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Plantio direto a lanço acelera a recuperação de pastagens degradadas
Pesquisa mostra que esse tipo de plantio é capaz de diminuir pela metade o tempo para formação da pastagem, com benefícios ambientais. Técnica minimiza o risco de erosão na reforma de pastagens em solos encarcados e com relevância acidentada. E ainda proporciona economia de até 15% no custo da reforma de pastagens.

Pesquisas realizadas pela Embrapa com produtores do Acre apontam que o planejamento direto com semeadura a lanço possibilita recuperar a capacidade produtiva de pastagens degradadas com maior agilidade, menor investimento financeiro e sustentabilidade. Além de reduzir pela metade o tempo para formação e estabelecimento da pastagem, essa modalidade de planejamento proporciona economia de até 15% no custo do processo de reforma e diminuição dos impactos ambientais da atividade peculiar.
A Embrapa Acre estuda o planejamento direto de forrageiras desde 2011, com o objetivo de disponibilizar alternativas sustentáveis para a reforma de pastagens, em substituição ao método mecanizado. A modalidade a lanço foi testada e recomendada para o capim-xaraés (também conhecido como capim-MG5) e piatã, únicas cultivares de Brachiaria brizantha recomendadas para o Acre.
Segundo o pesquisador Carlos Maurício Andrade , responsável pelos estudos, mais de 80% das propriedades rurais acreanas apresentam solos com baixa permeabilidade, sujeitos ao encantamento durante a estação chuvosa. O capim-xaraés é uma cultivar mais plantada atualmente no Acre, por sua alta produtividade e boa tolerância ao encantamento do solo. Já o capim-piatã é recomendado para áreas menos sujeitas ao encantamento do solo. Em muitas localidades, a combinação de solos encharcados com importância acidentada aumenta o risco de erosão e dificulta o uso de mecanização na renovação de pastagens.

Fotos: Carlos Maurício Andrade
“O plantio direto a lanço é eficaz para reformar pastagens degradadas, sem exposição do solo a processos erosivos. A reforma com o uso da técnica, desde os cuidados iniciais com a área até o primeiro pastel, leva de 90 a 100 dias, enquanto nenhum método convencional pode durar até 150 dias. Além de encurtar o tempo que a pastagem permanece sem uso durante a reforma e reduzir custos para o produtor, o planejamento direto a lanço contribui para a manutenção da rentabilidade do sistema produtivo e pode ajudar a desenvolver a pecuária a pasto na Amazônia, com sustentabilidade” , ressalta o especialista.
Passo a passo para implantação
A adoção do planejamento direto ao lançamento deve ser planejada e cada etapa (gerencial ou de campo) realizada no tempo adequado, conforme orientações da pesquisa. Em reformas realizadas com recursos próprios, o planejamento deve começar seis meses antes do plantio da forrageira. Nos processos financiados, a antecedência é de um ano. Esse cuidado facilita a aquisição prévia de sementes, adubos e outros insumos necessários.
De acordo com Andrade, um dos principais passos para a implantação da técnica é dessecar todo o cenário existente na pastagem, com herbicida glifosato, procedimento que substitui o preparo mecanizado do solo. “É necessário um manejo prévio à dessecação, para diminuir o volume de palhada. O pasto deve ser interrompido sob pastejo durante a estação seca (até meados de setembro) e vedado por 15 a 20 dias. Essa prática possibilita a renovação de folhas verdes, processo que favorece a absorção do herbicida”, explica.
Os estudos também demonstraram que a dessecação sequencial, com duas aplicações de herbicida, é mais vantajosa do que a dessecação única, utilizada na agricultura. A estratégia aumenta a eficiência no controle de plantas específicas e reduz o volume de palhada, essencial para facilitar a semeadura e a germinação das sementes de capim. No Acre, a primeira sobremesa é recomendada para começo de outubro, quando iniciam as chuvas, com reprodução do procedimento após 25 a 30 dias, com dose reduzida do herbicida.
A semeadura do capim é realizada sete dias após a segunda sobremesa (em meados de novembro). Para os capins xaraés e piatã, uma pesquisa recomenda o uso de 20 a 25 quilos de sementes por hectare, taxa de semeadura que possibilita níveis de pressão de germinação e garante a formação de um pasto denso e produtivo. Entretanto, investir em sementes de qualidade é fundamental para garantir a eficiência ao plantio direto a lanço e evitar prejuízos.
Outra recomendação é fazer a adubação da área reformada com base nos resultados das análises do solo, no momento da semeadura ou logo depois dessa etapa. É necessário, ainda, realizar o controle de plantas específicas, 30 dias após o plantio, e aguardar o tempo necessário para o primeiro pastejo.
Pastagens tensas
A manipulação de pastagens prejudica a produtividade da forragem e reduz o desempenho do rebanho, com prejuízos para os produtores rurais e para o meio ambiente. Segundo dados do MapBiomas Brasil , plataforma que reúne informações sobre a cobertura e uso da terra no País, somente na Amazônia existem 55 milhões de hectares de pastagens, dos quais 57% apresentam manipulação moderada a severa. No Acre, aproximadamente 479 mil hectares de pastagens estão nessa situação. O problema tem como causa principal a Síndrome da Morte do Braquiarão (SMB), doença decorrente do encantamento do solo. O planejamento direto de forrageiras a lanço tem contribuído para a recuperação dessas áreas.
Há seis anos, o pecuarista Fábio Medeiros trocou o método convencional pelo plantio direto a lanço na reforma de pastagens das fazendas Filipinas, localizada no
município de Xapuri, e São Joaquim, em Brasiléia, região do Alto Acre. Ele iniciou com 100 hectares e, atualmente, são 6.400 hectares reformados com a técnica (74% das pastagens das propriedades).
“Nossa pastagem era toda formada com capim braquiarão e estava muito degradada, mas como temos um relevo acidentado, a reforma com mecanização deixou o solo mais vulnerável à erosão. Com o planejamento direto a lanço, diversificamos as pastagens com variedades de forrageiras adequadas para os solos da região e isso foi feito em pastos mais eficientes e aumentamos a taxa de lotação das pastagens de 1,4 para 2,4 Unidades Animais (UA) por hectare . Hoje, gastamos apenas com a manutenção das áreas reformadas e temos a tranquilidade de contar com pastagens produtivas e rigorosas, sem danos ambientais”, ressalta Medeiros.
Na propriedade de Francisco Ernandis, em Rio Branco, o plantio direto a lanço foi utilizado pela primeira vez em 2019, na reforma de 20 hectares de pastagem. A técnica já foi aplicada em 370 hectares e, este ano, serão reformados mais 60 hectares. Segundo o produtor, além do relevo acidentado, os solos da Fazenda Transacreana apresentam alto grau de encantamento. Para solucionar o problema, invista no plantio de gramíneas resistentes, recomendadas pela pesquisa.
“Utilizamos o capim-xaraés na formação inicial da pastagem e, depois, plantamos a grama-estrela-roxa e o capim-humidícola nas áreas que descobrimos. Com uma dessecação eficiente, conseguimos diminuir a competição de plantas invasoras no estabelecimento da pastagem e reduzir gastos com controle químico. Economizamos na reforma do pasto e o meio ambiente também se beneficia”, destaca o produtor, que tem como meta ampliar para 2 mil hectares a área reformada com plantio direto a lanço.
Vantagens da técnica
Estudos de impacto revelam que 95% dos pecuaristas que adotam o plantio direto de forrageiras no Acre realizam a semeadura a lanço. Embora exija maior quantidade de sementes, a técnica proporciona melhor rendimento operacional em relação a outras modalidades de plantio direto e ao plantio convencional. “A economia com horas e máquinas, possibilitada pelo baixo investimento em operações mecanizadas, compensa os gastos com insumos e reduz o custo total da reforma da pastagem. No Acre, um hectare reformado pelo método convencional custa dois mil e trezentos reais, enquanto no plantio direto a lanço o valor cai para dois mil reais”, avalia Andrade.
Os benefícios da semeadura a lanço chamaram a atenção do produtor Edilson Alves de Araújo, que buscava alternativas mais eficientes para recuperar a produtividade das pastagens na Fazenda Bom Sucesso, localizada no município de Porto Acre. A propriedade tem apenas planos e não enfrenta problemas de encantamento, mas boa parte dos 800 hectares de pastagem existentes apresenta alto grau de manipulação. “Testamos o planejamento direto a lanço entre 2020 e 2021 e comprovamos que seu custo benefício é excelente. Este ano, iniciamos uma reforma de 100 hectares de pastagem e vamos continuar com a técnica. Poder colocar o gado mais cedo no pasto evita gastos com suplementação na dieta animal”, afirma.
Além de ganhos econômicos, a semeadura a lanço, direto na palha, proporciona benefícios ambientais. A redução em 74% dos processos mecanizados na reforma de pastagens minimiza o revolvimento do solo e protege esse recurso natural da erosão. Outro benefício é a incorporação de matéria orgânica (palhada) no solo, procedimento que melhora a atividade biológica e a fertilidade das áreas reformadas. A palhada que fica na superfície também ajuda a reter a umidade no solo, favorecendo o desenvolvimento das plantas e o aumento da sua resistência a possíveis veranicos.
O planejamento direto está entre as práticas de produção sustentável incentivadas pelo Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária ( ABC+ ), política pública que atua para o cumprimento de compromissos voluntários do Brasil para redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no País. A meta é reduzir em 1,1 bilhão de toneladas as emissões de carbono equivalentes no setor agropecuário, até 2030. O planejamento direto a lanço reduz a queima de combustíveis fósseis, em função do baixo uso de mecanização, e evita outros processos emissores de carbono (CO2) para a atmosfera, como a tranquilidade da matéria orgânica no solo.
Protocolo para diferentes forrageiras
O planejamento direto é uma técnica conservacionista bastante utilizada na agricultura brasileira, especialmente em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-
Floresta ( ILPF ), mas ainda foi aplicado em pouca renovação de pastagens. Para ampliar o seu uso no Acre, na última década, a Embrapa, em parceria com pecuaristas, desenvolveu também modalidades de plantio direto em linha e em covas. Devido às facilidades de adoção, vantagens proporcionadas e possibilidade de uso em terrenos acidentados, a semeadura a lanço tem sido a mais adotada no estado.
Para ajustar a técnica à realidade da região amazônica, entre outros aspectos, a pesquisa avaliou a dosagem adequada de herbicida para dessecação do capim, o número de pulverizações permitidas, intervalo entre as aplicações do produto e melhor época para realização do processo. “O protocolo validado para os capins xaraés e piatã pode ser utilizado com todas as forrageiras disponíveis no mercado, de acordo com as orientações técnicas para cada variedade, com exceção da Brachiaria humidicola, devido ao alto custo das sementes e baixo vigor das plantas, característica que dificulta o estabelecimento dessa gramínea na pastagem, por semeadura a lanço”, destaca Andrade.
Potencial de uso
A pecuária é a principal atividade econômica do Acre, com cerca de 24 mil produtores rurais e um rebanho bovino de 4,57 milhões de cabeças, distribuídos em 2,25 milhões de hectares de pastagens, conforme o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ). Segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre ( Faeac ), mais de 80% dos produtores que criam gado no estado são de base familiar, com rebanhos de até 100 cabeças e baixo padrão tecnológico. Essa realidade revela um vasto universo para uso do plantio direto a lanço.
“A técnica pode ser utilizada em pequenas e médias propriedades, de forma simplificada com o manual de abundância na sobremesa do capim. Em grandes empreendimentos rurais, esse processo pode ser otimizado com a abundância aérea ou com auxílio de trator. O potencial de uso do planejamento direto a lanço é imenso, mas, para sua expansão na atividade pecuária, é essencial ampliar o acesso às linhas de créditos específicas e assistência técnica rural”, ponderou o presidente da Faeac, Assuero Veronez.
Um estudo realizado pela Embrapa, em 2022, por meio do Portfólio Amazônia , junto a representantes de diferentes segmentos produtivos da região, apontou que o principal desafio para a intensificação sustentável da riqueza na Amazônia Legal é a recuperação de pastagens degradadas.
Segundo o pesquisador Judson Valentim , presidente do Portfólio, entre outros fatores, essa dificuldade está relacionada à baixa adoção de tecnologias, principalmente na produção familiar. “O plantio direto a lanço permite o aproveitamento de maquinários remanescentes do processo convencional de reforma de pastagem, como pulverizações e semeadoras. Isso possibilita o uso da técnica em propriedades rurais com diferentes perfis socioeconômicos”, destaca.

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Produção de grãos atinge maior nível da série histórica do IBGE em 2026
Soja lidera crescimento e reforça tendência de recorde na safra nacional.

A estimativa de março de 2026 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu 348,4 milhões de toneladas, 0,7% maior que a obtida em 2025 quando atingiu 346,1 milhões de toneladas, um crescimento de 2,3 milhões de toneladas. Em relação ao mês anterior, houve aumento de 4,3 milhões de toneladas (1,2%). Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado na última teça-feira (14) pelo IBGE.
O arroz, o milho e a soja, que são os três principais produtos deste grupo, representaram 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 1,0% na área a ser colhida da soja; de 3,3% na do milho; e de 7,0% na do sorgo, ocorrendo declínios de 6,9% na do algodão herbáceo (em caroço); de 10,1% na do arroz em casca; e de 3,3% na do feijão.

Foto: Shutterstock
Já na área a ser colhida, ocorreu o aumento de 1,6 milhão de hectares frente a área colhida em 2025, crescimento anual de 2,0%, correspondendo a 83,2 milhões de hectares. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou aumento de 265 837 hectares (0,3%). A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas de março de 2026 é recorde da série histórica do IBGE.
“A estimativa de março é recorde da série histórica do IBGE. Com o aumento mensal de produção em todos os estados da região Centro-Oeste. Porém, chama atenção a queda na safra do Rio Grande do Sul, que sofreu com falta de chuvas e altas temperaturas nos meses de janeiro e fevereiro. Apesar da queda, comparado com 2025, a safra gaúcha é 34,6% superior”, Carlos Barradas, apontou o gerente do LSPA.
Mato Grosso mantém liderança na produção de grãos
A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para as Regiões Sul (7,1%) e a Nordeste (5,6%); e negativas para a Centro-Oeste (-2,3%), a Sudeste (-1,9%) e a Norte (-3,2%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos na produção: a Norte (0,3%), a Centro-Oeste (3,9%) e a Nordeste (1,3%). Na Sudeste houve estabilidade (0,0%), enquanto a Sul apresentou declínio (-2,9%).
Na distribuição da produção pelas Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 31,0%, seguido pelo Paraná (13,7%), Rio Grande do Sul (10,8%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (8,2%) e Minas Gerais (5,4%), que, somados, representaram 79,8% do total.
Soja tem previsão de novo recorde na série histórica em 2026

Foto: Divulgação/Aprosoja MT
A estimativa da produção de soja alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,7 milhões de toneladas, aumento de 0,3% em relação ao mês anterior e de 4,6% maior em comparação à quantidade obtida no ano anterior. A área cultivada deve crescer 1,0% e alcançar 48,3 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio, de 3 603 kg/ha, deve crescer 3,6% em relação ao ano anterior.
“As projeções indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das Unidades da Federação produtoras e pela recuperação parcial da safra gaúcha”, destaca o gerente do LSPA, Carlos Barradas.
O Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, estimou uma produção de 50,5 milhões de toneladas, aumentos de 4,1% em relação ao estimado em fevereiro e de 0,7% em relação ao volume colhido no ano anterior. O Mato Grosso do Sul aguarda uma produção de 15,6 milhões de toneladas, crescimentos de 4,5% em relação a fevereiro. O Paraná, com uma produção de 22,1 milhões de toneladas, deve ter o segundo maior volume colhido do País, com declínio de 0,9% em relação ao mês anterior. O Rio Grande do Sul estimou uma produção de 18,4 milhões de toneladas, declínio de 11,5% em relação ao mês anterior. Em Santa Catarina, a produção deve alcançar 3,1 milhões de toneladas, aumento de 1,0% em relação ao mês anterior.
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Agronegócio reforça papel na sustentabilidade e preservação ambiental no Brasil
Produtores destacam uso de tecnologia, manejo responsável e proteção de recursos naturais nas propriedades rurais.

O agronegócio brasileiro tem papel fundamental na produção de alimentos e na preservação dos recursos naturais. No dia a dia das propriedades rurais, produtores e especialistas trabalham com base em tecnologia, conhecimento e responsabilidade para garantir uma produção cada vez mais sustentável.
No campo, sustentabilidade não é discurso, é prática. O uso de tecnologias, o respeito às legislações ambientais e o cuidado com o solo, a água e a biodiversidade fazem parte da rotina dos produtores rurais, que entendem que produzir e preservar são ações complementares.

Foto: Denis Ferreira Netto/Sedest
Entre os pontos frequentemente discutidos está a preservação ambiental. Para quem vive essa realidade, o compromisso com o meio ambiente é essencial para a continuidade da produção. Segundo o vice-presidente norte da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diogo Ballistieri, o produtor rural é diretamente interessado na conservação dos recursos naturais, pois depende deles para produzir com qualidade e responsabilidade no presente e no futuro.
Um dos principais alvos de críticas do setor diz respeito à preservação ambiental. No entanto, quem vive a rotina do campo apresenta uma perspectiva diferente. Segundo Diogo Ballistieri, o produtor rural é um dos maiores interessados na conservação de recursos naturais. “O produtor é o principal beneficiado com essa preservação, da água, das florestas, dos recursos naturais como um todo. Existe uma acusação recorrente de falta de cuidado, mas a realidade é muito diferente e o produtor acaba atuando como um verdadeiro guardião da natureza em sua propriedade”, afirma.
Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 65,6% de todo o território nacional é composto por áreas destinadas à vegetação nativa, sendo que 10,8% é ocupado pela agricultura incluindo florestas plantadas e 31,3% encontra-se em propriedades particulares.

Foto: Eufran Amaral
Além da conservação de mata nativa, produtores rurais também são grandes aliados na preservação de recursos hídricos. A Aprosoja MT já mapeou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios do estado e constatou que 95% delas estão preservadas dentro de propriedades rurais. O mapeamento foi feito através do projeto Guardião das Águas que, em parceria com o Instituto Ação Verde, orienta e apoia produtores sobre manutenção, preservação e restauro ecológico das nascentes de água em Mato Grosso.
Outro ponto importante diz respeito à prevenção e combate a queimadas em áreas rurais. Para muitos, os produtores são os principais causadores dos incêndios, quando, na prática, são os maiores interessados em evitar o fogo em áreas de mata. A Aprosoja MT reforça este compromisso através da participação de eventos internacionais de gestão de incêndios, como o Forest Fire, e a distribuição de cartilhas de prevenção e combate a incêndios, elaboradas pela própria entidade, para oferecer orientações práticas de proteção ao meio ambiente.
Para Diogo Ballistieri, a preservação ambiental não é apenas uma obrigação legal, mas uma necessidade direta para a continuidade da atividade produtiva. Nas propriedades rurais existe uma atuação ativa na proteção de nascentes, conservação do solo e manutenção de áreas de vegetação nativa.
“Hoje, praticamente todas as fazendas estão bem equipadas para o combate a incêndios e também para evitar problemas com erosões, que prejudicam o meio ambiente. Quando há perda de áreas preservadas ou da palhaçada, o prejuízo é direto para o produtor. Por isso, ele é o principal interessado em proteger”, destaca.

Foto: Eufran Amaral
Outro ponto frequentemente debatido é a ideia de que o agronegócio avança sem controle sobre o meio ambiente. No entanto, o cenário atual é marcado por uma série de práticas e investimentos voltados à sustentabilidade e à eficiência produtiva.
“O produtor mato-grossense e brasileiro é o produtor mais competitivo do mundo. Isso é constante de um alto teor de investimento em tecnologia, modernização, em pessoas, em capacitar equipe. Hoje existe muita tecnologia, então o produtor busca máquinas maiores, técnicas agrícolas, além da sustentabilidade, uso de biológicos, plantio direto, tudo isso a gente faz para ter um produto mais barato, com mais valor agregado e com a sustentabilidade maior” explica o vice-presidente sul da Aprosoja MT, Fernando Ferri.
Nesse quesito, a Aprosoja MT também reafirma seu posicionamento em incentivar e produzir pesquisas que garantem o aumento de produtividade sem abertura de novas áreas, melhoramento genético e fitossanitário, manejo adequado para cada tipo de solo e outros estudos voltados para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável. As teses são colocadas em prática nos Centros Tecnológicos Parecis e Araguaia, que testam diferentes possibilidades de cultivo de soja e milho em regiões distintas do estado.
Outro ponto importante é compreender como o agronegócio está presente no dia a dia das pessoas de diversas formas. Commodities como soja e milho vão muito além do consumo direto, estando presentes em uma ampla cadeia produtiva que inclui alimentos, biocombustíveis, insumos industriais e diversos produtos essenciais. Isso demonstra a relevância do setor na economia e na vida cotidiana, contribuindo para o desenvolvimento e a sustentabilidade.

Foto: Denis Ferreira Netto
“Quem ia imaginar que, por exemplo, tem soja até na borracha do pneu do veículo, o milho está no combustível, está em alimentos, está na lecitina, está numa inúmera gama de produtos. Quando a pessoa fala que não come soja, ela pensa somente no grão, mas esquece dos derivados. A versatilidade que tem a soja e o milho é muito grande e agro está no dia a dia das pessoas, além do vestuário, da alimentação, nos produtos de beleza, no transporte”, complementa Ferri.
Ao trazer informações baseadas na realidade do campo, a Aprosoja MT reforça a necessidade de um debate mais equilibrado, pautado em dados. Mais do que rebater apontamentos infundados, o objetivo é ampliar o entendimento sobre um setor que desempenha papel essencial na economia e na segurança alimentar.
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Credenciamento inédito no Paraná autoriza coleta de animais mortos com rastreabilidade
Processo transforma resíduos em biocombustível e fertilizantes, sob fiscalização e normas sanitárias rígidas.

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) celebrou de forma oficial, na quinta-feira (16), o primeiro credenciamento de uma empresa que será responsável pelo recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos e resíduos da produção pecuária em propriedades rurais de todo o Estado. A empresa é a A&R Nutrição Animal, sediada em Nova Aurora, região Oeste. O evento ocorreu na sede da empresa, com a presença de representantes da Adapar, diretores e funcionários.
A autorização representa uma alternativa formal e regulamentada, por meio da publicação da Portaria nº 012/2026, à eliminação desses materiais nas próprias fazendas. O documento de autorização é de janeiro deste ano e foi assinado pelo diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, com base na Lei Estadual nº 11.504/1996 e no Decreto Estadual nº 12.029/2014. A medida responde a uma demanda antiga do setor pecuário por soluções estruturadas no descarte de animais mortos.
A A&R Nutrição Animal chegou a essa atividade após deixar o ramo de ração animal e reinvestir toda a sua infraestrutura para atender à necessidade da região. O redirecionamento das atividades aconteceu em parceria com a Secretaria da Agricultura de Toledo e a Suíno Oeste, Associação dos Suinocultores do Oeste do Paraná.
Agora, a empresa passa a poder recolher carcaças de suínos e peixes mortos em qualquer propriedade rural paranaense, embora em um primeiro momento a atuação seja exclusivamente com suínos. O credenciamento tem validade de três anos e é responsabilidade do representante legal da empresa providenciar a renovação dentro do prazo.
O diretor da A&R Nutrição Animal, Charbel Syrio, comemorou a conquista e diz que pretende expandir o negócio de recolhimento dos animais em propriedades rurais. “O objetivo é capitanear esse processo no Brasil e no Paraná, em função de termos o mercado que mais produz o suíno. E a gente vem nessa demanda”, pontuou.
Charbel também explicou o processo e a finalidade do trabalho. “Esses animais, hoje, serão coletados, irão para uma unidade de indústria que vai processar as carcaças e os produtos acabados terão dois destinos: o óleo vai para o biocombustível, para a indústria de higiene e limpeza, indústria química; e a farinha vai para adubos”, complementou.
O chefe do departamento de Saúde Animal, Rafael Gonçalves Dias, destacou a importância do manejo correto das carcaças e do credenciamento de empresas como uma das alternativas disponíveis. Mas frisou que a prática só deve ser realizada quando permitida pela Adapar. “É importante abrir novos caminhos, mas temos que reforçar que é proibida a retirada de animais mortos, de qualquer espécie produzida, de dentro das propriedades por terceiros. Essa prática é somente permitida para empresas credenciadas pela Adapar. Por isso, o principal destino dos suínos mortos ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”, elucida.
Dias também explicou que, por regra geral, a prática de manejar e tratar os animais mortos dentro das propriedades diminui os riscos sanitários envolvidos nesse processo. “É fundamental que a empresa agora credenciada, assim como qualquer outra que venha a se credenciar no futuro, não adentre nas áreas limpas das propriedades, a fim de evitar qualquer tipo de contaminação cruzada entre elas”, conclui.
Restrições e vedações
A portaria estabelece limitações claras sobre a atuação da empresa. Fica expressamente proibido o recolhimento de animais mortos oriundos de outros estados da federação, restringindo a atividade ao território paranaense. Além disso, os produtos gerados a partir do processamento das carcaças não poderão ser utilizados na fabricação de alimentos, seja para consumo animal ou humano.
É de responsabilidade da Adapar a garantia da rastreabilidade de toda a operação. A Agência define que apenas veículos previamente vistoriados e credenciados pelo órgão estão autorizados a realizar o transporte, que deve ser acompanhado da documentação específica. As carcaças são processadas na indústria e transformadas em farinha, destinada posteriormente à produção de adubo ou fertilizante.
Controle sanitário
Em situações em que a Adapar identifica a suspeita de doenças de notificação obrigatória em explorações pecuárias, o recolhimento de animais mortos ficará automaticamente sujeito a restrições, só podendo ser retomado mediante autorização expressa do órgão fiscalizador. O descumprimento das normas previstas na portaria ou das demais regulamentações do Serviço de Defesa Agropecuária pode resultar na suspensão ou no cancelamento do credenciamento.



