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Planejamento é essencial para boa produção de leite

Bom planejamento da lavoura de leite permite que o produtor tenha mais rentabilidade e menos custos na produção

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Como atuar na lavoura de forma que o animal tenha bem-estar e assim gere melhores resultados na produção foi assunto da palestra do zootecnista Davi Teixeira, durante o 13° Simpósio do Leite, que aconteceu nos dias 08 e 09 de junho em Erechim (RS). Com o tema “Lavoura de leite: um novo conceito de produção”, o profissional explanou aos presentes como um bom manejo da lavoura resulta positivamente na produção leiteira da propriedade. Teixeira mostrou como a boa pastagem dos animais influencia para que no final o produtor saia ganhando com a produção de leite, além de melhorar a qualidade de vida do rebanho.

O principal ponto focado pelo profissional foi a importância da boa alimentação e manejo do animal, além da necessidade do planejamento na lavoura, para que isso resulte positivamente nos resultados do produtor. Teixeira explicou que os mesmos cuidados que existem com as lavouras de soja, milho ou arroz devem também ser feitos com a produção de vacas leiteiras. Segundo ele, o manejo é essencial para os resultados. “Como qualquer lavoura, é preciso que o produtor faça o planejamento do que será feito e utilizado”, afirma.

O zootecnista afirma que toda a atividade deve estar bem organizada. “Porém, o limitante de tudo é tempo, tempo para que o animal consiga, ao longo de 24 horas, dar a resposta potencial dele em produção. Mas isso não é uma tarefa fácil”, afirma. Teixeira diz que ao longo do dia o animal gasta tempo com uma série de outras atividades, como beber água e ruminar, e isso limita o tempo que este animal de fato consegue otimizar a ingestão do pasto. “Por isso, é preciso ter outras estratégias de forrageamentos dos animais, ter suplementos, como silagem e grãos úmidos”, explica.

Teixeira complementa que é bastante comum enxergar sistemas, partindo de componentes de silagem dos animais, quando eles têm acesso a algo verde ou um piquete de forragem. “Isso significa que esses sistemas já estão fadados a um custo de produção mais alto e consequentemente a uma margem mais estreita por litro de leite. O animal terá que compensar em volume”, comenta. Teixeira acrescenta que, quando se pensa nesses sistemas a partir dos pastos, tanto de inverno quanto de verão, complementando a alimentação com outros componentes, como a silagem, feno ou ração, a tendência é que esse sistema tenha uma saúde financeira mais equilibrada. “Isso porque a relação entre a concentração de nutrientes e minerais investidos é mais favorável, permitindo que haja a oportunidade de prover esse competente, pelo menos em parte, com padrão de ingestão durante todos os dias do ano”, afirma.

“Quem faz a ordenha, a parte técnica, sabe que se o animal pastejou mais e em bons e verdes pastos, a resposta disso virá na produção do leite, isso é sabido”, diz o profissional. Ele explana que 60% do custo da produção está relacionada à alimentação, por isso é preciso organizar o processo para que o negócio leite seja bem desempenhado e gere resultados.

Solução

Para que o produtor tenha mais qualidade e produtividade na lavoura de leite, o zootecnista destacou alguns passos. O primeiro, segundo Teixeira, é planejar. “É preciso planificar o que vai ser plantado em cada época e quem manda nisso é o rebanho, que está em áreas de produção. Dessa forma, obrigatoriamente, se quer respostas do rebanho, é preciso entender que precisamos de alimento”, afirma.

O segundo passo é oferecer alimento de alto padrão o ano todo para o animal. “É preciso este alimento de alta qualidade para todas as vacas 24 horas por dia. Se não puder as 24 horas, que então sejam duas ou quatro horas, mas que o alimento seja sempre de alto padrão de oferta e com regulagem dos animais”, afirma. Teixeira comenta que entende que existem momentos difíceis, como os vazios forrageiros, por exemplo, mas é necessário que o produtor tape isso, “e isso só será feito com planejamento”, diz.

O profissional comenta que tendo folhas verdes todos os dias do ano, pelo menos duas horas por dia, haverá o complemento da dieta, essencial para a melhora na produção animal. “O rebanho tendo ponta de folha verde o ano todo, nós vamos ajustar o complemento da dieta com silagem ou ração, e dependendo de quantas horas por dia foi o pastejo de folha verde, nós vamos nos basear naquilo com que conseguimos oferecer de pasto e aquilo que significa o fechamento financeiro da atividade”, conta. “É preciso que tenhamos um olho no que tem de pasto e um olho nos demais ingredientes, que então fecho os resultados financeiros da atividade”.

Estes são os primeiros exercícios de diferentes combinações de pastagem. “É preciso sempre ter algo verde, na fase inicial do ciclo, a oferecer durante algum período da refeição. E precisamos nos lembrar que uma boa refeição de um animal varia entre 40 minutos e 1h30”, afirma. Teixeira complementa que duas boas refeições de pasto, todos os outros componentes incrementados na dieta são considerados complemento, já que nestas duas ou quatro horas de bom pastejo o animal consegue chegar a 60% do total do potencial.

Depois disso, o profissional afirma que é preciso distribuir as áreas de propriedade em cada estação do ano, para que não falte o alimento para os animais. Isso tem que ser uma constante de planejamento.

Planejamento

E falando em planejamento, o profissional alerta que para que o rebanho alcance os resultados esperados é preciso que o produtor tenha um constante análise da pastagem, já que quantificar ajuda a minimizar erros de manejo. “O planejamento ajuda o manejo a dar certo, porque você quantificou. O máximo que pode dar errado é vir uma estiagem maior que a prevista e ter que usar mais silagem ração, ou chover demais e o produtor vai poupar alguns piquetes e fazer feno, ou sobrar pasto, mas você não vai errar por falta de comida”, afirma.

Teixeira acrescenta que a quantificação é somente uma parte do exigido, já que a lavoura de leite, diferente de outras, é colhida todos os dias. “Outro componente tão importante quanto o planejamento é o manejo dessa lavoura. E manejar uma lavoura não é só adubar, mas sobretudo saber colher, regular as colheitadeiras”, afirma.

Uma solução apresentada pelo zootecnista foi o conceito de manejo de pastagem chamado rotatíneo, que é uma mistura do pastoreio rotacionado e contínuo. “É rotacionado por uma característica do sistema leiteiro de piquete, que facilita para o manejador controlar, e tem rotação nas áreas. Mas é contínuo porque para o animal que está pastejando a sensação deve ser de estar sempre no melhor pasto”, conta. E esta é uma situação diferente do que geralmente é vista. “Vemos que geralmente o animal entra no pasto com uma condição boa e depois termina com essa condição boa e segue naquele piquete com muito mais tempo com um desempenho prejudicado”, explica. O profissional ainda complementa que o conceito basicamente significa usar menos tempo em cada área de pastagem e rodar mais rápido.

Nos estudos em que este conceito é debatido, foi constatado um padrão de comportamento dos animais. Segundo o zootecnista, o animal ingere de acordo com o desempenho, sendo que eles não devem pastejar além de 50% das alturas ótimas ideais de cada espécie de pasto, seja sorgo, braquiária, sudão ou alguma outra. “Sempre que o animal passa dos 50% da altura ideal na entrada do pastejo o desempenho dele cai drasticamente”, afirma. O zootecnista ainda aconselha que os produtores jamais deixem com que os pastos sejam totalmente raspados. “É melhor que o tempo de pastejo diminua do que raspar totalmente o pasto. Isso reduz o custo do produtor em silagem e ração”, conta. Segundo ele, se não houver essa prática na lavoura, um pasto que poderia durar até 100 dias dura somente 30. “Se você gasta até R$ 800 para fazer uma pastagem com boa semente, bem adubada, com nitrogênio, e ela durar somente 60 dias, já não se paga. Agora, se você deixar com que os animais não raspem totalmente o pasto, deixando a folha verde, dessa forma, ela dura até 180 dias. E com isso, uma colheita de leite se paga com folga”, diz.

Teixeira argumenta que se a pessoa erra no manejo da lavoura, se deixa que o piquete vá até o chão, o desempenho cai consideravelmente. “As raízes do piquete tendem a acompanhar as raízes de massa verde. Se deixarmos isso acontecer as plantas terão menos tamanho e força para buscar nutrientes no solo”, afirma. Além disso, o profissional ainda acrescenta que quando o produtor consegue controlar a altura do pasto significa mais qualidade nutricional, alta velocidade de ingestão dos animais, maior seletividade da dieta, maior taxa de rebrota, maior produção de forragem, economia de ração, entre tantas outras. “E é o tempo de acesso que vai definir isso. Se não tem como você deixar o rebanho o dia inteiro pastejando, deixe somente metade do dia, ou mesmo somente uma hora. Mas é muito importante respeitar as alturas ótimas no manejo do pasto”, reitera. “Se o rebanho entrou no pasto de aveia preta com 30 cm e saiu com 18 cm, está excelente; se entrou no azevem com 20 cm e saiu com 10 cm, ótimo também”, exemplifica.

Adotando pequenas técnicas no dia a dia, os custos da produção diminuem e os resultados são notáveis, afirma Teixeira. “Deixar com que os pastos fiquem nas alturas ideais e ter um planejamento anual na alimentação do rebanho faz com que o produtor fique menos dependente das crises financeiras do mercado. Além disso, aquele animal que está há muito tempo coletando somente a parte superior do pasto e deixando a fila pós pastejo está contribuindo para a longevidade do pasto, além de aumentando os lucros da produção”, diz. “Faz uma baita diferença no leite e nos resultados econômicos porque o produtor planejou, e assim conseguiu diminuir seus gastos e aumentar a produção”, finaliza.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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