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Plantio de soja é inexpressivo nos “top 10” das queimadas na Amazônia, diz Abiove
Segundo estudo, nos três municípios do Amazonas com mais focos de incêndios, não há logística adequada para escoamento da safra

O plantio de soja é inexpressivo nos dez municípios que mais registraram focos de incêndio na região amazônica neste ano, de acordo com dados de instituições do governo compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), que realizou um estudo diante de notícias que apontam o agronegócio como vetor de desmatamento.
Embora a associação acompanhe essa questão há mais de uma década e seja uma das líderes da chamada Moratória da Soja, que impede a compra e financiamento pelas tradings de safras cultivadas na região amazônica após 2008, o estudo foi realizado para tirar qualquer dúvida, afirmou o gerente de sustentabilidade da Abiove, Bernardo Pires. “Chegamos a ficar preocupados com essas notícias. E nos questionamos: será que tem algum vínculo com a sojicultura?”, disse ele, ressaltando que a resposta é de que a soja não é atualmente vetor de desmatamento.
O trabalho foi realizado diante de temores de que o Brasil, maior exportador global de soja do mundo, pudesse sofrer algum tipo de embargo em meio à escalada recente de informações sobre queimadas e polêmicas entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron.
Segundo a compilação da Abiove, que envolveu dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e IBGE, os dez municípios com mais queimadas de janeiro a julho plantaram apenas 30 mil hectares na última safra, sendo 17 mil em Novo Progresso (PA), onde produtores participaram recentemente do chamado “dia do fogo”, segundo notícias publicadas na mídia. Ao todo, a área plantada com soja no Brasil, na última safra, somou cerca de 36 milhões de hectares.
Apuí, no Estado do Amazonas, município líder em focos de incêndio no período, com 1.754, não tem soja plantada, disse a Abiove, citando também que Altamira (PA), o segundo com mais focos, conta com somente 2 mil hectares de soja. Se tivesse pressão para plantio de soja, essas áreas com mais focos de incêndio já teriam mais plantações, comentou Pires.
Ele destacou ainda que, no caso dos três municípios do Amazonas com mais focos de incêndios (Apuí, Lábrea e Novo Aripuanã), não há logística adequada para escoamento da safra, nem mesmo condições favoráveis de clima e solo, o que não justificaria lavouras por lá. “São municípios que chove mais de 3 mil milímetros no ano, a soja não tolera isso.”
Contudo, de acordo com dados da Abiove, a soja ocupa uma área relativamente importante do Bioma Amazônico, mas o plantio lá avançou nos últimos anos, em sua quase totalidade, em áreas desflorestadas no passado, muitas delas em regiões com clima e solo melhores do que no Amazonas.
A sojicultura está em 4,8 milhões de hectares do Bioma Amazônico, que envolve uma área total de 420 milhões de hectares que se expande por Estados como Pará, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, este último o maior produtor da oleaginosa.
“Dez anos atrás, a área com soja (no Bioma Amazônico) era de 1,2 milhão de hectares. Em dez anos, a área cresceu 3,6 milhões de hectares. Mas, desses 3,6 milhões de hectares, apenas 2 por cento teve plantio em áreas de florestas (desflorestadas)…”, disse Pires.
O gerente da Abiove disse que 98% do plantio de soja no bioma realizado após a Moratória da Soja, instituída em 2008, foi feito em áreas desmatadas antes do programa ter sido instituído, o que comprova eficácia do programa do setor.
Segundo ele, apenas 65 mil hectares de soja foram plantados em áreas desmatadas após julho de 2008, e tais produtores, de acordo com as regras da Moratória, estão banidos pelas tradings integrantes da Abiove e Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), que respondem por cerca de 85% do comércio de soja brasileira.
“65 mil hectares abertos após julho de 2008 não é pouco, mas se olhar do ponto de vista percentual, ponderado, tem um valor muito pequeno de impacto na floresta”, acrescentou ele, lembrando que esses produtores que não seguiram o programa estão basicamente em Mato Grosso, Pará, Rondônia e Maranhão.
Para o gerente da Abiove, em Novo Progresso, as queimadas estão relacionadas à especulação imobiliária, conforme relatos de autoridades, e eventualmente um produtor que queira plantar soja nessas áreas desmatadas recentemente estará automaticamente bloqueado pela Moratória da Soja.
O gerente de sustentabilidade da associação, no entanto, admitiu que esses produtores que não cumprem a Moratória —ainda que tenham legalmente o direito de desmatar parte de suas áreas— podem encontrar clientes em empresas não associadas da Abiove ou Anec.
E que os clientes dessas tradings não integrantes da Moratória da soja deveriam tomar iniciativas para coibir o desmatamento.

Colunistas
Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
Notícias
Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias
Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.
Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.
O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.
A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.
Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.
O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.
O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.
O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.
Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.
Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.
Notícias
Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo
Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.
O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.
A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”



