Bovinos / Grãos / Máquinas Apoio à agricultura e pecuária
Plano Safra 2019/2020 é lançado com R$ 225,59 bilhões
Ministra Tereza Cristina destacou que o plano atenderá pequenos, médios e grandes produtores

O governo federal lançou nesta terça-feira (18), em cerimônia no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2019/2020, que irá atender pequenos, médios e grandes produtores, todos juntos em um único plano após 20 anos. O plano prevê R$ 225, 59 bilhões para apoiar a produção agropecuária nacional. Do total, R$ 222,74 bilhões são para o crédito rural (custeio, comercialização, industrialização e investimentos), R$ 1 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e R$ 1,85 bilhão para apoio à comercialização.
“Toda a agricultura, independentemente de seu porte, desempenha papel fundamental para garantir a nossa segurança alimentar e de nossos 160 parceiros comerciais. Então essa é a primeira vez, depois de muito tempo, que lançamos um único Plano Safra. Fato que merece ser realçado: temos enfim uma só agricultura alimentando com qualidade o Brasil e o mundo”, destacou a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) no anúncio, acompanhado por diversos ministros, secretários do ministério, parlamentares e representantes dos setores agrícola e pecuário.
O presidente Jair Bolsonaro elogiou a construção conjunta da equipe de governo para o Plano Safra e destacou inovações como a disponibilização de recursos, R$ 500 milhões, para os pequenos produtores aplicarem na construção e reforma de suas casas. “Foi uma construção que passou por muita gente. Eu fico muito feliz de estar à frente de um governo onde todos se falam entre si. Aqui não há briga política, apenas para que cada um possa servir o Brasil”, disse Bolsonaro.
De acordo com o Ministério, foram liberadas mais verbas para subvenção do crédito dos pequenos produtores. E os médios produtores serão beneficiados com aumento de 32% nas verbas de custeio e investimento, a taxas compatíveis com o negócio. Também pela primeira vez, os pequenos agricultores vão poder usar recursos do Plano Safra para construir ou reformar suas casas. Outra novidade é que o agronegócio passa a ter mais opções de financiamentos em bancos.
Entenda alguns pontos do Plano Safra:
- O Plano Safra 2019/2020 contará com R$ 225,59 bilhões para apoiar pequenos, médios e grandes produtores. A maior parte será destinada para crédito rural e com taxas de juros em níveis que permitem adequado apoio ao produtor rural;
- O plano traz mais oportunidades para pequenos e médios produtores. Os beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar terão R$ 31,22 bilhões à disposição. E as verbas para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural cresceram 32%, passando para R$ 26,49 bilhões;
- Será destinado R$ 1 bilhão para subvencionar a contratação de apólices do seguro rural em todo o país. Esse é o maior montante que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) já recebeu;
- Os recursos da LCA para o crédito rural foram ampliados para R$ 55 bilhões. Haverá ainda permissão para que a CPR seja emitida com correção pela variação cambial;
- O Plano Safra 2019/2020 prevê R$ 53,41 bilhões para investimentos. Para os programas, a taxa de juros varia de 3% ao ano a 10,5% ao ano. Uma das novidades é a mudança no limite de crédito do Moderinfra;
- O produtor rural poderá acessar dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) por meio de aplicativo para tablets e smartphones: o Zarc Plantio Certo. Assim, com uma consulta mais fácil e rápida, poderá saber qual a melhor época do ano para o plantio.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Produzir mais, pressionar menos: o que mudou na pecuária brasileira em duas décadas
Ganhos de produtividade superiores a 70% por hectare reposicionaram a eficiência como eixo central da atividade.

O tamanho do rebanho de gado no Brasil segue impressionante. O que mudou foi a lógica: produzir carne deixou de ser apenas uma equação de escala e passou a depender cada vez mais de produtividade por área, desempenho e eficiência técnica. Durante décadas, a pecuária brasileira foi interpretada principalmente pela ótica territorial. Mais área significava mais animais. Mais animais significavam mais produção. Era uma leitura coerente com o contexto histórico de expansão agrícola e disponibilidade de terras, em que crescimento frequentemente se confundia com ocupação geográfica. Essa matemática já não explica sozinha o desempenho da atividade.
Os dados consolidados no Beef Report 2025, publicado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em junho de 2025, indicam uma mudança objetiva na base produtiva da pecuária de corte. O Brasil ampliou a produção de carne bovina mesmo em um cenário de redução da área de pastagem, revelando uma transformação estrutural na forma como o setor cresce.

De acordo com o documento, o rebanho brasileiro atingiu em 2024 a marca estimada de 193,93 milhões de cabeças, acumulando crescimento de 11% em relação a 2004. No mesmo intervalo de 20 anos, porém, a área destinada às pastagens recuou aproximadamente 11%, totalizando 160,54 milhões de hectares.
O contraste entre esses movimentos traduz uma das mudanças mais relevantes da pecuária moderna: o crescimento deixa de depender exclusivamente da expansão territorial e passa a ser sustentado por ganhos de produtividade e produção intensiva.
Ainda conforme o Beef Report 2025, a produtividade média nacional saltou de 2,8 arrobas por hectare/ano, em 2004, para quase 5 arrobas por hectare/ano em 2024, avanço superior a 70% em duas décadas. A escala permanece relevante, mas deixou de ser suficiente.
O retrato produtivo

Ainda de acordo com o Beef Report 2025, o Brasil registrou em 2024 o maior volume de produção de carne bovina de sua série histórica. Foram 11,81 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), resultado sustentado pelo abate estimado de 45,94 milhões de cabeças. Mais do que um dado volumétrico, o número reforça uma mudança conceitual importante: o desempenho da cadeia passa a depender não apenas da quantidade de animais, mas do rendimento biológico e da eficiência produtiva.
Nesse contexto, o relatório aponta que o peso médio de carcaça atingiu 257,13 kg, com destaque para os machos, que registraram média de 295,16 kg. O avanço dialoga diretamente com fatores técnicos, como genética, nutrição estratégica, manejo de pastagens, suplementação e sistemas de terminação intensiva. Outro indicador relevante é o desfrute real, estimado em 22,13%, refletindo maior giro produtivo dentro do sistema.
Abate recorde e leitura metodológica
Os números de abate, contudo, exigem uma leitura estatística cuidadosa. Enquanto o Beef Report 2025 apresenta estimativas consolidadas para 2024, os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Cepea e divulgados em 20 de fevereiro de 2026, apontam que o Brasil registrou em 2025 o abate recorde de 42,5 milhões de cabeças.

A diferença entre os volumes não representa inconsistência, mas distinção metodológica. Relatórios setoriais trabalham com estimativas e modelagens de mercado, enquanto o IBGE registra o abate efetivamente apurado na série estatística oficial.
Ainda de acordo com pesquisadores do Cepea, o recorde de 2025 esteve associado ao avanço do ciclo pecuário, aos investimentos realizados no campo desde 2020 e ao elevado descarte de fêmeas. Esse último fator, em especial, ajuda a compreender a dinâmica recente da oferta.
O ciclo pecuário e o peso do descarte de fêmeas
A pecuária bovina opera sob ciclos biológicos relativamente longos, em que decisões reprodutivas impactam a oferta futura de animais. O aumento do abate de fêmeas observado nos últimos anos, conforme apontam análises do Cepea, tem relação direta com a fase do ciclo pecuário. Em momentos de maior descarte, há ampliação da oferta no curto prazo, mas também efeitos estruturais sobre a recomposição do rebanho.
Ainda segundo pesquisadores, esse movimento reflete ajustes econômicos dentro das fazendas. Custos crescentes, pressão sobre margens, necessidade de giro financeiro e estratégias de manejo influenciam decisões de retenção ou descarte. O resultado é uma dinâmica de mercado em que oferta e preço passam a interagir de forma mais sensível.
Distribuição do gado: escala e concentração regional

Sob a ótica geográfica, a distribuição do rebanho brasileiro mantém padrões históricos, mas revela contrastes importantes. Conforme o Beef Report, o Centro-Oeste segue como principal polo pecuário do país, concentrando aproximadamente 62 milhões de cabeças, o equivalente a 32% do rebanho nacional.
A liderança regional está associada não apenas à escala, mas à presença de sistemas produtivos estruturados, que combinam recria, terminação, confinamento, integração lavoura-pecuária e uso intensivo de tecnologia.
A região Norte, por sua vez, apresenta o crescimento mais expressivo nas últimas duas décadas. Segundo o documento, o rebanho nortista expandiu cerca de 60% em 20 anos, alcançando 50,43 milhões de cabeças em 2024. Esse avanço ajuda a explicar a crescente relevância de estados como Pará e Rondônia no cenário pecuário nacional.
Ao detalhar por estados, o mapa confirma a concentração do rebanho em regiões tradicionalmente vocacionadas à pecuária extensiva e semi-intensiva. Mas o dado territorial, isoladamente, já não traduz competitividade.
Mato Grosso lidera com 28,43 milhões de cabeças
Minas Gerais soma 19,42 milhões
Pará registra 19,07 milhões
Goiás contabiliza 17,93 milhões
Mato Grosso do Sul apresenta 15,92 milhões
O vetor central: produtividade e eficiência técnica

Foto: Divulgação
Embora a distribuição espacial continue sendo referência estratégica, os dados indicam que o eixo central da competitividade desloca-se progressivamente para produtividade. Ainda de acordo com o Beef Report, a taxa média de ocupação das pastagens atingiu 1,21 cabeça por hectare, enquanto a lotação média foi estimada em 0,93 UA/ha. Esses indicadores sugerem intensificação gradual dos sistemas.
O ponto crítico, porém, é conceitual. A nova lógica da pecuária não se resume a manter mais animais por área, mas a extrair mais produção por unidade de recurso – seja terra, dieta, genética ou tempo de ciclo. Essa mudança altera decisões produtivas, investimentos e estratégias de manejo.
Produção sem expansão territorial: eficiência da terra
O avanço da produtividade dentro de uma base territorial relativamente menor representa uma das mudanças mais relevantes do setor. De acordo com o Beef Report, entre 2004 e 2024 a produção de carne bovina cresceu mais de 25%, enquanto a área de pastagem recuou.
Esse movimento indica que a pecuária brasileira vem operando sob lógica de eficiência territorial, em que crescimento passa a ser sustentado por intensificação técnica, e não por abertura de novas áreas. O dado é central para o debate contemporâneo sobre sustentabilidade, uso da terra e pressão ambiental.
Confinamento: intensificação como vetor produtivo
Um dos reflexos mais evidentes dessa transição aparece na terminação intensiva. Conforme o Beef Report, o Brasil confinou em 2024 cerca de 8,8 milhões de cabeças, volume recorde que representou aproximadamente 19% do total abatido (gráfico 1). O avanço reforça o papel da nutrição estratégica, da previsibilidade produtiva e do controle de indicadores técnicos.
Mais do que acelerar ciclos, o confinamento permite maior padronização, controle de desempenho e eficiência alimentar, variáveis decisivas em um ambiente de margens pressionadas e custos voláteis.

Mercado e exportação: o Brasil no tabuleiro global
Ainda segundo o relatório, aproximadamente 32% da produção foi destinada à exportação em 2024, enquanto 68% permaneceram no mercado interno. A China manteve posição dominante, respondendo por 52,29% das exportações in natura, seguida por Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Chile.
O desempenho exportador ajuda a explicar a capacidade de absorção da oferta ampliada, atenuando pressões baixistas sobre preços. Além disso, reforça exigências crescentes relacionadas à padronização, rastreabilidade e eficiência produtiva.
Peso econômico da cadeia bovina
Conforme o Beef Report 2025, o sistema agroindustrial da carne bovina movimentou em 2024 cerca de R$ 987,36 bilhões, o equivalente a 8,4% do PIB brasileiro. O dado reforça um aspecto frequentemente subestimado: a pecuária não é apenas produção primária, mas um sistema econômico complexo, que envolve insumos, serviços, logística, indústria e varejo.
Mudança estrutural na lógica produtiva
A leitura integrada dos dados aponta para uma conclusão clara. A pecuária brasileira não abandonou a escala. Ela redefiniu sua base de crescimento. O tamanho do rebanho segue relevante. A distribuição territorial mantém importância estratégica. Mas o eixo central da competitividade desloca-se progressivamente para produtividade, eficiência técnica e desempenho biológico. Produzir mais, hoje, significa necessariamente produzir melhor. E é essa lógica que passa a orientar decisões dentro das fazendas brasileiras.
Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Bovinos / Grãos / Máquinas
Fazendinha da ExpoLondrina destaca inovação, saúde e produção de leite
Estande reúne orientações sobre animais peçonhentos e tecnologias aplicadas à bovinocultura leiteira.

O público que visita a Fazendinha Via Rural 2026, dentro da ExpoLondrina, encontra um estande diverso e voltado para a inovação. Dois dos destaques envolvem trabalhos com animais peçonhentos e produção de leite.
Um dos temas apresentados é o cuidado com escorpiões, aranhas e outros animais peçonhentos, comuns no ambiente rural. A ação é desenvolvida por estudantes do Programa de Educação Tutorial de Biologia PETBio) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com profissionais da área de saúde e controle de endemias. Com atividades interativas, exemplares dos animais e orientações diretas sobre prevenção no dia a dia, eles transformam a Fazendinha em um grande centro de educação em saúde.
Segundo a estudante do quinto ano de Biologia da UEL, Amanda de Sena da Silva, o foco principal é conscientizar sobre o escorpionismo, que é o envenenamento causado pela picada de escorpiões. “Trouxemos algumas espécies, inclusive o escorpião amarelo, que é o mais comum. Também apresentamos filhotes e até um pseudoscorpião, que é um aracnídeo inofensivo, para mostrar que nem todos representam risco”, explica.
Além da observação dos animais, o público recebe orientações práticas para evitar a presença desses organismos em casa. Entre as recomendações estão verificar roupas e calçados antes de usar, manter ralos e caixas de gordura fechados, afastar camas das paredes e eliminar possíveis fontes de alimento, como baratas.
O estande na Fazendinha também apresenta outras espécies de aranhas e serpentes, além de abordar doenças relacionadas, como a esporotricose e a febre maculosa. A proposta é ampliar o conhecimento da população e evitar o extermínio desnecessário de animais que não representam perigo.
Com linguagem acessível e atividades demonstrativas, o espaço reforça a importância da educação ambiental e da conscientização como ferramentas fundamentais para a saúde pública e a convivência segura com a fauna.
Leite

Outra novidade da Fazendinha Via Rural inclui tecnologias reprodutivas de ponta, boas práticas de ordenha com demonstrações interativas e métodos inovadores para garantir a segurança alimentar e a qualidade do leite, aproximando o público da produção sustentável.
Um dos focos do estande é a conscientização sobre a segurança e a qualidade do leite. Representando o Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal (LIPOA), estudantes demonstram como a qualidade do leite começa ainda na criação das bezerras, destacando a importância de boas condições de saúde, alimentação e bem-estar animal.
Também são apresentadas as boas práticas de ordenha, que incluem cuidados antes, durante e após o processo, garantindo um produto seguro para o consumo. “A vaca define a qualidade do leite. A gente trabalha com boas práticas de ordenha, que são medidas que a gente faz a pré-ordenha, durante e pós para garantir a qualidade do leite”, contou Catarina Rodrigues, estudante de Medicina Veterinária na UEL.
Entre as técnicas demonstradas estão o teste da caneca de fundo preto e o CMT (California Mastitis Test), utilizados para a detecção de mastite clínica e subclínica, além dos procedimentos de pré e pós-dipping, fundamentais para a higienização e prevenção de doenças no rebanho leiteiro. Outro destaque do estande é a apresentação de tecnologias reprodutivas aplicadas à bovinocultura.
Estagiários do Grupo de Reprodução Animal (Reproa) representam o Centro de Treinamento Pecuário (CETPEC), que oferece cursos especializados, incluindo o de inseminação artificial em bovinos. A técnica, utilizada há mais de 50 anos, vem ganhando espaço no Brasil por seu potencial de melhorar a genética do rebanho e aumentar a produtividade.
Serviço
A Via Rural Fazendinha funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados e domingos, das 9h às 19h, no Parque de Exposições Ney Braga, durante a ExpoLondrina 2026, entre os dias 10 e 19 de abril.
Simpósio
A ExpoLondrina também recebeu no começo da semana a 7ª edição do Simpósio de Equideocultura, reunindo médicos veterinários, zootecnistas, agrônomos, estudantes e profissionais do setor em busca de atualização e aprofundamento em temas estratégicos da área. Promovido em parceria entre a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e a UEL, o evento reforça o papel da feira como um ambiente de troca de conhecimento e desenvolvimento para o agronegócio.
A programação incluiu palestras com especialistas que abordaram desde biotecnologias reprodutivas até práticas clínicas, esportivas e de manejo de equinos. A equideocultura é a área da zootecnia dedicada à criação, manejo, nutrição, reprodução e melhoramento genético de equídeos, abrangendo cavalos, asininos (jumentos) e muares (burros/mulas).
À frente da organização do simpósio, Roberta Garbelini Gomes Zanin, egressa do curso de medicina veterinária da UEL, reforçou que a iniciativa busca aproximar o meio acadêmico e o mercado, criando oportunidades tanto para profissionais quanto para estudantes que desejam se qualificar. “É um espaço de atualização técnica e também de conexão com o que há de mais atual no setor”, ressaltou.
Um dos palestrantes do simpósio, o médico veterinário e professor da UEL Fábio Morotti, do Departamento de Clínicas Veterinárias (CCA), abordou o cenário da equideocultura no Brasil e no mundo, com destaque para o avanço das biotecnologias reprodutivas. Segundo ele, técnicas como a transferência de embriões têm ampliado as possibilidades de melhoramento genético, inclusive permitindo o aproveitamento de fêmeas que não poderiam mais gestar naturalmente, seja por questões clínicas ou limitações físicas.
“O Brasil possui hoje cerca de 8 milhões de equídeos (cavalos, asininos, muares) e ocupa a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e do México no número de cavalos. Em termos de uso de biotecnologias reprodutivas, já estamos equiparados aos Estados Unidos”, comemorou.
De acordo com o especialista, o País também se destaca pela qualidade da mão de obra técnica, com profissionais reconhecidos internacionalmente e atuação crescente no exterior. “Hoje, o Brasil não só utiliza essas tecnologias como também exporta conhecimento, especialmente na área de reprodução animal”, afirmou.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Cerca de 75% da tropa brasileira é utilizada em atividades de lida no campo, um segmento que ainda demanda maior acesso a tecnologias, investimento em genética e melhorias no manejo.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Supermercado é a vitrine decisiva da carne bovina no Brasil, aponta pesquisa
Levantamento mostra que 69% das compras da proteína no Brasil ocorrem em supermercados, 78% cobram produção sustentável, 73% consomem carne no almoço em casa e mais de 70% pagariam valor adicional por origem, certificações e bem-estar animal no ponto de venda.

O supermercado deixou de ser apenas um elo logístico e virou a vitrine onde a carne conquista seu consumidor. Levantamento nacional encomendado pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizado pelo Instituto Qualibest ouviu 1.021 pessoas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 em todas as regiões do país. O resultado mostra que 69% das compras de carne bovina são feitas em hiper e supermercados, e que é ali, no balcão e na gôndola, que o cliente espera ver informações claras sobre origem, rastreabilidade e bem-estar animal.
A carne continua um item de rotina. 63% dos entrevistados consomem a proteína duas ou mais vezes por semana e 21% uma vez por semana. 73% apontam o almoço em casa como a ocasião principal e 62% citam o churrasco como momento frequente. “Quando o supermercado aparece como principal canal de compra, ele vira vitrine de credibilidade para a categoria. O desafio é combinar operação impecável e comunicação simples, visível e verificável sobre sustentabilidade e bem-estar animal”, diz Nicholas Vital, coordenador do movimento A Carne do Futuro é Animal.

Foto: Freepik
Esses padrões tornam a operação no ponto de venda tão decisiva quanto as promessas do campo. Com 66% citando preço, 45% frescor e 40% data de validade como prioridades, o consumidor compra com os olhos e com o bolso. Ao mesmo tempo, o consumidor exige responsabilidade já que 78% consideram importante que a carne seja produzida de forma sustentável.
A confiança na qualidade da carne brasileira segue elevada, com 80% avaliando-a como boa ou ótima. Sobre saúde, 91% veem benefícios no consumo, sendo 82% que destacam a carne como fonte de proteína e 57% que citam ferro e vitaminas. Esses números mostram que o público não abandona o produto, mas pede provas simples e verificáveis no ponto de venda.
Há também disposição a pagar por garantias. Para saber a origem, 44% dizem que pagariam um pouco a mais e 19% que pagariam mais. Para carne com certificações de sustentabilidade, 51% pagariam um pouco a mais e 22% pagariam mais. Para certificações de bem-estar animal, 49% pagariam um pouco a mais e 24% pagariam mais. Essas respostas confirmam que evidências concretas têm valor comercial no PDV.

Foto: Shutterstock
Ao que tudo indica, a raça Angus é a preferida por 37% dos entrevistados. Há também curiosidade por novas proteínas: sobre carne vegetal, 26% nunca consumiram e não têm interesse, 26% nunca consumiram mas têm interesse e 24% consomem às vezes.
Em relação à carne cultivada, 37% conhecem o conceito e 63% não conhecem, com fatias relevantes de “sim com certeza” e “talvez” ao perguntar sobre experimentar.
Sobre o Canivete Pool
A campanha ‘A carne do futuro’ é uma iniciativa do Canivete Pool, projeto criado por produtores do Mato Grosso com o objetivo de auxiliar a gestão das fazendas, fomentar o aumento da produtividade média e melhorar os indicadores de sustentabilidade da carne produzida. Criado em 2022, o grupo conta atualmente com 74 membros em 27 municípios do estado, que juntos devem abater mais de 200 mil cabeças de gado este ano.



