Bovinos / Grãos / Máquinas
Plataforma digital leva conhecimento técnico de qualidade ao produtor de leite
Com foco na agricultura familiar, Ater+ Digital da Embrapa amplia o acesso à informação confiável e gratuita; uso da ferramenta complementa ações presenciais dos extensionistas.

A pecuária leiteira é uma das atividades mais difundidas no Brasil, presente em praticamente todos os municípios do país. Essa abrangência, no entanto, é acompanhada por uma grande diversidade de sistemas de produção — que vão do manejo a pasto até confinamentos intensivos — e por diferentes níveis de produtividade, qualidade do leite e grau de adoção tecnológica. Apesar dessa heterogeneidade, um desafio é comum, especialmente entre os pequenos produtores: o difícil acesso a informações técnicas confiáveis, que possam orientar decisões com impacto direto na rentabilidade da atividade.
Com o avanço das tecnologias da informação e a crescente conectividade nas áreas rurais — segundo o IBGE, em 2023, mais de 76% dos moradores do campo tinham acesso à internet —, abre-se uma oportunidade para transformar o modo como o conhecimento técnico chega às propriedades. No entanto, o aumento de fontes disponíveis online também impõe um novo desafio: como separar o conteúdo confiável daquele que pode induzir a erros técnicos ou prejuízos?

Fotos: Shutterstock
Pensando em ampliar o alcance e a efetividade da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), surgiu a plataforma Ater+ Digital, uma iniciativa da Embrapa Agricultura Digital, a partir de demanda do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Lançada em 2023, a ferramenta agrega conteúdos de diversas cadeias produtivas — como apicultura, cajucultura, avicultura e suinocultura — além de temas transversais como mudanças climáticas e sistemas agroflorestais.
Para a cadeia leiteira, foi criado o hub específico “Bovino de Leite”, disponível gratuitamente clicando aqui. Nele, produtores e técnicos encontram um acervo de materiais técnicos elaborados ou validados por diferentes instituições públicas de pesquisa e extensão rural. A curadoria de conteúdo envolve unidades da própria Embrapa, universidades, empresas estaduais e organizações que atuam diretamente com a agricultura familiar.
Além de planilhas, guias, boletins econômicos e conteúdos sobre genética e forragens, o hub disponibiliza o aplicativo “Simula$”, que permite projetar ganhos econômicos com a adoção de tecnologias na propriedade. A ferramenta auxilia na tomada de decisões, como a escolha de práticas para melhorar indicadores produtivos — redução do intervalo entre partos, intensificação das pastagens, entre outros.
Para garantir a usabilidade da plataforma, a equipe de desenvolvimento aplicou testes e questionários com produtores e técnicos. O resultado foi claro: vídeos curtos e objetivos são os conteúdos mais valorizados. Essa preferência está alinhada com os princípios da educação de adultos, que privilegia a aplicabilidade imediata do conhecimento e o respeito à experiência prévia do público.

No entanto, os próprios idealizadores da plataforma destacam que o conteúdo digital deve complementar, e não substituir, o trabalho presencial dos extensionistas. Segundo Pricila Estevão e Diego Neves de Souza, analistas da Embrapa, a visita técnica é essencial para interpretar a realidade de cada propriedade. “A tomada de decisão no campo depende de variáveis técnicas, econômicas e também subjetivas, que só podem ser compreendidas plenamente por meio da convivência direta com o produtor”, afirmam.
Relatos colhidos em campo mostram que fatores como a falta de sucessores, a sobrecarga de trabalho e a insegurança trabalhista dos filhos dos produtores influenciam fortemente na adoção (ou não) de novas práticas. Por isso, a presença contínua do extensionista é insubstituível para uma escuta qualificada, capaz de considerar tanto os aspectos visíveis quanto os invisíveis da realidade rural.
Nesse sentido, o Ater+ Digital se posiciona como uma aliada da extensão rural presencial, oferecendo ferramentas que qualificam o diálogo entre o técnico e o produtor. Atualizado continuamente e com respaldo institucional, o ambiente digital amplia o acesso à informação de qualidade — um passo essencial para fortalecer a produção de leite no Brasil, sobretudo entre os agricultores familiares.

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ACNB divulga calendário das exposições Ouro dos Rankings Nelore 2025/2026
Eventos obrigatórios para os rankings nacionais ocorrerão entre fevereiro e outubro de 2026 em seis estados e devem reunir mais criadores e animais, com foco na evolução genética e no rigor técnico das avaliações.

A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) anuncia o cronograma das exposições Ouro da edição 2025/2026 dos Rankings Nacionais Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens. De participação obrigatória para os criadores que concorrem às classificações nacionais, os eventos ocorrerão entre fevereiro e outubro de 2026 em Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. São elas:
Ranking Nacional Nelore: abril, em Londrina (PR) ou, em caso de impedimento, em março, em Avaré (SP). Na sequência, estão programadas exposições em Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e em São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Ranking Nacional Nelore Mocho: fevereiro, durante a Expoinel Minas, em Uberaba (MG). As etapas seguintes acontecem em Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Ranking Nacional Nelore Pelagens também Expoinel Minas, em Uberaba (MG), em fevereiro. O calendário segue por Dourados (MS), em maio; Rio Verde (GO), em julho; e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
“O Ranking Nacional 2025/2026 foi estruturado para garantir ainda mais consistência técnica e representatividade. As exposições Ouro são obrigatórias para os criatórios que lideram a evolução genética do Nelore”, destaca Victor Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil.
Os julgamentos das exposições Ouro serão conduzidos por comissões julgadoras tríplices, indicadas pela Diretoria da ACNB.
A expectativa da ACNB é de crescimento do número de expositores e de animais participantes do Ranking Nacional 2025-2026. Na edição 2024/2025, os três rankings nacionais registraram crescimento de participação e elevação do nível técnico. “Esse desempenho cria uma base sólida para o próximo ciclo e amplia a responsabilidade técnica dos rankings. A edição 2025/2026 tende a ser ainda mais competitiva e criteriosa, com maior profundidade de avaliação e participação qualificada dos criadores. Os rankings nacionais refletem não apenas resultados de pista, mas um processo contínuo de evolução genética, planejamento e consistência produtiva que vem sendo construído ao longo dos anos”, complementa Fernando Barros, diretor técnico da ACNB.
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FPA pressiona governo por reação rápida à salvaguarda chinesa sobre carne brasileira
Parlamentares alertam para risco de instabilidade no mercado, impacto no abate e queda de renda do produtor já no início de 2026
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Nova tarifa da China sobre carne bovina atinge Brasil e outros fornecedores
Sobretaxa de 55% será aplicada a volumes importados fora da cota anual estabelecida pelo governo chinês a partir de quinta-feira (01°).

A decisão do governo chinês de impor uma tarifa extra sobre a carne bovina importada deve redesenhar o fluxo do comércio global do produto a partir de 2026. Anunciada nesta quarta-feira (31), a medida estabelece uma sobretaxa de 55% para volumes que ultrapassarem as cotas definidas para grandes fornecedores, como Brasil, Austrália e Estados Unidos.
A política entra em vigor já nesta quinta-feira 01º de janeiro, com validade prevista de três anos. Segundo o Ministério do Comércio da China, o mecanismo faz parte de um conjunto de salvaguardas voltado à proteção da produção interna, que enfrenta dificuldades em um cenário de excesso de oferta no mercado doméstico.
Para o próximo ano, a cota total destinada aos países afetados será de 2,7 milhões de toneladas, volume próximo ao maior patamar já registrado pelo país, de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024. Apesar da previsão de ampliação gradual dessas cotas ao longo do período de vigência da medida, os limites iniciais ficaram abaixo do volume comprado nos primeiros 11 meses de 2025 de alguns dos principais exportadores, entre eles Brasil e Austrália.

Ao justificar a decisão, o governo chinês afirmou que o crescimento das importações teve impacto direto sobre a indústria local. A avaliação foi divulgada após uma investigação iniciada em dezembro de 2024, que concluiu que o aumento da carne bovina estrangeira no mercado interno causou prejuízos significativos ao setor produtivo nacional.
Analistas avaliam que a mudança deve provocar retração nas compras chinesas em 2026. Para Hongzhi Xu, analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultants, a pecuária bovina da China enfrenta limitações estruturais e não consegue competir com grandes exportadores, como Brasil e Argentina. Segundo ele, esse desequilíbrio não pode ser corrigido no curto prazo, mesmo com avanços tecnológicos ou ajustes institucionais.
No Brasil, a sinalização oficial foi de tranquilidade. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o anúncio não representa motivo de grande preocupação. Em entrevista à TV Globo, ele destacou que o país avançou ao longo de 2025 na abertura e consolidação de novos mercados internacionais para a carne bovina, o que reduz a dependência do mercado chinês.





