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Por que a fibra dietética é tão importante para a digestibilidade e bem-estar de frangos de corte?

Existem fibras que, além desses efeitos, também contribuem no desenvolvimento do trato digestório, com efeitos importantes na morfologia intestinal, com aumentos nas áreas de digestão e absorção dos nutrientes.

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Foto: Arquivo/OP Rural

As rações balanceadas para a criação dos frangos de corte normalmente são consideradas de alta densidade nutricional, imposição que o melhoramento genético imprimiu na criação da ave, sempre objetivando o máximo resultado de desempenho. Por outro lado, o setor de frangos de corte não tem ideia do que esse direcionamento para máximo desempenho pode trazer à digestibilidade de nutrientes e ao bem-estar dos frangos de corte modernos. Algumas modificações significativas foram introduzidas via genética nessas aves como o grande desenvolvimento da área e rendimento do peito. Este fato modificou o centro de gravidade da ave, que reduziu o comportamento de movimentação e de ficar em pé principalmente na fase final de criação, reduzindo a utilização dos membros e aparecimento de uma série de problemas ósseos, sendo a discondroplasia tibial uma das mais frequentes, como resultado do descompasso entre o aporte de cálcio/fósforo e o crescimento do tecido.

As aves sentem dor que prejudica sua movimentação. O que esses frangos de corte precisam? Maior ajuste no processo digestivo e absortivo dos nutrientes, com a modificação das rações, permitindo equilíbrio no tempo de fornecimento dos nutrientes e a capacidade absortiva da ave, com melhor harmonia nutricional. O resultado seria redução dos problemas nutricionais/metabólicos que têm incrementado significativamente na produção do frango de corte moderno que não param de melhorar geneticamente.

O acerto entre a composição das dietas altamente densas em nutrientes e a capacidade absortiva em tempo real durante a digestão de todos os nutrientes passa pela necessidade de incrementar o bolo alimentar com o uso de fibra. Assim a adição de fibras insolúveis pode contribuir para esse equilíbrio necessário para acertar digestão e absorção dos nutrientes. Vários nutrientes livres nas rações não têm absorção total devido a esse descompasso. Exemplo desse fato são os aminoácidos industriais livres adicionados às rações. Estes não são totalmente absorvidos devido ao tempo de exposição para absorção, sendo excretados. A nutrição tem indicado absorção total desses aminoácidos, mas na realidade não são. Assim a utilização de fibra dietética pode incrementar a utilização dos nutrientes livres e em processo de digestão das rações.

As dietas altamente concentradas dos frangos de corte apresentam níveis de fibra bruta (FB) menores do que 3%. Devido a esse baixo nível de FB, ocorre uma série de fenômenos ao nível de trato digestório que podem interferir no processo de desenvolvimento do sistema e, consequentemente, afetando tanto a digestibilidade como absorbabilidade dos nutrientes. O nível de FB também pode afetar o nível de consumo e reduzir o consumo de nutrientes de forma adequada. Por outro lado, a hiperfagia dos frangos modernos associado a baixa fibra das dietas permite o consumo de nutrientes além da capacidade absortiva desses princípios nutricionais, alterando toda a fisiologia normal do sistema digestivo, desequilibrando toda a digestão/absorção.

O equilíbrio da digestão e da absorção dos nutrientes é prejudicado com essas dietas altamente densas em nutrientes, onde se perde grande parte dos princípios nutricionais nas excretas, afetando a eficiência de utilização e perda para o meio ambiente, além dos problemas metabólicos que os frangos de corte têm apresentado atualmente. A síndrome do osso negro, locomotores (discondroplasias e espondilolistese, entre outras), miopatias peitorais, redução da digestibilidade geral na fase final de criação, entre outros são problemas de níveis de nutrientes associados ao descompasso nutricional dos mesmos.

Várias fibras dietéticas com alta insolubilidade têm sido estudadas, no entanto, as melhores são aquelas que possuem propriedades e funções que podem contribuir para melhorar todo o processo digestivo/absortivo dos nutrientes e contribuir para o bem-estar dos frangos de corte modernos, sem prejudicar as respostas no desempenho econômico e na criação dessas aves. Existem fibras que, além desses efeitos, também contribuem no desenvolvimento do trato digestório, com efeitos importantes na morfologia intestinal, com aumentos nas áreas de digestão e absorção dos nutrientes.

A exemplo pode ser citada a nova tecnologia de extrusão de gramíneas tropicais, que é uma fonte de fibra com efeitos interessantes no processo digestivo e absortivo em aves. Por ter características físicas e químicas voltadas para melhor motilidade intestinal e com efeitos na digestão dos nutrientes, tem resultado em melhorias significativas na nutrição dos frangos de corte. Por ter origem em fenos curados ao sol, contêm significativa concentração de ergosterol vegetal irradiado (vitamina D2), que auxilia na absorção de cálcio e fósforo de forma significativa, com melhorias na formação óssea, com aumento da densidade e resistência observadas em frangos de corte. Assim a utilização da fibra dietética nas rações de frangos de corte resulta de maneira geral em benefícios fisiológicos e nutricionais, contribuindo para o bem-estar das aves.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: atendimento@mova.ppg.br.

 

Fonte: Por Antonio Gilberto Bertechini, professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla) e Andressa Carla de Carvalho, coordenadora técnica nacional - Nutratta Nutrição Animal Doutorado - UFLA

Avicultura

Produção brasileira de ovos para consumo desacelera no terceiro trimestre

Levantamento do IBGE e Cepea indica leve queda trimestral na oferta porém aponta recorde histórico no acumulado de 2025 com impacto direto nos preços pagos ao produtor.

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Dados do IBGE analisados pelo Cepea mostram que, entre julho e setembro, foram produzidas 1,02 bilhão de dúzias de ovos para consumo, queda de 1,4% frente ao trimestre anterior, mas alta de 2,5% na comparação com igual intervalo de 2024.

No acumulado do ano, a produção nacional soma 3,04 bilhões de dúzias, volume recorde para o período de toda a série histórica do Instituto, iniciada em 2012. Assim, pesquisadores do Cepea explicam que, mesmo com a leve retração na quantidade produzida, os valores dos ovos seguiram enfraquecidos ao longo do terceiro trimestre.

De acordo com levantamentos do Centro de Pesquisas, entre julho e setembro, a média dos ovos brancos tipo extra, a retirar (FOB) em Bastos (SP), foi de R$ 149,15/caixa com 30 dúzias, queda de 14% em termos reais (dados deflacionados pelo IGP-DI de nov/25), em relação ao trimestre anterior.

Para os ovos vermelhos, houve desvalorização real de 16% em igual comparativo, à média de R$ 164,45/cx na região paulista.

Fonte: Assessoria Cepea
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Avicultura Do surto ao recall

Lições que a agroindústria não pode ignorar

Especialistas alertam que o avanço de contaminações no Brasil e no exterior exige vigilância contínua, tecnologia de ponta e gestão rigorosa para evitar crises sanitárias e prejuízos às empresas.

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A segurança alimentar voltou ao centro das atenções diante da escalada de surtos e contaminações que desafiam a indústria de alimentos no Brasil e no mundo. A mensagem foi reforçada pela bióloga Marina Gumiere, doutora em Microbiologia Agrícola, durante o 11º Encontro Avícola Empresarial Unifrango, realizado em julho na cidade de Maringá (PR).

Segundo a especialista, só um monitoramento contínuo e políticas rígidas de controle de qualidade conseguem prevenir riscos e proteger tanto a saúde pública quanto a reputação das marcas. “Os riscos invisíveis da indústria alimentícia exigem mais que protocolos básicos, pedem vigilância constante, ferramentas modernas e uma cultura de prevenção. Prevenir surtos é sempre mais eficiente, e menos custoso, do que lidar com as consequências de uma crise sanitária”, frisou.

Entre 2013 e 2022, o Brasil registrou uma média anual de 6,6 mil surtos alimentares. Casos recentes de enterovírus e contaminações por E. coli e Salmonella em praias de São Paulo evidenciam a persistência do problema. Em 2024, episódios semelhantes atingiram Estados Unidos, Vietnã, Rússia e Arábia Saudita, com foco em carnes, saladas prontas e alimentos processados, um alerta de que a vulnerabilidade é mundial. “As consequências de um recall são amplas. Além de altos custos financeiros, que envolvem recolhimento, processos judiciais e investimentos em recuperação, as empresas sofrem desgaste da reputação, com perda da confiança do consumidor e questionamentos de investidores. Há ainda a pressão legal, com disputas e ações judiciais que prolongam os impactos da crise”, enumerou Marina.

Casos que marcaram a indústria

Bióloga Marina Gumiere, doutora em Microbiologia Agrícola: O Plano de Monitoramento Ambiental (PMA) é fundamental para identificar fontes de contaminação, mapear áreas críticas e apontar falhas de higiene nas plantas industriais” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Marina lembrou de episódios que se tornaram referência em segurança alimentar e que servem de alerta para toda a cadeia produtiva. Em 2010, nos Estados Unidos, mais de 500 milhões de ovos foram recolhidos após 2,5 mil casos de salmonelose, com custos superiores a US$ 100 milhões. Em 2007, a contaminação de manteiga de amendoim gerou impacto estimado em US$ 1 bilhão, atingindo não apenas o produtor, mas também a extensa cadeia de produtos que utilizava o ingrediente.

A rede de hambúrgueres que enfrentou surtos de E. coli em 2004 e novamente em 2024 sofreu queda de 10% no valor de suas ações, perda de vendas e precisou investir mais de US$ 100 milhões em medidas corretivas e marketing para tentar recuperar a imagem.

Ferramentas para prevenir

Para reduzir riscos, Marina defende o uso de estratégias que envolvem diferentes frentes de controle. “O Plano de Monitoramento Ambiental (PMA) é fundamental para identificar fontes de contaminação, mapear áreas críticas e apontar falhas de higiene nas plantas industriais”, destacou.

Ela ressaltou ainda a importância do zoneamento de risco, que classifica os ambientes da fábrica em quatro níveis, permitindo direcionar o monitoramento para microrganismos adequados a cada área. “Sem um bom zoneamento, se perde eficiência no controle, porque não se mede o que realmente importa em cada ponto da planta”, afirmou.

Outro ponto crítico são os biofilmes, estruturas resistentes formadas por comunidades microbianas que podem abrigar agentes como Listeria e Salmonella. “Eles criam uma barreira protetora que dificulta a ação dos sanitizantes e, muitas vezes, só podem ser eliminados com ação mecânica”, alertou a especialista.

Soluções avançadas de investigação

A evolução tecnológica também oferece novas ferramentas para que a indústria alimentícia enfrente riscos invisíveis com mais precisão. Marina destacou o papel do sequenciamento de nova geração (NGS) e do sequenciamento completo do genoma (WGS), técnicas que permitem identificar microrganismos que não crescem em meios tradicionais e rastrear a origem de surtos. “O WGS consegue diferenciar sorotipos e apontar se a mesma cepa está presente em diferentes pontos da planta. É uma ferramenta poderosa de rastreamento e prevenção”, afirmou, destacando que essas técnicas também permitem identificar genes de resistência a sanitizantes e antibióticos, além de relacionar características das cepas com as condições sanitárias da planta e avaliar a evolução da resistência microbiana ao longo do tempo.

Outra solução é a metagenômica, capaz de extrair o DNA diretamente da matéria-prima, da água ou de superfícies, sem necessidade de cultivo. “A metagenômica mostra toda a comunidade microbiana presente, sua diversidade, abundância e potenciais riscos. É como acender a luz em um ambiente que antes estava no escuro”, comparou Marina.

A avaliação da eficácia dos desinfetantes utilizados na fábrica também é indispensável, especialmente contra as cepas isoladas da própria planta, e não apenas contra microrganismos indicadores padrão. “É importante testar a eficácia das soluções ao longo do tempo de armazenamento, já que alguns ativos, como o hipoclorito, perdem potência rapidamente”, reforçou.

No campo da gestão, a especialista reforçou a importância de ferramentas modernas de monitoramento, que superam as limitações das planilhas tradicionais. “O Excel ajuda, mas não oferece a visão estratégica. Hoje existem sistemas capazes de mapear zonas de risco, indicar pontos positivos de contaminação, monitorar ativos e desencadear planos de mitigação de forma integrada”, pontuou.

versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Frango congelado mantém estabilidade e mercado segue com pouca volatilidade

Cotações recuaram e avançaram de forma moderada ao longo da semana e acumulam leve valorização de 0,25% no mês, segundo dados do Cepea.

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Foto: Ari Dias/AEN

Os preços do frango congelado no Estado de São Paulo seguiram estáveis nesta quarta-feira (10), segundo dados do Cepea/Esalq. A cotação ficou em R$ 8,13/kg, repetindo o valor do dia anterior, sem variação diária (0,00%).

Apesar da pausa no movimento de alta, o produto acumula valorização de 0,25% em dezembro.

Na terça-feira (09), o frango congelado havia avançado 0,49%, saindo de R$ 8,09/kg (08/12) para R$ 8,13/kg. Antes disso, as oscilações foram moderadas: -0,12% em 8 de dezembro e -0,12% no dia 5.

Já no dia 04 de dezembro, o indicador registrou estabilidade em R$ 8,11/kg.

Os números mostram que, mesmo com variações pontuais, o mercado paulista de frango congelado opera com baixa volatilidade neste início de mês.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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