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Planejamento é essencial para empresas familiares que aderirem ao Plano Safra 2025/2026
Com juros mais altos e exigências formais, uso dos recursos deve ser estratégico para evitar endividamento e garantir longevidade ao negócio rural.

Com um montante recorde de mais de R$ 500 bilhões anunciado pelo governo federal, o Plano Safra 2025/2026 promete impulsionar a produção agropecuária brasileira, inclusive no setor das empresas familiares rurais. No entanto, o acesso ao crédito não deve ser encarado como um fim em si, mas como parte de um planejamento estratégico que leve em conta a sustentabilidade financeira e jurídica do negócio.

Advogado especialista em Direito Econômico, Fabiano Jantalia: “O planejamento passa também por uma boa governança, especialmente quando há sucessão familiar envolvida ou mais de uma geração à frente do negócio” – Foto: Divulgação
De acordo com o advogado especialista em Direito Econômico, Fabiano Jantalia, é fundamental que produtores familiares formalizados como empresas se atentem aos requisitos legais e financeiros das linhas de crédito oferecidas. “O Plano Safra é uma ferramenta poderosa de fomento, mas o uso inadequado dos recursos pode gerar endividamento e até risco patrimonial. As empresas familiares precisam se organizar juridicamente, revisar sua estrutura e contar com suporte técnico para aproveitar as oportunidades com segurança”, afirma.
O advogado destaca ainda que a alta das taxas de juros para o ciclo 2025/2026 exige atenção redobrada. Em algumas linhas, os juros podem chegar a até 12% ao ano, o que demanda uma análise de viabilidade detalhada antes da contratação. “Não basta acessar o crédito. É necessário entender o impacto no fluxo de caixa da empresa, prever cenários e ter um plano claro de retorno do investimento”, reforça.
Outro ponto importante para as empresas familiares é a conformidade documental e fiscal. Erros ou inconsistências cadastrais, como falta de regularização fundiária, pendências ambientais ou ausência de documentos societários atualizados, podem impedir o acesso ao crédito ou dificultar a liberação dos recursos. “O planejamento passa também por uma boa governança, especialmente quando há sucessão familiar envolvida ou mais de uma geração à frente do negócio”, completa o advogado.
Para as empresas familiares que desejam aproveitar o Plano Safra como motor de crescimento, o momento é estratégico. Além dos recursos disponíveis, o incentivo à produção sustentável e a adoção de boas práticas de gestão colocam essas organizações em posição privilegiada no novo ciclo do agro brasileiro. Com orientação jurídica e econômica adequada, é possível transformar o crédito rural em alavanca de inovação e longevidade para o negócio familiar.
Confira algumas dicas para um bom planejamento no acesso ao Plano Safra 2025/2026:
1) Formalize a empresa rural
Garanta que a empresa esteja devidamente registrada, com CNPJ ativo, contrato social atualizado e estrutura societária clara, especialmente em casos de sucessão familiar.
2) Organize a documentação com antecedência
Mantenha em dia registros fundiários, licenças ambientais, certidões negativas, comprovantes de regularidade fiscal e documentos bancários.

Foto: Gilson Abreu
3) Revise o fluxo de caixa
Antes de contratar crédito, avalie a capacidade de pagamento e o impacto das parcelas no orçamento da propriedade, principalmente diante da elevação das taxas de juros.
4) Tenha um plano de investimento claro
Direcione o recurso com foco em produtividade, tecnologia ou sustentabilidade. Evite usar o crédito de forma genérica ou sem metas definidas.
5) Analise a linha de crédito mais adequada
O Plano Safra oferece diferentes modalidades, escolha com base no perfil da empresa (familiar, pequena, média ou cooperada), tipo de produção e porte do investimento.
6) Invista em governança
O ponto de partida para qualquer administração de empresa familiar é a total segregação entre o caixa da empresa e o caixa da família. Não se pode jamais misturar essas duas esferas. Além disso, sempre que possível, deve-se criar uma estrutura de governança profissional, contratando executivos ou, no mínimo, consultores independentes, para apoiar a empresa na tomada de decisões de gestão e de planejamento.

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Centro FAO/AIEA destaca uso de técnicas nucleares na agricultura
Painel na LARC39 apresentou iniciativas que vão do controle de pragas ao manejo sustentável do solo e da água.

O trabalho desenvolvido pelo Centro Conjunto FAO/AIEA de Técnicas Nucleares na Alimentação e Agricultura foi apresentado na última sexta-feira (06) durante um painel da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (LARC39). O centro, sediado em Viena, na Áustria, é resultado de uma parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O painel foi conduzido pela cientista Dongxin Feng, diretora do centro, que participa da conferência no Brasil. Segundo a pesquisadora, tecnologias nucleares aplicadas à agricultura têm contribuído para enfrentar desafios como a fome, a desnutrição, a sustentabilidade ambiental e a segurança dos alimentos.
O Centro FAO/AIEA reúne mais de 120 cientistas e trabalha no desenvolvimento e na disseminação de tecnologias nucleares e isotópicas voltadas à produção agrícola. As pesquisas buscam melhorar a produtividade das lavouras, controlar doenças e pragas, manejar solos e desenvolver culturas mais resistentes às mudanças climáticas.
Entre as aplicações dessas técnicas estão estudos sobre a absorção de nutrientes pelas plantas, o uso eficiente da água no solo, o rastreamento de fontes de poluição e o aprimoramento do manejo de fertilizantes.
As principais áreas de atuação do centro incluem o combate à fome e à desnutrição, o aumento da segurança alimentar por meio da irradiação de alimentos para ampliar a vida útil, o monitoramento de recursos naturais, melhorias na saúde e na reprodução animal e o controle de pragas agrícolas. Nesse último caso, é utilizada a técnica do inseto estéril, que consiste na criação de insetos em laboratório, esterilizados por radiação e liberados no campo para reduzir populações de pragas.
O centro coordena mais de 25 projetos de pesquisa por ano em todo o mundo, com a participação de mais de 400 instituições de pesquisa e estações experimentais. Além disso, apoia mais de 200 projetos de cooperação técnica nacionais e regionais voltados à transferência dessas tecnologias para países membros.
No Brasil, as ações são desenvolvidas principalmente por meio de cooperação técnica e redes de pesquisa com instituições nacionais. Entre os projetos está o controle da mosca-das-frutas com a técnica do inseto estéril, conduzido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA/USP). Também há estudos voltados ao manejo da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae), praga que pode afetar exportações agrícolas.
Outras iniciativas no país envolvem projetos de manejo sustentável de solos e fertilizantes, com o uso de isótopos estáveis para avaliar a eficiência de fertilizantes orgânicos e biofertilizantes, além de medir o uso de nitrogênio pelas plantas.
Pesquisadores brasileiros também participam de estudos voltados ao monitoramento de rios e aquíferos com o uso de isótopos naturais, contribuindo para a gestão de recursos hídricos. O país ainda integra o programa de cooperação técnica da AIEA, que inclui formação de especialistas, fortalecimento da infraestrutura científica e pesquisas sobre aplicações nucleares na agricultura e no meio ambiente, com participação de instituições como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), universidades e centros de pesquisa.
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União Europeia aprova pré-listing para gelatina e colágeno do Brasil
Mecanismo simplifica a autorização de exportações e amplia acesso desses produtos ao mercado europeu.

Entre os dias 04 e 05 de março, representantes do Brasil e da União Europeia participaram, em Brasília, de uma reunião do Mecanismo Sanitário e Fitossanitário (SPS). Durante o encontro, foi aprovado o mecanismo de pré-listing para estabelecimentos brasileiros produtores de gelatina e colágeno.
Com a decisão, o processo de autorização para exportação desses produtos ao mercado europeu passa a ser simplificado. Utilizados em setores como alimentos, medicamentos e cosméticos, a gelatina e o colágeno passam a ter um caminho mais direto para acesso ao bloco. A aprovação do pré-listing também indica o reconhecimento, por parte da União Europeia, dos controles sanitários adotados pelo Brasil nessa área.
Pelo lado europeu, participaram representantes da Direção-Geral da Saúde e Segurança dos Alimentos (DG Santé) e da Direção-Geral do Comércio (DG Trade), ambas ligadas à Comissão Europeia.
Do lado brasileiro, estiveram presentes representantes da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) e da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura e Pecuária, além de integrantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
A reunião faz parte do diálogo técnico mantido entre Brasil e União Europeia para tratar das regras sanitárias e fitossanitárias que regem o comércio de produtos agropecuários entre as duas partes.
O avanço ocorre em um momento de maior aproximação entre o Mercosul e a União Europeia, após a assinatura do acordo comercial entre os blocos, concluído depois de 26 anos de negociações.
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Brasil e países do Caribe avançam em diálogo sobre cooperação no agro
Encontro reuniu ministros da região e representantes do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e tratou de tecnologia, comércio e segurança alimentar.




