Suínos
Plano ABC terá central nacional de monitoramento
O sistema de monitoramento das emissões é considerado um componente estratégico para o Plano ABC
O Brasil passa a contar, a partir de segunda-feira (21), com uma estrutura física especialmente criada para coordenar o sistema de monitoramento da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária, bem como da dinâmica de estoque de carbono no solo. Trata-se da sede da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa derivadas das ações do Plano ABC (Plataforma ABC).
A coordenação fica estrategicamente situada nas instalações da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), e vai ajudar no compromisso do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC).
Segundo o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, a plataforma será um fator de agregação de competências das instituições envolvidas no monitoramento do Plano ABC.
Estarão alocadas as competências da Embrapa e de diversas instituições parceiras, capazes de gerar informações para um monitoramento robusto das estimativas de redução das emissões de GEE compromissadas para o Plano ABC. Cabe à plataforma a coleta, organização, análise, armazenamento e zelo pela segurança das informações e estimativas. Para tanto, a Plataforma ABC contará com um comitê diretor, que será responsável pela definição das suas diretrizes macroestratégicas e pelo acompanhamento do seu funcionamento.
O Comitê será composto por sete membros representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que atuará como presidente, e como secretário Executivo, um representante indicado pela Diretoria Executiva da Embrapa. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Rede Clima, instituições do sistema bancário (Banco Central ou Banco do Brasil), além da sociedade civil e do setor agropecuário privado, indicam um membro nato cada.
O sistema de monitoramento das emissões é considerado um componente estratégico para o Plano ABC. O monitoramento eficiente será a única forma de o País comprovar de que forma e em qual quantidade os setores da agricultura e pecuária brasileira estarão conciliando produção e sustentabilidade no mesmo pacote.
"É extremamente relevante o correto emprego das estratégias de monitoramento, de modo que possam garantir que as reduções sejam devidamente apuradas, contabilizadas e passíveis de serem comprovadas em 2020, inclusive para verificações de auditorias internacionais," afirma o pesquisador Celso Vainer Manzatto, da Embrapa Meio Ambiente, que será o responsável técnico da Plataforma ABC,
Ele destacou ainda o desafio técnico-cientifico da Plataforma para o estabelecimento de mecanismos de monitoramento – Mensuração, Relatório e Verificação (MRV). Esses mecanismos devem comprovar internacionalmente o cumprimento desses compromissos em discussão nas NAMAS (Nationally Appropriate Mitigation Actions), como forma de aumentar a participação dos países em desenvolvimento no esforço de redução das emissões de (GEE). Para isso, Manzatto explicou que o Comitê terá ainda um papel fundamental no diálogo e na mobilização de instituições públicas e privadas.
A sede é resultado da articulação iniciada em 2010 entre Embrapa, MMA e Mapa e a inauguração contará com a presença do presidente da empresa, Maurício Antônio Lopes e de diversas autoridades.
Mitigação e adaptação
O ABC é um plano setorial que busca organizar, planejar e programar ações para que, por meio de incentivos à adoção de sistemas e tecnologias sustentáveis de produção, seja possível aos produtores rurais aliar a produção com adequação ambiental, capacitando a viabilidade econômica na atividade rural.
O Plano é composto por sete programas relacionados a tecnologias de mitigação e ações de adaptação às mudanças climáticas. São eles: integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistema plantio direto (SPD), recuperação de áreas de pastagens degradadas, tratamento de dejetos animais, florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio (FBN), e por último, adaptação às mudanças climáticas.
Esses sistemas de produção, combinados ou não, são capazes de responder às responsabilidades assumidas pelo país, de forma voluntária, em 2009, na Dinamarca, durante a 15ª Conferência das Partes (COP-15).
Na ocasião, o Brasil assinou um compromisso de redução de emissões de GEE no país entre 36,1% e 38,9% das esperadas para 2020, tendo 2005 como ano-base. Os compromissos propostos para a agricultura que constituem a base do Plano ABC, possuem um potencial estimado para a mitigação de GEE da ordem de 133,9 a 162,9 milhões toneladas CO2 equivalente.
O protagonismo do Brasil
O planejamento estrutural para a realização de processos de mitigação de GEE é o resultado de esforço coordenado. O pesquisador Eduardo Delgado Assad, da Embrapa Informática Agropecuária (SP) participa das discussões para a implantação do Plano ABC desde o ano de 2009.
Ele conta que todas as etapas do projeto e a implantação do Plano contaram com o envolvimento direto do Governo Federal, dos ministérios e secretarias relacionados ao tema, universidades, entidades do terceiro setor, órgãos financiadores, Institutos de pesquisas, além da Embrapa.
O pesquisador avalia que o Plano ABC coloca o Brasil como protagonista mundial na redução dos gases efeito estufa a partir da agropecuária e que poucos países possuem um planejamento similar. "Enquanto o mundo ainda discute sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), ou integração lavoura-pecuária-floresta – (ILPF), o Brasil promove e estuda esses sistemas há mais de três décadas", ressalta Assad.
Cenários com áreas de degradação dos solos, verificados ainda nos anos 1980, mobilizaram pesquisadores que acabaram por oferecer sistemas produtivos mais sustentáveis para a agropecuária brasileira, nos quais os aumentos de produtividade animais e vegetais passaram a conviver com a possibilidade de preservação dos recursos naturais.
Graças ao esforço de implantação de tecnologias de produção de baixa emissão, o Brasil possui hoje 92 Unidades de Referência Tecnológica e mais de três milhões de hectares em que esses sistemas foram adotados.
"Essa é uma oportunidade da qual o País não pode abrir mão. Trata-se de um ativo valioso a ser conduzido com extremo cuidado. Não estamos tratando somente da possibilidade de produzir carne, grãos e fibra, mas de agregar pegada verde a esses produtos, com chancela de boas práticas de produção, em um mercado que anseia por isso," explicou Assad.
Manzatto concorda. Para ele, há um caminho a se percorrer, que passa pelo desenvolvimento dos mecanismos de monitoramento das reduções de emissões de GEE, para avaliar a efetividade do Plano ABC. "Posteriormente, com as devidas comprovações internacionais das reduções de emissões da nossa agricultura tropical, essas ações irão contribuir para gerar novas oportunidades de negócios para a produção brasileira, em mercados mais seletos," disse o pesquisador frisando que isso acontecerá à medida que produtores forem progressivamente adotando sistemas de produção sustentáveis.
A contribuição da Embrapa
Atualmente o Brasil conta com mais de 40 Sistemas Integrados de Produção, a grande maioria testada na Embrapa. Assad ressalta que a Empresa possui pesquisas em campos experimentais nessa área há mais de 30 anos. Destaca o trabalho pioneiro de pesquisa básica, sobre verificação de carbono no solo e emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), iniciada principalmente nas Unidades da Embrapa Cerrados (DF), Solos (RJ), Agrobiologia (RJ) e Meio Ambiente (SP).
Para o pesquisador, este é o momento de aperfeiçoar a produção agrícola no Brasil, fortalecendo os modelos integrados, capazes de produzir grãos, carne, leite e produtos madeireiros e não madeireiros ao longo de todo o ano. Ele ressalta que as fazendas adotantes desse modelo se tornam altamente competitivas em termos produtivos, além de incorporar benefícios econômicos e ambientais ao empreendimento.
"Temos 170 milhões de hectares de pastagens com potencial e capacidade de transformá-los em sistemas da agricultura ABC da melhor maneira possível, beneficiando produtores, o País e o ambiente", acredita Assad.
Carbono como moeda
Quando instituições financeiras e bancos centrais de países influentes passaram a considerar as mudanças climáticas como fator de risco para a estabilidade financeira mundial, uma nova moeda de troca começou a surgir: o carbono. Ela tem origem na interpretação do Artigo 117, do Acordo de Combate ao Aquecimento Global, firmado por 195 países, incluindo o Brasil, e que versa sobre o valor social e econômico das ações de mitigação.
Enquanto se discute a definição adequada para a retenção do carbono, o mercado deste tipo de "título verde" prospera. Os "green bonds" servem para financiar empreendimentos que invistam em tecnologias de mitigação das emissões de carbono, ou que reduzam o consumo de água, matérias-primas e energia. Segundo o Climate Bonds Initiative, organização sem fins lucrativos da Inglaterra, esses títulos poderão movimentar até U$100 trilhões no mercado nos próximos anos.
Os títulos se configuram como dívida de longo prazo e são usados para financiar projetos sustentáveis, como os que contemplam as boas práticas agrícolas, por exemplo. Com isso, ajudam na redução das emissões de GEE, minimizam o aquecimento do planeta, valoram a produção e aumentam a oferta de alimentos seguros, entre outras vantagens.
O Brasil passa a contar, a partir de segunda-feira (21), com uma estrutura física especialmente criada para coordenar o sistema de monitoramento da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária, bem como da dinâmica de estoque de carbono no solo. Trata-se da sede da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa derivadas das ações do Plano ABC (Plataforma ABC).
A coordenação fica estrategicamente situada nas instalações da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), e vai ajudar no compromisso do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC).
Segundo o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, a plataforma será um fator de agregação de competências das instituições envolvidas no monitoramento do Plano ABC.
Estarão alocadas as competências da Embrapa e de diversas instituições parceiras, capazes de gerar informações para um monitoramento robusto das estimativas de redução das emissões de GEE compromissadas para o Plano ABC. Cabe à plataforma a coleta, organização, análise, armazenamento e zelo pela segurança das informações e estimativas. Para tanto, a Plataforma ABC contará com um comitê diretor, que será responsável pela definição das suas diretrizes macroestratégicas e pelo acompanhamento do seu funcionamento.
O Comitê será composto por sete membros representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que atuará como presidente, e como secretário Executivo, um representante indicado pela Diretoria Executiva da Embrapa. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Rede Clima, instituições do sistema bancário (Banco Central ou Banco do Brasil), além da sociedade civil e do setor agropecuário privado, indicam um membro nato cada.
O sistema de monitoramento das emissões é considerado um componente estratégico para o Plano ABC. O monitoramento eficiente será a única forma de o País comprovar de que forma e em qual quantidade os setores da agricultura e pecuária brasileira estarão conciliando produção e sustentabilidade no mesmo pacote.
"É extremamente relevante o correto emprego das estratégias de monitoramento, de modo que possam garantir que as reduções sejam devidamente apuradas, contabilizadas e passíveis de serem comprovadas em 2020, inclusive para verificações de auditorias internacionais," afirma o pesquisador Celso Vainer Manzatto, da Embrapa Meio Ambiente, que será o responsável técnico da Plataforma ABC,
Ele destacou ainda o desafio técnico-cientifico da Plataforma para o estabelecimento de mecanismos de monitoramento – Mensuração, Relatório e Verificação (MRV). Esses mecanismos devem comprovar internacionalmente o cumprimento desses compromissos em discussão nas NAMAS (Nationally Appropriate Mitigation Actions), como forma de aumentar a participação dos países em desenvolvimento no esforço de redução das emissões de (GEE). Para isso, Manzatto explicou que o Comitê terá ainda um papel fundamental no diálogo e na mobilização de instituições públicas e privadas.
A sede é resultado da articulação iniciada em 2010 entre Embrapa, MMA e Mapa e a inauguração contará com a presença do presidente da empresa, Maurício Antônio Lopes e de diversas autoridades.
Mitigação e adaptação
O ABC é um plano setorial que busca organizar, planejar e programar ações para que, por meio de incentivos à adoção de sistemas e tecnologias sustentáveis de produção, seja possível aos produtores rurais aliar a produção com adequação ambiental, capacitando a viabilidade econômica na atividade rural.
O Plano é composto por sete programas relacionados a tecnologias de mitigação e ações de adaptação às mudanças climáticas. São eles: integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistema plantio direto (SPD), recuperação de áreas de pastagens degradadas, tratamento de dejetos animais, florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio (FBN), e por último, adaptação às mudanças climáticas.
Esses sistemas de produção, combinados ou não, são capazes de responder às responsabilidades assumidas pelo país, de forma voluntária, em 2009, na Dinamarca, durante a 15ª Conferência das Partes (COP-15).
Na ocasião, o Brasil assinou um compromisso de redução de emissões de GEE no país entre 36,1% e 38,9% das esperadas para 2020, tendo 2005 como ano-base. Os compromissos propostos para a agricultura que constituem a base do Plano ABC, possuem um potencial estimado para a mitigação de GEE da ordem de 133,9 a 162,9 milhões toneladas CO2 equivalente.
O protagonismo do Brasil
O planejamento estrutural para a realização de processos de mitigação de GEE é o resultado de esforço coordenado. O pesquisador Eduardo Delgado Assad, da Embrapa Informática Agropecuária (SP) participa das discussões para a implantação do Plano ABC desde o ano de 2009.
Ele conta que todas as etapas do projeto e a implantação do Plano contaram com o envolvimento direto do Governo Federal, dos ministérios e secretarias relacionados ao tema, universidades, entidades do terceiro setor, órgãos financiadores, Institutos de pesquisas, além da Embrapa.
O pesquisador avalia que o Plano ABC coloca o Brasil como protagonista mundial na redução dos gases efeito estufa a partir da agropecuária e que poucos países possuem um planejamento similar. "Enquanto o mundo ainda discute sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), ou integração lavoura-pecuária-floresta – (ILPF), o Brasil promove e estuda esses sistemas há mais de três décadas", ressalta Assad.
Cenários com áreas de degradação dos solos, verificados ainda nos anos 1980, mobilizaram pesquisadores que acabaram por oferecer sistemas produtivos mais sustentáveis para a agropecuária brasileira, nos quais os aumentos de produtividade animais e vegetais passaram a conviver com a possibilidade de preservação dos recursos naturais.
Graças ao esforço de implantação de tecnologias de produção de baixa emissão, o Brasil possui hoje 92 Unidades de Referência Tecnológica e mais de três milhões de hectares em que esses sistemas foram adotados.
"Essa é uma oportunidade da qual o País não pode abrir mão. Trata-se de um ativo valioso a ser conduzido com extremo cuidado. Não estamos tratando somente da possibilidade de produzir carne, grãos e fibra, mas de agregar pegada verde a esses produtos, com chancela de boas práticas de produção, em um mercado que anseia por isso," explicou Assad.
Manzatto concorda. Para ele, há um caminho a se percorrer, que passa pelo desenvolvimento dos mecanismos de monitoramento das reduções de emissões de GEE, para avaliar a efetividade do Plano ABC. "Posteriormente, com as devidas comprovações internacionais das reduções de emissões da nossa agricultura tropical, essas ações irão contribuir para gerar novas oportunidades de negócios para a produção brasileira, em mercados mais seletos," disse o pesquisador frisando que isso acontecerá à medida que produtores forem progressivamente adotando sistemas de produção sustentáveis.
A contribuição da Embrapa
Atualmente o Brasil conta com mais de 40 Sistemas Integrados de Produção, a grande maioria testada na Embrapa. Assad ressalta que a Empresa possui pesquisas em campos experimentais nessa área há mais de 30 anos. Destaca o trabalho pioneiro de pesquisa básica, sobre verificação de carbono no solo e emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), iniciada principalmente nas Unidades da Embrapa Cerrados (DF), Solos (RJ), Agrobiologia (RJ) e Meio Ambiente (SP).
Para o pesquisador, este é o momento de aperfeiçoar a produção agrícola no Brasil, fortalecendo os modelos integrados, capazes de produzir grãos, carne, leite e produtos madeireiros e não madeireiros ao longo de todo o ano. Ele ressalta que as fazendas adotantes desse modelo se tornam altamente competitivas em termos produtivos, além de incorporar benefícios econômicos e ambientais ao empreendimento.
"Temos 170 milhões de hectares de pastagens com potencial e capacidade de transformá-los em sistemas da agricultura ABC da melhor maneira possível, beneficiando produtores, o País e o ambiente", acredita Assad.
Carbono como moeda
Quando instituições financeiras e bancos centrais de países influentes passaram a considerar as mudanças climáticas como fator de risco para a estabilidade financeira mundial, uma nova moeda de troca começou a surgir: o carbono. Ela tem origem na interpretação do Artigo 117, do Acordo de Combate ao Aquecimento Global, firmado por 195 países, incluindo o Brasil, e que versa sobre o valor social e econômico das ações de mitigação.
Enquanto se discute a definição adequada para a retenção do carbono, o mercado deste tipo de "título verde" prospera. Os "green bonds" servem para financiar empreendimentos que invistam em tecnologias de mitigação das emissões de carbono, ou que reduzam o consumo de água, matérias-primas e energia. Segundo o Climate Bonds Initiative, organização sem fins lucrativos da Inglaterra, esses títulos poderão movimentar até U$100 trilhões no mercado nos próximos anos.
Os títulos se configuram como dívida de longo prazo e são usados para financiar projetos sustentáveis, como os que contemplam as boas práticas agrícolas, por exemplo. Com isso, ajudam na redução das emissões de GEE, minimizam o aquecimento do planeta, valoram a produção e aumentam a oferta de alimentos seguros, entre outras vantagens.
Fonte: Ass. Imprensa

Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
Suínos
Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global
Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.
Compliance no campo
Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock
A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.
Trilha empreendedora
O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.
A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.
Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.


