Conectado com

Avicultura

Pontos críticos no manejo e ambiência de verão

Publicado em

em

*Marcus Briganó
A avicultura brasileira é uma das cadeias de produção mais eficientes do mundo. Sua competitividade e eficiência na obtenção de índices zootécnicos de excelência são as marcas registradas deste setor, que move um grande montante de investimentos e pessoas, anualmente.
Apesar desta grande eficiência, ainda encontramos diversos desafios e entre os mais impactantes, estão nossa biosseguridade, aspectos relacionados à nutrição, manejo e ambiência. Destes citados, os mais frequentes no cotidiano das empresas produtoras de frango são os dois últimos, pois se observa com frequência que erros de manejo e ambiência são os principais entraves na melhoria de resultados.
Quando falamos do verão propriamente dito, não há como não citarmos a sazonalidade que encontramos nos resultados das empresas no decorrer de um ano. É extremamente frequente observarmos que os números das empresas nos períodos que compreendem de outubro a fevereiro têm pioras consideráveis em Conversão Alimentar, Ganho de Peso e Mortalidade. Este fato  se deve à variável ineficiência que temos em estruturas, equipamentos e mão-de-obra.
Quando falamos de manejo de verão, o principal fato notado é a necessidade de mantermos a ave isolada do principal desafio nesse período: o calor.
No Brasil, a grande maioria dos aviários tem uma capacidade limitada de manutenção da temperatura interna, devido ao fato desta grande maioria ser constituída de aviários abertos, que utilizam ventiladores como forma de expulsar o excesso de calor e umidade de dentro da granja (granjas de pressão positiva).
Conhecer a ave com que trabalhamos é importantíssimo para que consigamos resultados adequados. O frango de corte, no decorrer dos anos, sofreu diversas melhorias no que diz respeito ao seu desempenho, porém, suas estratégias para manutenção da temperatura, como outros mecanismos fisiológicos, continuam praticamente inalterados. 
A ave tem três formas de manter a temperatura corpórea: condução, convecção e evaporação. Nas duas primeiras, a ave perde calor para o ambiente usando suas regiões corpóreas mais expostas, ou seja: sua barbela e crista, suas pernas e a região abaixo das asas. Nestes processos ocorre a troca de calor sem grande mobilização fisiológica, o que do ponto de vista de desempenho é muito bom, pois não ocorrem grandes gastos de energia para que ocorra a termorregulação. O grande limitante neste processo é o fato deste artifício ser muito limitado e, na grande maioria das vezes, não ser suficientemente eficiente para transpor os desafios de calor a que a ave é submetida.
Quando os dois mecanismos acima citados não são mais suficientes para manter a temperatura da ave em níveis de conforto, o artifício utilizado pela ave é a evaporação, muito mais eficiente na troca, porém com custos muito mais onerosos à ave, causando queda de desempenho e, em casos mais extremos, até a morte da ave por estresse térmico.
Pensando nesta necessidade constante da ave por conforto, alguns cuidados devem ser tomados, para que a temperatura do aviário esteja sempre dentro do determinado para cada idade. 
Para que tenhamos boas trocas térmicas da ave com o ambiente, o aviário deve ter um bom potencial para velocidade de vento. Pois, quando o frango estiver em idades mais avançadas, as boas velocidades de vento ajudarão as aves nas trocas térmicas e assegurarão que o processo de troca de calor por evaporação ocorra o mínimo possível.
Quando falamos de velocidade de vento, existem dois aviários muito distintos na maneira com que tentamos dar o conforto que a ave necessita: os aviários de pressão positiva e os de pressão negativa.
Quando manejamos aviários de pressão positiva, assume-se que temos um menor controle do ambiente e as aves estão mais sujeitas às alterações climáticas. Os ventiladores utilizados neste tipo de aviário têm eficiência limitada no que diz respeito à padronização da velocidade de vento dentro do aviário, sendo que aves mais próximas aos ventiladores têm um excesso de velocidade e as aves mais distantes tem níveis de ventilação aquém da necessidade. Isso, somado a alguns “pontos mortos”, geram uma grande despadronização ambiental, muitas vezes agravada pela falta de equipamentos  e pela carência de manutenção, são situações relativamente comuns em grande parte dos aviários presentes no Brasil.
Em aviários de pressão negativa, a movimentação do ar dentro do aviário ocorre pela ação dos exaustores, equipamentos muito mais eficientes para propiciar padronização de velocidades de vento. Porém, existem diversas situações que dificultam o trabalho deste tipo de aviário na tarefa de propiciar conforto à ave.
Quando desenhamos um aviário de pressão negativa, sugere-se que o potencial de velocidade de vento seja em torno de 3 m/s em média, sendo que esta média deve ser feita em pelo menos 12 pontos, igualmente distribuídos dentro do galpão. 
Para que tenhamos a referida velocidade de vento, é necessário o número correto de exautores e que os mesmo tenham potência para propiciar o deslocamento de ar necessário. Outro importante detalhe é que a abertura de ar seja proporcional à quantidade de exautores em funcionamento e, finalmente, que o aviário tenha o menor número possível de “falsas entradas de ar”, já que as mesmas “roubam” potência dos exautores, diminuem a velocidade de vento e promovem “pontos mortos” onde, inclusive, podem ocorrer excessos de mortalidade.
Vale lembrar que toda tecnologia, por mais nova que seja, sempre vai despender manutenções, revisões e checagens periódicas para que todos os aspectos relacionados ao bom funcionamento do aviário sejam observados.
*Marcus Briganó é especialista em frangos de corte da Cobb-Vantress

Fonte: Ass. Imprensa Cobb

Continue Lendo

Avicultura

SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura

Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.

Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.

A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio

De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.

A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.

O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.

Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.

Programação geral

26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura  

17ª Brasil Sul Poultry Fair

Dia 07/04 – Terça-feira

13h30 – Abertura da Programação

13h40 – Painel Gestão de Pessoas

Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.

Palestrantes:

Delair Bolis

Joanita Maestri Karoleski

Vilto Meurer

Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda

15h40 – Intervalo

16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.

Palestrante: Arene Trevisan

(15 minutos de debate)

17h- Solenidade de Abertura Oficial

17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026

Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC

19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair

Dia 08/04 – Quarta-feira

Bloco Abatedouro

8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.

Palestrante: Darwen de Araujo Rosa

(15 minutos de debate)

9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.

Palestrante: Dianna V. Bourassa

(15 minutos de debate)

10h – Intervalo

Bloco Nutrição

10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.

Palestrante: Wilmer Pacheco

(15 minutos de debate)

11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.

Palestrantes: Roselina Angel

(15 minutos de debate)

12h30 – Intervalo almoço

Eventos Paralelos

Painel Manejo

14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno

Palestrantes:

Lucas Schneider

Rodrigo Tedesco Guimarães

16h – Intervalo

Bloco Conexões que Sustentam o Futuro

  16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.

Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo

(15 minutos de debate)

17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?

Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme

(15 minutos de debate)

18h30 – Eventos Paralelos

19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair

Dia 09/04 – Quinta-feira

Bloco Sanidade

8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias

Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande

(15 minutos de debate)

9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.

Palestrante: Dr. Ricardo Rauber

(15 minutos de debate)

10h – Intervalo

10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.

Palestrante: Gonzalo Tomás

(15 minutos de debate)

11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.

Palestrante: Taís Barnasque

(15 minutos de debate)

Sorteios de brindes.

Fonte: Assessoria Nucleovet
Continue Lendo

Avicultura

Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023

Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock

No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.

Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
Continue Lendo

Avicultura

Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março

Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav

De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.

A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.

Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação

granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.