Avicultura 2º Dia do Avicultor
Plantio de grãos e produção de ração respondem por 85% da pegada de carbono da avicultura
Com a carne de frango liderando as proteínas mais consumidas no globo, os avicultores podem vislumbrar um futuro promissor para a atividade, no entanto é preciso avançar de forma inteligente na produção sustentável.

Estimativas apontam que até 2050 vai aumentar 70% a necessidade de proteína animal no mundo. Para isso será necessário produzir mais 263 milhões de toneladas frente as atuais 445 milhões de toneladas produzidas de proteína animal em todo o globo. Esse cenário se desenha devido ao crescente aumento populacional, que deve chegar a quase 10 bilhões de pessoas nos próximos 28 anos, agravado diante de um planeta com limites em recursos naturais renováveis.
Com a carne de frango liderando as proteínas mais consumidas no globo, os avicultores podem vislumbrar um futuro promissor para a atividade, no entanto é preciso avançar de forma inteligente na produção sustentável. É o que afirmou o gerente de Desenvolvimento de Negócios Sustentáveis em Nutrição e Saúde Animal, José Francisco Miranda, durante sua palestra no 2º Dia do Avicultor O Presente Rural, realizado em 25 de agosto em formato híbrido, transmitido de Marechal Cândido Rondon, PR, alcançando mais de 6,5 mil pessoas.

Gerente de Desenvolvimento de Negócios Sustentáveis em Nutrição e Saúde Animal, José Francisco Miranda, durante sua palestra no 2º Dia do Avicultor O Presente Rural – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural
Conforme Miranda, a produção animal desempenha um papel importante na sociedade e seus produtos fazem parte de uma dieta saudável e balanceada. “A produção animal transforma subprodutos que representam uma carga alta para o meio ambiente em proteínas e produtos de consumo, usa terras marginais para produzir proteína altamente digerível, é o principal agente do ciclo de nutrientes e fertilidade do solo em sistemas intensivos, e ainda a produção animal é um fator chave do status socioeconômico”, lista o profissional.
Contudo, a avicultura tem um impacto ambiental que precisa ser cuidado, seja pelo uso de água, da terra e da energia, pelas emissões de gases do efeito estufa (GEE), fósforo e nitrogênio, emissões de amônia, pela biodiversidade ou pela perda e desperdício de alimentos. “Todos esses fatores vão degradando o meio ambiente, então é necessário que haja um equilíbrio, o que abre espaço para sustentabilidade na produção animal”, frisa Miranda.
Como medir a sustentabilidade
De acordo com o profissional, para medir a sustentabilidade na produção animal é preciso dividir os processos em duas etapas: tudo que é realizado antes e tudo que feito depois do frigorífico, uma vez que há diferentes fontes de emissão de gases em cada fase. “Ao mensurar os produtos transformados pelo uso da terra, do ciclo completo da avicultura até a indústria de processamento, o produtor é o maior impactado pelas emissões GEE dos animais. Contudo, para reduzir essas emissões o produtor não precisa fazer nada além do que já faz bem. Ser sustentável é fazer mais com menos”, salienta Miranda.
Para fazer essas medições, as metodologias de cálculo foram desenvolvidas por diversos organismos internacionais, tais como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Avaliação e Desempenho Ambiental na Pecuária (LEAP), Painel Intergovernamental para a Mudança de Clima (IPCC), Avaliação do ciclo de vida (ACV) ISO 14040, Instituto Global de Alimentação LCA (GFLI), entre outros.

Gerente de Desenvolvimento de Negócios Sustentáveis em Nutrição e Saúde Animal, José Francisco Miranda: “Não deveríamos ser julgados por médias globais”
Miranda explica que a mensuração dos possíveis impactos ambientais causados pelo resultado da produção de aves pode ser medido pelo método ACV, no qual são analisados tudo que acontece na vida de um animal, para dizer o quanto é sustentável e quanto é sua pegada de carbono. “Os dados para fazer essa medição incluem mudança no uso da terra, uso de fertilizantes, uso de alimentação, produção agrícola, tratamento de ração e práticas de gestão da granja”, menciona o especialista.
Pegada de carbono na produção de aves
Cerca de 29% do planeta é composto por terra, o que corresponde a 104 milhões de km², deste total, em torno de 40 milhões km² é ocupado pela agricultura no mundo, daí a importância de entender o quanto a carne de frango impacta nas emissões de GEE, uma vez que a alimentação dos animais é feita à base de grãos de milho e soja principalmente. “Quando se planta grãos transformamos o uso natural da terra e o peso desta transformação na avicultura é superior a 14 kg de CO2 equivalente”, expõe Miranda.
Conforme a plataforma Nosso Mundo em Dados, para cada quilo de carne de frango produzido mundialmente são emitidos 9,87kg de gás carbônico equivalente (CO2 eq). E na produção de ovos a emissão chega a 4,67kg de CO2 eq. “Essas metodologias existentes servem para chegarmos nestes dados de referência, para que então possamos traçar um plano de ação que vise a diminuição da pegada de carbono das aves no meio ambiente. O problema maior dessas emissões pelos frangos de corte está no uso da terra, chegando a 3,5kg de CO2 eq para cada quilo de carne; e na ração, que representa outros 2,5kg de CO2 eq para cada quilo de carne. Já na produção de ovos, o que mais impacta é a alimentação, com as aves emitindo 2,2kg de CO2 eq”, indica Miranda.
O maior impacto na sustentabilidade, segundo Miranda, acontece em relação às rações e grãos usados como matéria-prima para sua produção, representando 85% da pegada ambiental da avicultura. “O produtor precisa olhar para a ração e a sua transformação em proteína animal de forma muito cuidadosa, porque se a produção animal continuar como está hoje vai consumir uma porcentagem cada vez maior do orçamento global de GEE”, afirma Miranda.
Conforme a FAO, a nível global, a pecuária representa 14,5% das emissões de GEE de origem humana. E se a forma como os alimentos de origem animal é produzida hoje não sofrer mudanças, as emissões poderão aumentar para 27% até 2030 e em até 81% em 2050. “A tendência global requer medir e melhorar o impacto ambiental e essa mudança é impulsionada pela cadeia de valor. Os órgãos reguladores promovem mudanças na política para reduzir o impacto ambiental da agricultura e da pecuária para conseguir cumprir com os compromissos nacionais, enquanto os investidores e instituições bancárias pressionam as empresas para obterem relatórios ESG sobre a pegada de carbono, mirando um conjunto de métricas ambientais para entender o risco e o retorno dos negócios, acelerando a transição para uma economia net zero. E os varejistas puxados pelos consumidores procuram produtos e marcas que se conectem com os valores dos consumidores em termos de saúde e sustentabilidade”, pontua o especialista.
Classificação ESG
Mirando frisa que as classificações ESG são fundamentais para a reputação de empresa e marca, que cada vez mais investem em processos mais sustentáveis em seus negócios a fim de atrair investimentos com base em fazer bem ao fazer o bem. “A CDP, a SASB e a Sustainalytics são empresas que classificam a sustentabilidade das empresas segundo seu desempenho nas áreas de proteção ambiental, social e de governança corporativa. Cada vez mais as empresas estão se atentando para a importância de não agredir o meio ambiente em suas operações. No último ranking mundial divulgado pelo Fairr (Risco e Retorno do Investimento em Animais de Fazenda) indica que 17% das companhias abrem o número de CO2 eq relacionadas às produções animais, o que mostra que as organizações estão em busca da transparência em suas operações”, destaca Miranda.
Uma pesquisa realizada pela Carbon Trust, empresa norte-americana especializada na rota para o Net Zero, aponta que 67% dos consumidores estadunidenses são favoráveis à rotulagem ambiental e 64% são mais propensos a pensar positivamente de uma marca que demonstra que reduziu a pegada de carbono de seus produtos.
Os produtos comercializados com sustentabilidade nos Estados Unidos cresceram sete vezes mais rápido do que os produtos comercializados convencionalmente, de acordo com um estudo da Bloomberg. “Empresas e setores inteiros têm tomado iniciativas e realizado projetos para reduzir os seus impactos no ambiente, entre eles grandes marcas como a Nestlé, JBS, McDonald’s, Amaggi, Bunge, Cargill, que cada vez mais estão em busca de zerar as emissões de carbono em suas operações”, ressalta Miranda.
Médias globais
Miranda enfatiza que a medição da pegada ambiental real da produção é essencial para sustentabilidade, porém, têm organizações que insistem em fazer as médias globais. “O que é péssimo, porque quando se fala em médias globais está se considerando produtivo produtores inferiores a você, que tem meia dúzia de frango no fundo do quintal lá no meio da África, por exemplo, e essa produção com certeza é pouco sustentável, então não deveríamos ser julgados por médias globais. É preciso medir a pegada na produção de matérias-primas, na produção de rações, no uso de rações e na eliminação do esterco de forma individualizada, para termos número reais das emissões por setor”, evidencia.
Mitigação de emissões GEE
Através da aplicação de melhores práticas, Miranda informa que estudos da FAO indicam redução de 17% nos níveis de emissões GEE na avicultura, destacando três medidas para alcançar essa mitigação: incremento da produtividade, reduzindo a perda e o desperdício de alimentos, melhor uso dos nutrientes com a consequente redução da concentração de nitrogênio no esterco e suas espécies reativas, e inibição do metano entérico essencial para uma redução rápida e eficaz dos GEE.
Miranda destacou ainda cinco estratégias para gestão da pegada de carbono na produção de aves: planejar, que consiste em conhecer bem a sua granja, estruturar, elaborar estratégias de curto, médio e longo prazo; medir a realidade da granja e onde estão os resultados impactantes; implementar diferentes frentes de trabalho, com alinhamento estratégico; monitorar a granja para garantir a execução dos processos e medir sua evolução para possíveis correções da forma de trabalho; e melhorar constantemente os processos de produção, porque sustentabilidade é uma jornada, traçar metas a cada ano. “A sustentabilidade deve fazer parte da gestão da granja, não tem mais como fugir disso”, encerra Miranda.
Fica a dica
- Assuma a responsabilidade por sua pegada ambiental
- Não seja julgado pelas médias da indústria
- Aplique as melhores práticas para garantir a melhoria contínua
- Reduza sua pegada ambiental e risco empresarial enquanto melhora a resiliência e rentabilidade da produção animal
- Envolva seus funcionários, criando uma cultura de propósito e sustentabilidade em sua empresa
- Eleve o valor de sua empresa ou da sua marca e seja um líder em sustentabilidade
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Avicultura
Simpósio Brasil Sul de Avicultura debate papel estratégico do bem-estar animal
Especialista aponta relação com sustentabilidade, reputação das empresas e resultados econômicos.

A relação entre bem-estar animal, sustentabilidade e competitividade da cadeia produtiva estarão em debate durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o tema Por que o bem-estar é crucial para a sustentabilidade? será apresentado pelo professor Celso Funcia Lemme, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, na quarta-feira, 8 de abril, às 17h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
Doutor em Administração, com concentração em Finanças, Celso é mestre em Engenharia de Produção, com foco em Avaliação de Investimentos, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Estatística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atua como professor do Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ desde 1999, nas áreas de finanças e sustentabilidade corporativa, desenvolvendo projetos de pesquisa relacionados a finanças sustentáveis, avaliação de empresas e sustentabilidade corporativa.

Professor Celso Funcia Lemme
Ao longo de sua trajetória, prestou serviços como professor, palestrante e consultor para empresas e instituições de diversos setores, entre eles alimentos, energia, construção civil, mineração, logística, saúde, telecomunicações e papel e celulose. Também atuou como gerente geral de Planejamento e Análise Financeira da Aracruz Celulose (atualmente Suzano) e trabalhou na Souza Cruz (British American Tobacco Brasil) na área de análise de investimentos e planejamento de suprimentos. Além disso, participa como presidente e membro de conselhos consultivos de organizações nacionais e internacionais, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias voltadas à sustentabilidade e governança corporativa.
O palestrante destaca que a proposta é promover uma reflexão ampla sobre a conexão entre bem-estar animal e sustentabilidade dentro da cadeia produtiva. Segundo Celso, o bem-estar animal está fundamentado em ciência aplicada e deve ser compreendido como um fator estratégico, capaz de impulsionar não apenas melhorias ambientais, mas também avanços sociais e resultados econômicos mais consistentes.
“Nesse contexto, ressalto que práticas voltadas ao bem-estar contribuem para a valorização dos profissionais do campo, fortalecendo o papel dos produtores e das equipes envolvidas na produção. Além disso, chamo a atenção para a importância de uma visão estratégica diante das transformações do setor. É fundamental considerar os riscos da estagnação e da ausência de inovação, que podem comprometer a competitividade frente a outras regiões e mercados mais dinâmicos”, comenta.
Celso também enfatiza que a integração entre bem-estar animal e sustentabilidade corporativa está diretamente relacionada à reputação das empresas e à valorização das marcas. Esse movimento acompanha, ainda, as mudanças geracionais, com consumidores cada vez mais atentos a valores como responsabilidade ambiental, ética e transparência. “Diante desse cenário, defendo a construção de sistemas produtivos mais eficientes e equilibrados, capazes de gerar melhores resultados para os produtores, oferecer produtos de maior qualidade aos consumidores, ampliar oportunidades no mercado de trabalho e contribuir, de forma mais ampla, para o desenvolvimento sustentável da sociedade”, salienta.
Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir sustentabilidade é essencial para acompanhar as transformações do setor. “A avicultura vive um momento de evolução constante, em que eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e bem-estar animal precisam caminhar juntos. O Simpósio busca promover esse debate e trazer especialistas que contribuam para ampliar a visão estratégica da cadeia produtiva”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado justamente para ampliar a discussão sobre os desafios contemporâneos da produção animal. “O bem-estar animal está diretamente relacionado à sustentabilidade e à credibilidade do setor perante a sociedade e os mercados. Trazer especialistas que abordem esse tema sob uma perspectiva estratégica e de gestão é fundamental para fortalecer o futuro da avicultura”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio acende alerta para exportações de frango do Brasil
Possíveis entraves logísticos e maior oferta interna podem conter preços no mercado doméstico.

O cenário para a avicultura brasileira indica aumento das incertezas nos próximos meses, com impactos que envolvem exportações, custos de produção e formação de preços no mercado interno.
Um dos principais pontos de atenção é o Oriente Médio, responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango. O conflito geopolítico na região pode afetar diretamente o setor, especialmente em caso de bloqueios no Estreito de Ormuz. Nessa situação, cargas podem precisar ser redirecionadas, o que tende a elevar custos logísticos e aumentar o tempo de entrega. Alternativas por vias terrestres também são mais caras e complexas, podendo limitar o fluxo de exportações para alguns mercados.

Foto: Jonathan Campos/AEN
No mercado interno, existe espaço teórico para valorização da carne de frango frente a outras proteínas. No entanto, a incerteza sobre o ritmo das exportações atua como um freio. Caso haja dificuldade no escoamento externo, a maior oferta no mercado doméstico pode conter altas de preços.
Os custos de produção também estão no radar. O agravamento do conflito tem pressionado os preços da energia, com reflexos mais amplos na economia. Nesse contexto, milho e soja registram elevação de preços, mesmo com fundamentos de oferta e demanda relativamente estáveis, refletindo mais expectativas do mercado do que mudanças estruturais.
Com isso, o espaço para redução nos custos de ração se torna mais limitado. Soma-se a esse cenário a indefinição sobre a safrinha, que mantém o mercado atento nos próximos meses, apesar da expectativa inicial de boa produção.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a combinação de incertezas externas, pressão de custos e limitações no ajuste de preços tende a deixar as margens da avicultura mais sensíveis ao longo do ano.
Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
