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Notícias Segundo AgRural

Plantio de soja do Brasil 19/20 terá menor avanço em 13 anos

Área plantada com soja no Brasil crescerá 1,1% na temporada 2019/20

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Divulgação/MAPA

A área plantada com soja no Brasil crescerá 1,1% na temporada 2019/20, cujo plantio começa neste mês, para estimados 36,3 milhões de hectares, o menor avanço em 13 anos, com preços na bolsa de Chicago pressionados pela guerra comercial limitando o apetite de produtores em novas fronteiras agrícolas, segundo levantamento da consultoria AgRural.

Com a guerra comercial entre Estados Unidos e China mantendo fraco o mercado de soja em Chicago, o plantio no maior exportador global da oleaginosa só não terá pior desempenho que o registrado na temporada 2006/07, quando a área plantada no Brasil caiu versus o ciclo anterior, de acordo com dados obtidos pela Reuters junto à AgRural.

Esse crescimento mais lento no plantio deverá acontecer principalmente porque muitos grandes produtores de Mato Grosso e da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) financiam suas safras em dólar e negociam a soja na moeda norte-americana, tendo Chicago como referência, não sendo beneficiados, portanto, pelo efeito do dólar forte sobre os preços em reais.

“Algumas regiões do Cerrado e o Matopiba fazem custeio em dólar, os produtores pegam crédito com banco em dólares, porque eles negociam com as empresas para conseguir um preço melhor do insumo… Para não ficar com o risco cambial, eles fazem a trava em dólares”, disse na terça-feira (03) o analista Adriano Gomes, da AgRural.

O dólar vem sendo negociado nos maiores valores em cerca de um ano, em torno de R$ 4,16. “O câmbio atual ajuda quem se financia em real, quem tem dívidas em reais e faz a comercialização em real. Mas tem parte dos produtores de Mato Grosso e Matopiba que fazem comercialização em dólares”, completou a Daniele Siqueira, também da AgRural. Ela lembrou que a cotação da soja na importante região de Sorriso (MT), para entrega em fevereiro do ano que vem, de US$ 15,80 a saca, “mal paga o custo de produção”.

Segundo Gomes, da AgRural, alguns produtores negociam tanto em reais quanto em dólares, o que dificulta precisar o número de produtores que atuam mais com a moeda norte-americana ou a brasileira.

Essa fraqueza no mercado de Chicago, vale lembrar, já vem sendo vista desde o ano passado, por efeito da guerra comercial entre China e Estados Unidos, com os asiáticos reduzindo fortemente as compras da soja norte-americana por conta da tarifa retaliatória imposta por eles mesmos.

No Brasil, os prêmios nos portos sobre Chicago acabam compensando perdas na bolsa, mas esse diferencial não interfere nos negócios daqueles que fazem acordos em dólares, com base nos valores da bolsa norte-americana. Essa conjuntura de preços se baseia em estoques recordes do produto nos EUA, além do impacto da peste suína africana na China, que tem ajudado a reduzir as exportações brasileiras em mais de 10%, de janeiro a agosto.

A cotação na bolsa de Chicago para entrega em março do ano que vem, período de colheita de soja brasileira, está em torno de US$ 8,90 por bushel, não muito diferente do valor de entrega no mesmo período de 2018. Em maio deste ano, o primeiro contrato de Chicago chegou a bater os menores níveis em mais de dez anos, abaixo de US$ 8/bushel.

Sem cortar floresta

É provável que, se o preço em dólar estivesse melhor, houvesse maior plantio no Matopiba, região de Cerrado que concentra grandes produtores, mas que ainda não se recuperou de quebras de safras em anos recentes, opinou Daniele.

“Eles têm que comprovar muita coisa, apresentar mais garantias para conseguir financiamentos, eles passaram por anos de quebras de safra sucessivas, talvez eles tenham um nível de endividamento que complique para expandirem um pouco mais”, disse ela, citando uma das áreas com maior estoque disponível de terras já abertas no passado.

A situação do Matopiba ajuda a entender por que o Brasil reduziu o ritmo de crescimento de área nos últimos anos. “Ano passado já foi aumento de 2,1% (no Brasil). Mas a situação atual é bem diferente dos anos anteriores. Na média dos últimos dez anos, o aumento anual é 5,2%, e, nos últimos cinco anos, a média é de 3,5%”, disse a analista.

Além disso, em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, a disponibilidade de campos para aumento de área já é menor, e os “produtores não têm como sair cortando florestas”, disse Daniele, tendo como pano de fundo a recente polêmica ambiental das queimadas no bioma Amazônico.

Ela lembrou que a indústria da oleaginosa têm um programa, a Moratória da Soja, que impede a compra e o financiamento do grão cultivado em áreas desmatadas após 2008. E comentou que, entre os Estados do Norte, no Pará haverá um aumento percentual expressivo de 5%, mas a base é muito pequena, o que significará um crescimento de apenas 28 mil hectares, em áreas já desmatadas no passado.

Outro fator que limita a expansão do crescimento da soja, destacaram os analistas, é a menor possibilidade de migração de milho para soja no plantio de verão no Sul, após produtores já terem reduzido muito a área do cereal na chamada primeira safra, com a possibilidade de fazer da segunda, antes “safrinha”, a maior.

Apesar de o Brasil estar a caminho de um ligeiro aumento de área, segundo a AgRural, é possível que o país possa ter uma safra maior do que a deste ano se o tempo colaborar, já que na colheita de 2018/19 o clima seco fez o país produzir abaixo do potencial, com volume de 115 milhões de toneladas, ante 119,3 milhões no ciclo anterior, segundo dados do governo.

Fonte: Reuters
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Notícias Paraná

Prazo para atualização cadastral de rebanho termina dia 30; parcial não chega a 50%

Atualização é fundamental para auxiliar a vigilância sanitária e garantir a manutenção do status internacional de área livre de febre aftosa

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José Fernando Oura/AEN

Faltam apenas 17 dias para encerrar o prazo de atualização cadastral do rebanho paranaense. Diferentemente de 2020, quando houve duas etapas, neste ano o período único começou a ser contado em 1º de maio e termina em 30 de junho. Após isso, o trânsito não será possibilitado e o produtor poderá ser multado. A parcial desta segunda-feira (14) aponta 48,3% do rebanho já cadastrado.

A atualização é fundamental para auxiliar a vigilância sanitária e garantir a manutenção do status internacional de área livre de febre aftosa. A certificação foi concedida em 27 de maio pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), depois de mais de 50 anos de esforço conjunto de entidades públicas e privadas e da cooperação de produtores.

“Conquistar foi um árduo trabalho, manter também é uma tarefa difícil porque a gente não conta mais com a vacina”, alertou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Segundo ele, o Estado optou por não impor custo ao produtor com a colocação de brinco ou chip para identificar cada animal.

“Apenas precisamos, como medida adequada do ponto de vista sanitário, saber quantos são e onde estão os animais”, disse. “É um ato a favor do negócio do criador”.

O presidente da Agência de Defesa Agropecuária, Otamir Cesar Martins, reforçou os benefícios que a atualização cadastral trará ao produtor. “Com as informações registradas temos melhores condições de agir rapidamente em eventuais casos de focos de qualquer doença, e não apenas a aftosa”, afirmou. “O nosso apelo é para que intensifiquem a declaração dos rebanhos nesta reta final da campanha”.

Penalidades

A falta da atualização tem consequências para o produtor. Uma delas é o impedimento para emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento imprescindível para qualquer movimentação entre propriedades ou para abate em frigoríficos. Além disso, a legislação prevê autuação e pagamento de multa de uma Unidade Padrão Fiscal por cada animal. Em junho, o valor da UPF no Paraná é de R$ 113,54.

O gerente de Sanidade Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, salientou que a intenção do órgão não é multar, mas reforçar cada vez mais a necessidade da atualização do rebanho: “A expectativa é que consigamos abrir novos mercados e com isso melhorar as condições de nossos produtores, mas para que a gente mantenha esse novo status, é preciso que os produtores rurais atualizem o cadastro na Adapar”, afirmou.

Atualização

A atualização é exigida para todas as espécies animais existentes na propriedade (bovinos, búfalos, equinos, asininos, muares, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes e outros animais aquáticos, colmeias de abelhas e bicho-da-seda).

Os produtores podem fazer de forma direta por meio do link www.produtor.adapar.pr.gov.br/comprovacaorebanho ou em uma das Unidades Locais da Adapar, Sindicatos Rurais ou Escritório de Atendimento de seu município (prefeituras). Para fazer a comprovação, o produtor deve ter o CPF cadastrado. Nos casos em que seja necessário ajustar o cadastro inicial, o telefone para contato é (41) 3200-5007.

Segundo balanço parcial, os únicos municípios com 100% de cadastro já efetuado são São Carlos do Ivaí e São Manoel do Paraná. Os piores indicadores são Contenda (4,7%), Colombo (8%) e Quatro Barras (11,2%).

Fonte: AEN/Pr
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Notícias Produção Agropecuária

Valor da Produção Agropecuária de 2021 deve registrar aumento real de 11,8 %

Lavouras tiveram um aumento do VBP de 15,8%. A pecuária, 3,8%. Essas duas atividades obtiveram neste ano o mais elevado valor em 32 anos

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Divulgação/Embrapa

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de maio deste ano atingiu o valor de R$ 1,11 trilhão. A cifra é 11,8% superior ao obtido em 2020, que foi de R$ 993,9 bilhões. As maiores contribuições para o crescimento são observadas em arroz, milho, soja e carne bovina, que tiveram dois anos consecutivos de forte aumento de preços reais.

As lavouras tiveram um aumento do VBP de 15,8%. A pecuária, 3,8%. Essas duas atividades obtiveram neste ano o mais elevado valor em 32 anos.

Os produtos que tiveram os maiores acréscimos do VBP foram arroz (5,7%), milho (20,3%), soja (31,9%) e trigo (35,1%). Com crescimento mais modesto, encontram-se cacau e cana de açúcar.

De acordo com o coordenador de Avaliação de Políticas e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, alguns grupos vêm trazendo contribuições negativas ao crescimento da agropecuária, como a batata-inglesa, café, feijão, laranja, tomate, uvas e na pecuária, leite, suínos e ovos. Isso ocorre, segundo ele, devido a efeitos de menores preços ou de menores quantidades produzidas.

Apesar de terem existido períodos de seca que afetaram lavouras, como milho e feijão, os preços têm contribuído para reduzir esse impacto. Esses efeitos foram sentidos, principalmente, no Paraná e em Mato Grosso. O milho foi particularmente prejudicado. A segunda safra, que é a mais importante, teve uma redução em relação a 2020, de 5 milhões de toneladas, e menor produtividade de grãos.

O crescimento do VBP pode ser atribuído, como destacado em relatórios anteriores, ao excepcional desempenho das exportações de soja em grãos e carnes, preços favoráveis e a safra de grãos, que apesar de problemas de falta de chuvas ocorridos, mesmo assim as projeções da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) e do IBGE são de uma safra expressiva.

Os dados regionais do VBP continuam mostrando a liderança de Mato Grosso com participação de 17,2% no valor, Paraná 13,2%, São Paulo 11,2%, Rio Grande do Sul 10,8%, e Minas Gerais 10%.

Fonte: MAPA
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Notícias Safra de inverno

Custo do trigo tem alta de 31% mas relação de troca é favorável

Segundo estimativas da FecoAgro/RS, apesar da elevação no custo, preços trazem melhor vantagem na cultura desde 2013

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Paulo Pires/Divulgação

O segundo levantamento de custo de trigo safra 2021, apurado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), aponta que os custos totais, incluindo gastos com insumos, manutenção de máquinas e equipamentos entre outros, para plantar um hectare de trigo nesta safra é de R$ 4.305,01, considerando a produtividade de 60 sacas por hectare. Com isso, o custo por saca ficou em R$ 71,75. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira, 14 de junho, em encontro virtual com a imprensa.

Isso representa um aumento de 31,74% frente aos R$ 3.267,78 gastos por hectare na safra passada. Considerando somente o desembolso, o produtor vai ter um custo de R$ 3.187,02 por hectare, elevação de 32,48% em um ano. O produtor vai precisar colher 37,94 sacas de trigo para cobrir o desembolso e de 51,25 sacas por hectare para cobrir o custo total. Entretanto, o estudo aponta uma melhora substancial na relação de troca desde a safra 2013, reduzindo em 16,88% o número de sacas de trigo para cobrir os custos de produção, levando em conta o preço do trigo de R$ 84,00 a saca em primeiro de junho de 2021.

Na avaliação do economista da FecoAgro/RS, Tarcisio Minetto, os produtos que têm custos em dólar foram os que sofreram maior impacto. “Esses custos dolarizados tiveram impacto forte trazendo reflexo direto no custo. A cada safra o produtor vem antecipando a compra dos insumos e, com isso, conseguem preços inferiores aqueles que deixam para adquirir mais próximo ao período de plantio do trigo”, salienta, acrescentando ainda que os insumos, combustíveis e máquinas e equipamentos estão entre os ítens que mais subiram em 12 meses.

Para o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, os produtores estão sendo incentivados a aumentar o plantio em função dos preços atrativos e também por estarem mais capitalizados devido aos bons preços e a boa safra de verão, assim como pela expectativa de demanda forte tanto no mercado de panificação bem como no setor de proteína animal, que está vendo nos cereais de inverno, incluindo o trigo, uma  alternativa de matéria-prima no uso da ração, o que é tradicional na Europa.

Pires pontua ainda que é preciso baixar os custos do seguro agrícola para a produção de grãos devido ao alto risco, como medida protetiva ao produtor de possíveis frustrações diante dos recursos gastos por hectare cultivado de trigo, que não é pouco, conforme indica o estudo da federação. “Outro fator que o produtor precisa levar em conta é o aproveitamento da estrutura existente na propriedade, otimizando a utilização da mesma com cultivos de inverno, gerando renda, protegendo o solo e diluindo custos fixos das culturas de verão”, observa.

Na avaliação da FecoAgro/RS, ainda, o Rio Grande do Sul poderá colher uma safra superior a 3,5 milhões de toneladas de trigo, com aumento de área de mais de 15%, acima de um milhão de hectares, o que há seis safras não acontece no Estado. Caso se confirmem as estimativas e as condições normais de lavoura até a colheita, os gaúchos poderão ter a maior safra de trigo da história.

Fonte: Assessoria
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