Avicultura
Polifenóis ganham espaço na avicultura para melhorar fertilidade e reduzir estresse oxidativo
Estudo aponta avanço na qualidade seminal, sobrevivência embrionária e peso dos pintinhos com uso de antioxidantes naturais.


Artigo escrito por Beatriz Conte Venturelli, gerente Técnica Brasil e América do Sul – Impextraco Latin America, Edita Sostaric Zandee, gerente de Produto Global – Impextraco N.V.
A genética moderna na avicultura elevou a produtividade a níveis impressionantes, mas esse progresso também aumentou a vulnerabilidade das aves ao estresse. À medida que os reprodutores envelhecem ou enfrentam desafios, seus corpos produzem mais espécies reativas de oxigênio (ERO). Essas moléculas instáveis danificam as células, afetando a fertilidade do lote.
Inúmeras pesquisas recentes destacam os polifenóis (compostos naturais encontrados em plantas) como ferramentas nutricionais promissoras para combater o estresse oxidativo. Com milhares de variantes presentes em sementes, frutas, ervas e cereais, os polifenóis são conhecidos por seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. Dentro da célula, eles neutralizam os radicais livres e ativam as enzimas protetoras do próprio organismo através da via Nrf2, aumentando a resistência aos danos oxidativos.

Estudo sobre o desempenho de reprodutores
Um estudo controlado da Universidade Federal de Santa Maria (Brasil) avaliou como um antioxidante rico em polifenóis afeta o desempenho reprodutivo de matrizes leves da 54 a 70 semanas de idade.

Foto: Shutterstock
A pesquisa consistiu em dois ensaios independentes, cada um seguindo um delineamento inteiramente casualizado com três tratamentos dietéticos: 1) Dieta controle sem suplementação; 2) Suplementação de 0,5 kg/ton; 3) Suplementação de 1,0 kg/ton.
Ambos os ensaios foram avaliados ao longo de quatro períodos consecutivos de 28 dias, permitindo que os pesquisadores monitorassem as mudanças ao longo do tempo e avaliassem a consistência dos efeitos.
Ensaio 1: Galos Rhode Island Red
Trinta e dois galos foram alojados individualmente e designados para 10 repetições (uma ave por repetição). A cada 28 dias, os pesquisadores mediram: 1) Peso corporal e consumo de ração; 2) Vigor do sêmen; 3) Motilidade espermática (%); 3) Volume do ejaculado (mL); 4) Porcentagem de espermatozóides normais. Os dados foram analisados por ANOVA e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste de Tukey (P < 0,05).
Embora o crescimento e o consumo de ração não tenham diferido, as características do sêmen melhoraram

Foto: Shutterstock
significativamente com a suplementação antioxidante. A motilidade espermática subiu de 83,67% (controle) para 91,05% e 96,30% nos grupos suplementados (P = 0,01), o volume do ejaculado aumentou de 0,40 mL para 0,63 mL na dosagem mais baixa (P = 0,04) e os espermatozóides normais aumentaram de 87,50% para 96,30% na dose mais alta. Esses resultados destacam a sensibilidade dos espermatozoides ao estresse oxidativo e o potencial dos polifenóis em proteger a integridade mitocondrial e da membrana.
Ensaio 2: Matrizes de Ovos Marrons
O segundo ensaio utilizou 210 galinhas White Plymouth Rock, divididas em 10 repetições de sete aves cada. As medições feitas a cada 28 dias incluíram: 1) Peso corporal e consumo de ração; 2) Taxa de postura; 3) Mortalidade embrionária (inicial, média e tardia) e 4) Peso do pintinho ao eclodir.
No nível mais alto de suplementação conseguiu verificar diminuição no consumo de ração indicando possíveis melhorias na eficiência metabólica. A mortalidade embrionária inicial diminuiu (P = 0,03): sugerindo melhor proteção oxidativa durante a fase mais vulnerável do desenvolvimento e o peso do pintinho ao eclodir aumentou significativamente (P < 0,01), um indicador chave de vigor e robustez inicial do pintinho. Os embriões são extremamente sensíveis a danos oxidativos; reduzir a exposição às ERO apoia a organogênese e o uso de nutrientes de forma adequada.

Galos: melhor qualidade seminal
Enquanto o peso e o consumo permaneceram inalterados, os grupos suplementados mostraram:
- Maior motilidade espermática (superando 96% no nível mais alto).
- Maior volume de ejaculado.
- Maior porcentagem de células espermáticas normais.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Esses indicadores estão intimamente ligados ao sucesso da fertilização e destacam o papel da proteção antioxidante
na fertilidade masculina.
Galinhas: embriões fortes, pintinhos pesados
Nas fêmeas, o antioxidante apresentou efeitos igualmente relevantes:
- Redução da mortalidade embrionária inicial.
- Aumento do peso do pintinho ao nascimento.
- Melhoria na taxa de eclosão.
- Redução modesta no consumo de ração, sugerindo melhor eficiência metabólica.
Em conjunto, esses resultados indicam que os polifenóis podem ajudar a proteger tanto as células reprodutivas quanto os embriões em desenvolvimento contra danos oxidativos.
Oportunidade para lotes de reprodutores
Os estudos reforçam uma compreensão ampla, quando o estresse oxidativo aumenta em aves de alta performance, a

Foto: Divulgação
reprodução costuma sofrer. Ao reduzir o dano celular e apoiar a função mitocondrial, os polifenóis podem fortalecer resultados reprodutivos fundamentais sem depender de aditivos sintéticos.
Para operações com reprodutores, essa abordagem pode se traduzir em melhores características seminais nos machos, melhor sobrevivência embrionária e pintinhos mais saudáveis e robustos ao eclodir, mesmo em lotes de reprodutores mais velhos.
À medida que a indústria avícola continua a buscar resiliência, sustentabilidade e redução no uso de antibióticos, os polifenóis oferecem uma estratégia natural e cientificamente comprovada para melhorar a eficiência reprodutiva.
As referências bibliográficas estão com as autoras. Contato> [email protected].

Avicultura
Simpósio da Facta debate tecnologia e dados na produção de matrizes avícolas
Evento programado para os dias 16 e 17 de setembro reúne especialistas para discutir manejo, incubação, automação e uso de indicadores na avicultura.

A integração entre tecnologia, análise de dados e práticas de manejo tem redefinido a produção de matrizes avícolas no Brasil. O tema estará no centro das discussões do Simpósio de Incubação e Matrizes, marcado para os dias 16 e 17 de setembro, em Chapecó (SC), promovido pela Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (Facta).
O encontro reunirá técnicos, pesquisadores, especialistas e profissionais da cadeia avícola para atualização sobre fatores que influenciam o desempenho de matrizes pesadas e incubatórios, com foco em eficiência produtiva e qualidade da progênie.
A programação inclui debates sobre manejo de recria, fertilidade, nutrição, programas de iluminação, controle ambiental, sanidade, vacinação e automação. Também entram na pauta o uso de indicadores de desempenho e ferramentas de análise de dados para apoiar a tomada de decisão e aprimorar resultados.
No segmento de incubatórios, os debates vão abordar manejo de ovos, ventilação, embriodiagnóstico, monitoramento de incubação e controle de qualidade, além de estratégias de gestão operacional.
Questões como gestão de pessoas, retorno sobre investimento em tecnologias e uso de dados na rotina produtiva também fazem parte da programação.
Para o presidente da Facta, Ariel Mendes, o simpósio busca aproximar conhecimento técnico e aplicação prática no campo. “A produção de matrizes e a incubação são etapas fundamentais para a eficiência de toda a cadeia avícola. O simpósio reúne especialistas e profissionais do setor para discutir tecnologias, práticas de manejo e ferramentas de gestão capazes de contribuir para ganhos consistentes de produtividade, qualidade e sustentabilidade na produção”, afirmou.
A programação completa está disponível aqui.
Avicultura
Exportações de carne de frango crescem 40,6% em junho
Brasil embarcou 482,8 mil toneladas no mês e registrou alta também na receita, que chegou a US$ 985,5 milhões.

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 482,8 mil toneladas em junho, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume supera em 40,6% o registrado no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 343,4 mil toneladas.
A receita obtida com as exportações alcançou US$ 985,5 milhões, resultado 54,7% superior ao registrado em junho do ano passado, quando foram contabilizados US$ 637 milhões.
Impulsionados pelo desempenho de junho, os embarques brasileiros encerraram o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado da história das exportações brasileiras de carne de frango, tanto em volume quanto em receita. Entre janeiro e junho, os embarques alcançaram 2,936 milhões de toneladas, número 12,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 2,600 milhões de toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 17%, com US$ 5,700 bilhões entre janeiro e junho deste ano, frente aos US$ 4,871 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras em junho, a China manteve a liderança, com 50,1 mil toneladas embarcadas (+12.248,8% em relação ao mesmo período do ano anterior). Na sequência aparecem Japão, com 46,6 mil toneladas (-0,9%), Emirados Árabes Unidos, com 46,2 mil toneladas (-5,1%), Arábia Saudita, com 33,1 mil toneladas (-1,0%), União Europeia, com 28 mil toneladas (+250,7%), África do Sul, com 26,3 mil toneladas (+946,3%), México, com 25,4 mil toneladas (+728,8%), Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+7.819,7%), Filipinas, com 12,5 mil toneladas (+330,2%) e Singapura, com 12 mil toneladas (-19,4%). Vale lembrar que parte das elevadas variações percentuais registradas em alguns mercados decorre da baixa base de comparação de junho de 2025, período impactado pelas restrições temporárias decorrentes do único caso, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no Brasil.

Foto: Jonathan Campos
No desempenho por estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 199,3 mil toneladas embarcadas em junho (+48,2%), seguido por Santa Catarina, com 103,3 mil toneladas (+35,2%), Rio Grande do Sul, com 56,7 mil toneladas (+40,1%), São Paulo, com 29,9 mil toneladas (+40,0%) e Goiás, com 29,4 mil toneladas (+55,4%).
“Os resultados do primeiro semestre foram conquistados em um ambiente marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos desafios logísticos decorrentes desse contexto, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz. Mesmo diante desse cenário, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que manteve forte presença no Oriente Médio e expandiu oportunidades em mercados emergentes. O desempenho de junho, embora influenciado por uma base comparativa menor frente à ocorrência já superada de IAAP no Brasil, reforça a diversificação da pauta exportadora brasileira, a competitividade da nossa cadeia produtiva e consolida bases sólidas para mais um ano de resultados históricos nas exportações de carne de frango”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Avicultura
Preço do frango cai 0,83% no início de julho
Frango congelado e resfriado são negociados a R$ 7,20/kg no atacado paulista. Desaceleração das vendas pressionou as cotações, mas pagamento de salários pode estimular a demanda.

Após dois meses consecutivos de alta, os preços da carne de frango recuaram em junho, refletindo o enfraquecimento das vendas, sobretudo na segunda quinzena do mês. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora o volume negociado tenha permanecido satisfatório, ficou abaixo do registrado nos meses anteriores, levando vendedores a flexibilizar os preços para manter a liquidez e evitar a formação de estoques.

Foto: Divulgação
O movimento de baixa se estendeu para os primeiros dias de julho. Levantamento do Cepea/Esalq mostra que, na sexta-feira (03), tanto o frango congelado quanto o resfriado foram comercializados a R$ 7,20 por quilo no atacado do Estado de São Paulo, valor estável em relação aos dois dias anteriores, mas 0,83% inferior ao registrado no encerramento de junho.
No último dia útil de junho, o frango congelado era negociado a R$ 7,26/kg, acumulando valorização mensal de 3,27%. Já o frango resfriado fechou o mês a R$ 7,26/kg, com alta acumulada de 2,98% em junho. Na última segunda-feira (29), ambos os produtos chegaram a R$ 7,29/kg, antes do ajuste observado nos dias seguintes.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a perda de ritmo das vendas na segunda metade de junho levou frigoríficos e distribuidores a reduzirem os preços para facilitar o escoamento da produção. A estratégia buscou evitar o aumento dos estoques em um período de menor demanda.
Apesar do cenário de queda nas médias recentes, a expectativa para o início de julho é mais favorável. Conforme o Cepea, o pagamento de salários nos próximos dias tende a elevar o consumo de proteínas, o que pode contribuir para sustentar as cotações da carne de frango no atacado.
Os preços se referem à média da carne de frango negociada no atacado nas regiões da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado, em reais por quilo.



