecendo, e às vezes as próprias empresas encarregam-se de determinar o tamanho do risco que se dispõe a ter.
Quando o assunto é carne, a coisa é ainda mais complexa já que todo o mercado que depende de carne vai sempre depender em parte do Brasil. E embora esse mercado tenha compromissos de dissociar carne de desmatamento, eles não fazem ideia de por onde começar, principalmente no Brasil onde a certificação é infimamente pequena (para carne) e não existem outras alternativas viáveis que ofereçam rastreabilidade completa a transparente sobre a origem da carne, a não ser aquela oferecida pelas indústrias com compromissos públicos de controle sobre seus fornecedores diretos.
O GTPS nasceu como uma mesa redonda, cujo destino era produzir uma certificação para a carne sem desmatamento atendendo à demanda do mercado. Em um dado momento, decidiu-se mudar os rumos do GT para o conceito de melhoria contínua, uma vez que a grande maioria dos produtores ainda tinha dificuldades em atender a legislação vigente em um ambiente de baixíssima segurança jurídica.
Embora não tenha se tornado uma certificação, o GTPS tornou-se o maior fórum do país a discutir soluções para a pecuária, e criou ferramentas poderosas para o processo de melhoria contínua como o Manual de Práticas para Pecuária Sustentável e o Guia de Indicadores da Pecuária Sustentável.
Na prática, o que escutamos hoje é: Não compro carne do Brasil porque tem desmatamento.
O que o GTPS diz é: Comprem carne do Brasil porque a cadeia pecuária do Brasil está em melhoria contínua. Apoiamos a adequação legal (e por consequência o fim do desmatamento ilegal e o Código Florestal) e apoiamos o desmatamento zero desde que o produtor seja compensado por isso.
De forma análoga, na Estratégia PCI do Estado do Mato Grosso, estamos invertendo a mensagem do “Não compro produtos do Mato Grosso porque carne e soja causam desmatamento.” Para “comprem produtos do Mato Grosso porque temos compromissos para reduzir o desmatamento, implementar o Código Florestal e incluir pequenos produtores, e estamos avançando.”
Em ambos os casos o que interessa é mercado e não há absolutamente nenhuma ameaça a direitos individuais de produtores em nenhum dos dois casos.
Podemos extrapolar o mesmo raciocínio para o Brasil como um todo. Não estamos exportando mais só carne. Estamos exportando carne atrelada ao cumprimento de um Código Florestal e à conservação de ativos ambientais explicitados na NDC brasileira.
Este é o momento em que nossa agenda ambiental deve transportar-se para uma agenda de comércio, investimentos e negociações internacionais, e nossos produtores devem ser os principais protagonistas dessa história, uma vez que é sobre eles que recai grande parte da responsabilidade do Código Florestal.
Mais do que nunca, os pecuaristas de verdade devem assumir seu protagonismo, diferenciar-se do joio que contamina o setor, buscar o mercado pelo bem do próprio negócio demonstrando o que têm nas mãos.
O Brasil deve vender para o mundo uma agropecuária tropical capaz de produzir como ninguém no mundo associada a um ativo como o Código Florestal que ninguém tem no mundo. É a hora de dizer ao mundo em alto e bom tom o que temos e do que somos capazes. Mas não é só falar, é mostrar, provar, com transparência e com rastreabilidade. E na pecuária, o GTPS pode ser o canal para isso.
O setor da pecuária e do agronegócio, em geral, têm pela frente uma grande luta interna a ser vencida, contra um sistema de regras falhas e obtusas que dificultam a geração de riquezas e favorecem a corrupção e o capitalismo “de compadrio”, e contra a falta de infraestrutura, insegurança jurídica, custos elevados e outros problemas.
E tem também uma grande luta externa a ser vencida, para apoderar-se do crescimento da demanda mundial por alimentos, que demanda inovação, sustentabilidade, competitividade e um enorme esforço de negociação e marketing.
Mais do que um artigo, este é um manifesto para que uma nova Pecuária possa surgir no país, com lideranças capazes de entender seus desafios futuros e que mostre ao mundo um setor capaz de assumir seus compromissos e de demonstrar sua evolução, contribuindo com o bem comum e aproveitando uma imensa oportunidade de mercado.
Fonte: Por Fernando Sampaio, Diretor-executivo da Estratégia do Comitê Estadual da Estratégia PCI (Produzir, Conservar e Incluir) do Governo de Mato Grosso e ex-presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável / Alfapress

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Aurora Coop amplia frigorífico em MS e eleva abate de suínos em 60%
Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste
A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.
O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.
A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.
Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.
Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.
Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.
O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.
Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.
O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.
Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.
Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.
A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.
Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.
A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.
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Óleo de soja lidera altas do complexo com suporte do petróleo e biocombustíveis
Commodity registra forte valorização impulsionada por tensões geopolíticas e expectativas de aumento de mandatos de biodiesel, enquanto farelo avança de forma mais moderada, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA.

O óleo de soja foi o principal destaque do complexo soja em maio, encerrando o mês com forte valorização impulsionada pelo avanço do petróleo e pelas expectativas de aumento de mandatos de biocombustíveis. Já o farelo teve desempenho mais moderado, pressionado pela ampla oferta global, enquanto as exportações dos derivados seguiram em ritmo firme.

Foto: Divulgação/Coamo
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o óleo de soja negociado em Chicago superou US$ 77 por libra-peso no fim de maio, sustentado por compras expressivas de fundos e pela escalada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Também influenciaram o mercado as expectativas de ampliação de mandatos de biodiesel, como o B50 na Indonésia a partir de 1º de julho e as discussões sobre o B15 na Malásia.
No encerramento do mês, a queda do petróleo diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu parte dos ganhos do óleo de soja. Ainda assim, o produto fechou maio com alta média de 8,3%, mantendo a liderança de desempenho dentro do complexo.
O farelo de soja teve avanço mais contido, com alta de 1,3% na CBOT, para US$ 329 por tonelada. O resultado reflete a ampla disponibilidade global do produto e o esmagamento recorde na América do Sul, que ampliou a oferta no mercado internacional.

Foto: Divulgação
No Brasil, os preços do farelo em Mato Grosso seguiram direção contrária à bolsa americana. Em Rondonópolis (MT), houve recuo de 3,8% em maio na comparação com abril, para R$ 1.525 por tonelada, influenciado pela oferta interna elevada e pela valorização do real.
As exportações do complexo soja mantiveram forte desempenho. Em maio, os embarques de farelo cresceram 7,7% frente a abril, enquanto os de óleo subiram 22%. No acumulado do ano, as exportações de farelo avançam 4,6% e as de óleo registram alta de 40,9%.
O cenário é sustentado pela combinação de oferta abundante, maior processamento doméstico e demanda externa consistente. A procura internacional por farelo segue firme, com destaque para países da Ásia e da Europa. Já no caso do óleo de soja, o aumento da produção decorrente do maior esmagamento, somado a uma demanda ainda abaixo das expectativas, tem permitido ao Brasil ampliar seus embarques ao exterior.
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CBNA defende formulações mais flexíveis para reduzir dependência de milho e soja
Diversificação de ingredientes, processamento industrial e inteligência artificial ganham espaço para elevar a eficiência produtiva.

O atual cenário de instabilidade geopolítica e a volatilidade nos preços de grãos e insumos têm levado empresas da cadeia de produção animal a buscar novas estratégias para reduzir custos e aumentar a eficiência produtiva. Tradicionalmente baseada em milho e farelo de soja, a formulação de rações passa a incorporar discussões sobre diversificação de matérias-primas, melhor aproveitamento nutricional e tecnologias aplicadas ao processamento industrial.

Médico-veterinário e presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg: “A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo de produção”
O médico-veterinário e presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg, lembra que a alimentação representa aproximadamente 70% do custo de produção de aves e suínos, o que torna a eficiência nutricional um fator decisivo para a competitividade do setor.
“A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo de produção. O papel do nutricionista é justamente encontrar ajustes na formulação que permitam manter o desempenho dos animais e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência econômica”, afirma Miltenburg.
Dietas multi-ingredientes
Entre as alternativas discutidas pela indústria estão as chamadas dietas multi-ingredientes, que permitem maior flexibilidade na formulação conforme o comportamento do mercado de commodities. Ingredientes como sorgo, trigo e outros cereais passam a ser considerados em determinados cenários de custo, desde que a substituição mantenha desempenho zootécnico e viabilidade econômica.
“Em determinados momentos é possível utilizar ingredientes com melhor custo sem perder desempenho. A ideia é sair de uma dieta baseada apenas em milho e soja e trabalhar com formulações mais diversificadas, sempre avaliando o custo e o resultado produtivo”, explica Miltenburg.
Apesar das oportunidades, a adoção de novas matérias-primas ainda enfrenta desafios técnicos e logísticos dentro da cadeia produtiva. Questões como disponibilidade de volume, necessidade de armazenagem, adaptação das fábricas de ração e confiabilidade dos dados nutricionais dos ingredientes influenciam diretamente as decisões da indústria.
“Para utilizar novos ingredientes é preciso ter escala e garantir fornecimento. Além disso, as fábricas precisam estar preparadas para trabalhar com mais matérias-primas, o que pode exigir estrutura adicional de armazenagem e manejo”, ressalta o presidente do CBNA.
Aprimoramento do processamento industrial da ração
Além da diversificação de ingredientes, outra frente que ganha força no setor é o aprimoramento do processamento industrial das rações. Melhorias em etapas como moagem, dosagem e peletização vêm sendo apontadas como alternativas importantes para elevar a eficiência sem depender exclusivamente da troca de matérias-primas.
Segundo Miltenburg, o caminho passa por aproveitar melhor os recursos já existentes nas fábricas. “Dentro de casa, o que pode ser feito é um melhor processamento dos ingredientes disponíveis, usando a tecnologia já instalada e tirando o máximo do que temos nas fábricas”, afirma.
Entre os pontos de maior atenção estão a granulometria dos ingredientes e a qualidade dos pellets produzidos nas fábricas de ração. A redução do desperdício, a melhora na digestibilidade e o aumento da eficiência alimentar aparecem como ganhos diretos dessas estratégias.
“Fornecer uma granulometria adequada contribui para maximizar a eficiência de digestão dos ingredientes. E a peletização reduz desperdícios e facilita a ingestão do alimento, o que pode ser traduzido em melhores índices de ganho de peso e conversão alimentar”, explica.
Decisões integradas
Na avaliação do zootecnista e membro da Diretoria Técnica do CBNA, Fabio Catunda, a busca por eficiência produtiva exige hoje uma visão mais ampla da cadeia. “Nutrição continua sendo um pilar central, mas resultados consistentes exigem integração com tecnologia, legislação, processamento e gestão. O setor precisa cada vez mais de decisões integradas”, afirma.
A inteligência artificial também começa a ganhar espaço dentro das estratégias da nutrição animal. O uso de ferramentas digitais para análise de dados, interpretação de resultados produtivos e otimização de formulações já faz parte da rotina de algumas empresas da cadeia agroindustrial.
De acordo com o zootecnista e membro da Diretoria Técnica do CBNA, Flavio Longo, o avanço dessas ferramentas deve acelerar a tomada de decisão nas agroindústrias. “A inteligência artificial deixou de ser uma tendência distante e passou a fazer parte da rotina da nutrição animal. A proposta agora é utilizar melhor os dados disponíveis para decisões mais assertivas”, afirma.
Para o setor, o desafio passa não apenas por reduzir custos, mas por equilibrar eficiência econômica, desempenho zootécnico e qualidade final da produção. “O grande desafio é entregar carcaça de qualidade com baixo custo e alta eficiência produtiva. Encontrar esse equilíbrio é o que define a competitividade da cadeia”, conclui Miltenburg.
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